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É o Jornal das 8 da Rádio Observador, edição da jornalista Vanessa Cruz. Vanessa, foram adiadas as visitas de Estado que Marcelo Rebelo de Sousa tinha em agenda. Já não vai à Espanha e ao Vaticano na próxima semana.

Essas viagens estavam previstas entre os dias 10 e 15 de dezembro. A Rádio Observador sabe que estão as duas canceladas por agora, na sequência da ordem de repouso que Marcelo Rebelo de Sousa recebeu por causa da cirurgia que fez ontem à noite a uma hérnia. São as últimas viagens de Estado que Marcelo Rebelo de Sousa quer fazer antes de fechar o ciclo de 10 anos na presidência e deixar Belém para um próximo inquilino. Está conosco em estúdio o editor político do Observador, Rui Pedro Antunes. Estas viagens iam coincidir com as primeiras que Marcelo Rebelo de Sousa fez há 10 anos. Ainda vai a tempo de acabar como começou, antes de deixar Belém?

Sim, eu creio que ainda. Aliás, as visitas não foram canceladas, e foram adiadas precisamente porque há oportunidade ainda de remarcar essas visitas. Marcelo queria fechar tudo antes do ano civil acabar, apesar de ser presidente, creio, até o dia 9 de março, que é o dia por norma da tomada de posse, portanto, há tempo para remarcar. Sei que o rei de Espanha, já o pai tinha uma relação de amizade com Marcelo Rebelo de Sousa, enfim, eram conhecidos, e tinha preparado umas condecorações até de um nível, acho que se vê pouco com os chefes de Estados estrangeiros, e portanto ia ser uma grande recepção a Marcelo Rebelo de Sousa, uma grande despedida a Marcelo Rebelo de Sousa, que fica assim adiada, mas não me parece que esteja comprometida de alguma forma. Atenção, porque houve a visita à Angola e essas duas são, por norma, as primeiras e também as últimas tradicionalmente. Também teremos, provavelmente, o novo presidente a visitar quer Espanha, quer o Vaticano logo a seguir. Depende, se for católico, se calhar não quererá ir ao Vaticano, mas a Espanha, se calhar, provavelmente será a primeira visita do futuro presidente da República e daí também a ideia do presidente atual de estar essas visitas. Não está, no entanto, comprometido. Eu até sei, já sabia antes, e não sei se agora, mas acho que essa não carece de ser adiada, uma visita ao estrangeiro do presidente em janeiro, não sei se pode revelar, também não é nada de extraordinário, mas sei que ele ia fazer, não era visita de Estado. Ou seja, isto não significa que Marcelo Rebelo de Sousa não tenha outras saídas para fora. Simbolicamente é que eram as últimas visitas de Estado e Espanha preparava-se para uma grande despedida, que eu acho que fica apenas adiada. Acho que o presidente amanhã já terá alta e, portanto, parece-me que em breve pode retomar a agenda e certamente que Espanha e o Vaticano vão dar uma forma de outra adaptar-se a esta agenda do presidente, ou ele à agenda do país e desse Estado muito particular que é o Vaticano.

Podemos concluir que ainda há tempo. Obrigada, Rui Pedro Antunes, editor de política do Observador.

Entretanto, e depois de receber as visitas do presidente da Assembleia da República e do primeiro-ministro, Marcelo Rebelo de Sousa tem outra prevista para amanhã.

Do secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, também vai ao Hospital de São João, no Porto, por volta das 9h. O presidente da República foi operado a uma hérnia, está bem-disposto e a evoluir de forma favorável. A indicação é que, se a recuperação for como até agora, deve ter alta ainda amanhã de manhã.

E na corrida a Belém, André Ventura acusa Gouveia e Melo de mentir sobre o universo que o separa de José Sócrates.

É uma crítica a propósito do mandatário de Gouveia e Melo por Castelo Branco. Afonso Camões renunciou hoje por ser próximo de José Sócrates.

Afinal, Afonso Camões estava ou não como mandatário da sua candidatura? O tal Afonso Camões das reuniões com José Sócrates. Porque eu vi o Gouveia e Melo muito incomodado com o apoio do José Sócrates, mas aparentemente todos os amigos do Sócrates estão com ele. E então isso também tem que ser esclarecido e acho que isso também tem que ser respondido numa candidatura presidencial. Acho que os que estão na frente da corrida têm uma responsabilidade especial, que é de dizer a verdade às pessoas e de ser transparentes com as pessoas.

