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Jornal das duas com o Miguel Videira. Miguel, vão ficar retidas, pelo menos até amanhã, as pessoas que tiveram de ser retiradas das casas nas zonas ribeirinhas junto ao rio Mondego. O Presidente da República, o Primeiro-Ministro, a Ministra do Ambiente e o Secretário de Estado da Proteção Civil estão em Coimbra.
Epicentro das preocupações das autoridades de Proteção Civil face ao risco de rebentamento dos diques do rio Mondego, mais de 3 mil pessoas receberam indicação para deixarem a casa onde vivem, nas zonas ribeirinhas dos concelhos de Coimbra, Soure e Montemor-o-Velho. E de acordo com a Proteção Civil regional, devem ficar impossibilitadas de regressar a casa, pelo menos até amanhã. O comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil da região de Coimbra, Carlos Luís Tavares, diz à Agência Lusa que tem a indicação de picos no risco de cheias para o dia de amanhã, precisamente quinta-feira.
E a Proteção Civil alerta que os rios Mondego, Tejo, Sorraia, Vouga, Águeda e Sado estão em risco severo de cheias.
No último briefing da Proteção Civil, há pouco, o comandante nacional Mário Silvestre alertou para o facto de, além destes rios, há ainda outras bacias hidrográficas em risco de inundação.
Com risco significativo de inundações, o rio Mondego, o Tejo, o Sorraia, o Vouga, o Águeda e o Sado. Com risco de inundação, mantêm-se o rio Minho, o Cora, o Lima, o Cávado, o Ave, o Douro, o Tâmega, o Sousa, o Lis, o Nabão e o Guadiana.
Mário Silvestre dá conta também das principais localidades com ocorrências mais significativas do Mondego à península de Setúbal.
Almada, Costa da Caparica, movimento de massas, desabamento de pedras, danos em um edifício, seis realojados nas instalações da Inatel, 25 deslocados para casas de familiares. Almada, Porto Brandão, movimento de massa, acesso condicionado apenas a veículos 4x4, procede-se à evacuação de residentes, ligação fluvial interrompida, assim como laboração da empresa ETC na região de Coimbra, a evacuação preventiva das zonas ribeirinhas na margem esquerda e na margem direita do rio Mondego.
Também na lezíria do Tejo, no Cartaxo, derrocada de um armazém de luto, sem vítimas, e o plano especial da bacia do Tejo mantém-se no nível máximo, o nível vermelho. O comboio de tempestades já supera as 14.300 ocorrências. Estão ainda 30 mil clientes sem energia, 23 mil em Leiria, 6 mil em Santarém e mil em Castelo Branco.
A chuva intensa deve manter-se pelo menos até ao final desta tarde.
Sim, é essa a previsão do IPMA. O meteorologista Jorge Ponte sublinha que as regiões Norte e Centro devem ser as mais atingidas pela precipitação forte.
Hoje é um dia com chuva persistente e por vezes forte, particularmente nas regiões Norte e Centro e nas zonas serra, com mais intensidade. Temos aviso laranja emitido até às 18h00 em alguns distritos, essencialmente a norte de Santarém, Leiria e a parte da metade litoral, incluindo os distritos de Viseu e Vila Real. Podem ser ainda, por vezes, acompanhados de trovoada e os acumulados vão ser significativos ao longo do dia de hoje, apenas uma melhoria a partir do final da tarde.
Uma melhoria que se deve prolongar pelas primeiras horas desta quinta-feira até haver uma nova alteração do estado do tempo.
Amanhã temos uma melhoria temporária. A partir do final da tarde de hoje, a precipitação vai ser fraca e pouco frequente. Amanhã praticamente não irá ocorrer precipitação ao longo do dia. Temos, no entanto, um novo agravamento a partir do final da tarde, especialmente nas regiões Norte e Centro e depois durante a noite e madrugada, outro sistema frontal, já não associado à depressão Nils, irá atravessar o território.
O meteorologista Jorge Ponte e as previsões do estado do tempo para as próximas horas a oscilar entre chuva forte e melhorias para uma nova precipitação intensa que deverá afetar em especial o território Norte e Centro de Portugal continental.
O Partido Socialista insiste no alargamento da situação de calamidade durante mais três meses. José Luís Carneiro propõe um novo comando operacional em permanência para lidar com os efeitos do mau tempo.
O líder socialista esteve hoje em Arruda dos Vinhos, município que pede ao governo para ser incluído na lista de conselhos em situação de calamidade. Foi lá que José Luís Carneiro deixou duas propostas ao primeiro-ministro.
E eu recordo que é muito importante prorrogar o estado de calamidade, pelo menos por três meses, de forma a poder integrar no perímetro dessa situação todos os territórios que estão a ser afetados por estas catástrofes locais, mas que têm já um caráter nacional e exigem uma resposta nacional. A ativação de um comando operacional com comando político forte e eficaz. Simultaneamente, equipas multidisciplinares que acompanhem ao minuto
À hora que passa, o que está a passar em todo o país é absolutamente decisivo e é, do meu ponto de vista, condição essencial para responder às pessoas.
As propostas feitas por José Luís Carneiro, o secretário-geral do PS, que nestas declarações à imprensa comentou também a demissão da ministra da Administração Interna para defender que a responsabilidade política é de Luís Montenegro. Assegura que num governo eventualmente liderado por José Luís Carneiro, a pasta de Administração Interna nunca ficaria sem ministro.
