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Começa agora o Jornal das 8, uma edição do Miguel Cordeiro. Miguel, uma auditoria da Inspeção-Geral de Finanças à rede SIRESP detectou pagamentos em excesso a administradores.

Em causa está a não aplicação do corte de 5% previsto na lei aos gestores públicos entre os anos de 2022 e 2024, o que resultou numa remuneração em mais de €7.000 do que era suposto. A jornalista Ana Suspiro, d'O Observador, que assina o artigo em destaque sobre este tema, explica o que pode ter estado na origem destes excessos.

O SIRESP tinha sido uma empresa privada e foi comprada em 2019. Provavelmente, vamos aqui admitir que não se terá tido o cuidado em ver o que é que mudava na gestão da empresa pelo facto de se tornar numa empresa pública. Então a auditoria da Inspeção-Geral de Finanças deteta, de facto, que este corte de 5% não foi aplicado em três anos: 2022, 2023 e 2024.

Esta situação foi uma das várias irregularidades detetadas no SIRESP. A Ana Suspiro sublinha que durante a investigação já foi devolvido uma parte do montante, de acordo com uma síntese dos resultados desta ação, consultada por O Observador, equivale a mais de €2.000. Ainda assim, é apenas uma das várias irregularidades detetadas no âmbito da auditoria da Inspeção-Geral de Finanças ao SIRESP, que deteta pagamentos em excesso aos administradores.

Continuamos a falar de auditorias, porque o INEM vai ser alvo de uma análise à gestão dos últimos quatro anos.

Decisão do governo em comunicado, o Ministério das Finanças e o Ministério da Saúde anunciam o pedido de uma inspeção à gestão do instituto. É uma auditoria da Inspeção-Geral de Finanças que recua até 2021. Para justificar a decisão, o governo diz que não é suficiente uma mera análise da documentação entregue na prestação regular de contas. Para obter uma visão clara e completa, o Ministério da Saúde e das Finanças querem avaliar as condições e os modos de operação do serviço de emergência médica. Os resultados devem ser apresentados em março.

A Associação Sindical dos Profissionais de Polícia acusa o governo de incapacidade para dar melhores condições aos polícias.

Uma acusação que surge no dia em que o sindicato apresentou uma ação em tribunal contra os ministérios da Administração Interna e das Finanças, uma vez que o governo não reconhecia os agentes com mais de 55 anos como elegíveis para a pré-reforma e estava a ignorar os pedidos do sindicato. Paulo Santos, presidente da Associação Sindical, assegura que o desrespeito pelos estatutos da polícia já são antigos, essas situações de desrespeito. O presidente desta associação critica o facto de o governo ter avançado com a pré-aposentação de 500 agentes esta tarde, precisamente no dia em que entra em tribunal esta ação. O representante sindical da PSP acusa o executivo de incapacidade para negociar com os polícias e diz também que, em vez de negociar com a PSP, está a adotar uma posição reativa.

O governo continua a agir de uma forma reativa, porque sabe que tem um problema nas mãos, sabe que não tem capacidade de resposta e depois, em função desta informação que vem sempre cá para fora, o governo está a reagir àquilo que temos feito. Nós queríamos que a abordagem fosse outra, fosse com responsabilidade e fosse no sentido de resolver a questão de fundo, que é o que se pode fazer para que a polícia seja capaz no seu dia a dia.

Posicionamento de Paulo Santos, presidente da Associação Sindical de Profissionais de Polícia, à Rádio Observador. O sindicato avança para tribunal contra o governo por não reconhecer os agentes com mais de 55 anos, como obrigam os estatutos da PSP, como elegíveis para a pré-reforma.

O PCP critica a visita do secretário-geral da NATO, a quem trata como encarregado de negócios. É a reação de Paulo Raimundo à visita de Mark Rutte, hoje a Portugal.

O líder da Aliança Atlântica esteve reunido com o presidente da República e com o primeiro-ministro. Esta tarde, o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, mostrou-se contra a visita de Mark Rutte e deixou um aviso: os interesses da Aliança Atlântica são contrários às necessidades de Portugal.

O PCP repudia os objetivos da visita a Portugal do secretário-geral da NATO, inserida que está esta visita num processo de pressão e chantagem para o aumento dos gastos militares e promoção da deriva belicista, objetivos contrários à paz, contrários aos interesses de Portugal e de todos aqueles que cá vivem e trabalham.

O secretário-geral do PCP aponta também o dedo a Mark Rutte, que tem marcadas várias reuniões com países membros da NATO durante esta semana. Para Paulo Raimundo, está em causa a vontade de Mark Rutte fazer da guerra um negócio. O PCP apela ao desarmamento, diz que esta é a única forma de se conseguir alcançar uma segurança coletiva.

Também o Bloco de Esquerda critica o primeiro-ministro pela intenção de antecipar a meta de investimento de 2% do PIB no setor da defesa.

A posição é da coordenadora bloquista, que considera uma enorme irresponsabilidade a possibilidade de se aumentar o investimento em defesa. Mariana Mortágua alerta para um contexto que diz ser de fragilidade dos serviços públicos e aponta o dedo ao que considera uma narrativa perigosa. Isto em relação às declarações de Mark Rutte, que hoje afirmou novamente que o investimento de 2% do PIB não seria suficiente.

Esta tarde, aqui na Rádio Observador, discutimos o investimento em defesa, precisamente. O PS considera que é impossível que nesta altura Portugal aumente para 2% do PIB desse investimento. Já o PSD admite que esse aumento pode acontecer em breve.

