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Miguel Videira. Miguel, começamos este jornal das 14h com um alerta do diretor da Agência Internacional de Energia: as reservas de petróleo vão esgotar-se numa questão de semanas.
"A almofada está prestes a esgotar-se", diz Fatih Birol. Uma declaração feita no primeiro dia da reunião dos ministros das Finanças do G7, o grupo de países mais industrializados do mundo. Marca também presença a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, sublinha que esta é a altura para avançar com medidas que minimizem o impacto das consequências da guerra no Médio Oriente.
Estamos num momento muito crítico para centrar a atenção em medidas políticas que possam aliviar o impacto do choque que estamos a viver atualmente. Estamos a acompanhar os desenvolvimentos no mercado das obrigações e aquilo que eles indicam é que quando os preços do petróleo se mantêm acima dos 100 dólares, já existe um impacto desta guerra na economia e inevitavelmente haverá uma reação. É muito importante, quero sublinhar, que esta é uma posição política clara: não aplicar medidas que agravem ainda mais a situação.
A diretora do FMI não especifica que medidas podem ter um efeito contraproducente. O barril de Brent está a esta hora a ser negociado a cerca de 107 dólares. É nosso convidado desta edição das 14h da Rádio Observador, Nuno Ribeiro da Silva, especialista em energia. Bem-vindo e obrigado pela sua disponibilidade. Devemos ficar alarmados com este aviso do diretor da Agência Internacional de Energia de que as reservas de petróleo vão esgotar-se numa questão de semanas? É já ali?
Miguel, boa tarde. Temos um problema. Agora, francamente, eu julgo que as declarações do presidente da Agência Internacional de Energia têm sido, desde o início, bastante dramatizadas. Claro que temos um problema e sobretudo o problema é diferente, por exemplo, para os países da Ásia, relativamente aos países da bacia atlântica. Continuamos com reservas relevantes, no caso do nosso país, o que é indicado como referência pela União Europeia, pela própria Agência Internacional de Energia, é haver 90 dias de reservas e a ativação da desmobilização de cerca de 10% dessas reservas faz com que tenhamos à volta de 82 dias de reservas. Entretanto, há movimentos importantes no mercado petrolífero. Houve um aumento da oferta, uma compensação pelo estímulo do preço mais alto, com exportações do Brasil, dos Estados Unidos, de países do continente africano a aumentarem e a compensar cerca de metade do petróleo que entretanto está a ser perdido pelo boicote e pela não passagem com a frequência que existia antes pelo Estreito de Ormuz. E também a própria Ásia, que é a mais afetada, porque é pra Ásia que se dirige sobretudo a produção do Golfo Pérsico, tem vindo a adotar medidas já muito mais duras do que na Europa ou em qualquer outra zona da bacia atlântica. E, portanto, eu julgo que tem havido por parte da Agência Internacional de Energia, naturalmente preocupada e a olhar para o mundo, porque a sua competência é o mercado global mundial, mas tem havido uma certa dramatização dos problemas com que estamos confrontados e que são problemas, obviamente.
Não o alarmismo que esta declaração suscita.
Não é pra perder o sono já.
Não devo deixar de andar de carro imediatamente.
Não. Nem a obrigação de trabalhar de casa, nem matrículas ímpares e matrículas pares, nem esse tipo de medidas que são mais adequadas quando se está já numa perspectiva de escassez física de petróleo e de derivados.
E para quando esse momento, se continuar o bloqueio no estreito de Ormuz e esta diminuição de petróleo, ainda assim, com as compensações que aqui fazia menção?
Vai havendo realmente uma degradação da massa e do espaguete que temos na despensa. Mas, como digo, temos reservas para três meses.
Essas reservas ainda não foram usadas, essas reservas dos 90 dias. Há algumas semanas, o primeiro-ministro anunciou que sim, que parte dessas reservas iam ser usadas.
Exatamente. Foram 10%. Agora, continuamos com reservas substanciais. Como digo, há movimentos no mercado, portanto, há uma compensação em termos de oferta por parte de países produtores exportadores. E, por outro lado, também há uma contenção já no consumo, sobretudo vindo da Ásia, porque esses sim, estão com problema já de impacto direto de escassez, não só na disponibilização de diesel, jet fuel e de alguns derivados, como inclusivamente de petróleo pra indústria, como matéria-prima, como por exemplo, a petroquímica, os adubos, etc. E estão já com condicionantes em termos do funcionamento dessas unidades industriais.
