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Rádio Observador. Começa agora o Jornal das duas, edição do jornalista Miguel Cordeiro. Miguel, em destaque: o Governo antecipa que a notação financeira de Portugal seja revista em alta.

Depois de decisões favoráveis por parte da Agência Fitch e Scope, o Ministério das Finanças antecipa possíveis subidas de rating de Portugal. Isto surge num comunicado da tutela. A Agência Fitch decidiu manter o rating de Portugal inalterado em A menos, mas melhorou de estável para positiva a perspectiva associada ao rating português. A agência de notação financeira Scope, agência europeia, manteve o rating de Portugal em A menos e reviu o outlook em alta. Subidas que podem contribuir para custos de financiamento mais baixos no mercado de dívida. O Ministério das Finanças diz que essa decisão, anunciada em plena negociação do próximo Orçamento do Estado, demonstra confiança no desempenho da economia portuguesa e demonstra também o reconhecimento do trabalho que está a ser feito pelo Executivo. Neste jornal está conosco o jornalista Edgar Caetano, é jornalista da seção de Economia do Observador. Edgar, vamos começar por explicar o que é isto, que importância tem esta revisão em alta do rating de Portugal.

É verdade que hoje em dia fala-se menos de agências de rating do que há 10 ou 12 anos, quem se lembra. Basicamente, as agências de rating são empresas que são especializadas em avaliar o risco de Estados ou de empresas de mais variados setores. Ou seja, são alguém a quem é pedido uma opinião sobre se aquela empresa ou se aquele Estado é solvente, se terá capacidades para pagar aquela dívida que se propõe contrair. Basicamente, estamos a falar de mercados financeiros, têm sempre a sua complexidade, mas pensa que quando vais ao banco, pedes um crédito habitação e é o banco que vai fazer a análise do teu risco. Vai avaliar os teus rendimentos, o teu património e vai dizer: esta pessoa tem um risco que é X, depende de como é que avaliam. Mas no mercado é um pouquinho diferente. O que acontece é que as empresas, e neste caso os Estados, como o Estado português, não vão ao banco buscar dinheiro. O que fazem é contratar estas empresas de rating e elas fazem essa análise do risco do Estado, das condições económicas daquele país, etc. E depois são estes tais Estados ou empresas que vão pegar nessa análise e com o benefício de ter essa análise na mão, vão mostrá-la a investidores que possam comprar a dívida. Obviamente, quanto melhor é o teu risco, mais investidores tu vais encontrar pra tua dívida, porque tens fundos de pensões mundiais que investem em dívidas dos países.

Portanto, aumenta o número de pessoas ou o número de pessoas com confiança, entidades que podem investir em Portugal ou comprar dívida.

Porque repara, a maior parte dos investidores em dívida dos países são fundos de pensões mundiais, são os próprios bancos centrais, são fundos de investimento internacionais. E esses fundos de pensões, por exemplo, têm regras, só podem investir em dívida com o rating de A ou duplo A. Ou seja, tu quando consegues ter um rating maior, consegues atrair mais investidores pra tua dívida, entidades que investem em dívida dos países. Quanto mais conseguires atrair, em teoria, mais baratos são os teus custos de financiamento. E, portanto, a Fitch, em particular, que é a notícia de sexta-feira, hoje comentada pelo Ministério das Finanças. A Fitch tem o rating de Portugal no nível A menos. Regra geral, as agências de rating têm uma escala que vai nas primeiras letras do abecedário, da A, B, C, D, e quanto mais estás perto do A, melhor é o teu risco. Aí tens os três As, tens os dois As, neste caso, Portugal está no um A, nível um A, no caso da Fitch, que é o A menos. Mas, por outro lado, pra complicar um bocadinho ainda mais, os ratings também têm a chamada perspectiva, que foi isso que disseste há pouco. A perspectiva basicamente diz se aquele rating que existe, que é o tal A menos, tem mais tendência para melhorar ou pra piorar nos próximos tempos ou pra manter-se estável. E o que passou a acontecer na sexta-feira é que a Fitch, que é uma das principais do mundo, uma das quatro reconhecidas pelo BCR, são só quatro que o BCR reconhece, e reconhecida por esses tais investidores que usam essas notações de risco. A Fitch está, no fundo, a dizer que é provável que o rating que está nesse nível de A menos possa subir, por exemplo, para A, e no futuramente para A+ e depois para dois As. Ou seja, é isso que está aqui a ser dito.

E isto pode ter impacto no Orçamento do Estado. O governo diz que isto demonstra a confiança no desempenho da economia portuguesa. Isto pode servir aqui pra pressionar os partidos durante as negociações para o Orçamento?

Eu sublinhava outra parte do comunicado, que é quando ele diz que esta decisão da Fitch e da outra agência também, mas que no fundo é o reconhecimento do trabalho que está a ser feito pelo Executivo, no sentido de garantir o equilíbrio das contas públicas e a redução sustentada da dívida pública. Ora, é isto que estamos a falar quando estamos a falar do Orçamento do Estado. Sabemos que temos um governo que é minoritário, que não consegue aprovar o orçamento por si só, e sabemos que estão a acontecer duas coisas. Por um lado, estão a negociar-se o Orçamento do Estado e, por outro lado, também nos últimos meses tens vindo a ver serem aprovadas medidas no Parlamento, iniciadas pela oposição, nomeadamente pelo PS, como o fim das ex-SCUT, das portagens, as alterações no IVA da eletricidade. Ou seja, são medidas que são aprovadas não pela iniciativa do governo, mas pela iniciativa da oposição e que têm impacto orçamental. E, portanto, quando o governo neste comunicado salienta que os mercados estão a olhar pra nós, as agências de rating estão a olhar pra nós e estão a ver que nós temos um compromisso com a centralidade das contas públicas, com o equilíbrio, está no fundo a dizer, neste caso ao PS, provavelmente, que é pra manter e, portanto, o orçamento é pra fazer sentido, não é para ser algo que contrarie o tal equilíbrio.

