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Por muito boa tarde. Começamos este jornal das 19h com António Nogueira Leite. As contas estão feitas, mas as medidas ainda não chegam, é o que diz o economista, que foi um dos 20 que esteve hoje reunido com a Aliança Democrática.

E que pede propostas a pensar nos mais velhos. A AD quer descer o IRS e o IRC. Nogueira Leite garante que a medida é viável. O economista foi o convidado desta tarde do "Direto ao Assunto", da Rádio Observador, sublinha que há ainda muito por fazer para combater também a crise demográfica que o país enfrenta.

Na minha perspectiva, isto não chega. Portanto, é preciso fazer muito mais coisas. As coisas não se fazem por decreto, mas Portugal tem vindo a adiar sucessivamente. Nós temos este problema demográfico mais do que identificado desde o final da última década do século passado e até hoje políticas ativas de natalidade, proporcionando às pessoas condições não apenas monetárias, mas condições de organização da sociedade para que elas possam ter mais filhos, não tem acontecido. E por outro lado, temos também uma outra questão, mas essa não foi abordada hoje, que é uma questão importante, que é o que fazer com a população idosa, quando nós sabemos que não é apenas uma questão de saúde, é também uma questão de acomodação e de como tratar dos nossos, sobretudo os super seniors.

Em matérias como a educação ou a saúde, a Aliança Democrática quer mais acordos entre o público e o privado. António Nogueira Leite reitera que não está em causa o desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde.

Há claramente problemas de gestão. O PSD não disse que é preciso substituir o SNS, pelo menos naquilo que nos foi dito. Não é substituir o SNS pelo setor privado, é gerir o Serviço Nacional de Saúde em consonância com o setor social e com o setor privado. Eventualmente, mais algumas PPPs. Aliás, as que existiram, ninguém falou numa disso, pelo menos não nos falaram numa disseminação generalizada de PPPs no setor público. Nada disso. O que acontece é que nós tivemos um aumento brutal de despesa no Serviço Nacional de Saúde e com exceção daqueles militantes socialistas que vão pro Twitter dizer quando têm uma dor, chegam ao hospital e são tratados em 10 minutos, a generalidade dos portugueses tem uma realidade muito diferente, enfrenta uma realidade muito diferente.

António Nogueira Leite, economista que esteve hoje reunido com Luís Montenegro, do PSD, e Nuno Melo, do CDS, para desenhar as propostas para a economia da AD.

O antigo ministro da Defesa, José Pedro Aguiar Branco, é apontado como mais um candidato à presidência da Assembleia da República.

Pode ser ele o indicado por Luís Montenegro como candidato à sucessão de Augusto Santos Silva, em caso de uma maioria de direita. O antigo ministro da Defesa de Passos Coelho foi escolhido para ser o cabeça de lista da Aliança Democrática por Viana do Castelo, mas o Observador sabe que a vontade do líder do PSD é mesmo de indicar Aguiar Branco à sucessão do atual presidente do Parlamento. O resultado vai depender do que sair das próximas eleições legislativas. Se existir uma maioria de esquerda no Parlamento, é pouco provável que Aguiar Branco tenha condições para vencer essa eleição. Mas caso haja uma maioria à direita, vai ser preciso saber como é que vai votar a bancada do Chega, a menos que o PS desbloqueie o nome de Aguiar Branco, é mesmo o voto de Ventura que vai ser decisivo.

E esta é uma notícia que está a esta hora em manchete no site do Observador. O atual presidente do Parlamento, por sua vez, espera pela decisão do PS para saber se continua na Assembleia da República.

Augusto Santos Silva está disponível para um novo mandato, mas aguarda pela última palavra do secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, à margem de uma iniciativa que antecede o Congresso dos Jornalistas, em Lisboa. O ainda presidente da Assembleia da República gostava de dar continuidade ao trabalho que foi agora interrompido, Miguel Vítor Dias.

Já com a Assembleia da República formalmente dissolvida, Augusto Santos Silva vinga a vontade em continuar o trabalho.

Eu, em 2022, aceitei um trabalho até 2026, portanto, não vejo razão para agora o rejeitar.