Posso dizer uma coisa: quando eu formar o meu governo, posso dizer-lhe que terei sempre pelo menos duas ou três alternativas para quando tiver de exonerar um, tenha logo de alternativa uma personalidade com o mesmo perfil ou com melhor perfil de quem é exonerado de funções.
José Luís Carneiro, secretário-geral do Partido Socialista, que visitou esta quarta-feira o município de Arruda dos Vinhos, um conselho especialmente afetado pelo mau tempo.
Há pouco dava essa informação de que o debate quinzenal passou para sexta-feira, mas Miguel, os líderes parlamentares ainda vão reunir-se esta tarde para decidir essa data do debate com o primeiro-ministro.
Sim, porque apesar de todos os partidos concordarem com o adiamento, há divergências sobre a nova data para a realização desse debate quinzenal com o chefe de governo. Todos os partidos, à exceção da Iniciativa Liberal, querem ter Luís Montenegro no Parlamento já esta sexta-feira, depois de amanhã. Os liberais defendem que o debate deve ser adiado para a próxima semana, até que a situação estabilize. Durante a manhã, na Assembleia da República, da esquerda à direita, foram apresentadas as razões para adiar o frente a frente com o chefe de governo, Miguel Viterbo Dias.
Uma proposta dos liberais para evitar erros cometidos no passado recente.
É óbvio que aquilo que pretendemos é que o senhor primeiro-ministro e o governo estejam inteiramente focados e dedicados à gestão dessa crise, ainda para mais agora que o senhor primeiro-ministro acumula também a tutela do Ministério da Administração Interna, para garantir que estão no terreno, ao contrário daquilo que aconteceu há duas semanas.
Mariana Leitão quer adiar o debate quinzenal para a próxima semana, mas o LIVRE, embora tenha concordado com o adiamento, diz que não há desculpas para Montenegro se manter afastado do Parlamento por muito tempo.
O primeiro-ministro não drena ribeiras nem vai segurar muros de contenção. Nós temos que parar com esta ideia de que deixar o Luís trabalhar é o Luís estar algures no país. Trabalha aqui.
Rui Tavares que pressiona assim para um debate já esta semana. O PCP partilha da mesma opinião e diz apenas que concordou com a proposta de hoje por causa do histórico da falta de coordenação no Executivo.
Houve inclusivamente uma desconsideração por parte do governo sobre os impactos e sobre aquilo que estava efetivamente a acontecer, quase que o governo estava em situação de negação.
Paula Santos do PCP, numa manhã de adiamentos, em que falta ainda consenso sobre uma nova data.
Miguel Viterbo Dias, com os argumentos invocados pelos representantes dos diferentes partidos em torno do adiamento do debate quinzenal com o primeiro-ministro, estava agendado para daqui a pouco, para às 15h. Todos os partidos concordam com o adiamento deste debate. Falta é consenso em torno da data para este debate quinzenal com o chefe de governo. A Iniciativa Liberal defende que só deve acontecer na próxima semana.
O ministro da Presidência evita respostas sobre a remodelação no Executivo de Luís Montenegro.
À saída de uma audição na Assembleia da República, António Leitão Amaro, que também já foi apontado à pasta da Administração Interna, chuta para canto o assunto, fala apenas na gestão que o Executivo está a fazer dos danos provocados pelo mau tempo. Leitão Amaro garante que o governo não está preocupado com remodelações, mas sim com a resposta aos problemas.
O momento é nos unirmos para socorrer, apoiar, prevenir e lançar a recuperação. Tudo o resto é secundário. E posso lhe garantir que todo o governo, todo o Estado, os mais de 35 mil operacionais que estão no terreno estão mobilizados para responder na medida do necessário.
António Leitão Amaro, à saída da Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, numa resposta rápida aos jornalistas, em que não seguiu o guião, embora o atual ministro da Presidência tenha sido apontado, como referia, à pasta da Administração Interna, o Observador deu conta esta madrugada que essa ideia acabou por cair. Luís Montenegro ainda está a fazer cálculos tendo em vista a reposição do Executivo.
Vamos ainda a outras notícias que estão em destaque a esta hora, Miguel.
O Presidente da República já empossou os secretários de Estado do Ministério da Administração Interna, Paulo Simões Ribeiro, Telmo Correia e Rui Rocha são reconduzidos. Depois da demissão da ministra Maria Lúcia Amaral ontem à noite, o primeiro-ministro Luís Montenegro vai assumir de forma provisória a pasta da Administração Interna. O governo decidiu dar tolerância de ponto aos funcionários públicos na próxima terça-feira, dia de Carnaval. O primeiro-ministro assinou o despacho que concede essa tolerância de ponto. Não é feriado oficial o dia de Carnaval, mas por norma, os diferentes executivos concedem tolerância de ponto neste dia. O Instituto Nacional de Estatística confirma a inflação abrandou para 1,9% em janeiro. Em comparação com o mesmo mês do ano anterior, assiste-se a uma redução de 0,3 pontos percentuais desta taxa de inflação. Os produtos alimentares, as bebidas não alcoólicas, são duas das classes que mais contribuíram para esta descida da inflação.
Fica por aqui o Jornal das Duas, edição com o Miguel Vilela.