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As notícias com Ana Cláudia Silva. Boa noite. Começamos este jornal na atualidade nacional. A propósito do protesto dos bombeiros sapadores, que aconteceu na terça-feira, o Ministro das Finanças afirma que ninguém beneficiou com a manifestação e aponta que embora compreenda as reivindicações, o governo não pode acudir a todas as carreiras ao mesmo tempo. Na grande entrevista da RTP3, Joaquim Miranda Sarmento diz que não compreende como é que os bombeiros não valorizam a proposta do governo que tem em cima da mesa. Refere-se ao aumento da remuneração no início da carreira de €360 até 2027. O Ministro das Finanças salienta que o governo tem tido o cuidado de tentar equilibrar as remunerações da função pública.
São legítimas as reivindicações, mas é preciso considerar que não é possível resolver tudo ao mesmo tempo. Aquilo que nós neste momento temos em cima da mesa, e que me espanta que os bombeiros ainda não valorizem o suficiente para chegarmos a um acordo, como chegamos com as forças de segurança, com os guardas prisionais e com os militares, é uma valorização que é muito próxima daquilo que foi a valorização destas carreiras. E, portanto, tem que haver aqui um equilíbrio, além do equilíbrio orçamental, que não nos permite ir mais longe do que aquilo que já fomos, também tem que haver um equilíbrio entre carreiras da função pública.
Ainda nesta entrevista, o Ministro das Finanças falou sobre o possível aumento das pensões, se a meio do próximo ano, o excedente orçamental for de 0,2 a 0,3, além do que já estava previsto no Orçamento do Estado e que foi aprovado pelo PS e pelo Chega. Joaquim Miranda Sarmento explicou as circunstâncias em que o governo admite um aumento extraordinário das pensões.
Se chegarmos a meio do ano e os dados da execução orçamental mostrarem, sobretudo, pela execução da receita, que existe uma estimativa de saldo orçamental acima daquilo que é-
Superior a 0,3.
Superior a 0,3, nós começaremos a pensar como é que podemos devolver aos portugueses esse excedente. Com um superávit 02, 03, já faz uma redução sustentada suficiente para manter o país protegido dos choques externos, suficiente para dar confiança aos mercados, para ter taxas de juro mais baixas do que vários países europeus.
As declarações de Joaquim Miranda Sarmento, Ministro das Finanças, na grande entrevista da RTP3. O ministro salientou ainda que o governo não vai desistir de continuar a tentar baixar o IRC. Ainda sobre o tema dos bombeiros, Marcelo Rebelo de Sousa explica que a forma de luta dos bombeiros sapadores não é sensata e explica que uma manifestação não deveria recorrer a petardos. São as palavras do Presidente da República, que esteve numa missa de homenagem a Francisco Sá Carneiro, nesta quarta-feira à noite. Francisco Sá Carneiro, que morreu há 44 anos. Aos jornalistas, Marcelo Rebelo de Sousa falou sobre os protestos dos bombeiros sapadores, que considera terem ido além do admissível.
Usarem o fogo como um instrumento de luta, já que tinha acontecido na assembleia, queimando pneus e fazendo uma fogueira. Aconteceu ontem com tochas, aconteceu ontem também com a utilização de petardos. Não me parece que seja bom em termos de forma de luta, e nós sabemos como o que interessa a todos nós é o prestígio dos bombeiros.
Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou ainda que Francisco Sá Carneiro teria uma visão semelhante relativamente à forma do protesto levado a cabo pelos bombeiros sapadores em Lisboa. Na mesma cerimônia, esteve Luís Montenegro. O primeiro-ministro diz que a atual Aliança Democrática faz jus à de Francisco Sá Carneiro. É uma afirmação de Luís Montenegro, depois de uma missa em memória ao fundador do PSD, no Porto. Em declarações aos jornalistas, explica que se vê em Sá Carneiro uma inspiração e admite que o regresso da Aliança Democrática mostra isso mesmo.
