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Duas horas. Está no ar o Jornal das Duas, com edição do João Gama. João, subiu para cinco o número de mortes provocadas pela passagem da depressão Kristin. Quatro pessoas morreram no concelho de Leiria.

Duas por paragem cardiorrespiratória, outras duas por causas ligadas diretamente ao mau tempo. Foi o que disse o presidente da Câmara Municipal na última hora, Gonçalo Lopes, fala de um dos dias mais negros do concelho de Leiria.

Temos a lamentar quatro mortes, duas provocadas diretamente pela ocorrência do fenômeno que registamos, que teve uma dimensão ainda difícil de calcular, mas que seguramente será um dos dias mais negros do concelho de Leiria, e que coloca a nossa cidade e o nosso concelho num estado de alerta. E deixava um apelo a toda a população, nos próximos dois dias, nas próximas 48 horas, evitem sair de casa.

Gonçalo Lopes, em conferência de imprensa, precisamente na cidade de Leiria, mostra-se preocupado com os dias que se avizinham. Apela às empresas que tenham geradores de eletricidade disponíveis, que cedam às populações mais necessitadas, que se encontram sem luz, como lares ou também a esquadra da PSP. Pede à população que racione e equilibre o consumo d'água e de bens alimentares. E ao governo, Gonçalo Lopes pede que seja decretado o estado de calamidade.

E por isso, o primeiro apelo que fazia era que o próprio governo equacionasse de imediato o estado de calamidade, para podermos acudir a todos os prejuízos e recolher, na nossa região, os bens necessários para recuperar a vida normal do nosso concelho.

Declarações de Gonçalo Lopes numa conferência de imprensa transmitida na última hora.

E a Proteção Civil registou até ao meio-dia mais de 3300 ocorrências devido ao mau tempo.

Um balanço que foi feito na última hora, em conferência de imprensa. A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil lamenta a morte de duas pessoas esta manhã, confirmada até à última hora. Entretanto, esse número aumentou para cinco. Daniela Fraga, adjunta de operações do Comando Nacional da Proteção Civil, fez o mais recente ponto de situação no terreno e confirmou o número de ocorrências desde a meia-noite.

Estamos a registrar, nas últimas horas, mais de 3300 ocorrências. Este número está a ser muito dinâmico, com uma evolução também muito rápida. No que concerne à tipologia da ocorrência, estamos a falar em queda de árvore, em quedas de infraestruturas, inundações e também às limpezas de via.

Declarações de Daniela Fraga na conferência de imprensa da Proteção Civil, na passada hora. As zonas mais afetadas são Leiria, Coimbra, Lisboa, Setúbal, toda a zona Oeste, Lezíria do Tejo e também Aveiro. Nesta conferência de imprensa, esteve também presente José Manuel Moura, presidente da Proteção Civil, diz que alguns trabalhos podem ainda vir a demorar.

Algumas situações podem demorar mais do que um dia. Esperemos, tudo está a ser feito para que assim não aconteça. A reposição da normalidade vai ser paulatina, vamos ter que fazer o caminho, temos que ir percorrendo até chegar a essa situação. Há situações que são mais fáceis de resolver do que outras, umas têm uma complexidade completamente diferente, sendo certo que a maior parte da tipologia das ocorrências são quedas de árvores e essas são de fácil resolução.

As declarações de José Manuel Moura nesta conferência de imprensa da Proteção Civil. O presidente da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil diz ainda que tem estado, até agora, em plena colaboração com o governo.

Como deve calcular, a tutela está a ser permanentemente informada das situações. Há poucos esteve aqui o chefe de gabinete da senhora ministra. O seu Estado-Maior tem estado em permanente contacto comigo, e está a ser informado da situação. Portanto, sobre essa matéria, não tenho mais a acrescentar. Está a ser um acompanhamento permanente e constante relativamente às situações que vão acontecendo.

A Proteção Civil estendeu o estado de prontidão, nível quatro, até às 23h59 de hoje. É esperado que o número atual de ocorrências, 3300, venha ainda a subir. Há um novo briefing da Proteção Civil marcado para às 16h00.

E as regiões Centro e do Oeste têm sido as mais afetadas, ou foram as mais afetadas, pela passagem da depressão Kristin. Há condicionamentos nos hospitais, danos em estruturas e há também, João, desalojados.

