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Quatro horas. Boa noite, está com a Rádio Observador, eu sou a Maria João Brás, vamos às notícias. E começamos pela atualidade internacional. António Guterres condena o ataque israelita a um aeroporto internacional no Iémen. De acordo com a imprensa local, pelo menos seis pessoas morreram. O diretor da Organização Mundial da Saúde estava prestes a embarcar num avião neste aeroporto na capital do Iémen. O objetivo de Israel era atingir os houthis, o grupo islâmico que Benjamin Netanyahu chama de "um braço do Irão". Horas depois do ataque, o primeiro-ministro afirmou que as investidas contra os houthis estão só no início. Entretanto, o Times of Israel está a noticiar que foram ouvidas sirenes em vários pontos de Israel. De acordo com esta fonte, as forças de Tel Aviv interceptaram mísseis vindos do Iémen. O presidente do Panamá recusa negociar com Donald Trump o controle do Canal do Panamá. Esta semana, o presidente eleito dos Estados Unidos ameaçou recuperar o controle da Gronelândia, do Canadá e do Canal do Panamá. Neste último caso, Donald Trump acusa a China de estar a exercer influência na passagem de mercadoria neste canal. O presidente do Panamá rejeita qualquer ingerência de Pequim. E ainda na atualidade internacional, o primeiro-ministro da Estónia quer mais militares da NATO no Mar Báltico. É um pedido feito no seguimento do corte da ligação da Estlink 2. Estamos a falar de um cabo submarino que garante o fornecimento de eletricidade entre a Estónia e a Finlândia. Ora, esta ligação parou na quarta-feira sem ordem das autoridades ou do operador. Há suspeitas de um ato de sabotagem. De acordo com o New York Times, as autoridades finlandesas apreenderam um tanque de petróleo, neste caso, um petroleiro, com ligações à Rússia, que se suspeita que possam estar relacionadas com este incidente. Por cá, Marcelo Rebelo de Sousa diz que a mensagem de Natal do primeiro-ministro foi focada no crescimento econômico, mas que também não descurou completamente a parte da coesão. No entanto, sobre o ponto mais polêmico, a segurança, o presidente da República não emitiu uma opinião. Sublinha apenas que em democracia é normal a oposição discordar. Relembro que a questão da segurança e da operação da PSP no Martim Moniz foi um dos pontos mais criticados pelos partidos da oposição, nomeadamente a esquerda. Sobre a mensagem em concreto, Marcelo Rebelo de Sousa começou por dizer que não emite opiniões, mas acabou por abrir uma exceção.
Eu não comento nunca as mensagens, nem as declarações, nem de primeiros-ministros, nem de ministros, nem de líderes partidários. Mas eu devo dizer o seguinte: eu acho que o primeiro-ministro tem tido uma preocupação muito grande com duas ideias fundamentais. Uma é o crescimento do país. Segundo, é preciso repartir. É preciso repartir e a inclusão é muito importante para essa repartição. Portanto, essas duas ideias do discurso estão sempre no discurso do governo, de todos os governos, já no anterior estava. Agora, é evidente que em certos momentos o discurso é mais o crescimento, outras vezes é mais a inclusão.
Marcelo Rebelo de Sousa, em entrevista à SIC Notícias. O presidente da República comentou também as falhas relatadas nos últimos dias na linha de emergência SNS 24. O chefe de Estado elogiou a capacidade da ministra da Saúde em reconhecer os erros e oferecer soluções. Como dizia, nos últimos dias foram registados atrasos de mais de uma hora no atendimento aos utentes nesta linha de emergência. Há ainda registro de um erro no encaminhamento de uma criança para um serviço de urgência que afinal estava encerrado. A ministra já pediu uma auditoria. Ana Paula Martins promete dar uma resposta aos problemas do SNS 24 no prazo de três dias.
O plano B, como em tudo na vida, é depois da auditoria, perceber o que é que se passou, ou seja, se em 1% ou em 0,1%, seja o que for, eu não sei, das situações o que não correu bem, identificar e corrigir no prazo de 72 horas.
Ora, ao contrário de Marcelo Rebelo de Sousa, a promessa da ministra não cai bem à Federação Nacional dos Médicos. Isto porque, segundo a presidente do sindicato, o ministério já tinha sido alertado para a possibilidade dos serviços ficarem sobrecarregados. Joana Bordalo e Sá considera que é inaceitável o estado da saúde em Portugal e reafirma que o problema é a falta de médicos.
É natural que todo o serviço esteja atrasado e que tenhamos longos tempos de espera, que tenhamos os doentes, se calhar, não internados no meio hospitalar, estão nos corredores dos hospitais, infelizmente. Isto é um cenário que a Federação Nacional dos Médicos não gostaria de ver e responsabiliza o Ministério da Saúde, Ana Paula Martins, por toda esta situação.
A presidente da FNAM, em entrevista à Rádio Observador, Joana Bordalo e Sá continua a pedir um reforço imediato dos recursos humanos nos hospitais. Mudamos de assunto. Se vai sair à rua no fim de semana, leva agasalho, especialmente se estiver no interior norte de Portugal. Os distritos de Bragança, Viseu, Guarda e Vila Real estão sob aviso amarelo devido a uma vaga de nevoeiro. Entretanto, estas zonas passam a estar sob aviso laranja, o segundo mais gravoso de uma escala de três, a partir de sábado. O meteorologista do IPMA, Pedro Sousa, admite, no entanto, que podem haver períodos abertos.
