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Jornal das quatro com o Luís Soares. Luís, pela primeira vez nos últimos dois anos, o preço do petróleo ultrapassou os US$ 90 por barril.
São dados avançados pela agência Bloomberg. O preço do barril do petróleo estava esta tarde a cotar já nos US$ 91. De resto, a subida tem sido constante ao longo das últimas horas. De manhã estava nos US$ 87. Isto por causa do conflito no Medio Oriente, que se estende agora de Chipre à Arábia Saudita, um conflito que ameaça provocar perturbações significativas no fornecimento global de petróleo. Os analistas avisam que um conflito prolongado pode mesmo levar o preço do barril para valores acima dos US$ 100.
O governo promete continuar atento à evolução do preço dos combustíveis nas próximas semanas, até porque admite tomar mais medidas.
A garantia foi deixada pelo primeiro-ministro no final da Cimeira Ibérica. Luís Montenegro promete ficar atento à subida dos preços e, eventualmente, até tomar medidas em articulação com outros países.
Continuaremos, nas próximas semanas, atentos a este efeito, com medidas de natureza nacional e, eventualmente, de cooperação com países amigos, naturalmente, a Espanha é o principal.
Garantia deixada pelo primeiro-ministro, já depois do Ministério das Finanças ter anunciado um desconto no imposto sobre os produtos petrolíferos do gasóleo de €0,355 por litro. Isto para fazer face a uma subida do preço que poderia chegar aos €0,23 nas contas do governo. Este desconto fiscal não chega para travar, no entanto, um aumento recorde do preço do gasóleo, que continuará a ser, na próxima semana, de cerca de €0,20 por litro. Já o preço da gasolina deve subir menos, €0,75. A grande repórter do Observador, Ana Suspiro, explica esta diferença na subida dos preços dos dois combustíveis.
Acontece que o mercado do gasóleo, a Europa é deficitária. A Europa consome muito gasóleo, mas não produz muito gasóleo. Com o Estreito de Ormuz fechado e algumas refinarias naquela zona também paradas ou condicionadas devido a ataques, o produto começa a escassear e há também aqui uma certa especulação, porque há o receio de que se não falta agora, vai faltar daqui-- porque esta é uma situação que não sabemos quando é que vai terminar. E há grandes operadores a constituir estoques e isso cria uma pressão adicional sobre o preço do gasóleo, que logo nos primeiros dois dias desta semana disparou logo mais de 30 e tal%, muito acima do preço do petróleo.
Ana Suspiro, grande repórter do Observador, a explicar por que razão o preço do gasóleo sobe mais do que o preço da gasolina.
Luís, vamos também a essa declaração final da cimeira luso-espanhola, que condena os ataques do Irão contra vários países da região, mas não faz referência ao ataque inicial por parte dos Estados Unidos.
Ataques do Irão classificados como indiscriminados e injustificados. Nessa declaração, divulgada no final da reunião entre os dois países e já depois da conferência de imprensa dos dois primeiros-ministros, os dois países reiteram o compromisso com a paz e a estabilidade na região. Reafirmam ainda a necessidade de pleno respeito pelo direito internacional, incluindo os princípios da Carta das Nações Unidas e o direito internacional humanitário. Na conferência de imprensa e no final da cimeira, Luís Montenegro e Pedro Sánchez garantem que não há qualquer desconforto entre os dois países, apesar das diferentes posições quanto ao conflito no Irão. O primeiro-ministro espanhol tem sido um dos líderes mais críticos da ofensiva norte-americana, o que já valeu ameaças de represálias por parte de Donald Trump. Já o líder do Executivo português tem afirmado que nesta altura Portugal está ao lado dos aliados. De qualquer forma, Luís Montenegro garante que estas diferenças não beliscam as relações ibéricas.
Para nós, Portugal, o caminho da ameaça ou da acusação não é o caminho correto. Mas para que fique muito claro, entre Portugal e Espanha não há nenhum problema, há um respeito total pelas capacidades, competências e participação de cada um, ao nível do contexto geopolítico e ao nível da análise que esse contexto importa para as decisões de cada um dos Estados.
Garantia deixada por Luís Montenegro. Já Pedro Sánchez prefere não comentar as opções da diplomacia de outros países, mas sublinha que a posição que tomou contra a ofensiva norte-americana representa a maior parte da sociedade espanhola.
A política externa de cada país é da responsabilidade de cada governo. No que diz respeito ao governo espanhol, vendo o que é notícia hoje, é evidente que o governo espanhol está do lado da lei internacional, mas também do lado da visão de milhares de espanhóis e espanholas que se manifestam contra esta intervenção ilegal.
Pedro Sánchez e Luís Montenegro lado a lado, apesar de posições bastante diferentes em relação ao conflito no Irão, o primeiro-ministro espanhol continua a defender que a guerra no Irão é ilegal.
Donald Trump avisa que qualquer acordo com o Irão só avança após a rendição incondicional do regime.
E o presidente norte-americano vai mais longe. Além da rendição, Donald Trump exige também que seja escolhido outro líder que seja aceitável para os Estados Unidos. São declarações numa publicação na rede social Truth Social. O presidente norte-americano assegura que todos os aliados vão manter a ofensiva, mesmo que deixe o Irão à beira de ser um país destruído. Diz Donald Trump que depois da guerra, o Irão vai ter um grande futuro e que será grande novamente, numa alusão às palavras que marcaram a campanha de Trump na reeleição como presidente dos Estados Unidos.
