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Jornal das 6 com Luís Soares. Com a oposição contra as propostas do governo para a habitação, Luís Montenegro deixa o aviso que o rumo traçado pelo governo é para manter.
Principalmente o Chega e PS já se mostraram contra as mudanças que o governo quer implementar na habitação, mas o primeiro-ministro avisa que não se deixa intimidar. Na cerimónia que assinalou a transição do antigo edifício do Conselho de Ministros para a Câmara de Lisboa, para construção de habitação acessível, sobretudo destinada a professores, polícias e técnicos de saúde, Luís Montenegro deixou o aviso de que o rumo do governo é para manter e depois será a história a julgar.
Foi por muita gente não ter tido a coragem de levar até ao fim políticas de forma transversal e integrada como aquelas que nós temos agora em cima da mesa, que o mercado não teve a oscilação que nós queremos que tenha. E, portanto, nós temos de confiar e nós confiamos convictamente naquilo que estamos a fazer e que isso vai ter o resultado. A história vai nos julgar e os eleitores também. Não é com os fogachos de grandes tiradas que alguns títulos às vezes apontam, e alguns protagonistas políticos gostam de criar em termos de quase alarme social, que nós nos vamos intimidar com a necessidade de não levarmos até o fim esta política.
Luís Montenegro na entrega do edifício que vai criar 90 casas com investimento de 20 milhões de euros. O primeiro-ministro diz que o papel do Estado é tentar influenciar o mercado de habitação e garante que nunca o público teve tanta oferta a ser construída.
O Estado também pode influenciar, de alguma maneira, a visão do mercado e o funcionamento do mercado. Nós não queremos substituir-nos a esses, mas queremos que esses saibam que o Estado não é indiferente àquilo que acontece. Temos, neste momento, o maior processo de construção e remodelação do parque habitacional de sempre. Nunca se construíram e remodelaram tantas habitações em Portugal como agora.
De resto, Luís Montenegro tem como objetivo atingir as 40 mil casas construídas desde que chegou ao governo. No final da cerimónia, a chave do edifício foi entregue a Carlos Moedas, o presidente da Câmara de Lisboa, e ficou o desejo de que a requalificação possa ser feita rapidamente.
Amanhã o Parlamento debate a proposta do governo para rever o regime de arrendamento urbano. O PS vai votar contra e o Chega apela ao governo para desistir de fazer estas alterações.
Entre as medidas do executivo, está a redução de três para dois meses do período de rendas em atraso, necessário para avançar com o despejo, além de uma maior liberdade para os senhorios exigirem rendas antecipadas e definirem cauções. O líder do Chega, André Ventura, diz que como está, o diploma não serve e, por isso, só vê dois caminhos.
Este diploma, tal como está, não serve. E ao não servir, não deve continuar a ser colocado à votação no Parlamento. E, portanto, só tem, na minha perspectiva, duas hipóteses: ou retira-o, ou baixa à especialidade sem ir a votação amanhã, porque se continuar a ir a votação amanhã, nós não podemos, em consciência, aceitar.
Não pode aceitar o Chega se o diploma for a votação. Também o líder do PS foi mais longe e já anunciou mesmo o voto contra. Primeiro foi o líder parlamentar socialista, depois o líder do PS, José Luís Carneiro, que considera que a proposta da autorização legislativa que o governo pretende obter da Assembleia da República é um cheque em branco com vista a instituir medidas que vão criar uma insegurança crescente nos inquilinos.
O governo quer avançar com uma lei que desprotege os inquilinos. Nós já tornamos público que votaremos contra o pedido da autorização legislativa feito pelo governo para legislar fragilizando os inquilinos e apresentamos na Assembleia da República um projeto de lei para mostrar que é possível dar garantias aos investidores, aos proprietários, sem colocar em causa os direitos fundamentais dos inquilinos.
Argumento usado pelo líder do PS, José Luís Carneiro, numa visita a residências universitárias em Monsanto. O PS apresentou um projeto de lei para criar um mecanismo de garantia pública de segurança no arrendamento habitacional, de forma a reforçar a confiança no mercado e também facilitar o acesso à habitação.
E nas declarações dos líderes partidários, está ainda a acusação conhecida ontem no caso das gémeas. José Luís Carneiro recusa que o PS saia beliscado deste caso.
Sendo que o antigo secretário de Estado-adjunto da Saúde, Lefastre da Santos, é um dos acusados neste processo. José Luís Carneiro diz que é a Justiça a funcionar.
Acredito no trabalho que a Justiça vai fazer e se a Justiça fizer trabalho, com certeza que haverá uma fase de julgamento para avaliar os factos e os termos em que eles foram praticados.
E o PS não sai beliscado com esta acusação?
Como é evidente, não. Em que termos é que o Partido Socialista sai beliscado?
O PS não sai beliscado, garante José Luís Carneiro. Quanto a André Ventura, diz que não compreende que nesta acusação não sejam imputadas responsabilidades também ao antigo presidente da República.
Faz-me alguma confusão, efetivamente. Como é que podemos falar de uma teia de responsabilidade que envolve o filho do presidente da República, que por via do filho do presidente da República, envolveu o hospital num conluio entre todos para beneficiar umas pessoas e prejudicar outras? Isso fica muito claro na decisão do Ministério Público. Houve crianças portuguesas que foram prejudicadas no acesso a estes tratamentos, isso fica claro. E como é que se pode desligar isto da responsabilidade de quem estava no centro desta situação, que era o presidente da República?