Também em discussão no programa Tira-Teimas, aqui na Rádio Observador, o deputado Luís Dias, do PS, avalia o apelo do secretário-geral da NATO, que quer esse aumento de investimento. O coordenador socialista na Comissão de Defesa até aceita essa importância do aumento de investimento, mas avisa para dificuldades que Portugal enfrenta.

Falar em 3% ou em 5% para já é uma utopia, quando não atingimos sequer ainda os 2%, que é a meta fixada. Portanto, este é um caminho que tem que ser trilhado. A aposta com uma visão estratégica de médio e longo prazo vai ajudar claramente a que Portugal tenha também a flexibilidade política necessária para, em determinada altura, ajustar um plano que ainda não existe

Bruno Vitorino, do PSD, tem uma opinião ligeiramente diferente. Admite ir além dos 2% do PIB em investimento neste setor. O deputado e coordenador social-democrata na Comissão de Defesa assume que é preciso um crescimento da economia e que isso está em atraso.

Temos um grande atraso. Houve um grande desinvestimento por parte do governo anterior nestas áreas da defesa nacional e temos agora que seguir o nosso caminho. Acho que isto não pode ser posto em contraponto com deixar cair o Estado Social e desinvestir mais noutras áreas. Não, a estratégia de crescimento tem sempre de estar na base de tudo isto.

Bruno Vitorino, do PSD, no tira-teimas da Rádio Observador, deixou também elogios à vontade mostrada por Luís Montenegro de chegar aos 2% de investimento na defesa antes da data que estava acordada.

Olhemos agora para a política internacional. Miguel, Israel afirma que a paz no Médio Oriente vai ser impossível enquanto existir o Hamas.

Num dia em que as forças de defesa israelitas anunciaram que oito dos 26 reféns a libertar na Faixa de Gaza estão mortos, Israel não tem dúvidas de que para que a paz seja alcançada na região são necessários mais requisitos do que uma troca de prisioneiros. O relato é do enviado especial do Observador a Israel, Ricardo Conceição.

Fonte oficial israelita diz-nos que Israel quer paz, mas não irá sacrificar um milímetro da sua segurança. A libertação dos reféns é apenas um em três pontos essenciais para os israelitas. Outros dois passam, por exemplo, por aniquilar o Hamas e desmilitarizar e desradicalizar Gaza. E sabemos como tudo isso é muito difícil nesta altura. Esta mesma fonte oficial comparava a negociação com o Hamas a um acordo com o Diabo. É um parceiro não confiável. Israel disse-se preparada para libertar 700 pessoas acusadas de terrorismo em troca de quem continua ainda em cativeiro. Nas ruas e nos carros, em todo lado, há laços amarelos, há cartazes com fotografias que nos lembram que há ainda cerca de 90 reféns na mão do Hamas.

O Observador em Israel. Entretanto, hoje uma delegação do Hamas deslocou-se ao Cairo, no Egito, para discutir a implementação da trégua na Faixa de Gaza.

Tempo ainda para outras notícias neste jornal com Miguel Cordeiro. Miguel.

O engarrafador europeu da Coca-Cola vai recolher vários lotes da bebida por conter excesso de clorato. Em causa um erro de produção que está a levar à recolha de milhões de latas e garrafas de vidro de bebidas como a Coca-Cola, a Sprite e a Fanta, que foram distribuídas na Bélgica, Países Baixos, Reino Unido, França e Luxemburgo. Portugal não está incluído. De acordo com a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos, a exposição a cloratos nos alimentos pode causar problemas de saúde para pessoas com déficit de iodo. Quatro pessoas foram assistidas depois da queda de um edifício em Torres Vedras. O mau tempo provocou a derrocada de uma estrutura em ruínas sobre um estabelecimento comercial e provocou danos materiais significativos. As quatro pessoas foram assistidas no local. Não foram registadas vítimas. A estrutura já foi removida e a circulação rodoviária regressou à normalidade. Para fechar, música portuguesa. Música, eu nasci pra música.

Olha, José Cid. José Cid a tocar aqui na rádio.

Tem concerto, exatamente. Tem um concerto daqui a pouco, em Lisboa, às 21h. Está a decorrer por estes dias a primeira edição do festival Na Minha Casa. É uma iniciativa promovida pela Casa do Artista, sendo que a receita destes concertos reverte a favor da instituição, que está a celebrar 25 anos ao serviço da cultura e das artes. Hoje podemos escutar a voz de José Cid neste festival. É no Teatro Armando Cortez, onde está também a Casa do Artista. O concerto é às 21h.

Olha, é uma iniciativa muito gira. Pelo que sei, o festival está a contar com nomes bem conhecidos como Camané, Mariza Liz, Marco Rodrigues, Toy.

Sim, Toy foi logo dos primeiros. Amanhã há concerto da Ana Bacalhau. Hoje, José Cid. Daqui a pouco, às 21h, concerto no Teatro Armando Cortez.

Isto vai ser animação garantida.

Vivia numa vila linda à beira-tejo. Tinha uma namorada loira e uns amigos na escola. Sexta-feira Santa, dia no Cortez.

Eu tenho que seguir com a emissão, mas agora ficava aqui a ouvir isto. Já sabes, José Cid, daqui a pouco, às 21h, na Casa do Artista. Se puder ir, apareça. Foi o Jornal das 8 aqui na Rádio Observador, uma edição do Miguel Cordeiro.