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Jornal das 3, na Rádio Observador, com Vasco Maldonado Correia. Vasco, a presidente da Câmara Municipal de Almada reúne-se a esta hora com a ministra do Ambiente. Vão discutir os problemas com o abastecimento de água no município.

Encontro onde marca também presença o presidente do Conselho de Administração dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Almada. À entrada para a reunião, a autarca Inês de Medeiros disse que vai repor a verdade neste encontro. Acrescenta que antes de responder às acusações do líder parlamentar do PSD, já lá vamos, vai explicar à ministra Maria da Graça Carvalho os investimentos que a autarquia tem feito no saneamento.

Vou explicar, vou também repor a verdade sobre algumas declarações e por isso venho justamente dar a conhecer a situação à senhora ministra e explicar tudo o que temos feito, porque está na altura de falarmos a verdade e depois também irei, a seu tempo, responder às declarações do líder parlamentar.

Declarações da autarca de Almada antes da reunião com a ministra do Ambiente, que já decorre sobre os problemas no abastecimento de água no conselho.

Inês de Medeiros não quis falar das críticas de Hugo Soares, mas a Câmara Municipal de Almada garante que não se podia candidatar ao PRR para resolver problemas como o do abastecimento de água.

Essa hipótese foi levantada esta manhã pelo líder parlamentar social-democrata, com reparos de Hugo Soares à maneira como Inês de Medeiros tem gerido a situação.

Eu não tenho dúvidas de que a senhora presidente da Câmara faltou à verdade. Teve anos para se candidatar ao PRR e para fazer os investimentos que Almada precisava em matéria de distribuição e captação de água e não o fez. Ponto. Quanto a isso, não há dúvida. É lamentável que a senhora presidente da Câmara não tenha assumido a responsabilidade por inteiro, mas já estamos habituados a que o Partido Socialista tenha muita dificuldade em assumir as suas responsabilidades.

É o que diz Hugo Soares, o líder parlamentar social-democrata. Fonte da autarquia garante à Rádio Observador que Hugo Soares não está a dizer a verdade, isto porque o que está previsto no Programa de Recuperação e Resiliência é, isso sim, pedir apoios para mitigar a escassez de água e assim garantir a resiliência das regiões com maiores problemas de seca e que necessitam de uma intervenção eficaz para garantir o abastecimento. No PRR, essa questão, e daí o problema, só se aplica à região do Algarve e da Madeira.

Vamos ao desporto. Já há acordo entre Jorge Jesus e a Federação Portuguesa de Futebol. A apresentação vai ser amanhã.

O acordo foi fechado hoje, depois de uma reunião para acertar detalhes de um acordo que já tinha sido alcançado. Aliás, o Observador sabe que na viagem de regresso para Lisboa do Mundial, depois da eliminação, já se sabia na comitiva que o novo selecionador iria ser Jorge Jesus e iria ser apresentado precisamente amanhã, dia em que se completam 10 anos da conquista do Campeonato Europeu de 2016. Temos conosco a jornalista de desporto do Observador, Mariana Fernandes. Mariana, bem-vinda. Isto é um segredo mal guardado, mas eu pergunto se é o perfil certo para a Seleção Nacional e se neste preciso momento faz falta alguém mais próximo do perfil Scolari a nível motivacional, ou seja, para aproximar a seleção dos portugueses.

Eu percebo a junção dos dois perfis. Acho que são dois perfis que sim, agregam, mas de formas muito diferentes. Ou seja, Scolari trouxe algo que nós não estávamos habituados. Trouxe um sentimento patriótico e de pertença, que ele obviamente trazia do Brasil e também do fato de ter sido campeão mundial, a que nós não estávamos de todo habituados em Portugal. Esse sentimento patriótico e de pertença, muito por causa de Scolari, já existe um bocadinho em Portugal também, tendo em conta o Campeonato da Europa conquistado entretanto, as duas Ligas das Nações. Eu acho que o que o Jorge Jesus traz é um corte absoluto com o passado. E aqui o passado muito recente que é Roberto Martínez. Ou seja, é um perfil completamente diferente, isso nós sabemos, é um caráter completamente diferente, é um estilo de treinador, até em termos de comunicação, completamente diferente, que está, acredito eu, muito preparado para aquilo que aí vem a nível de escrutínio. Ou seja, é alguém que já treinou Benfica, Sporting, Flamengo, alguém que está muito habituado a ter muitos olhos em cima de si. Eu acho que isso faltou um bocadinho a Roberto Martínez também, esse jogo de cintura, essa margem de manobra para gerir as críticas e para tentar perceber que muitas das vezes as críticas têm razão e não são simplesmente críticas cegas.

E saber gerar entusiasmo também.

Sim, porque nesta altura existe um clima de desilusão absoluta à volta da Seleção Nacional, apatia, o que é obviamente extraordinário, porque significa que estamos à espera ou estamos a contar com muito mais. E se nós fôssemos, se calhar, em 1986 ou 1990 dizer que chegamos às oitavas de final do Campeonato do Mundo-

Dar uma vitória.

