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Jornal das duas da tarde com edição do jornalista António José Soares. A Ministra da Justiça sai em defesa de Luís Neves. Rita Alarcão Júdice entende que o Ministro da Administração Interna não está a tomar tempo demais para dar justificações sobre as polémicas em que está envolvido.

A Ministra da Justiça foi questionada pelos jornalistas, esta manhã, sobre as polémicas que envolvem Luís Neves. Rita Alarcão Júdice repete as palavras do Ministro da Administração Interna, diz que as explicações devem ser dadas no momento certo.

Conhecem-me e sabem que eu própria só falo quando acho que tenho a capacidade ou todos os elementos reunidos e há o momento de falar. Foi assim que eu sempre fiz, não vou criticar ninguém por fazer também o mesmo. O senhor doutor Luís Neves está a gerir o processo da melhor forma que sabe e pode. As instituições competentes estão a fazer as averiguações que são necessárias.

A Ministra da Justiça a sair em defesa do Ministro da Administração Interna.

Já Vitalino Canas diz que é despropositado utilizar a Comissão Parlamentar de Inquérito para o caso Luís Neves.

O socialista considera que o PS tem apresentado uma posição sensata sobre este tema e acredita que o caso das polémicas do antigo diretor da PJ devem ser resolvidas fora do Parlamento.

A questão de saber se o diretor nacional da Polícia Judiciária, hoje ministro, na altura em que era diretor nacional, praticou um ato irregular no que diz respeito a determinada situação de um atrelado, etc., de uma galera, como parece que se diz, é uma coisa completamente diferente e parece-me desproporcionado utilizar o mecanismo das comissões de inquérito, que é, como já foi dito pelo Fernando Silva, um mecanismo que deve ser utilizado excepcionalmente. Felizmente, parece-me que nesta legislatura está a ter-se alguma parcimônia que não se teve em legislaturas passadas, onde se faziam comissões de inquérito por tudo e mais alguma coisa, banalizando-as e tornando-as praticamente irrelevantes.

Vitalino Canas no Explicador, aqui da Rádio Observador. Opinião diferente tem Fernando Silva, ministro da Administração Interna sombra do Chega. Não concorda, considera que Luís Neves tem de ir ao Parlamento, mesmo se for, entretanto, demitido pelo primeiro-ministro.

Neste momento, face às circunstâncias, à evolução dos acontecimentos e à gravidade dos mesmos, não está em causa o comportamento do titular da pasta da Administração Interna enquanto tal, mas sim o seu eventual comportamento enquanto diretor da Polícia Judiciária. E, portanto, a sua eventual demissão como ministro da Administração Interna, o que também pensamos que não vai acontecer, nem por iniciativa dele, nem por iniciativa do primeiro-ministro, não apagaria a circunstância e necessidade de se averiguar a fundo toda a verdade.

Fernando Silva, em representação do Chega no Explicador desta manhã.

Da polêmica da Administração Interna, passamos para a da Educação. A Missão Escola Pública tem dúvidas relativamente à medida apresentada pelo ministro Fernando Alexandre.

Considera difícil o pagamento de horas extra aos professores. A porta-voz Cristina Mota diz ter dúvidas relativamente ao processo e explica por quê aqui na Rádio Observador.

Nós não temos expectativas muito altas relativamente. Entendemos que foi um anúncio político e que, na prática, não deverá ter qualquer consequência. Aliás, porque é impossível determinar-se as horas extra que os professores trabalharam. Estive a classificar e muitas das vezes fiz o download dos ficheiros e classifiquei-os sem estar online. Era-me mais prático. Portanto, é impossível Fernando Alexandre saber quantas horas extra que eu estive a trabalhar e qual o período em que eu estive a classificar. Portanto, como eu, estarão milhares de professores.

A porta-voz da Missão Escola Pública, Cristina Mota, prevê ainda que a correção da segunda fase dos exames enfrente mais problemas e, por isso, acusa o ministro da Educação de irresponsabilidade.

É com muitas reservas que nós verificamos que a segunda fase avançou, antes de mais, sem ter concluído a resolução dos problemas detetados na primeira e depois avançar nos mesmos moldes para esta fase. Entendemos que é uma irresponsabilidade de Fernando Alexandre e que prevemos que deveremos também ter mais problemas na segunda fase.

A porta-voz da Missão Escola Pública, Cristina Mota, entrevistada pela jornalista Maria Miguel Marques.

Destaque agora para os incêndios no sul da Europa, António. Pedro Sánchez garante que o dispositivo de combate aos fogos está na máxima força, apesar de admitir também que a área ardida este ano vai ser muito superior.

O presidente do governo espanhol está na região de Madrid, a visitar as zonas mais afetadas pelos fogos, depois de ter acionado ontem o estado de emergência nacional. Pedro Sánchez garante que há condições para a situação melhorar, mas alerta para a enorme área ardida em Espanha quando estamos ainda em julho.

Estou convencido de que a situação está cada vez mais assimilada e também estou confiante nos responsáveis das instituições públicas. Este ano, acabamos de saber, estão queimados mais de 130 mil hectares de território. Este número, talvez para o cidadão comum, não diga muito, mas se compararmos com a média que durante esta última década ardeu anualmente, perdemos cerca de 100 mil hectares. Ora, se já perdemos 130 mil este ano e ainda nos resta boa parte do verão, estamos a ver os impactos da emergência climática.

O primeiro-ministro espanhol destaca ainda a ajuda internacional que Espanha está a receber, nomeadamente de Portugal.

Hoje esperamos a chegada de recursos da Grécia, da Itália e também do exército de Portugal para fazer frente ao incêndio na província de Ávila. Portanto, o que quero dizer com isso é que temos agilidade, coordenação e eficiência no combate aos fogos.

Pedro Sánchez, esta manhã em Madrid, na capital espanhola, a qualidade do ar está a ser afetada pelos incêndios e os cidadãos estão a ser aconselhados a usar máscara.

Outro dos países do Sul da Europa afetados pelos incêndios é a França.

E o fogo que mais preocupa as autoridades é em Gironde, perto de Bordéus. Mas, para já, o presidente da Câmara daquela cidade diz que não há necessidade de evacuar Bordéus. Mesmo assim, as chamas estão a cerca de 30 km. Também o governo procura ter de evitar evacuar esta cidade. Devido a estes incêndios que estão a afetar Espanha e França, neste momento, quase 280 mil pessoas já foram deslocadas de sua casa ou estão em confinamento.

É o ponto final no jornal das duas da tarde com o jornalista António José Soares e as notícias que marcam a atualidade. Até já, António.

Até já, Maria.