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Duas horas. As notícias com Carlos Pedro.
Boa noite. Começamos este noticiário pela atualidade nacional. Tiago Maia assume ter falsificado assinaturas e, por isso, demitiu-se da presidência da União de Freguesias da Foz do Porto. Em causa está uma ata da reunião do júri do Fundo de Apoio ao Associativismo Portuense, datada de 16 de setembro, que terá sido elaborada e falsificada por Tiago Maia. Noutra ata relativa à passada segunda-feira e a que "O Observador" teve acesso, é referida a existência de um documento falso com assinaturas apostas por outra pessoa. Quando confrontado com o documento, o antigo líder da Iniciativa Liberal confirmou que elaborou e colocou as assinaturas. Assume, por isso, a responsabilidade e isenta de qualquer culpa todos os restantes membros do executivo e colaboradores. Em causa está o Fundo de Apoio ao Associativismo Portuense, que nesta edição contemplava um valor global próximo dos € 900 mil. Entretanto, Tiago Maia demitiu-se da presidência da União de Freguesias da Foz do Porto e num comunicado pessoal enviado na noite desta quinta-feira aos subscritores do movimento Unidos pelo Liberalismo, o ex-candidato à presidencial afirmou que não estavam reunidas as condições pessoais para continuar a exercer o cargo. A Assembleia Municipal de Loures rejeitou, nesta quinta-feira, uma proposta da CDU que propunha anular a recomendação de despejo de habitações apresentada pelo Chega. A recomendação dos comunistas foi rejeitada com os votos contra do PS, PSD, Chega e Iniciativa Liberal. O PAN absteve-se enquanto a CDU e o Bloco de Esquerda votaram a favor. A proposta visava anular uma recomendação do Chega que tinha sido aprovada por maioria na última reunião do executivo na Câmara de Loures. A medida prevê a introdução no regulamento municipal de uma pena acessória de despejo a quem seja comprovadamente culpado de ilícitos. E na sequência desta notícia, o presidente da Câmara Municipal de Loures assegura que não vai ser aprovado qualquer regulamento que seja contrário à lei e à Constituição. É uma garantia deixada por Ricardo Leão durante a reunião da Assembleia Municipal de Loures. O autarca afirma que não abdica dos princípios de direitos e deveres para todos. Recordo que Ricardo Leão tinha defendido o despejo de habitações municipais de inquilinos envolvidos nos recentes distúrbios ocorridos em vários bairros de Lisboa, depois da morte do cabo-verdiano Odair Moniz. Perante a polêmica, devido a estas declarações, em particular na área socialista, o autarca esclareceu depois que só defende o despejo de inquilinos de habitações municipais que tenham sido condenados e com o caso transitado em julgado. E ainda sobre este tema, o vice-presidente da Assembleia da República, Marcos Perestrello, considera que Ricardo Leão não escolheu bem as palavras quando defendeu a medida proposta pelo Chega. No programa "Vici e Suave", da Rádio Observador, Marcos Perestrello lembra o trabalho feito pela autarquia de Loures, mas admite que as palavras escolhidas não foram as melhores.
Palavras do presidente da Câmara de Loures não foram bem escolhidas. Uma atuação daquela natureza levantaria inúmeros problemas de natureza jurídica, de natureza política, natureza familiar, humanitária, social. Mas aquilo que me parece ser de lembrar nesta ocasião é o trabalho muito significativo que tem sido feito em Loures pela Câmara Municipal de Loures, na requalificação dos bairros municipais. Isso é que eu acho que deve ser valorizado.
As declarações do vice-presidente da Assembleia da República, ouvido esta quinta-feira no programa "Vici e Suave", da Rádio Observador. O ministro da Defesa assegura que o governo está empenhado em resolver todos os problemas na área da saúde. É uma garantia deixada por Nuno Melo à margem da comemoração dos 50 anos da Juventude Popular. O ministro recusou comentar diretamente os problemas no setor, mas promete que a saúde não vai ser esquecida.
Eu não me vou pronunciar sobre outras áreas setoriais, digo-lhe apenas que o governo está empenhadíssimo em todas elas, em resolver problemas, o que tem sido nítido e visto em toda a linha. É assim na defesa, é assim também na saúde. E de mim, no governo, não haverá outra coisa que não seja total solidariedade, coesão e respeito por um esforço muito grande em tempos difíceis de um governo que tem todos os dias crescido naquilo que me parece ser a expressão da confiança dos portugueses.
Nuno Melo, num registo captado pela Agência Lusa, o ministro sai ainda em defesa de Ana Paula Martins, destaca o que considera ser um extraordinário trabalho da ministra da Saúde. E ainda no tema da saúde, foi desconvocada a greve dos técnicos de emergência pré-hospitalar. A confirmação foi dada pelo dirigente sindical Rui Lázaro, ao final da tarde desta quinta-feira, depois do sindicato e da ministra da Saúde terem estado reunidos de forma urgente.
