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Jornal das cinco com a jornalista Vanessa Cruz. Audiências em contrarrelógio no Palácio de Belém antes da decisão final que vai tomar amanhã sobre o pacote laboral. A UGT está a ser recebida a esta hora pelo Presidente da República em Belém.
Entrou nos últimos minutos a delegação da central sindical. Um acordo está dependente desta decisão da UGT. António José Seguro tinha prometido ajudar no processo de diálogo entre confederações patronais e sindicais, apesar dos encontros no Ministério do Trabalho e dos outros que aconteceram na concertação social nos últimos dias. Mas o Presidente da República recusa que esteja de alguma forma a pressionar, sobretudo a UGT, para que o Secretariado Nacional dê amanhã esse aval a esta reforma. Vamos em direto até Belém, lá que está o Martim Madeira. Martim, primeiro foi a CGTP, agora a Confederação dos Agricultores de Portugal que está a falar.
Alguma manifestação de apoio por parte do Governo, mas que chegue ao terreno, porque nós não temos até agora visto no terreno essas medidas. Basicamente, é isto.
Sobre as alterações que foram feitas.
Uma questão sobre as alterações feitas. É o que nos vai chegando do Palácio de Belém.
Quer dizer que foram feitas aproximações entre as posições da UGT e as posições das confederações patronais. Eu quero aqui sublinhar que muitas vezes a comunicação social fala em negociação entre o governo e a UGT. Eu estive em mais de 200 horas de negociação e a negociação foi entre três vértices, entre o governo, as confederações e a UGT. Portanto, o que houve foi uma aproximação de posições. Houve alguns pontos em que nós gostaríamos de ter ido mais longe, mas não foi possível e, portanto, este é um documento com o qual nós podemos viver.
A UGT também não tenha ido tão longe quanto desejava.
Em todas as negociações, e presumo que da parte do governo também, porque essa é a definição.
Aqui a Confederação dos Agricultores de Portugal a dizer que disse ao presidente da República que este documento de reforma laboral é um documento muito equilibrado, que está de acordo com esta última versão. A dizer também que o mais importante foi frisar ao presidente da República as preocupações com a situação das tempestades na agricultura e também a disparidade entre os agricultores portugueses e os agricultores espanhóis.
Martim Madeira, em direto do Palácio de Belém, antes da CAP, foi a CGTP a ser recebida pelo presidente da República, a CGTP, que não esteve envolvida nas negociações no Ministério do Trabalho, apenas nas reuniões em sede de concertação social. A última audiência do dia vai ser no Palácio de Belém também com a CIP. Entretanto, o Bloco de Esquerda acusou hoje o Presidente da República de estar a pressionar os parceiros sociais a aprovar o pacote laboral com estas audiências que marcou.
E o secretário-geral da UGT, Mário Mourão, é acusado por alguns elementos da UGT de ocultar do Secretariado Nacional a evolução das negociações sobre o pacote laboral.
É isso que dizem ao Observador alguns membros deste órgão executivo da UGT, que amanhã vai tomar uma decisão final sobre as alterações ao Código do Trabalho. Essas fontes explicam que num encontro entre Luís Montenegro com elementos da UGT, na sede do PSD, foram fornecidos alguns documentos com matérias já consensualizadas e cedências da parte do governo que não eram do conhecimento destes membros do Secretariado Nacional da UGT. Francisco Clemente Pinto, membro do Secretariado Nacional, explica à Rádio Observador, confirma que há documentos diferentes e encontra uma explicação para isso. Vamos aqui escutar.
A pressão relativamente à UGT é demasiado grande e o processo negocial, como é diário, nós no Secretariado Nacional só reunimos uma vez por mês. O que é que acontece? Acontece é que quando a informação chega até nós, rapidamente é ultrapassada no dia seguinte. É evidente, verifico e constato que temos documentos diferentes apresentados ao FIOCAP pelo governo e documento apresentado pela UGT.