Mas pra isso é preciso um conjunto de condições, entre elas a vontade do novo líder do PS.

Há aqui um conjunto de variáveis, a minha própria vontade, as decisões do meu partido, as decisões do eleitorado, a composição da Assembleia.

Augusto Santos Silva, que foi um fervoroso apoiante de José Luís Carneiro, afasta nos socialistas um cenário de purgas, como é tradição no PSD.

O PS não é um partido que faz purgas, o PS não é um partido de ajuste de contas. Não há no PS esta lógica de uma vez a bancada parlamentar que se constitui está toda virada a norte, no próximo momento vira toda a leste.

À margem de uma palestra para estudantes sobre jornalismo e liberdade, Santos Silva aponta uma prioridade pra próxima legislatura.

A iniciativa legislativa compete aos grupos parlamentares. A minha opinião pessoal é que sim, porque a lei de imprensa atual, que aliás, na minha opinião, é uma boa lei, é de 1999 e, portanto, digamos que era da fase pré-digital.

E já que é pra mexer, deve aproveitar-se para reforçar as condições dos jornalistas.

Deve também revisitar as condições de preservação da independência editorial dos jornalistas, funcionamento dos conselhos de redação, a independência editorial face aos proprietários dos media e ao Estado, por um lado, e por outro lado, as questões relativas ao jornalismo.

O presidente da Assembleia da República, numa iniciativa que antecede o Congresso dos Jornalistas.

Miguel Vítor Dias a acompanhar esta intervenção de Santos Silva perante uma plateia de estudantes. O PS ainda não fechou as listas para deputados, mas também não existe propriamente um compromisso formal para que Pedro Nuno Santos integre os apoiantes de José Luís Carneiro, como existiu nas listas para os órgãos internos do Partido Socialista.

Sobe o tom entre as forças policiais com o suplemento de missão atribuído à Polícia Judiciária, a ter retroativos a janeiro do ano passado. O Sindicato Nacional dos Oficiais de Polícia fala em anormalidade.

O pagamento deste subsídio de risco foi aprovado pelo governo a 29 de novembro e de acordo com o decreto lei, que foi publicado um mês depois em Diário da República, vai ter retroativos a janeiro do ano passado. A PSP e a GNR reclamam o mesmo tratamento que é dado à PJ. Para o presidente do Sindicato Nacional dos Oficiais de Polícia, não descarta agora o aumento de tensões entre os agentes de segurança.

É mais uma forma de espelhar uma discriminação negativa, ainda mais avassaladora para com os profissionais da PSP e da GNR, que naturalmente irá causar impacto, porque ter consciência e permita-me situar a anormalidade jurídica de haver aqui uma aplicação retroativa desta monta, tem que, mais uma vez reitero, que os profissionais da PSP e militares da GNR sejam também eles contemplados naquilo que é uma digna valorização da condição policial.

É a voz do Sindicato Nacional dos Oficiais de Polícia, aqui em declarações à Rádio Observador. Entretanto, a Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal da Polícia Judiciária estranha a polêmica gerada em torno deste suplemento, diz que a soma dos subsídios dos oficiais das polícias é mais elevada do que este apoio que é recebido pela PJ.

Isabel dos Santos reagiu pela primeira vez à acusação do Ministério Público de Angola sobre a liderança da Sonangol. A empresária garante que não chegou à petrolífera por ordem do pai.

A filha do antigo presidente angolano, José Eduardo dos Santos, está acusada de 11 crimes pela forma como foi contratada como consultora e como mais tarde geriu a Sonangol enquanto presidente do Conselho de Administração. Uma das acusações prende-se com o alegado nepotismo da contratação para liderar a petrolífera angolana. Em declarações à Rádio Essencial de Luanda, Isabel dos Santos assegura que não chegou à liderança da empresa porque o pai quis.

O José Eduardo dos Santos, por ser meu pai, ele tinha algum receio e não pretendia necessariamente nomear-me, exatamente porque não queria disputar que amanhã pudessem vir dizer: "Isto foi uma situação de nepotismo, o senhor quis favorecer a filha". Portanto, não era a intenção dele.