Por assinar um protocolo negocial que iniciará ainda este mês a primeira reunião, para que possamos pôr em prática as medidas em que convergimos. E sendo assim, estão reunidas as condições para que nós, de imediato, possamos levantar a greve às horas extras que está em vigor desde o dia 30.
Desta reunião ficou ainda estabelecido um protocolo negocial que vai começar ainda este mês. O dirigente explicou ainda que os quadros do INEM estão longe de ter os técnicos suficientes.
Os quadros do INEM deviam comportar 1480 técnicos. Atualmente, somos pouco mais de 700. Como no ditado popular, não é possível fazer omelete sem ovos e aqui os ovos são os técnicos de emergência pré-hospitalar. Portanto, não vamos conseguir eliminar de todo, todos os constrangimentos. Podemos, com a suspensão da greve, de facto, contribuir para que alguns sejam suprimidos, mas eles vão continuar, infelizmente, até que as medidas sejam implementadas e comecem a surtir efeito.
As declarações de Rui Lázaro, o Ministério da Saúde e o sindicato voltam a reunir-se no dia 21 deste mês, de forma a discutir e aplicar soluções para os técnicos de emergência pré-hospitalar. Paulo Rangel recusa pessimismos em relação à vitória de Donald Trump nas eleições norte-americanas. O Ministro dos Negócios Estrangeiros considera que é prematuro concluir, já que Donald Trump vai retirar o financiamento militar à Ucrânia. Afirma que a prioridade agora é manter as relações entre Portugal e os Estados Unidos.
Eu não estou pessimista. Como digo, nós trabalhamos com todas as administrações e já estamos a fazê-lo. Eu estou em Nova Iorque desde ontem, já fiz múltiplos contactos ao longo do dia de hoje.
Com a nova administração?
Com vários responsáveis americanos e também com muitos representantes de vários países. Aquilo que eu digo é o seguinte: a relação de Portugal com os Estados Unidos é uma relação preferencial, na qual nós vamos continuar a apostar, e a apostar decisivamente.
Já sobre a questão da NATO, Rangel também não dramatiza e garante que a aliança está preparada para um eventual corte nos apoios norte-americanos.
Ao que julgo saber, as Nações Unidas também estão preparadas, têm estrutura. Sim, mas também estão preparadas para poderem ter alguns constrangimentos a esse nível. Portanto, sinceramente, também não dramatizaria essa questão.
Paulo Rangel, num som captado pela RTP3 em Nova Iorque. O Ministro dos Negócios Estrangeiros está nos Estados Unidos para o lançamento da candidatura de Portugal ao Conselho de Segurança da ONU como membro não permanente. E ainda nos Estados Unidos, Donald Trump afirma que está a pensar em falar em breve com Vladimir Putin. Na primeira entrevista depois da vitória nas eleições norte-americanas de terça-feira, o presidente eleito avança que nos últimos dias já falou com 70 líderes mundiais. Ao canal norte-americano de televisão NBC, Donald Trump garante que concordou com a intenção de Joe Biden e Kamala Harris de uma transferência de poder pacífica. Já sobre a promessa de uma deportação em massa de imigrantes, o republicano diz que mantém a intenção, custe o que custar, já que o problema das fronteiras não é uma questão de preço, mas sim de segurança. Esta é uma entrevista de Donald Trump que ainda não foi transmitida, mas estas declarações são avançadas pela jornalista da NBC, que entrevistou o recém-eleito presidente dos Estados Unidos. Em Moçambique, esta quinta-feira foi marcada por novos confrontos entre populares e as forças de segurança. Milhares de pessoas pedem justiça e alegam que houve fraude nas últimas eleições no país. E ainda sobre esta situação no país, o investigador e professor universitário em Moçambique, João Feijó, diz não acreditar na possibilidade de uma revolução sem armas no país. Para o investigador, se a população tentasse um golpe sem violência, ia ser dizimada pelas forças de segurança moçambicanas.
Acho que não. Eu acho que a resposta do governo mental tem sido uma resposta extremamente violenta, em que disparam literalmente para a população. Hoje aqui, na Avenida Eduardo Mondlane, foram vistos indivíduos à civil, em carros civis com armas automáticas a dispararem para a população. Sem armas, eu acho que a população seria vítima, cairiam, como se costuma dizer, cairiam que nem toros.
Em declarações à Rádio Observador, João Feijó diz que a única possibilidade de uma revolução deste tipo ser bem-sucedida seria à custa de milhares de vidas.
Se for uma coisa tipo Gandhi, à custa do sacrifício, uma revolução não-violenta, à custa do massacre de centenas ou de milhares de civis, e isto levar a um desgaste do regime, da imagem internacional e depois levar os próprios militares a reconhecerem e a não se reverem nas ordens e virarem de lado.