Mas em que é que diferem esses documentos? Em que é que difere a informação que consta desses documentos?
Ou seja, a UGT entrega-nos documentos sobre aquilo que está transcrito, e o que eu diz mesmo, que está transcrito e que está vertido no papel, e dizendo que há elementos ainda em negociação.
Francisco Clemente Pinto, entrevistado pelo jornalista Miguel Videira, este membro do Secretariado Nacional da UGT reconhece que há muitas aproximações ao governo, mas o documento final sobre as alterações ao Código do Trabalho tem de ser único.
E na opinião do primeiro-ministro, a UGT tem todas as razões para subscrever o acordo.
Primeiro foi a ministra do Trabalho a dizer numa audição no Parlamento que tem fundadas expectativas, é mesmo esta a expressão, de que é possível chegar a esse entendimento. Colocou Maria do Rosário Palma Ramalho essa responsabilidade na UGT. Agora da parte da tarde, foi Luís Montenegro a dizer o mesmo. Acredita que ainda é possível um acordo em sede de concertação social e vai mais longe. Só não haverá se as razões forem de natureza política.
Sinceramente, só razões de natureza mais política, vamos chamar-lhe assim, podem impedir qualquer um dos parceiros de subscrever o acordo. Agora, naturalmente que todos têm o seu espaço de decisão, a sua legitimidade, e nós não decidimos em nome dos outros. O que eu posso dizer em nome do governo é que o esforço negocial foi um esforço enorme. A base da aproximação foi uma base que esgotou toda a capacidade para podermos ter o quê? Uma legislação laboral amiga do crescimento da economia
Luiz Montenegro, na residência oficial em São Bento, abordou temas como a negociação da lei laboral, no final do encontro que teve com Maria Corina Machado, Nobel da Paz, líder da oposição na Venezuela. Luiz Montenegro expressou o desejo de uma transição democrática no país. Já Corina Machado não prestou declarações aos jornalistas, seguiu viagem, mas terá quebrado o protocolo para cumprimentar duas dezenas de apoiantes que se encontravam à porta da residência oficial do primeiro-ministro português.
Não falou nesta sessão pública em São Bento, mas falou com a Rádio Observador. Corina Machado reitera que o presidente norte-americano está ao lado dos venezuelanos.
Questionada sobre se não está arrependida de ter oferecido o Prêmio Nobel da Paz a Donald Trump, a líder da oposição venezuelana garantiu que o presidente dos Estados Unidos foi o único a agir quando a justiça internacional falhou. Por isso explica que fez aquilo que os venezuelanos esperavam dela.
Enquanto uns olhavam para o outro lado, outros chegaram mesmo a justificar os abusos, protegendo-se com discursos de autodeterminação dos povos e outros ainda beneficiavam de esquemas de corrupção feroz, brutal, do saque do nosso país, enquanto os nossos filhos morriam de fome. E o atual presidente dos Estados Unidos atuou. De modo que eu, no cumprimento desse mandato, fiz o que era correto e aquilo que os venezuelanos esperam de mim.
Maria Corina Machado, entrevistada pelo jornalista do Observador José Carlos Duarte, a líder da oposição venezuelana espera regressar ao país em breve para continuar a lutar pelo povo venezuelano.
Este fica também marcado pelo regresso de Pedro Nuno Santos ao Parlamento. O deputado do PS chegou, regressou e deixou recados para alguns amigos dentro do próprio partido.
O antigo secretário-geral esteve com o mandato suspenso durante dois meses. Voltou hoje à Assembleia da República e se as críticas ao governo de Luís Montenegro se mantêm, Pedro Nuno Santos foi ainda mais contundente nos recados para figuras socialistas, como por exemplo, o amigo Duarte Cordeiro. Miguel Vítor Bedes.
Pedro Nuno Santos está de regresso.