O impacto de várias funções.
Da oferta à procura, que não quer dizer que seja suficiente, mas que mitiga a falta de fluxo que tem efetivamente existido dos cerca de 20 milhões de barris/dia que vêm do Golfo Pérsico. Algum está a sair pelos pipelines que a Arábia Saudita tem para o mar Vermelho e que Abu Dhabi tem já para o mar Arábico, fora do Golfo. E, por outro lado, refiro a esse ajuste em termos de resposta de oferta, muito, por exemplo, dos Estados Unidos, porque os Estados Unidos têm uma grande flexibilidade, porque o gás de xisto e o petróleo de xisto abre e fecha em função dos preços que o mercado dita e com estes preços torna-se interessante e torna-se bom negócio e competitivo esforçar a extração, nomeadamente de toda a produção de gás e petróleo de xistos do maior produtor mundial de petróleo, que são os Estados Unidos.
Motivo para cautela, mas não para alarme. Nuno Ribeiro da Silva, muito obrigado pela sua presença e disponibilidade por estar conosco nesta edição das 14h, pretexto dessa declaração feita pelo diretor da Agência Internacional de Energia, que dá conta que as reservas de petróleo vão esgotar-se numa questão de semanas.
O Ministro dos Negócios Estrangeiros acusa o PS de aproveitamento político no tema do uso da base das Lajes pelos Estados Unidos, isto no âmbito da intervenção militar no Irão. Paulo Rangel está disponível para ir ao Parlamento na quarta-feira.
Sim, o líder do PSD, Luís Carneiro, lamentou há dias a falta de sentido de Estado revelada pelo governo, depois do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, ter dito que Portugal autorizou a utilização da base da Ilha Terceira antes mesmo de saber qual a finalidade, ou seja, o ataque ao Irão. Disse José Luís Carneiro que o governo colocou Portugal numa posição lamentável. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, estranha estas afirmações.
Para o Partido Socialista, é um passo muito grave. Eu devo dizer que não compreendo como é que o secretário-geral do Partido Socialista, que foi consultado e informado previamente sobre a questão da autorização das Lajes, juntamente com outros líderes da oposição, com o presidente na altura em funções e com o presidente eleito, nem sequer fala disso. Ele conhece este assunto melhor que ninguém, porque ele foi consultado previamente.
Sobre a declaração de Marco Rubio, a afirmação de que Portugal passou uma espécie de cheque em branco para a utilização das Lajes, o chefe da diplomacia portuguesa sugere que as palavras do secretário de Estado norte-americano não devem ser interpretadas de forma literal. Na declaração feita esta manhã no Ministério dos Negócios Estrangeiros, manifestou também a disponibilidade para prestar todos os esclarecimentos na Assembleia da República já na próxima quarta-feira.
O Ministério Público pede pena de prisão para o agente da PSP que matou Odair Muniz no bairro da Cova da Moura em 2024.
Pedido feito durante as alegações finais do julgamento que decorre no Tribunal de Sintra, para além da condenação pelo crime de homicídio simples, que prevê uma pena entre os oito e os 16 anos, o procurador sugere também que o agente fique proibido de exercer funções na PSP. Para o Ministério Público, não ficou provado que o agente da Polícia de Segurança Pública tenha agido em legítima defesa. O polícia referiu que Odair Muniz apontou uma faca e que foi essa a razão para os dois disparos que haveriam de vitimar mortalmente o homem de 43 anos.
Vamos ainda a outras notícias em destaque a esta hora.
José Mourinho deve mesmo rumar ao Real Madrid. Tem sido aventada essa possibilidade com insistência ao longo dos últimos dias e esta segunda-feira é Fabrizio Romano, especialista em mercado de transferências, que escreve que sim, o técnico português vai assinar contrato com a equipa da capital espanhola na próxima semana. Também a Sky Sports avança que o acordo com o treinador está fechado, sendo que ainda não há qualquer confirmação oficial. Torneio de ténis de Roland-Garros arrancou hoje a primeira ronda de qualificação. O português Frederico Silva, número 238 do ranking ATP, defronta o argentino Federico Agustin Gomez, 186 da hierarquia mundial. Na competição feminina, também há uma portuguesa a subir ao corte. Matilde Jorge enfrenta a norte-americana Elvina Kaliyeva.