O investigador e professor universitário em Moçambique, João Feijó, em declarações à Rádio Observador. Voltamos agora atenções para o desporto. O Futebol Clube do Porto perdeu esta quinta-feira em Roma com a Lazio por 1 x 0, num jogo a contar para a quarta jornada da Liga Europa. Os Dragões foram para o intervalo a perder com o gol de Alessio Romagnoli, já para lá dos 45 minutos regulamentares. Na segunda parte, os Dragões reagiram e empataram graças a um remate certeiro de Stephen Eustáquio. Ainda assim, novamente no tempo extra, Pedro Rodrigues marcou para a equipe italiana e consumou a vitória da Lazio. No final do encontro, Vítor Bruno afastou o dramatismo quanto ao resultado e garantiu que o foco está já no clássico de domingo contra o Benfica.
Temos que olhar para aquilo que aconteceu hoje, já aconteceu com o Manchester. Ficamos privados de três pontos nesses dois jogos, poderíamos ter sete agora. Nada está acabado, é verdade. Temos quatro, estamos dentro daquilo que é a luta pela qualificação. Agora temos que rapidamente crescer em cima dos erros. É aquilo que eu digo muitas vezes, é impossível nós maturarmos isto em treino, tem que ser em competição, mas hoje temos que dar todos uma resposta muito forte. Perdemos o jogo, está fechado, arrumou. A agonia vai durar umas horas, mas não há tempo para muito. É atacar já o jogo seguinte, que a proximidade temporal também é grande e temos um jogo importantíssimo no domingo para atacar e para ganhar.
A leitura de Vítor Bruno à derrota azul e branca no Olímpico de Roma. O Futebol Clube do Porto continua com quatro pontos e ocupa agora a 22ª posição da tabela classificativa. O dia não foi positivo para as equipes na Liga Europa. Também o Sporting de Braga voltou a escorregar, desta feita na deslocação à Suécia. A equipe de Carlos Carvalhal não foi além de um empate a um gol perante o Elfsborg. Quem sorriu foi o Vitória de Guimarães. Os vimaranenses derrotaram os checos do Mlada Boleslav por 2 x 1 em casa e mantêm assim o registro perfeito de três vitórias em três jogos na Conference League. E a fechar, foi esta quinta-feira inaugurada a exposição dos 10 anos do Observador na Sociedade Portuguesa de Belas Artes. Ao longo de várias salas, é possível reviver os momentos mais marcantes da última década e a jornalista Laura Figueiredo esteve a acompanhar este primeiro dia da exposição
As comunicações entre bombeiros em Pedrógão Grande no ano de 2017 acompanham a maior fotografia da exposição. Nela vê-se um carro branco destruído pelas chamas, naquela que ficou conhecida como a Estrada da Morte. O retrato capta um dos momentos mais marcantes dos últimos 10 anos, mas não é o único. O fotojornalista do Observador, João Porfírio, conta que embora possam não ser as fotografias tecnicamente mais corretas, lembram momentos difíceis de esquecer.
Aquela fotografia da criança com a mão no vidro a despedir-se do pai na Ucrânia e talvez aquela de Pedrógão Grande, que está um homem sozinho em cima de um escadote a tentar apagar uma casa a arder.
Também José Manuel Fernandes, um dos fundadores do Observador, elege as fotografias de Pedrógão Grande como umas das mais marcantes da última década.
Um momento talvez mais evocativo, que foi um momento muito duro para todos nós, para o país. Tudo isto, em conjunto, ajuda a perceber o que é que foram 10 anos de Portugal, do mundo e do Observador.
O objetivo da exposição é, aliás, explica a curadora Patrícia Reis, relatar os últimos 10 anos através dos olhos do Observador.
É uma exposição num tempo de hipervelocidade que te pede para veres com calma e pensares, porque porventura vais encontrar alguns temas na exposição com os quais te relacionaste, com os quais te identificas, que te fizeram rir, que te fizeram chorar.
Várias emoções que acompanham os grandes acontecimentos da última década, o início da guerra na Ucrânia, a vinda do Papa a Portugal ou mesmo a vitória de Portugal no Euro 2016, são algumas das fotografias selecionadas entre as mais de 300 mil capturadas desde o nascimento do Observador. António Carrapatoso, um dos fundadores, não consegue eleger uma preferida.
Há umas que inspiram mais tristeza, outras mais alegria. Realmente, aqui a preocupação que houve foi de se fazer um conjunto de fotografias que são um bocado exemplificativas do que é o jornalismo do Observador. Ver vários pontos de vista, da pertinência das coisas, de ver as coisas com espírito imparcial, independente.
Enquanto se caminha pela sala onde estão expostas as 10 fotografias que ilustram a última década, no chão estão impressos vários puxos enviados pelo Observador com as notícias mais marcantes dos últimos 10 anos. São cinco anos de rádio, 10 de Observador, uma exposição que captura a essência do projeto fundado a 19 de maio de 2014.
O trabalho da jornalista Laura Figueiredo com os destaques da inauguração da exposição dos 10 anos do Observador. Pode ser visitada na Sociedade Portuguesa de Belas Artes até o dia 7 do próximo mês. Fica por aqui este jornal. A informação volta a ser atualizada às 02h30 da manhã. Até lá, boa noite e continue na companhia da Rádio Observador.