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João Gama. Vamos às notícias com João Gama. João, a praia da Nazaré voltou hoje a ficar interdita a banhos. É a segunda vez em menos de duas semanas.

O presidente da Câmara da Nazaré, Manuel Seca, explica à Rádio Observador que deram conta da escorrência do esgoto de saneamento para a água do mar por volta das 11h00. Interditaram depois os banhos na praia por volta do meio-dia. O autarca refere ainda o que esteve na origem deste incidente.

Foi detetado o entupimento e deixe-me dizer que o entupimento resulta da acumulação de material que é pouco normal correr pelos saneamentos. Desde toalhas, trapos, panos de cozinha, toalhetes. É muito difícil lutarmos contra isso.

Dois incidentes em poucas semanas. O autarca Manuel Seca levanta suspeitas de que poderá não ser apenas o problema do sistema de esgotos.

Eu começo a duvidar, tendo em conta que estamos às portas de umas eleições, se não há aqui boicotes, se não há aqui alguém que está a tentar prejudicar aquilo que é a imagem da Nazaré. Até pode haver ligações ilegais, em que há alguma mistura. Pode haver, mas tudo isso vai ser monitorizado e vai ser identificado.

Apesar de tudo, o presidente da Câmara confessa que as interditações não estão a afetar fortemente o setor da hotelaria e turismo da Nazaré. A autarquia aguarda agora pelo resultado das análises, que deverá ser conhecido ao final do dia de amanhã.

A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde vai investigar o caso da grávida que teve um bebê no meio da rua, no Carregado.

Foi a própria ministra da Saúde a pedir a abertura de um inquérito para que fossem apuradas as circunstâncias desta situação, uma confirmação do gabinete de Ana Paula Martins, de uma resposta enviada ao Observador. O inspetor da Saúde confirma também ao Observador que recebeu o pedido da tutela e já ordenou a abertura de um inquérito. Também os serviços partilhados do Ministério da Saúde, responsáveis por gerir a linha SNS 24, abriram uma averiguação interna. Já a Ordem dos Médicos classifica como inadmissível o caso da mulher que deu à luz no meio de uma rua no Carregado. De acordo com um comunicado enviado às redações, a Ordem liderada por Carlos Cortes afirma que a segurança e a dignidade das pessoas, das grávidas e dos seus filhos têm de estar sempre em primeiro lugar. A Ordem dos Médicos revela também que já solicitou esclarecimentos ao Ministério da Saúde, à Direção Executiva do SNS e ao INEM, com o objetivo de apurar as circunstâncias que conduziram a este desfecho.

Marcelo Rebelo de Sousa voltou a colocar pressão sobre a ministra da Saúde. Diz que espera ver progressos no SNS até o final do verão.

Prestou declarações aos jornalistas junto à praia de Monte Gordo, onde está a passar as férias. Apesar de não comentar diretamente o caso da mulher que foi obrigada a dar à luz na rua, no Carregado, pediu soluções à ministra para as urgências de obstetrícia e ginecologia.

Tem havido passos nesse sentido, mas ainda há, de facto, problemas de urgências nesse domínio em particular. Vamos ver se até o fim do verão, os passos dados permitam que a estabilização altere aquilo que foi um problema, no fundo, de falta de pessoal ou de alocação de pessoal, de arrumação de pessoal e de organização de serviços. Vamos ver.

Espera para ver, o Presidente da República, em declarações aos jornalistas junto à praia de Monte Gordo, foi ainda questionado sobre um possível braço de ferro com o governo de Luís Montenegro, depois de ter remetido para o Tribunal Constitucional a lei dos estrangeiros. Rejeita qualquer mal-estar, mas avisa que o papel de chefe de Estado não é fazer de morto.

Não sei bem onde. Eu passo os dias a promulgar decretos, leis do governo ou leis da Assembleia da República. Umas vezes concordando mais, outras vezes concordando menos, mas promulgo, porque acho precisamente que o governo deve ter condições para governar. Acho que a Assembleia deve ter condições para ir fazendo a sua atividade legislativa e, portanto, a função de um presidente não é de fazer de morto, é estar atento àquilo que se passa.

Declarações de Marcelo Rebelo de Sousa a comentar vários temas da atualidade. Este último registo foi em entrevista à RTP. Comentou ainda o combate aos incêndios em Portugal. Diz que falou com o secretário de Estado da Proteção Civil e que o governo está otimista.

Já chegaram a Portugal os primeiros Canadair que vieram substituir os aviões portugueses que não estavam operacionais.