Para já, Luís, o Irão não se rende, até começou uma nova vaga de ataques.
Ataques que são direcionados contra bases norte-americanas, nomeadamente no Koweit, informação dada pelas Forças Armadas Iranianas, que apontam para uma série de ataques com drones a instalações norte-americanas. As forças iranianas asseguram que esta vaga de ataques deve continuar nas próximas horas.
Voltando à atualidade nacional, o antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho responde ao desafio de Luís Montenegro. Pede que o chefe do governo se concentre no país.
É a resposta de Pedro Passos Coelho depois de Luís Montenegro ter anunciado eleições diretas no PSD para maio e ter desafiado quem quiser a candidatar-se. Pedro Passos Coelho pede que o governo não brinque com o país e que se concentre no trabalho que tem a fazer.
Eu recomendo a quem está no governo, a começar no chefe do governo, que se concentre nessa missão e que se distraia pouco com o resto. Em tudo mais, não sei se aquilo que eu digo incomoda ou não incomoda, aborrece ou não aborrece. Não digo nem para incomodar, nem para aborrecer, digo o que penso e direi sempre o que penso, sempre que achar que isso é oportuno e importante. Quem está à frente do governo, umas vezes ouvirá coisas que gosta e outras vezes ouvirá coisas que não gosta. Eu já ouvi muitas coisas que não gosto e ouvi e andei. A gente não brinca com o país por causa disso.
Já quanto a uma possível candidatura às eleições internas do PSD em maio, Pedro Passos Coelho garante que não é candidato a nada e que isso só vai acontecer caso sinta um imperativo de consciência.
No dia em que eu me quiser candidatar, eu digo que me quero candidatar e candidato-me. Portanto, não faço isso para satisfazer calendários ou por questões de política interna.
Sente-se desafiado por este anúncio de antecipação?
Portanto, no dia em que o fizer, se o fizer, há de ser por um imperativo de consciência.
Garantia deixada por Pedro Passos Coelho à margem de uma conferência na Faculdade de Economia do Porto.
A Assembleia da República aprovou hoje, em definitivo, o pagamento do lay-off a 100% para as empresas das regiões afetadas pelas tempestades.
Depois de ter sido aprovado em comissão parlamentar, o texto está agora em definitivo aprovado com os votos a favor dos partidos à esquerda, Bloco, PCP, Livre e PS, mas também do Chega. O PSD, o CDS e a Iniciativa Liberal votaram contra. Estes três partidos impediram ainda o encurtamento do prazo para reclamações, como pretendia o Bloco de Esquerda. Os Social-Democratas já se mostraram contra esta mudança ao lay-off e admitem até levar o texto ao Tribunal Constitucional.
Vamos ao desporto. O treinador do Sporting, Rui Borges, diz que o foco da equipa é ganhar amanhã frente ao Braga, independentemente do clássico de domingo.
Isto porque Benfica e Porto medem forças na Luz um dia depois deste jogo entre Sporting e Braga, amanhã, a contar para a jornada 25. Para Rui Borges, a prioridade é fazer uma segunda volta extraordinária e diz que tudo começa com uma vitória amanhã.
Queremos fazer uma segunda volta melhor do que a primeira, porque a primeira foi boa, mas não chegou. Temos que fazer uma segunda volta extraordinária. Para a fazer, temos que ganhar amanhã. Isso é que eu sei. Mais do que tudo o resto, mais do que o jogo que existe entre os dois rivais. Temos que fazer a nossa parte, depois perceber qual é a consequência de nós ganharmos. Sei que temos é um jogo difícil, volto a dizer, contra uma boa equipa, onde nos vai criar muitas dificuldades e onde temos que estar no nosso máximo, claramente, durante 90 ou 100 minutos, o que for o jogo.
Rui Borges, na conferência de imprensa de antevisão do jogo de amanhã frente ao Braga. O treinador Carlos Vicent elogia o adversário, mas admite que o cansaço pode influenciar o resultado e por isso o técnico espanhol diz que ter mais energia pode ser importante devido à intensidade do jogo.
Obviamente, é uma diferença que temos de tentar aproveitar. Vamos estar um pouco mais frescos. Os níveis de energia podem estar um pouco mais altos. Temos que aproveitar. Acho que o jogo vai ser intenso, porque são duas equipas que tentam impor-se e atacar. Como o jogo vai ser intenso, pode haver momentos em que a condição física é um aspeto importante. Pode ser.
Carlos Vicent e também Rui Borges na previsão do jogo entre Braga e Sporting amanhã, a contar para a jornada 25.
O jogo é às 18h, tem relato e comentários em direto aqui na Rádio Observador. Seguimos com outras notícias que também estão a marcar a atualidade a esta hora.
A Polícia Judiciária e a Polícia Nacional de Espanha desmantelaram uma alegada rede de imigração ilegal, responsável pela entrada irregular no mercado de trabalho de centenas de imigrantes de países da América do Sul. A Judiciária explica em comunicado que as autoridades dos dois países cumpriram dezenas de mandados de buscas domiciliárias. Em Espanha foram detidas cinco pessoas. O prazo para as inscrições da primeira fase dos exames nacionais do secundário arranca hoje. Inscrição obrigatória tanto para os alunos internos como para os autopropostos. Além do exame de Português, que é obrigatório, os estudantes têm que escolher ainda duas provas adicionais.
Fica por aqui o Jornal das Quatro Edição com Luís Soares.