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Está chumbada a moção de censura ao governo.

A moção teve 171 votos contra, quatro abstenções, 49 a favor, é rejeitada.

O anúncio feito por José Pedro Aguiar Branco há instantes no Parlamento.

O Chega viu assim chumbada a moção de censura com votos contra de praticamente todas as bancadas parlamentares e com a abstenção do PCP. André Ventura exigiu respostas ao primeiro-ministro a propósito da empresa da família de Luís Montenegro e chegou a pedir a demissão dos ministros com negócios no mercado imobiliário.

Na resposta, o primeiro-ministro diz que o Chega atirou ao lado e a bancada parlamentar do PSD acusou o partido de André Ventura de estar a desviar atenções dos próprios casos internos. Junta-se a este jornal, em direto, o repórter parlamentar Miguel Vitário Dias, que acompanhou este debate que durou mais de três horas. Miguel, boa tarde. Apesar da moção ter sido chumbada, a oposição aproveitou para pedir esclarecimentos ao primeiro-ministro.

Sim, e André Ventura, em particular, diz que vai continuar à procura de respostas para perguntas às quais não conseguiu obter respostas durante este debate. Luís Montenegro, que logo no arranque procurou clarificar todas as questões, foi até mais tarde acusado de excesso de transparência. Mas quanto ao ponto em si, que é a empresa familiar que criou quando estava fora da política, garante Luís Montenegro que chamar-lhe uma empresa imobiliária é um exagero e que não há qualquer relação com a lei dos solos.

A detenção de participações sociais em empresas imobiliárias não tem uma relação direta com a lei de solos.

Luís Montenegro diz que é um exagero chamar a esta empresa, uma empresa com atividade imobiliária. E depois de ter explicado o porquê de a ter criado, de ter sido para projetar o futuro pessoal e dos filhos e para garantir também a gestão de um conjunto de heranças que recebeu dos pais e que não quer vender, Luís Montenegro diz que agora só responde perante quem for tão transparente como ele.

A partir de hoje, senhoras e senhores deputados, só respondo a quem for tão transparente como eu, ou seja, que seja capaz de fazer tudo aquilo que eu fiz. Senhoras e senhores deputados, respeitem a minha dignidade e, sobretudo, respeitem a missão que me está confiada. Por mim, estou preparado para falar de Portugal e da vida dos portugueses.

E foi isso que fez depois, já no discurso de encerramento, sem referir estes casos, apontou para o futuro do país. Ainda assim, as respostas dadas não foram suficientes. É o que entende Pedro Nuno Santos, que até se mostrou solidário com algumas questões, até porque Pedro Nuno Santos teve já alguns problemas similares com a empresa do pai, da qual tinha também uma pequena participação, mas pediu, o líder do Partido Socialista, que Luís Montenegro revelasse os clientes desta empresa.

Nós não temos razões para suspeitar do senhor primeiro-ministro, mas é importante para o senhor primeiro-ministro e para todos nós que faça esse esclarecimento para que não haja clientes mistérios de um primeiro-ministro em Portugal.

Diz Pedro Nuno Santos que o primeiro-ministro não pode ter clientes mistérios. Apontou até o grupo Solverde como um dos potenciais clientes. Luís Montenegro desmentiu, diz que a relação de proximidade pessoal com os acionistas do grupo Solverde não o permite trabalhar para essa empresa. André Ventura, que esteve aqui como um dos principais protagonistas deste debate, arrancou a discussão ao comparar o governo com uma empresa imobiliária.

Senhor primeiro-ministro, senhores membros do governo. Chegamos aqui porque este governo se tornou uma agência de empregos e não um governo a trabalhar por Portugal. Chegamos aqui porque o governo, à hora que aqui estamos, olhando para todos, mais parece uma agência da Remax do que uma agência que governa Portugal.

Mas se a moção foi rejeitada, Pedro Nuno Santos faz também uma interpretação política. O governo que não considere que esta rejeição da moção de censura é um voto de confiança.

Não pode também transformar o voto contra do PS numa moção de censura, num voto de confiança. Se o senhor primeiro-ministro apresentasse uma moção de confiança, nós também chumbaríamos essa moção de confiança.

E por isso fica também os pontos nos Is por parte do líder do Partido Socialista, num debate em que o PSD utilizou também uma estratégia inusitada. E depois da intervenção de Luís Montenegro e de Hugo Soares, que aproveitou para denunciar que quadros deputados do Chega têm também empresas imobiliárias. Mas o PSD utilizou uma estratégia de colocar 15 deputados a colocar questões a André Ventura, referenciando alguns dos principais pontos de atuação do governo desde que tomou posse. Foi obrigando André Ventura a responder depois a várias matérias, para lá do que motivou a convocação deste debate. Moção rejeitada, está ultrapassado este primeiro desafio do governo de Montenegro.

A reportagem direta do Miguel Vitário Dias, ele que acompanhou esta discussão e esta votação na Assembleia da República, numa altura em que, em pleno debate da moção de censura, o PSD distribuiu um documento com os nomes dos deputados do Chega que têm empresas imobiliárias. O Observador teve acesso ao documento que, Vanessa, tem quatro nomes.

Filipe Melo, Pedro Pessanha, Felicidade Vital e José Dias Fernandes. Filipe Melo é o coordenador do grupo parlamentar do Chega, na Comissão da Economia, onde foi discutida, por exemplo, a chamada Lei dos Solos, que tem estado debaixo desta polêmica. Detém Filipe Melo 50% de uma empresa com o seu próprio nome.

