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Às notícias. Jornal da Uma, com edição de José Rafael Lopes. E começamos com a situação em Ceuta. O último balanço aponta para a entrada de 60 mil migrantes em 24 horas. Há registro de 34 mortos. O primeiro-ministro espanhol fala de um ataque e uma violação da integridade territorial de Espanha.
Em causa, essa entrada de 60 mil migrantes em Ceuta nas últimas 24 horas. O número foi avançado pelo presidente da Cidade Autônoma de Ceuta, Jesús Vivas, depois de uma reunião com o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez. Depois desse encontro, Pedro Sánchez falou ao país, garantiu que o governo espanhol vai utilizar todos os recursos possíveis para garantir a segurança de Ceuta.
Dizer aos ceutis que toda a Espanha está com eles e, consequentemente, o governo de Espanha está com Ceuta. Em segundo lugar, definir o que aconteceu no dia de ontem como um ataque, uma violação da integridade territorial de Espanha, das fronteiras e de uma cidade espanhola como é a cidade de Ceuta. O que aconteceu ontem merece todo o nosso repúdio, toda a nossa rejeição e condenação à violação e ao ataque à integridade territorial de uma cidade espanhola como é a cidade de Ceuta.
Pedro Sánchez, que garante ainda estar já em contato com as autoridades marroquinas para agilizar a repatriação dos migrantes. Explica o primeiro-ministro espanhol que a guarda civil vai colocar boias no espigão fronteiriço entre Ceuta e Marrocos para criar uma barreira física para facilitar a repatriação na fronteira. O primeiro-ministro espanhol garante que os imigrantes vão voltar para Marrocos.
O que estamos a fazer agora é agilizar tudo o que tem a ver com o processo de repatriação dos imigrantes que entraram de forma irregular no dia de ontem. Como podem ver, já estão a sair muitos desses imigrantes. Em todo o caso, hoje já se reuniu com caráter de urgência a Comissão de Asilo para proceder e facilitar a repatriação dos imigrantes que entraram de maneira irregular.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, na primeira declaração que fez ao país a partir de Ceuta, numa altura em que a situação dá conta da entrada de 60 mil migrantes em apenas 24 horas na região de Ceuta.
E apesar do intensificar nas últimas 24 horas, este movimento migratório em massa dura já há 10 dias.
O caso levou ao colapso dos serviços de acolhimento da cidade e o exército foi chamado a intervir. A Inês André Figueiredo, enviada especial do Observador a Ceuta, relata um cenário de desespero.
A chegada aqui a Ceuta é avassaladora. Logo que saímos do porto, vimos um número incontável de pessoas na rua a caminhar, aparentemente sem rumo, pessoas a dormir sentadas no chão, em muros. A imagem que descreve melhor o que estamos a ver é quando termina um grande evento, como um concerto, e há pessoas por todo lado. Nem sequer é possível ver algumas das estradas. São maioritariamente homens e vêm sem nada, só com as roupas que têm no corpo. Muitos estão descalços, outros de chinelos e de sapatilhas, mas há mesmo muita gente descalça, claramente sem nada, sem bens, sem malas e aparentemente sem destino. E neste momento, a viagem desde o ferry até ao ponto de fronteira entre Marrocos e Espanha, por onde está a entrar mais gente, fizemos de carro, durou cerca de 15 minutos e acabamos de estacionar nesse ponto. Há dezenas de tanques parados na estrada, centenas de pessoas e muita gente a chegar a todo momento.
O relato da Inês André Figueiredo, enviada especial a Ceuta, em conjunto com o fotojornalista João Porfírio.
E José, já há reações em Portugal. O CHEGA quer a suspensão temporária do acordo de Schengen com Espanha.
Num comunicado, o partido anuncia que vai entregar hoje no Parlamento uma proposta que pretende a reposição imediata do controle nas fronteiras terrestres com o país vizinho. Já a presidente da Comissão Europeia também reagiu a este movimento migratório em Ceuta. Ursula von der Leyen diz que as travessias ilegais têm de terminar para evitar mais mortes.
E o ministro da Administração Interna não deverá mesmo ser ouvido no Parlamento.
À segunda tentativa, a mesma resposta, PSD e CDS votaram contra a segunda audição do ministro na Comissão Permanente. Na conferência de líderes convocada pelo presidente da Assembleia da República, os dois partidos do governo votaram novamente contra, ao que o Observador apurou. Essa reunião começou com uma declaração de José Pedro Aguiar Branco, que sublinhou que para existir uma audição numa comissão com competências limitadas, teria de existir consenso. Consenso nunca foi conseguido e Luís Neves não vai para já ser ouvido no Parlamento.