Ele neste momento está em vigor até o dia 29. De qualquer das formas, existe uma possibilidade bastante significativa de ele vir a ser prolongado, porque esta situação de nevoeiro persistente no nordeste do país terá tendência para se manter relativamente estável nos próximos dias. O que faz a diferença entre os avisos serem ou não prolongados e acabar por se manter ou não este nível laranja mais para frente, tem a ver com o facto de haver, eventualmente, algum dos próximos dias em que este padrão de nebulosidade e de nevoeiro durante todo o dia persistir, possa ser quebrado pontualmente.
Declarações do meteorologista Pedro Sousa à Rádio Observador. Entretanto, o IPMA prolonga também o aviso amarelo de chuva intensa para as ilhas açorianas das Flores e do Corvo. As previsões apontam para uma melhoria do estado do tempo a partir do meio-dia desta sexta-feira, hora de Lisboa, 11h horas nos Açores. A adesão à greve dos trabalhadores da higiene urbana, à recolha do lixo em Lisboa rondou esta quinta-feira os 70%, números avançados pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local. O protesto teve mais efeito na parte da manhã. Os trabalhadores da higiene urbana de Lisboa começaram esta quinta-feira uma greve de 24 horas, que dura até sábado. Ludgero Pintão, do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local, explica que o objetivo é passar uma mensagem de descontentamento a Carlos Moedas.
É uma demonstração da força dos trabalhadores e que o presidente da Câmara se deixe de demagogias puras e que trate aquilo que realmente interessa, que é o investimento no setor da higiene urbana, que até à data não tem feito. E neste momento tem feito tudo para que o lixo seja apanhado, realmente. Posso lhe dar um exemplo, na parte da tarde tivemos aqui as Satis, um caminhão leva três pessoas, hoje à tarde levava quatro pessoas, ou seja, três cantoneiros e um motorista. São estas tentativas que o presidente tem tentado furar a greve e para que haja mais recolha dos resíduos.
Ludgero Pintão, do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local, sobre o primeiro dia da paralisação de 24 horas na quinta-feira. Além da greve de 24 horas, como eu estava a dizer, estes trabalhadores estão também desde quarta-feira e até dia 2 de janeiro, numa greve ao trabalho extraordinário. No futebol, Rui Borges é o novo treinador do Sporting. A Rádio Observador foi até Mirandela para conhecer as origens do técnico português. Foi nesta cidade que se estreou. Aos 43 anos, treinou vários clubes, desde as distritais até à Primeira Liga, onde até agora estava ao serviço do Vitória de Guimarães. A jornalista Maria Rego falou com os familiares e amigos de Rui Borges, que não escondem a vontade do técnico em chegar ao topo.
Eu via sempre o Rui com a bola debaixo do braço. Sempre.
Paixão pelo futebol e a persistência de um líder. É assim que a mãe de Rui Borges vê a carreira do agora treinador do Sporting. Mas antes de triunfar nos relevados, o percurso por Mirandela, de onde é natural, arrancou a meio gás, já que Cândida Borges fazia questão de ensinar que o desporto não era tudo na vida.
Tens canetas, se não tiveres, tu sais do futebol.
A mãe, que não queria que o filho fosse futebolista, rapidamente percebeu que este era um caminho sem volta.
Caiu de um livro, um escrito dele, e ele dizia: "Eu ainda hei de fazer ver à minha mãe que eu ainda um dia hei de estar num clube muito grande."
Foi aí que compreendeu. O filho estava focado e também ela acreditou que ele ia chegar longe. Já a irmã, Fábia Borges, viu desde logo o potencial do irmão.
Acho que realmente nasceu para liderar.
Sobre o jogo de estreia de Rui Borges, Fábia mostra-se confiante.
Acho que ele faz amizade facilmente mesmo com os jogadores, embora tenha noção que tem que manter um nível um bocadinho diferente do tempo em que era jogador. E acho que vai fazer toda a diferença, neste caso.
Sobre o balneário, pode falar Carlos Correia, antigo treinador de Rui Borges.
Ele foi meu jogador. Depois, quase no fim de carreira, ele também queria ser treinador e era o objetivo dele. E lancei-o como treinador na equipa principal sênior do Mirandela.
Também Carlos Correia explica que viu em Rui Borges o potencial necessário para chegar ao topo.
Disse na altura que o Rui Borges ia chegar a um dos grandes, já chegou. Tenho a certeza que o Rui Borges não vai ficar por ali.
A carreira de Rui Borges está pautada com clubes como Mirandela, Académica de Viseu, Nacional, Mafra, Muradense e o Vitória de Guimarães. O currículo abriu agora um novo capítulo, com estreia marcada aos comandos do Sporting no próximo domingo, frente ao Benfica. A jornalista Maria Rego, em reportagem em Mirandela, para dar a conhecer as origens de Rui Borges, o novo técnico do Sporting, que tem estreia marcada para domingo no derby frente ao Benfica. É notícia de fecho deste jornal. Regressamos às 17h. Entretanto, fico com a primeira parte do Contracorrente. Até já!