Edgar Caetano, a ajudar-nos a explicar também o que significa esta questão do rating e que impacto pode ter também durante as próximas semanas, nesse momento de discussão do Orçamento do Estado. Hoje, esta indicação do governo a antecipar que a notação financeira de Portugal será revista em alta.

Seguimos com as notícias. O IPMA alerta para a chegada de chuva forte e persistente a partir de terça-feira, em especial no Norte e Centro do país.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera indica que os dias de chuva mais fortes vão ser quarta e quinta-feira, em especial a norte do Cabo Mondego e nas regiões montanhosas. A sul, o IPMA indica que a precipitação deverá ser fraca e pouco provável no interior do Baixo Alentejo e no sotavento algarvio. Também se prevê que o vento aumente de intensidade entre a tarde de quarta-feira e o início da manhã de quinta-feira, em especial nas regiões Norte e Centro. Este aviso do IPMA surge depois da recomendação da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, que aconselhou a adoção de medidas preventivas nas zonas afetadas pelos incêndios, onde, devido à chuva agora prevista, podem acontecer deslizamentos de terras.

Em 12 localidades de Portugal estão agendadas para hoje manifestações contra os incêndios florestais.

São protestos depois destes fogos no Norte e Centro do país, que provocaram a morte a cinco pessoas e mais de 170 feridos. As manifestações têm como nome "O país arde, temos de acordar". Acontecem nas ruas das principais cidades: Lisboa, Porto, Coimbra e Braga, mas também em várias localidades afetadas por incêndios: Castanheira de Pera, Pedrógão Grande, Odemira, Vila Nova de Poiares, Sertã, Torres Novas, Cerveira, Arganil e Mêlgares. São manifestações contra os incêndios, o abandono do território e a monocultura do eucalipto. Foram convocadas estas manifestações por um grupo de cidadãos que inclui ativistas, investigadores em alterações climáticas, biólogos. Um grupo que há cerca de um ano organizou já uma manifestação em defesa da floresta.

E na atualidade internacional, no Irão, dia marcado por uma explosão numa mina de carvão. 51 pessoas morreram e 20 ficaram feridas.

Este incidente aconteceu durante a noite. Podem existir mais vítimas presas nos escombros. Terá sido uma fuga de gás metano que provocou a explosão nos blocos B e C desta mina, que fica em Tabas, a cerca de 540 km a sudeste da capital, Teerão. A operação de resgate no bloco B foi concluída. Isto foi indicado pelo responsável à agência de notícias IRNA, mas as equipes de emergência ainda estão a trabalhar no bloco C. Uma operação que pode levar várias horas. Existe o risco de que o número de vítimas possa aumentar, já que vários trabalhadores ainda estavam desaparecidos. Teme-se que estejam presos dentro da mina.

Mais de 150 foguetes e mísseis cruzeiro foram disparados do Líbano contra Israel.

Disparados em direção ao norte de Israel. Estes disparos começaram durante a madrugada. A maioria foi interceptada, mas um pequeno número atingiu o território israelita com fragmentos. Em resposta, o exército israelita continua a atacar alvos do Hezbollah no Líbano. E o primeiro-ministro de Israel considera que o grupo xiita libanês ainda não compreendeu a mensagem após a escalada de ataques nos últimos dias.

E também olhamos para o desporto, para o futsal. Portugal já está apurado para os oitavos de final do Mundial, mas joga agora o último jogo da fase de grupos.

Marrocos-Portugal. Edu, Eric, João Matos, Bruno Coelho e Pani Varela estiveram no cinco inicial. O jogo começou há 13h30. Para já, está a 25 segundos do final da primeira parte e Portugal está a vencer por 2 x 0. Até agora, Portugal ganhou todos os jogos. Bateu o Panamá por 10 x 1 na primeira jornada, o Tajiquistão por 3 x 2 no segundo jogo e para já, bem perto do intervalo, está a vencer por 2 x 0 frente à seleção de Marrocos. É um jogo que vamos continuar a acompanhar nesta tarde informativa da Rádio Observador.

Em MotoGP, Miguel Oliveira ficou em décimo lugar no Grande Prêmio de MotoGP de Emília-Romanha, em Itália.

O piloto português subiu assim duas posições, já que partiu do lugar 12, acabou a corrida a 32 segundos do primeiro classificado, Enea Bastianini. O piloto da Ducati ganhou em casa o Grande Prêmio ao ultrapassar Jorge Martin na última volta de forma polêmica. Pecco Bagnaia caiu a sete voltas do fim e complicou as contas do título.

E assim fechamos o jornal das 14h, edição do jornalista Miguel Cordeiro. Está de regresso às 14h30. Até já.

Até já.

E já a seguir temos: E o resto é história.