Outro dos deputados é José Dias Fernandes, tem a empresa JOAM, Holding Gestão e Património. Pedro Pessanha e Felicidade Vital completam a lista dos deputados que, de acordo com o PSD, têm empresas imobiliárias.

O Observador contactou o Chega para perceber se o partido considera que existe conflito de interesses e se vai pedir aos deputados para deixarem de ter participação nas empresas e, ainda, para os deputados deixarem de ter essa participação.

E, no entanto, não obteve para já a resposta em relação a essa pergunta. O ex-diretor executivo do SNS desrespeitou as regras do acesso a cirurgias. António Gandra d'Almeida terá sido submetido a uma cirurgia plástica, ultrapassando a fase da referenciação.

As conclusões foram avançadas ao Observador pela Inspeção-Geral das Atividades em Saúde, no projeto do relatório da IGAS. Explica-se que Gandra d'Almeida terá pedido a um colega com quem trabalhava no serviço de urgência para o avaliar de forma informal.

Ou seja, tanto o ex-diretor executivo do SNS como a ULS Gaia/Espinho desrespeitaram a regra que define que a primeira consulta de especialidade hospitalar é marcada através dos cuidados de saúde primários, serviço de urgência, unidades de cuidados continuados ou através do SNS 24.

No relatório, a Inspeção das Atividades em Saúde refere ainda que Gandra d'Almeida saiu do hospital sem ter alta de internamento e sem que tivesse assinado qualquer termo de responsabilidade. Esta investigação procede a uma denúncia que veio a público em novembro do ano passado, de um alegado incumprimento do ex-diretor executivo do SNS, no que toca à lista de espera da ULS Gaia/Espinho.

Ainda na saúde, está escolhida a nova presidente do IPO de Lisboa. Vai ser Carla Gonçalo, que sai do Conselho de Gestão da Direção Executiva do SNS. Foi também presidente da Unidade Local de Saúde de Lisboa Ocidental.

Ao que apurou o Observador, Carla Gonçalo vai substituir Eva Falcão, que não viu o mandato renovado. É a escolha da Ministra da Saúde para liderar o IPO de Lisboa.

Fica apenas a faltar a confirmação da CReSAP, que está a avaliar a adequação da gestora a este novo cargo.

E são agora 19h07. Destacamos ainda outras notícias, Luís Soares.

Desde logo, o estado de saúde do Papa Francisco, que não corre perigo de vida. É uma garantia deixada pelos médicos do Papa.

A partir do Vaticano, em conferência de imprensa esta tarde, os clínicos asseguram que o sumo pontífice está a responder bem à terapia, mas ainda assim, Sérgio Alfieri deixa um aviso: o Papa não está totalmente fora de perigo.

O Papa está fora de perigo? Não, o Papa não está fora de perigo. Nós não fazemos manchetes que não fazem sentido ou notícias falsas. Os boletins só dizem a verdade, mas dizem a verdade porque ele nos pede. Não poderíamos fazer outra coisa. A única coisa que não podíamos fazer, porque esta é a privacidade do Papa, é que se o doente quiser que não comuniquemos, no máximo, não comunicamos, mas não nos pode pedir que digamos coisas falsas.

Sérgio Alfieri a falar em nome dos médicos que estão a tratar o Papa, apela ao bom senso da comunicação social nas notícias que são publicadas sobre o estado de saúde do chefe da Igreja Católica.

Um homem ficou gravemente ferido depois de ter sido atacado com uma faca junto ao Memorial do Holocausto, em Berlim.

A imprensa alemã avança que há várias pessoas nesta altura no local. A polícia já terá montado um perímetro de segurança e está nesta altura a realizar buscas.

O ferido está nesta altura a receber tratamento hospitalar. É uma notícia que vamos continuar a acompanhar ao longo da noite informativa.

E Donald Trump acredita que Volodymyr Zelenskyy não tem cartas para negociar a paz com a Rússia. À Fox News, Trump rejeita novamente a possibilidade da Ucrânia se sentar com os Estados Unidos e a Rússia para discutir um plano para a região.

Declarações depois de esta semana representantes de Moscovo e da Casa Branca se terem sentado à mesa para falar sobre um possível cessar-fogo. A não inclusão dos ucranianos foi criticada pelos países ocidentais.

De resto, Volodymyr Zelenskyy falou hoje ao telefone com o chanceler alemão. Foi discutido o plano de paz para a região.

O Olaf Scholz terá acordado que o assunto seja discutido com todos os países europeus e que a Ucrânia deve ter um lugar nas negociações de paz entre os Estados Unidos e a Rússia.

Nesta sexta-feira, Zelenskyy falou com os líderes da Polónia, Croácia e Chéquia. Nas redes sociais, o presidente ucraniano diz que estes países apoiam Kiev na procura de uma solução de paz.

Mais de uma centena de ocorrências por causa da chuva forte que caiu hoje em Portugal. A maioria das ocorrências, inundações e quedas de estruturas, é o que explica o comandante da Proteção Civil, Pedro Araújo.

Estamos a falar de um aumento do número de intervenções. Passámos a ter 100 intervenções. Elas foram maioritariamente na região de Lisboa e Vale do Tejo, seguido da região Centro e, por tipologia, os eventos estão relacionados com limpeza de vias, com a queda de estruturas, a queda de árvores e ainda inundações.

Sobretudo na região de Lisboa e Vale do Tejo e no centro do país. Hoje, Santarém do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra, Leiria e Lisboa são os sete distritos em aviso laranja do IPMA até à meia-noite de sábado, devido, neste caso, à agitação marítima.