Declarações do líder do Chega, André Ventura, esta tarde, antes de uma visita a uma associação que apoia crianças com câncer em Lisboa. Já durante a manhã, o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, tinha salientado que a Justiça não deu razão às acusações do Chega dirigidas a Marcelo Rebelo de Sousa.
O PSD devolve ao PS as críticas sobre a falta de respostas ao aumento do custo de vida, acusando os socialistas de terem ganho dinheiro com a inflação.
O deputado e vice-presidente da bancada parlamentar social-democrata, Hugo Carneiro, garante que este governo está a devolver o que está a ganhar a mais com a crise aos portugueses e contra-ataca o PS. Em entrevista ao Sofá do Parlamento da Rádio Observador, Hugo Carneiro diz que o governo de António Costa escolheu sacrificar os portugueses durante a guerra com a Ucrânia e diz que José Luís Carneiro vive preocupado com as sondagens.
Vejo que há partidos da oposição que ficam muito contentes com isso. José Luís Carneiro fica muito contente com isso, por exemplo, porque na dialética que existe entre o Chega e o PS, para ver quem é que é o líder da oposição, acha que isso lhe granjeia algum resultado. Aquilo que eu sei é que os portugueses escolheram o governo da AD para governar. O governo da AD está a atender aos problemas das pessoas. Aquilo que eu dizia há pouco, são mais de 3000 milhões de euros de redução de impostos em cerca de dois anos, dois anos e meio. O PS não fez. O PS não fez. Sacrificou as pessoas durante a guerra da Ucrânia, ganhando com a inflação.
Hugo Carneiro, deputado e vice-presidente da bancada do PSD, em entrevista ao Observador, não revela se a situação da guerra no Irão pode ou não prejudicar a estratégia do governo em termos orçamentais. Já quanto aos reparos que têm vindo a ser feitos por Pedro Passos Coelho, diz que não nota um tom crítico.
Eu não vejo nas intervenções de Pedro Passos Coelho um elemento crítico contra o governo. Vejo até ideias e preocupações partilhadas. Por exemplo, essa da burocracia do Estado, em que ele explicitamente a refere, ainda ontem ou antes de ontem, é precisamente uma das áreas onde o ministro Gonçalo Matias está a atuar, como é sabido, que tem a ver precisamente com a máquina burocrática e pesada do Estado.
Hugo Carneiro, em entrevista ao Observador, acusa também o Chega de cinismo por criticar agora Donald Trump, depois de ter estado na tomada de posse do presidente norte-americano.
E há outras notícias a marcar a tarde desta terça-feira, 29 de setembro.
Subiu para seis o número de utentes de um lar em Estremoz, onde há um surto de gripe A. Em comunicado, a Unidade Local de Saúde do Alentejo Central explica que um dos três utentes do lar que estavam internados no Hospital de Évora morreu ontem à noite. Quanto aos outros dois doentes, um permanece internado, o outro já teve alta. Em causa, um surto de gripe A, detetado há nove dias no Lar da Santa Casa da Misericórdia de Naveiros, em Estremoz, que já tinha causado cinco mortes. Nos exames nacionais, o sistema de identificação falhou a dobrar. A alternativa aos códigos QR também falhou. É o que conclui um relatório da Deloitte, que prestou apoio técnico ao Educa no processo de classificação digital dos exames nacionais, após os erros da primeira fase. No documento revelado pelo Ministério da Educação, diz-se que perante as limitações na leitura dos códigos pela plataforma de classificação e supervisão, os casos em que o código não era reconhecido pelo sistema eram corrigidos manualmente, mas para reduzir a necessidade de intervenção manual, foi introduzido um mecanismo alternativo que também não funcionou. O Turismo Centro de Portugal lamenta a exclusão do Rally de Portugal do Mundial de 2027. Em causa, a notícia avançada pelo Automóvel Clube de Portugal, que deu conta de que uma das alterações feitas pelo promotor no último dia da preparação da próxima temporada de rally. Em reação, o Turismo do Centro de Portugal considera que a decisão é profundamente negativa para Portugal e também para o turismo da região Centro.
Ani Silva Pais, a filha do último diretor da PIDE, que abandonou tudo para se juntar à revolução cubana, está, como bem sabemos, no centro do mais recente podcast+ Observador.
E há novo episódio. É uma história que se passa entre Portugal e Cuba e que também atravessa várias décadas do século XX.
E quando reapareceu em Havana, depois de dois meses em parte incerta, Ani instalou-se numa casa do regime cubano.
Tem uma fotografia do pai, eu lembro perfeitamente, assim numa espécie de um aparadorzinho à entrada.
Há outras fotografias no apartamento. Algumas são dos pais e numa das paredes da sala está uma grande moldura onde se vê Che Guevara e Fidel Castro a andarem por um corredor. Pela casa, Ani tem ainda uma foto da Virgem de Fátima, um galo de Barcelos e uma matriosca russa. Mora ali, na companhia de dois cães, e leva uma vida simples.
Um excerto do terceiro episódio de Os Escândalos de uma Revolucionária, que já está disponível.
A série é narrada pela atriz Bárbara Branco e a música é original de Franky Chavez. Já está disponível o terceiro episódio.