Pelo menos 40 pessoas foram deslocadas em Peniche, outra no Canaval e em Pataias há três desalojados, depois de uma habitação ter ficado sem teto. Em Évora, uma casa ficou inundada, obrigou a retirada de um casal e do filho menor do interior da habitação. No concelho de Alcobaça, a queda de uma árvore de grande porte em cima de uma autocaravana resultou num ferido grave e em Leiria uma grua caiu em cima de um prédio e o Estádio Doutor Magalhães Pessoa ficou também sem cobertura por causa do vento.

E quanto a outras regiões, por exemplo, no Centro, o Aeródromo Bissaya Barreto, em Coimbra, ficou parcialmente destruído.

Com aeronaves num estado irrecuperável. Na Figueira da Foz, a Unidade Local de Saúde do Baixo Mondego ficou com vários vidros partidos, que impossibilitam a circulação em corredores. Cerca de 10 cirurgias que estavam programadas para o dia de hoje foram, por isso, suspensas. Apesar dos constrangimentos, Ana Raquel Santos, presidente do Conselho de Administração da ULS, garante que o hospital mantém-se em funcionamento e espera que toda a situação esteja normalizada até amanhã.

O principal impacto que os utentes estão a sentir é a mesma inoperacionalidade do bloco operatório, que durante o dia de hoje não é possível fazer cirurgias convencionais, mas mantemos o ambulatório cirúrgico que se localiza numa área não afetada. Tentaremos restabelecer a situação ao longo do dia de hoje, portanto, esperamos amanhã estar em condições de garantir o funcionamento do bloco operatório.

Declarações de Ana Raquel dos Santos, aqui num registo captado pela RTP. Há ainda a registar três feridos ligeiros que se deslocaram até ao hospital da Figueira da Foz.

E ao meio-dia, a E-Redes avançava que 570 mil casas não tinham energia elétrica.

Agora, porque no pico da tempestade, esse número, João Miguel, chegou a ser de 1 milhão de clientes afetados, devido ao vento que causou cortes de energia e também nas comunicações. O acesso à internet está fortemente condicionado nos distritos de Leiria e de Coimbra, é o que avisa a Cloudflare. Entretanto, também na última hora, o IPMA anunciou a rajada mais forte de vento, provocada precisamente pela Depressão Kirsten, foi de 149 km/h no Cabo Carvoeiro.

E como dissemos, Aveiro é um dos locais mais afetados. A Proteção Civil desta região avançou que enviou mais de 70 operacionais e cerca de 20 viaturas de socorro para as regiões vizinhas de Coimbra e Leiria.

Foi o que disse à Rádio Observador o comandante sub-regional da Proteção Civil da região de Aveiro. Diz que apesar de ter registado mais de uma centena de ocorrências, a situação é, no geral, calma nesta região, o que permitiu, por isso, enviar ajuda para as regiões que estão a ser mais afetadas pelo mau tempo.

Nós neste momento temos dois grupos na região de Coimbra e um grupo na região de Leiria. Um grupo na volta de 25 homens e seis viaturas. A nossa capacidade também não é ilimitada. Portanto, na região de Aveiro temos 13 corpos de bombeiros e, portanto, são desses corpos de bombeiros que estão a ser disponibilizados meios, para além da atividade diária que eles estão a ter aqui na região, para poderem auxiliar nas zonas mais afetadas.

Declarações de António Ribeiro, é comandante sub-regional da Proteção Civil da região de Aveiro. A sublinhar que os meios da Proteção Civil nesta região são, ainda assim, limitados.

Choveu muito na última noite, tem chovido muito neste inverno e por isso os solos estão neste momento saturados. Ora, o climatologista Carlos da Câmara alerta que toda essa água pode refletir-se no aumento dos caudais em caso de persistência de chuva forte.

Alerta, por isso, em declarações à Rádio Observador, que é necessário estar atento aos riscos de desabamento nas áreas que arderam durante este verão. E quanto à possibilidade de cheias, o climatologista diz que é preciso estar alerta.

O que acontece é que, devido a termos tido este inverno ser particularmente chuvoso, os solos neste momento estão completamente saturados. Portanto, isso quer dizer que a capacidade que eles têm de retenção da água é praticamente nula. O que quer dizer, portanto, que a reatividade a qualquer precipitação mais intensa vai refletir-se certamente com o aumento de caudais, quer de ribeiras, quer de rios.

Quanto às previsões da tempestade e aos avisos à população, o climatologista Carlos da Câmara diz que as autoridades fizeram um ótimo trabalho.

Vamos continuar a acompanhar nas próximas horas os efeitos da passagem da Depressão Kirsten por Portugal. É o ponto final no Jornal das duas.