As críticas de André Ventura, Afonso Camões renunciou ao cargo de mandatário para não embaraçar Gouveia e Melo.

Está a decorrer há três horas a reunião entre Vladimir Putin e os representantes norte-americanos em Moscovo.

São eles Steve Witkoff, enviado especial dos Estados Unidos nestas negociações de paz para a Ucrânia, e Jared Kushner, o genro de Donald Trump. Pouco antes deste encontro, o presidente da Rússia acusou a Europa de estar a dificultar as negociações de paz e classificou as exigências europeias de inaceitáveis.

Entretanto, há também a indicação de que Donald Trump deve fazer um anúncio a qualquer instante.

Sim, a Associated Press está em direto da Casa Branca. Com essa referência, o presidente dos Estados Unidos deve falar a qualquer momento. Não sabemos ainda, Rita, se é sobre a guerra na Ucrânia, mas o fato é que coincide com estas negociações que estão a decorrer em Moscovo. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, entretanto, mostra-se otimista sobre as negociações de paz, ao mesmo tempo que receia que Estados Unidos e aliados percam o interesse em chegar a um acordo efetivo. Zelensky discursou hoje no Parlamento irlandês.

E voltando a Putin, também hoje deixou uma ameaça à Europa.

Sim, se o continente europeu quiser começar uma guerra, a Rússia está pronta. É o aviso que deixa, ao mesmo tempo que afirma que já disse centenas de vezes que não quer esse conflito. Certo é que é a segunda vez em poucos dias que Putin alude a uma guerra com a Europa, um tom que na análise do major general João Vieira Borges ultrapassa uma ameaça comum.

É uma linguagem muito perigosa. Sinceramente, fiquei preocupadíssimo com este tipo de discurso. Ultrapassa as questões de dissuasão, ultrapassa respostas políticas, entra naquela esfera que já vimos na Segunda Guerra Mundial e na Primeira Guerra Mundial

O major-general João Vieira Borges na análise que fez no Gabinete de Guerra.

Que vai para o ar depois das 21h. E agora são 20h06, que outras notícias estão a marcar esta hora?

Neste dia marcado por ameaças, é agora Donald Trump que as faz. O presidente norte-americano deixou o aviso: qualquer país que trafique droga para os Estados Unidos pode ser alvo de um ataque. Aviso de Trump depois de uma questão que foi feita pelos jornalistas na Casa Branca no que toca à droga proveniente da Colômbia. Até agora, o governo colombiano ainda não respondeu a estas declarações do presidente dos Estados Unidos. Em Portugal, a ministra do Trabalho espera que os serviços mínimos sejam cumpridos na greve geral da próxima semana, dia 11 de dezembro. Rosário Palma Ramalho insiste que a paralisação convocada pela CGTP e pela UGT é particularmente gravosa e inoportuna, porque o governo estava a negociar com os parceiros sociais. Entretanto, os guardas prisionais abdicam de aderir a esta greve geral. Chegaram hoje a acordo com o governo, passam a receber as horas extraordinárias na totalidade, vão também ter acesso mais rápido a concursos e promoções por antiguidade, iguais às da PSP e da GNR. Rita, já ouviste falar em montes submarinos?

Não sei bem, mas acho que consigo perceber mais ou menos o que é.

É, e eles existem mesmo, há um no Atlântico que foi batizado por cientistas portugueses.

E tem direito a nome e tudo?

É. O nome é Glória, no extremo norte da elevação Açores-Biscaia. Estes montes submarinos estão entre os 2 mil metros, o topo do monte submarino é 2 mil metros, até aos 3100 de profundidade. Aqui as contas são ao contrário dos outros montes que nós conhecemos.

No fundo, o oceano é o mundo terrestre ao contrário, quase.

É isso. E chama-se Glória por causa dos resultados da campanha exploratória que foi feita a este monte submarino em 2021, lá está, por investigadores portugueses que fizeram parte do grupo de trabalho para a extensão da plataforma continental.

E assim fechamos o Jornal das 8, edição da jornalista Vanessa Cruz, que está de saída. Até amanhã.

Até amanhã.