O secretário-geral do Partido Socialista admite não ter medo de eleições e sobre as polêmicas em torno de Luís Neves, considera anormal que o atual governo já tenha tido tantos problemas com tantos ministros.
José Luís Carneiro esteve esta manhã no "Sob Escuta", aqui na Rádio Observador, sobre a possibilidade de o país ir a eleições legislativas antes do previsto. O socialista garante que o partido está pronto para servir os portugueses quando surgir a oportunidade.
O Partido Socialista será parte responsável para garantir estabilidade política ao país, mas não teme as eleições.
Isso quer dizer o quê, exatamente?
Quer dizer que o Partido Socialista se tem vindo a preparar para ser uma alternativa para responder aos cidadãos.
E já está pronto.
Há um ano que tenho e que temos equipes diversificadas. O Partido Socialista é um grande partido que tem capacidade convocatória para servir o país quando os portugueses assim o entenderem. Não é por nós que haverá crise política.
O secretário-geral do PS, que sobre as polémicas em torno do atual ministro da Administração Interna, critica a escolha de Luís Montenegro e reitera que tem sido o governo o principal fator de instabilidade política por culpa do primeiro-ministro.
O Luís Montenegro é o principal responsável por tudo quanto tem vindo a passar. E por quê? Eu devolvo com uma pergunta: é normal ter tantos problemas com tantos ministros? Não é normal falharem tantos membros do governo, falharem nas funções de soberania, na gestão de crise. A gestão de crise tem sido um falhanço completo do governo. O que isso significa? Significa que não há liderança do governo, porque a liderança do governo, um líder do governo, um primeiro-ministro, tem o dever de antecipar. Aquilo que eu tenho lido é que há um governo em dissolução, em anarquia, na forma como funciona.
Sobre o orçamento de Estado, José Luís Carneiro recorda as palavras do Presidente da República quando disse que não seria nenhum drama se o país tivesse de ser governado em duodécimos.
E o incêndio em Valpaços é, por esta hora, combatido por 900 operacionais, apoiados por 300 viaturas e seis meios aéreos.
O incêndio começou esta terça-feira em Valpaços, no distrito de Vila Real, mas já chegou aos concelhos de Mirandela, Vinhais e Macedo de Cavaleiros, isto no distrito de Bragança. A esta hora, a maior preocupação é a única frente ativa que lavra nos concelhos de Mirandela e Vinhais. As três frentes que estavam ativas durante a noite já estão em rescaldo, isto no Conselho de Valpaços. O comandante regional do Norte da Proteção Civil revela que durante a noite não arderam casas, não se registaram feridos. Entretanto, algumas pessoas foram, no entanto, assistidas. O incêndio que deflagrou em Chaves também mantém algumas preocupações. Há pontos quentes para consolidar, sobretudo junto à autoestrada A24, mas, diz a Proteção Civil, está a situação 90% resolvida.
E José, os lucros do BPI caíram 13% nos primeiros seis meses do ano.
É o que revelam as contas que foram divulgadas hoje num relatório enviado à Comissão do Mercado de Valores Imobiliários. O banco registou, em comparação com o mesmo período no ano passado, uma redução de € 35 milhões nos lucros, em queda para um resultado de 239 milhões. Esta quebra é explicada por dois fatores. O primeiro é os ganhos do primeiro semestre em 2025, devido à reversão das contribuições do adicional de solidariedade. A segunda é a reclassificação contabilística da participação no BCI.
E agora, José, que outras notícias marcam a atualidade?
Mais de 300 pessoas foram detidas em França por suspeitas de incêndios criminosos. Anúncio feito pelo ministro francês da Administração Interna, citado pelo jornal Le Figaro. Entre os detidos, 33 estão em prisão preventiva. Há 120 menores entre os incendiários suspeitos. Demitiu-se o conselheiro sênior de Gianni Infantino na FIFA depois de ter anunciado os planos para a criação de uma nova empresa que deve passar a gerir o lado comercial dos Campeonatos do Mundo. Notícia avançada pela Sky News, trata-se de Carlos Cordeiro, que foi presidente da Federação de Futebol dos Estados Unidos, vice-presidente da Goldman Sachs. Renuncia agora ao cargo de conselheiro sênior da FIFA por não concordar com a estratégia do organismo.
E fica por aqui o Jornal da Uma, edição foi do jornalista José Rafael Lopes.