Os contextos são diferentes, a realidade política e social é diferente, mas a inspiração é a mesma. É uma inspiração que nasce de uma raiz muito popular, que nasce da confluência de vontades políticas que não são totalmente convergentes, de três partidos políticos e que oferece aos cidadãos uma resposta, a nossa resposta, que está muito alinhada com o nosso fundador e com os princípios programáticos, a nossa matriz ideológica, que ele nos legou. Portanto, desse ponto de vista, acho que sim, que faz jus.
As palavras de Luís Montenegro, o primeiro-ministro reforçou ainda que o partido quer voltar a reconquistar o Porto nas eleições autárquicas. Mudamos de tema. Augusto Santos Silva considera que António Costa tem o perfil certo para o cargo de presidente do Conselho Europeu, pela vasta experiência que tem na política. A opinião foi assumida em entrevista à SIC Notícias. O ex-presidente da Assembleia da República e antigo ministro dos Negócios Estrangeiros fala de António Costa como um amigo, mas também como profissional que é. Diz que o ex-primeiro-ministro pode trazer outras perspectivas e deixou ainda uma crítica ao antigo presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, que esteve no poder nos últimos cinco anos.
O que o vai distinguir do seu predecessor, Charles Michel, é a experiência política, a sensatez política e o sentido institucional, de que Michel, em vários momentos do seu mandato, parece ter se esquecido.
As palavras de Augusto Santos Silva, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros e também ex-presidente da Assembleia da República, em entrevista à Sic Notícias. Na atualidade internacional, em França, o governo caiu depois da aprovação da moção de censura contra o Executivo de Michel Barnier. Três meses depois, o Executivo de Michel Barnier foi derrubado. Agora o governo tem de apresentar a demissão, mas a lei não prevê um prazo para isso acontecer. A moção de censura ao governo, apresentada pela Nova Frente Popular, foi aprovada com um total de 331 votos no Parlamento. Este é o mandato mais curto de sempre de um primeiro-ministro na política francesa e apenas a segunda vez na história que um Executivo é censurado por uma moção aprovada no Parlamento. Na análise, Hermano Sanches Ruivo, vereador na Câmara Municipal de Paris, considera que a legitimidade e credibilidade de Michel Barnier estavam já, de certa forma, comprometidas, sobretudo pelo fato de o partido do ainda primeiro-ministro francês ter ficado em terceiro lugar nas eleições de junho. Em entrevista à Rádio Observador, Hermano Sanches Ruivo alerta que a realidade atual em França não era vivida há décadas, mais precisamente desde 1962. Ora, o vereador na Câmara Municipal de Paris realça que a primeira lição a tirar da queda do governo de Michel Barnier é a falta de um arco republicano.
Não há um arco republicano, ou seja, não houve a possibilidade de se entenderem a direita menos conservadora, ou seja, mais republicana, o centro, que é uma parte do centro-esquerdo e o centro-direita, e essa esquerda, que fora da extrema-esquerda e de Jean-Luc Mélenchon, poderiam ter conseguido, pelo número de votos e pelo acordo, evitar essa queda. Mas claramente não é essa a posição, até porque o presidente Macron e o primeiro-ministro Barnier, e relembro que o primeiro-ministro Barnier vem da família da direita conservadora, que foi a terceira força política nas últimas eleições legislativas. A terceira força política, não a primeira nem a segunda, e portanto, a própria credibilidade e legitimidade já estava, de uma certa forma, atingida.
As declarações de Hermano Sanches Ruivo à Rádio Observador. O vereador na Câmara Municipal de Paris explica ainda que agora é esperado um aumento das manifestações no país. Ainda nas reações, Marcelo Rebelo de Sousa diz que a queda do governo é sinônimo dos problemas na Europa, uma posição defendida pelo presidente da República depois de ser aprovada a moção de censura em França. Marcelo Rebelo de Sousa não se quis alongar sobre o tema, mas deixa claro que este é um sinal de que a Europa enfrenta situações complicadas.