Ao início da tarde, a Portugal continental, de acordo com o que é avançado pela empresa oficial Avinchis, à Agência Lusa, esses Canadair já estarão em território nacional. A mesma fonte indica que os Canadair já estão neste momento em Portugal. Não são os únicos. Os aviões marroquinos já estão a combater um incêndio em Portugal continental. Ontem foi notícia que estes três aviões portugueses não estavam operacionais. Por isso, o governo foi obrigado a acionar o mecanismo de apoio de Marrocos. São esses Canadair que já estão, neste momento, a ajudar a combater o fogo em Trancoso. São operados por tripulações marroquinas com o apoio de um elemento da Proteção Civil.

E o autarca de Trancoso pede que o governo alargue o período de alerta máximo.

Também em declarações à CNN de Portugal, Amílcar Salvador afirma que as condições meteorológicas continuam a ser muito favoráveis para o aumento dos incêndios.

Perante as condições que falou aqui o senhor comandante, obviamente que eu acho que sim. Justifica-se plenamente as temperaturas elevadas, o vento forte que se faz sentir. Não podemos esquecer que a última primavera foi, de facto, uma primavera muito chuvosa. Há muito combustível por todo lado e, portanto, é necessário este ano, em particular, uma atenção muito redobrada

O autarca da região pede ainda que o governo ajude os agricultores que ficaram sem nada depois da passagem das chamas. Neste momento, mais de 570 operacionais, 190 meios terrestres e seis meios aéreos continuam no terreno em Trancoso. É um de três incêndios de grandes dimensões. As chamas continuam a lavrar em Serarelos, aqui combatidas por 360 bombeiros, seis meios aéreos. O incêndio em Tabuaço mobiliza, a esta hora, 245 operacionais e também seis meios aéreos.

Estão a ser transferidos 22 migrantes, dos 38 que desembarcaram na última sexta-feira no Algarve.

Vão para centros de instalação temporária no Porto e em Faro. A transferência está a ser escoltada por elementos da GNR, tendo em conta que todos eles têm ordem de saída do país. O prazo para abandonarem Portugal de forma voluntária é de 20 dias. Se não acontecer, será de forma coerciva em dois meses para o país de origem. Ontem à noite, duas famílias de seis pessoas já tinham sido transferidas para a cidade do Porto, ou seja, permanecem nove ainda no Pavilhão de Sagres, que foi cedido pela Câmara Municipal assim que os migrantes chegaram à costa em Vila do Bispo. Um está ainda hospitalizado.

E João, que outras notícias estão a marcar a atualidade?

André Ventura pediu à mesa do Conselho Nacional do Chega que marque uma reunião para o dia 12 de setembro para discutir as eleições presidenciais. O presidente do partido pretende apresentar um candidato no dia 15 de setembro, numa carta enviada aos deputados a que o Observador teve acesso. André Ventura assegura que o Chega não pode ficar de fora destas eleições e tem de pensar num candidato que represente os valores do partido. A Segurança Social encerrou, desde 2023, mais de 40 creches e 30 lares por falta de condições. No período de dois anos e meio, o Instituto de Segurança Social fiscalizou cerca de 1600 estruturas residenciais para idosos e 363 creches. Mais de um terço dos estabelecimentos fiscalizados não tinha o licenciamento devido. A Organização Mundial da Saúde nega a existência de mais ajuda humanitária em Gaza, ao contrário do que foi anunciado pelas autoridades israelitas. O chefe de escritório da OMS para os territórios palestinianos ocupados declarou, por videoconferência, que a ajuda não está a entrar de todo nos níveis necessários. De acordo com este responsável, a situação permanece pelo facto de Israel continuar a bloquear a entrada de determinados fornecimentos, incluindo material médico. Cinco terroristas invadem a embaixada da Turquia em Lisboa, fazem reféns. Isto tudo aconteceu em julho de 1983. A história é o foco do quarto episódio do novo podcast Plus do Observador.

É um ataque que foi reivindicado pelo Exército Revolucionário Arménio, um grupo que lançou vários ataques contra alvos turcos em todo o mundo durante a década de 80.

No ataque em Lisboa, fizeram refém a família do encarregado de negócios turco. Vamos ouvir agora um excerto deste quarto episódio. 1983, "Portugal à Camaropa".

Quem atende é um dos assaltantes. Está à vontade a falar turco, apesar do sotaque carregado, mas passa a chamada a um dos colegas. O diplomata implora pela vida da família, mas do outro lado houve a mesma ameaça que tinha sido feita à polícia no início do ataque. Se alguém se aproximar, o grupo tem bombas suficientes para fazer explodir todo o edifício. Yurtsev pergunta-lhe o que pretende do assalto. O arménio não responde. Pede-lhe apenas que não volte a telefonar e desliga.

O quarto episódio já está disponível, neste momento, em podcast.

E se é assinante standard ou premium do Observador, já sabe, tem acesso antecipado a todos os episódios deste novo podcast Plus, uma série narrada pela atriz Vitória Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini.