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Jornal das seis na Rádio Observador com Luís Soares.

António José Seguro diz estar feliz com os apoios de Aníbal Cavaco Silva e de Paulo Portas, mas avisa continuar a ser um homem livre e sem amarras, numa altura em que os apoios que tem somado à direita têm sido aproveitados por André Ventura para tentar colar Seguro ao sistema. António José Seguro responde, diz que a candidatura que lidera a Belém é o chão comum da democracia e que não está fechado a nenhum campo ideológico.

A mim ninguém me captura. Eu sou um homem livre, vivo sem amarras, não fiz e não farei nenhum acordo com quem quer que seja. Os portugueses conhecem, sabem quais são as minhas ideias e os apoios surgem e eu recebo todos os apoios, recebo com muito gosto, mas não mudo e venho para trabalhar com todos. Agora fico feliz porque vejo que a minha candidatura já está a ser um pouco a expressão daquilo que eu quero que seja a minha presidência, que é uma candidatura inclusiva, onde as pessoas que têm pensamentos ideológicos diferentes reconhecem que eu sou o garante do nosso chão comum.

António José Seguro numa ação de campanha em Lisboa, responde também que não sente a falta de nenhum apoio quando questionado sobre o silêncio de Luís Montenegro. Admite, no entanto, que está preocupado, isso sim, que os bons resultados das sondagens possam desmobilizar os apoiantes. Quanto à campanha dos próximos dias, António José Seguro desvaloriza os receios de Ferro Rodrigues sobre uma campanha suja por parte de André Ventura.

Eu vou fazer a minha campanha, que é uma campanha limpa. Toda a minha vida é uma vida limpa. Eu sempre cheguei limpo na vida pública e na vida política. É isso que eu farei.

Deixe-me só perguntar em relação a este encontro.

O que eu volto a dizer é que é muito importante que cada português e cada portuguesa vá votar para reforçar a legitimidade eleitoral e política da minha candidatura.

Não recusa o debate, como diz o seu adversário, no caso, por exemplo, das subvenções, eu botei este tema que ele falou este fim de semana, não recusa o debate?

Amanhã é um debate, não é? E eu espero mesmo que seja um debate.

António José Seguro promete regressar à rua para a campanha a seguir ao debate de amanhã à noite nas televisões. Hoje o dia teve apenas essa ação dedicada ao combate à corrupção. António José Seguro felicitou a promulgação da Lei do Lobby e disse que quanto mais cedo for implementada, melhor para o país.

E André Ventura diz que não fica surpreendido com o apoio manifestado por Cavaco Silva a António José Seguro.

Ficou, isso sim, surpreendido com o apoio de Paulo Portas ao candidato socialista. Na última hora, o candidato presidencial e líder do Chega esteve numa arruada na Baixa da Banheira, iniciativa acompanhada pelo Miguel Gato. E Miguel, André Ventura voltou a mencionar indiretamente esses apoios para insistir que precisa apenas do apoio, mas sim, do povo português.

Sim, Luís, e é de resto essa mensagem que André Ventura tem passado ao longo deste dia, que esta é uma luta precisamente entre o povo português contra as elites instaladas, as elites do sistema. E se André Ventura disse depois da primeira volta que queria agregar a direita e representar o espaço não socialista nesta segunda volta, hoje e com os cada vez mais apoios à direita para a candidatura de António José Seguro, Ventura diz agora que não precisa desse apoio, desses apoios dos notáveis da direita portuguesa. Precisa, sim, do apoio do povo português, numa referência aos mais recentes apoios de Cavaco Silva e Paulo Portas à candidatura do candidato apoiado pelo Partido Socialista. Durante a manhã, André Ventura disse que o apoio de Cavaco a Seguro não o surpreendia, mas o mesmo não podia dizer do de Paulo Portas e que gostava, inclusivamente, de saber a opinião de Pedro Passos Coelho sobre esse apoio do dito presidente do CDS. Ora, estas declarações foram em Évora da parte da manhã. Esta tarde, na baixa da Manheira, André Ventura fez uma arruada com entre 100 a 200 pessoas, em que a mensagem foi a mesma, sem referências diretas a António José Seguro, diz que quer representar o povo português. E no discurso, há minutos, André Ventura fez também subir ao palco um grupo de crianças, cerca de uma dezena de crianças, para dizer também que quer lutar por um país melhor para os jovens e um país com futuro para os mais novos. Foi outra das mensagens de hoje, a aposta também na juventude e nesse interesse em fazer um país melhor para os mais novos. Ventura que depois no fim desta arruada acabou por tirar algumas fotografias com algumas pessoas, inclusive fez também durante toda a arruada. Neste momento já desmobilizou há cerca de 15 minutos. Não houve declarações à margem aos jornalistas. Houve sim essa mensagem de André Ventura querer fazer parte e liderar a candidatura contra o sistema e contra os notáveis, inclusivamente da direita portuguesa.

Miguel Gato, que acompanhou esta arruada de André Ventura na Baixa da Banheira, a insistir que precisa apenas do apoio do povo português.

E a CGTP e o Bloco de Esquerda esperam que se chegar a Belém, António José Seguro cumpra a promessa feita sobre o pacote laboral.

Na sexta-feira, o candidato presidencial repetiu que não iria promulgar as alterações à legislação laboral tal como estão, uma vez que a questão não fez parte das propostas eleitorais e porque não houve acordo em concertação social. No final de uma reunião com a CGTP, Jamel Pureza garante que o Bloco de Esquerda vai ficar atento.

Cada um assumirá as suas responsabilidades, naturalmente. E, portanto, nós estamos muito atentos às declarações que são feitas. Esperamos que elas sejam compromissos para valer, mas cada um assumirá as suas responsabilidades. Eu só respondo pelo Bloco de Esquerda e em nome do Bloco de Esquerda eu digo: tudo faremos para dar luta total a este pacote laboral, porque ele significa uma violência contra as pessoas. Não é preconceito ideológico da nossa parte. Preconceito ideológico tem, já o disse, o primeiro-ministro.

Jamel Pureza no final de uma reunião com o secretário-geral da CGTP. Também Tiago Oliveira diz que agora a expectativa é de que António José Seguro cumpra as promessas feitas durante a campanha.

Aquilo que eu posso entender neste momento é pelas palavras do próprio António José Seguro, que diz que este pacote laboral é para derrotar. Ora, aquilo que a CGTP espera é que quem usa estas palavras em campanha eleitoral, que o faça depois, caso seja eleito presidente da República.

Tiago Oliveira, da CGTP, e o coordenador do Bloco de Esquerda, que estiveram esta tarde reunidos em Lisboa para discutir as alterações à lei laboral que o governo quer implementar e que a CGTP recusa.

E há outras notícias a marcar a tarde desta segunda-feira, 26 de janeiro.

O secretário-geral da NATO avisa que só em sonhos a União Europeia consegue defender-se sem os Estados Unidos. No Parlamento Europeu, Mark Rutte sublinha que a defesa da Europa sem a ajuda de Washington não é possível. O secretário-geral da NATO diz também que há duas linhas de trabalho a desenvolverem-se em relação à questão da Gronelândia. A primeira relacionada com o reforço da segurança para proteger a região militar e economicamente da Rússia e da China. A segunda linha tem a ver com as relações entre a Dinamarca, a Gronelândia e os Estados Unidos. Israel deverá reabrir a passagem de Rafah após ter recuperado o corpo do último refém que estava em Gaza. Até agora, Israel tinha condicionado a reabertura total da passagem entre Gaza e o Egito à conclusão da operação para localizar esse corpo, o que aconteceu hoje, após as buscas num cemitério na zona leste da cidade de Gaza. As Forças de Defesa de Israel afirmam que o corpo de Ran Gavili foi localizado e identificado. Era o último refém cujo corpo ainda estava em território palestiniano. Ran Gavili tinha 24 anos quando foi sequestrado. Tinha passaporte português por parte dos bisavós maternos. No gabinete de guerra desta tarde, o historiador Bruno Cardoso Reis avisa que a descoberta deste corpo não deve trazer grandes mudanças no conflito entre Israel e o Hamas.

