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E depois de Luís Montenegro prometer governar ao centro, André Ventura acusa o primeiro-ministro de trair o eleitorado de direita.

É um dos destaques da conferência de imprensa que o presidente do Chega está neste momento a dar na sede do partido em Lisboa. É para lá que vamos, ao encontro do repórter do Observador, Miguel Gato. Miguel, boa tarde. André Ventura está também a reagir às previsões do Banco de Portugal.

Sim, boa tarde, Vanessa. André Ventura, presidente do Chega, reagiu a vários temas. Acabou mesmo agora a conferência de imprensa. André Ventura acusou o Banco de Portugal de ter escondido as previsões sobre o crescimento econômico e de só as ter revelado depois das eleições. O presidente do Chega fala mesmo numa fraude por parte de Mário Centeno, que hoje deu uma conferência de imprensa a prever que a economia portuguesa, afinal, vai crescer muito menos do que o Banco de Portugal tinha previsto. Recordo que a previsão era de 2,3% de crescimento econômico já este ano, enquanto que agora Mário Centeno veio afirmar que, na melhor das hipóteses, a economia portuguesa vai crescer em 2025 apenas 1,6%, um número que também é bastante mais baixo do que a previsão que o governo tinha no programa eleitoral de 2,4%. Ora, André Ventura acusa precisamente o Banco de Portugal de ter escondido estas previsões propositadamente para favorecer os partidos do sistema, neste caso PS e PSD, durante a campanha eleitoral. Outro tema de que falou também o presidente do Chega, André Ventura, e que vocês lançaram a notícia por aí, foi que Luís Montenegro prometeu hoje governar ao centro e conversar tanto à direita, com o Chega, como à esquerda, com o Partido Socialista. Ora, André Ventura diz que isso é uma traição ao eleitorado, que deu uma maioria de dois terços à direita no Parlamento. De resto, André Ventura foi falando de temas que foi falando ao longo da semana. Falou num governo de absoluta continuidade e acusou Luís Montenegro de apenas escolher nomes da proximidade do primeiro-ministro. Destacou, mais uma vez, como tinha destacado durante a semana, que as piores escolhas foram na saúde e também na pasta da Justiça. E dar nota também de que André Ventura diz que vai apresentar nomes sobre o governo de sombra a partir dos próximos dias e que não o fez até o momento, porque o Chega queria aguardar pela tomada de posse e também pelos secretários de Estado para avançar com os nomes do governo de sombra. Ficam então os destaques desta conferência de imprensa do presidente do Chega, aqui na sede do partido em Lisboa.

Terminou mesmo há instantes e, de resto, estávamos também a escutar essa parte logística do final desta conferência de imprensa, que foi acompanhada pelo Miguel Gato. André Ventura, com várias críticas a Luís Montenegro. E vamos recuperar precisamente o que disse, Miguel, o primeiro-ministro.

Promete governar ao centro, em jeito de brincadeira, na fotografia de família tirada esta tarde na residência oficial. Luís Montenegro assegurou que o executivo vai negociar tanto à esquerda como à direita.

Excepcionalmente pra esquerda.

Pra esquerda ou pra direita, às negociação?

Nós como somos centrais, vamos um bocadinho pra um lado, um bocadinho pra o outro.

É assim que vai governar, senhor primeiro-ministro?

Sempre com esta forma muito polivalente de andar a subir, a descer, a planar, pra esquerda, pra direita, pra o centro, mas sempre pra frente.

Luís Montenegro, nos jardins do Palacete de São Bento, durante a fotografia oficial antes do primeiro Conselho de Ministros, que contou também, essa imagem, com a presença dos 43 secretários de Estado que tomaram posse ao final da manhã no Palácio Nacional da Ajuda.

E o antigo ministro da Educação, Eduardo Marçal Grilo, foi ministro de António Guterres, não compreende o que Luís Montenegro quer dizer com governar ao centro e negociar tanto à esquerda como à direita. Foi convidado do Explicador desta tarde, Eduardo Marçal Grilo pede ao primeiro-ministro que seja mais claro.

Isso tem que ser explicitado. É preciso perceber caso a caso o que se pretende. O que isso significa, por exemplo, numa reforma da Justiça? O que isso representa relativamente a uma nova política de financiamento da Defesa? O que isso significa relativamente ao sistema de saúde? O que significa o sistema entre esquerda e direita? Não sei, isso o primeiro-ministro é que terá que explicar.

Eduardo Marçal Grilo apela, o antigo ministro da Educação, a que a única forma de resolver os problemas do país passa por um entendimento entre PS e PSD. Diz que é preciso capacidade dos dois partidos para conseguirem uma solução que não passe pelo Chega. Isso, diz, não traz boas medidas ao país.

O voto no Chega, na minha opinião, não é apenas um voto de protesto, das pessoas que não gostam. Não, é porque o sistema não tem sido capaz de resolver alguns dos problemas. E esses problemas só se resolvem com um enquadramento entre o PS e o PSD. Eu não estou a dizer que o Chega deve ser posto na margem, ninguém a falar com eles. É que eu não penso que venham grandes coisas do Chega.

Eduardo Marçal Grilo mostra-se ainda preocupado com a ideia de reforma do Estado, apresentada pelo executivo de Luís Montenegro. O antigo ministro da Educação de um governo socialista volta a insistir que as alterações devem ser feitas de forma cirúrgica, numa concordância entre PS e PSD.

Vamos aos avisos do Banco de Portugal, que também foram tema na conferência de imprensa de André Ventura. Afinal, a economia portuguesa vai crescer menos do que o previsto e as contas públicas podem entrar no vermelho já este ano.

É pelo menos essa a previsão do Banco de Portugal. Numa conferência de imprensa, o governador Mário Centeno afirmou que a economia portuguesa deve crescer apenas 1,6% este ano, bastante abaixo da última previsão de há três meses do Banco de Portugal, que apontava para os 2,3%.

No Boletim Econômico deste mês, Centeno avisa também o executivo de Montenegro sobre as contas públicas, que segundo o próprio, entram em terreno vermelho já este ano. A participação do Fundo de Resolução no Novo Banco está valorizada em mais de 246 milhões de euros. É o que revela o rotório e contas do ano passado. O Fundo de Resolução tem agora 13,5% do capital do Novo Banco.

Valor contabilizado em 2024, abre agora a porta à realização de mais-valias num cenário de venda do banco português. O Fundo de Resolução registou, no ano passado, resultados positivos pelo quarto ano consecutivo, com lucros a rondar os 27 milhões de euros.

Mariana Leitão não vai falar sobre possíveis candidatos da Iniciativa Liberal às presidenciais. A candidata à liderança dos liberais e antiga candidata presidencial, diz que neste momento o partido deve focar-se em transformar a sociedade portuguesa.

Não revela se os liberais vão ou não apresentar um novo candidato a Belém. O objetivo, diz Mariana Leitão, agora é crescer.

O que eu lhe posso dizer é que eu quero fazer crescer a Iniciativa Liberal e tudo farei para fazer crescer cada vez mais a Iniciativa Liberal. Há uma coisa que ninguém nos pode tirar. Nós somos o único partido que tem, de facto, uma visão pro país, um caminho diferente a ser seguido.

Mariana Leitão é a única candidata à liderança da Iniciativa Liberal. Uma entrevista à Sic Notícias.