E não passou isso também pela sua cabeça, Isabel dos Santos, que por ser uma situação que poderia configurar nepotismo e recusar esta oferta?

Eu, no início, não quis aceitar esta responsabilidade, mas, como vê, havia uma situação urgente.

Isabel dos Santos garante que foi nomeada para presidente do Conselho de Administração da Sonangol e que a empresa estava falida quando chegou em 2015. Os fornecedores estavam prestes a deixar até de enviar combustível para Angola.

Só para ver, que essas importações, essa dívida, não era paga há dois anos. Estava em 1,8 mil milhões de dólares, 1,8 bilhões de dólares. Muito dinheiro. E quando eu cheguei à Sonangol em junho, em julho eu tenho que ir de emergência para Londres para reunir com os fornecedores do combustível, de gasolina e de gasóleo, porque eles estão prestes a não mandar mais nem gasóleo, nem gasolina para escutar o fornecimento total de Angola.

Por esta razão, a empresária não compreende porque os antigos administradores da Sonangol não estão também incluídos neste processo. Sobre os salários do Conselho de Administração, Isabel dos Santos, que recebia perto de €46 mil por mês, assegura que estavam em linha com o praticado por outras empresas petrolíferas. Nesta entrevista à Rádio Essencial de Luanda, Isabel dos Santos reforça ainda a ideia de que toda esta acusação faz parte de um plano do atual presidente angolano, João Lourenço, como manobra de distração para alterar a Constituição e concorrer a um terceiro mandato.

Ainda neste jornal das 19h, um olhar para outras notícias que também estão a marcar a atualidade.

Voltou à normalidade o movimento no aeroporto da Madeira, depois de ter estado condicionado durante a manhã por causa do mau tempo. Foram cancelados vários voos, outros foram atrasados. Durante a tarde, a situação meteorológica melhorou. Partidas e chegadas voltaram a decorrer sem constrangimentos. É mais uma greve. Desta vez, a Associação Sindical da Segurança Privada anunciou que os profissionais do setor vão estar parados na próxima sexta-feira. Estão a exigir aumentos salariais de quase 10% e anunciam várias concentrações nesse dia, marcadas para Lisboa, Porto e Portimão. Concentrações dos profissionais da segurança privada. O ministro da Defesa da Bielorrússia afirma que o país vai apresentar uma nova doutrina militar, que pela primeira vez prevê a utilização de armas nucleares, depois de a Rússia ter enviado no ano passado armas nucleares táticas para serem estacionadas na Bielorrússia. Agora, surge esta decisão do governo de Alexander Lukashenko. Não foi esclarecido, no entanto, de que forma é que a nova doutrina vai ser aplicada às armas russas. E o Irão atacou um grupo de militantes no Paquistão. Durante esta tarde, os iranianos lançaram-se contra as bases do Sheikh Jaldi, um grupo militante sunita que atua de forma regular na fronteira paquistanesa. A notícia confirmada pela agência estatal iraniana. O Paquistão ainda não respondeu a este ataque. Nelson, gostas de ir a casamentos?

Não me digas que me vais convidar.

Não.

Outro assunto. Gosto de um copo d'água.

Tenho aqui algo que vais adorar. Portanto, no Brunei estão a acontecer celebrações do casamento real e duram já há 10 dias. Portanto, é um copo de água bastante prolongado, entre cerimônias para todos os gostos, onde até se abençoam os noivos com pós coloridos. Também há espaço para um grande banquete e para visitar a residência real, que conta com algo como uma mesquita, uma garagem para 110 carros, cinco piscinas e um estábulo para 200 pôneis.

Os pôneis são essenciais em qualquer casamento, concordo.

É, mas não acaba aqui. Ao longo das celebrações, que terminam esta terça-feira, precisamente, a noiva tem direito a cinco vestidos, todos eles com detalhes de diamantes.

Mas são cinco vestidos para 10 dias.

Vai ter que repetir.

Vai ter que repetir.

Isso é que se calhar não faz muito sentido.

Bem, podem saber tudo sobre este casamento real no site do Observador, em observador.pt.