Eu acho que muita gente ficava muito contente. Hoje em dia não chega, a verdade é essa, e tendo em conta os jogadores, o coletivo, a seleção que temos, obviamente não chega e é exigido mais. E eu acho que essa exigência de mais que norteou sempre a carreira de Jorge Jesus, ou seja, nunca ficou satisfeito com aquilo que fez, acaba por trazer aqui o bolfado a dar fresco para a Seleção Nacional. Mais do que isso, eu acho que Jorge Jesus é um perfecionista, ou seja, acredito que Jorge Jesus ao longo dos anos tenha olhado para o trabalho de Carlos Queiroz, Paulo Bento, Fernando Santos, Roberto Martínez, só para citar os últimos selecionadores nacionais, e tenha dito: "Eu fazia diferente, eu convocava diferente, eu fazia melhor". Muito provavelmente. E agora tem a chance de fazer, de fato, melhor com aquela que é considerada, se calhar, a melhor geração de sempre do futebol português, que está a entrar num ciclo em que alguns jogadores estão a aproximar-se cada vez mais do final das carreiras e outros, obviamente, estão a aparecer e têm ainda 10, 15 anos pela frente. Portanto, entra aqui com muita mão de obra para fazer algo de especial com a Seleção Nacional. É preciso perceber de que forma também que se adapta a deixar de ser um treinador de dia a dia, de ter sempre os jogadores à sua disposição para passar a ser um selecionador, com um trabalho obviamente muito mais isolado e muito mais autónomo.

Não temos muito tempo, mas queria te fazer uma última pergunta e temos que falar nesse elefante na sala. Um dos problemas mais apontados nos últimos anos na Seleção Nacional tem sido a gestão de Cristiano Ronaldo. Jorge Jesus vem do Al-Nassr, até chegou a dizer que foi para o Al-Nassr para dar o título de campeão a Cristiano Ronaldo. Que garantias é que Jorge Jesus dá de que essa gestão vai ser diferente?

Não dá nenhumas, ou seja, é uma incógnita. Eu acho que a questão do Cristiano Ronaldo é uma incógnita. Acho que seria muito mais fácil antecipar aquilo que aconteceria, por exemplo, com o José Mourinho, e no cenário em que o José Mourinho seria selecionador nacional. Não se dão propriamente bem, tiveram problemas no Real Madrid. Com Jorge Jesus é muito mais difícil fazer essa antevisão. Ou seja, foi um treinador que acabou de treinar Cristiano Ronaldo, acabou de ser campeão da Arábia Saudita com o Cristiano Ronaldo, foi o homem a quem Cristiano Ronaldo ligou para o tornar campeão na Arábia Saudita. Portanto, é muito difícil antecipar que o Jorge Jesus faça aqui um corte completo com o Cristiano Ronaldo. Agora, também há outra coisa: se gostamos de dizer, ou dizemos muitas vezes, que o Cristiano Ronaldo tem um ego do tamanho do mundo, então Jorge Jesus tem um ego do tamanho de muitos continentes também. Eu não acredito que o Jorge Jesus chegue a um ponto em que o seu próprio nome e o seu próprio trabalho é arrastado para a lama por causa de Cristiano Ronaldo. Se alguma vez essa situação se puser, eu acho que Jorge Jesus põe o JJ à frente do CR7.

Pode acabar por descartar o capitão da Seleção Nacional. Obrigado, Mariana Fernandes. Esteve conosco aqui a analisar a contratação de Jorge Jesus para a Seleção Nacional. Ele que vai assinar um contrato de quatro anos até o Mundial de 2030, vai receber um ordenado a rondar os € 4 milhões anuais brutos.

Vamos às notícias de âmbito local.

Começamos por Leiria. Uma explosão química no Bombarral fez 12 feridos. O incidente ocorreu pelas 9h, na empresa de produção de fruta O Melro. Cerca de 80 pessoas foram assistidas devido a problemas respiratórios. Doze, como dizia, tiveram de ser transportadas para o Hospital das Caldas da Rainha. Ovar insiste na reparação urgente dos semáforos da Estrada Nacional 109, uma das principais vias do concelho e da região. Os semáforos têm estado desligados ou intermitentes durante várias semanas em algumas localidades. A autarquia solicitou formalmente à IP, à Infraestruturas de Portugal, uma intervenção urgente, de modo a garantir a segurança rodoviária. Rio Maior vai investir quase 13 milhões na eficácia energética do Parque de Negócios e da Zona Industrial. O projeto é financiado pelo PRR. O objetivo é melhorar as condições das empresas instaladas, aumentar a eficiência energética, assim como todas as infraestruturas. Matosinhos vai reforçar os bombeiros e a proteção civil com um investimento histórico de mais de € 7 milhões. A Câmara Municipal aprovou ontem um investimento para reforçar a formação, capacidade operacional e apoio às quatro corporações de bombeiros, também às unidades locais de proteção civil do concelho. Em Sesimbra, a Câmara Municipal vai voltar a entregar compostores domésticos gratuitos este fim de semana no Parque Augusto Póvoa. A iniciativa é destinada a maiores de 18 anos que tenham hortas, jardins ou terrenos no concelho. A atleta Cátia Quevás, da Associação Desportiva Núcleo Oeiras, conquistou o terceiro lugar nos 1500 metros do Meeting Maia Cidade do Desporto. A jovem de 19 anos ficou perto do recorde pessoal. Já garantiu o apuramento para o Campeonato do Mundo Sub-20, que decorre em agosto nos Estados Unidos.