Fui eleito para um mandato de deputado. Todos somos poucos para combater um governo que é medíocre, incompetente, um governo que é liderado por gente muito pouco séria.
Mas a mensagem principal não era para Luís Montenegro. Depois de Duarte Cordeiro se ter colocado de fora da direção de José Luís Carneiro para marcar uma posição para o futuro, ou de Fernando Medina e Mariana Vieira da Silva terem pedido alternativas, mas não terem avançado, Pedro Nuno Santos vinca.
Eu tenho muito mais respeito pelo José Luís Carneiro do que pelos taticistas que se escondem atrás da porta, à espera que o vento mude a favor do PS ou da esquerda para avançarem para a liderança do partido.
E explica até o que o fez ganhar esse respeito.
Eu sei que a memória é curta, mas no final de 2023, o PS já tinha perdido o país. Em julho, já estávamos atrás do PSD. José Luís Carneiro avança para a liderança do Partido Socialista depois de se encontrarem 75 mil € em São Bento, numa altura em que uma parte do eleitorado que tradicionalmente confiava no PS, a função pública, estava zangada com o Partido Socialista, e José Luís Carneiro avançou na altura contra mim.
Apesar do distanciamento político que se mantém.
Muita coisa que me distancia do José Luís Carneiro. Eu sou um social-democrata de esquerda, que defende um Estado forte como instrumento do desenvolvimento e, portanto, não sou adepto de nenhuma estratégia centrista, nem nunca serei adepto de nenhuma estratégia centrista.
E já com o plenário a chamar, Pedro Nuno Santos conclui.
Nem o país, nem o PS precisam de taticistas. O que nós precisamos é de gente com coragem. Muito obrigado.
Depois de uma ausência de dois meses, o antigo líder do PS diz que vai cumprir o mandato de deputado e está atento às movimentações dentro do Partido Socialista.
Há hospitais com dificuldades na compra de produtos devido à guerra no Médio Oriente. É um alerta lançado pela Associação Portuguesa, que representa os administradores dos hospitais públicos.
A forte subida dos preços das matérias-primas, com destaque para as luvas e os sacos, por exemplo, está a aumentar o risco de faltarem dispositivos médicos no país. O presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, Xavier Barreto, diz que os hospitais portugueses não estão em crise agora, mas há um alerta que o Ministério da Saúde deve ouvir.
Não estamos perante nenhuma crise, não está neste momento em causa a prestação de cuidados. Todos os cuidados estão a ser prestados com as mesmas condições de segurança e de assepsia com que sempre foram prestados. Portanto, não há nenhum perigo em vir aos hospitais. O Ministério está perfeitamente a tempo de encetar um conjunto de ações de diálogo com a indústria e com os fornecedores para resolver esta questão. Portanto, não estamos perante uma crise.
Xavier Barreto diz que ainda não foi contactado pelo Ministério da Saúde. Lembra que o mercado se encontra numa altura de muita incerteza, por causa do conflito no Médio Oriente, mas há estoque de segurança nos hospitais. O problema pode é ser outro.
Estamos é a notar aqui uma tendência, estamos a notar alguma dificuldade na contratação destes fornecedores para a entrega deste tipo de consumíveis e estamos a fazer um alerta para que dentro de algumas semanas não possamos ter aqui um problema maior e aí sim, possamos ter aqui alguma interrupção na prestação de cuidados. Estamos a avisar desde já o Ministério, a fazer um alerta bondoso, para que o Ministério possa atalhar e possa resolver esta questão. Eu tenho a certeza que fará.
O representante dos administradores hospitalares não refere nenhuma unidade de saúde em específico, com maiores problemas na compra de consumíveis, de dispositivos médicos.
E a Comissão Europeia é contra subsidiar o consumo de combustíveis. Bruxelas avisa que mesmo que amanhã houvesse paz no Médio Oriente, os efeitos negativos da guerra no Irão vão sentir-se durante muito tempo. De resto, tem uma série de medidas que foram propostas aos estados-membros para tentar mitigar isso mesmo.