Não queria dizer nada, porque estamos à saída de uma cerimónia de evocação de Sá Carneiro, mas é óbvio que é um sinal de que a Europa está cheia de problemas.
Marcelo Rebelo de Sousa a comentar a queda do governo francês, uma declaração aos jornalistas que decorreu após uma missa em memória de Sá Carneiro, no Porto. Paulo Rangel considera que a instabilidade política em França e na Alemanha são fenómenos e assegura que não afetam o funcionamento das instituições democráticas da União Europeia. O ministro dos Negócios Estrangeiros português admite que a moção de censura aprovada e a consequente queda do governo francês podem ter efeitos colaterais. Ainda assim, reitera que se trata de uma situação normal na vida das instituições democráticas.
Estamos realmente numa altura em que, em muitos países da Europa, vivemos essencialmente situações de alguma fragmentação parlamentar, isto é, uma grande pulverização parlamentar, e isso torna mais difícil garantir maiorias estáveis para os governos. Isso sinceramente, até é um fenómeno que pode ser um efeito colateral deste tipo de acontecimentos. Mas sinceramente, é como eu digo, vamos olhar para o normal de vida das instituições democráticas, porque é disso que se trata.
As declarações de Paulo Rangel à Agência Lusa, na Embaixada de Portugal, em Paris. O ministro dos Negócios Estrangeiros sublinhou ainda que o governo português não comenta situações internas de outros países. E na atualidade internacional, a Amnistia acusa Israel de estar a cometer genocídio contra os palestinianos em Gaza e afirma que os crimes cometidos pelo Hamas não justificam todo o tipo de ataques. O movimento internacional divulgou uma investigação onde considera que Tel Aviv comete e já cometeu crimes de genocídio na Faixa de Gaza. Num documento com quase 300 páginas, Maria Miguel Duarte, a Amnistia Internacional aponta vários atos de Israel contra os palestinianos. Assassinatos e lesões corporais e mentais. Nesta investigação, a Amnistia Internacional aponta estes atos por parte de Israel como prova do genocídio que estão a cometer em Gaza. No relatório, o movimento internacional afirma que Benjamin Netanyahu tem deliberadamente imposto más condições de vida aos palestinianos, de modo a provocar a destruição dos mesmos.
As autoridades israelitas têm e tiveram sempre a intenção de cometer o genocídio em Gaza, isto de maneira a atingirem o objetivo militar de derrotar o Hamas.
Agnès Callamard, secretária-geral da Amnistia Internacional, afirma também que os estados que estão a fornecer armamento a Israel correm o risco de serem cúmplices do que diz ser um crime internacional. Considera também que o ataque do Hamas a Israel a 7 de outubro de 2023 não justifica o que diz ser assassinatos em massa.
O objetivo militar de derrotar o Hamas não pode justificar todas as ações.
De acordo com esta investigação da Amnistia Internacional, a presença de forças do Hamas em locais densamente povoados não isenta Israel de tomar precauções e evitar ataques indiscriminados. A jornalista Maria Miguel Duarte, com as conclusões da investigação da Amnistia Internacional, o movimento apelou ainda à libertação de todos os reféns civis e também que o Conselho de Segurança das Nações Unidas imponha sanções aos responsáveis, tanto da parte do Hamas como de Israel. Ainda na atualidade internacional, Antony Blinken confirma a ajuda de 50 mil milhões de dólares em bens russos congelados para a Ucrânia, nos Estados Unidos e também na Europa. O secretário de Estado norte-americano confirmou que a Ucrânia vai receber cerca de 47,5 mil milhões de euros. Antony Blinken disse numa conferência de imprensa citada pelo The Kyiv Independent, que a ajuda vai chegar à Ucrânia nas próximas semanas, num passo que diz ser necessário para o país conseguir manter a economia e também a defesa. É a notícia de fecho neste jornal. A informação regressa à Rádio Observador às 2h30 da manhã. Até já.