É uma boa notícia, objetivamente, e é importante que tenha acontecido, mas acho que não vai alterar radicalmente as coisas. Pode até haver o risco, no fundo, de retirar incentivos para o governo israelita também continuar a cooperar com o processo de paz e a manter, ainda que intermitentemente, este cessar-fogo com algumas interrupções.

Análise de Bruno Cardoso Reis no gabinete de guerra da Rádio Observador. O cargueiro que está à deriva ao largo da Figueira da Foz está em situação estável. Informação avançada pelo comandante da capitania do Porto da Figueira da Foz, Paulo Salvado Pires, explicou aos jornalistas que a embarcação não oferece qualquer perigo, tanto para a navegação como para a tripulação que se encontra a bordo.

O navio consegue se posicionar de forma a fazer face às condições de mar adversas. No entanto, aquilo que seria adequado, avisado, seria o navio ser rebocado para um porto seguro. E é isso que está a ser diligenciado neste momento, no sentido de se requisitar um serviço de reboque de alto-mar ou na área de Lisboa ou na área do norte de Espanha.

Para já, não é possível fazer uma previsão sobre quando estará resolvida essa situação. Tudo depende da chegada de um rebocador à Figueira da Foz. Já a capitania do Douro alerta para a possível subida no estuário do rio, que pode colocar em risco a navegação e também as zonas ribeirinhas. O comandante-adjunto da capitania do Douro explica à Agência Lusa que a situação está a ser monitorizada em conjunto com a EDP, mas admite, ainda assim, que a subida das águas pode ter impacto nas pessoas e bens das zonas ribeirinhas. Entretanto, a Proteção Civil registou quase 400 ocorrências no dia de hoje, devido à passagem da Depressão Joseph. Desde a meia-noite até às 15h, registaram-se 372 ocorrências, a maioria em Lisboa e Vale do Tejo e na região Centro. Não há, para já, registo de vítimas ou desalojados. Ainda de andebol, Portugal empatou com a Noruega 35-35 no Europeu, um jogo a contar para a terceira e penúltima jornada do grupo um da ronda principal. A seleção portuguesa fica assim praticamente sem hipóteses de chegar às semifinais da competição que decorre na Dinamarca. O último jogo de Portugal nesta fase do Europeu é frente à Espanha, na quarta-feira, às 14h30, hora de Lisboa. E vamos ainda viajar até Amsterdã, a capital dos Países Baixos, uma cidade onde os habitantes, como sabemos, preferem deslocar-se de bicicleta, mas com uma nuance a partir de agora. Ricardo, não sei se és adepto deste meio de transporte.

Sou, sim. Utilizador em Lisboa, mas paro nos semáforos.

Pronto. Em Amsterdã vai ser mais difícil, porque Amsterdã vai proibir a circulação de bicicletas elétricas de pneus largos, as chamadas fat bikes. Isto deve-se ao aumento do número de acidentes, sobretudo entre crianças dos 12 aos 15 anos.

Sim, porque à velocidade a que andam, eu diria que as fat bikes não são bem bicicletas.

Exatamente. Está o problema no excesso de velocidade praticado pelos utilizadores. Embora sejam limitadas a 25 km/h, muitos deles conseguem modificar as bicicletas para atingir até 40 km/h. Por isso mesmo, vão ser proibidas nos parques da cidade, a começar pelo Vondelpark dos ex-líbris de Amsterdã.

Sim, realmente bicicletas elétricas ou trotinetes mascaradas, trotinetes e bicicletas que andam bem acima dos 25 km/h e numa ciclovia é muito pouco aconselhável.