Medidas como o apoio direcionado a consumidores e empresas, reduções de impostos, utilização de instrumentos de mercado e reservas estratégicas, também alternativas de transporte, bicicletas partilhadas, partilha de automóveis e que se evitem viagens aéreas sempre que possível. E o aviso deixado pelo comissário que tem a pasta da energia, Dan Jørgensen, é que a situação pode levar meses ou até anos a ficar estabilizada, mesmo que haja, entretanto, paz no Médio Oriente.
If we imagine that there is a peace tomorrow
Se imaginarmos que amanhã haja paz, o Qatar, por exemplo, levará provavelmente dois anos ou talvez mais para reconstruir a produção de gás e a infraestrutura de transporte. No caso do petróleo, a situação é um pouco diferente. Esperamos que a capacidade de produção possa ser aumentada novamente com bastante rapidez, apesar de a infraestrutura também ter sido destruída. Mas ainda assim demorará entre duas a quatro semanas. E há que levar em conta o tempo que se demora a vender os produtos à Europa. Portanto, mesmo no melhor dos cenários, o panorama é bastante desfavorável para os próximos meses e os efeitos vão fazer-se sentir durante anos.
Alerta da Comissão Europeia, que quer aproveitar esta crise para acelerar a transição energética. Por isso, pede aos Estados-membros que não avancem com medidas que incentivem o consumo de combustíveis fósseis.
E há outras notícias a marcar a tarde desta quarta-feira, 22 de abril.
Donald Trump avança ao New York Post que é possível que haja uma nova ronda de negociações com o Irão na sexta-feira. Entretanto, o Líbano prepara-se para pedir, já amanhã, em Washington, uma extensão de um mês do acordo de cessar-fogo com Israel. O Irão reconhece, entretanto, o prolongamento do cessar-fogo decretado de forma unilateral pelos Estados Unidos, sendo que o Irão quer que o Estreito de Ormuz seja reaberto para poder voltar às negociações. Logo à noite, joga-se a segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal, entre o Porto e o Sporting, no Dragão. Depois de no primeiro jogo o Sporting ter vencido em Alvalade por 1 x 0. O jogo começa às 20h45, 15 minutos para às 21h. A emissão especial na Rádio Observador arranca logo depois do jornal das 20h. Ricardo, Judite, são fãs de festivais de humor?
Isso depende.
Depende de quem for, não é?
Sim, mas para a pândega estamos sempre prontos.
Sim, é verdade. Seinfeld sim ou não?
Seinfeld sim.
Então uma boa notícia para vocês. No outono vai estrear em Lisboa o festival Comédia à la carte, também com Jerry Seinfeld nos palcos portugueses. O comediante de 71 anos começou por atuar no circuito de stand-up de Nova York, atingiu fama mundial ao interpretar uma versão ficcional dele mesmo na sitcom que teve nove temporadas, Seinfeld, e que se tornou numa das séries de comédia mais bem-sucedidas e influentes de sempre, e agora vem a Portugal.
E no fundo, há um episódio do Seinfeld para cada momento das nossas vidas. Mesmo para os mais inusitados, há um episódio de Seinfeld sobre isso. E afinal, quando é que é?
Vai ser no outono este regresso de Seinfeld. Além do comediante norte-americano, estão também confirmadas as atuações de Herman José, Inês Aires Pereira e também Sérgio Mourão. De resto, temos um artigo em destaque no site do Observador, precisamente sobre este festival.
Nós chamamos Sérgio ao César, que acho que ele não gosta.
Eu disse Sérgio. César Mourão.
César Mourão.
Para quem estive a falar da UGT é normal que haja esta confusão.
Exato. E que é dos Comédia à la carte. Vanessa Cruz vai regressar às 17h30 para atualizar as notícias.