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Quatro horas.
Mais uma vez, boa noite. O Chega saiu novamente vitorioso na contagem dos votos dos círculos eleitorais da emigração. André Ventura diz que o sistema político mudou para sempre e fala numa transição de regime tranquila e saudável. A festa da vitória foi feita no Hotel Sana Malhoa e esteve por lá a acompanhar esta segunda noite eleitoral do Chega, a jornalista Beatriz Félix.
Pouco mais de uma semana depois da noite eleitoral, chegou o dia de saber quem são os últimos quatro deputados eleitos pelos círculos da emigração. O Chega não quis deixar a data passar em branco e por isso o auditório do Hotel Sana Malhoa, em Lisboa, encheu-se de militantes para celebrar uma vitória já anunciada.
Chega, Chega!
Na televisão, Carlos César, o presidente do Partido Socialista, assumia a derrota de ver o PS ser ultrapassado pelo Chega. André Ventura vai mais longe.
Hoje é um dia de história de Portugal. Um dia que será revisto no futuro como aquele em que um partido com seis anos rompeu com 50 anos de bipartidarismo em Portugal.
E com o fim do bipartidarismo, Ventura deixa bem claro ao que vem.
Quero mudar a alma deste país e por isso contem conosco. Contem conosco para esta batalha. Não tenham medo.
Se em tempos Luís Montenegro citou Papa Francisco com a ideia de um governo para todos, Ventura opta pela mesma estratégia e diz mesmo: destruição não está nos planos do Chega.
Não seremos os líderes da destruição, não seremos os líderes do bota abaixo pelo bota abaixo. Não seremos os líderes da crítica fácil. Seremos o partido que a partir de hoje começará a construir uma alternativa para este governo, não por este homem ou por esta mulher em concreto, mas porque eu acho que todos os sinais estão dados, todos, dentro e fora do país, de que é preciso um outro governo, de que é preciso um outro país e que a hora da mudança está a chegar aqui a Portugal. É esse governo alternativo que eu quero começar a construir a partir de amanhã.
O compromisso de Ventura tem como ponto de partida uma única palavra.
Trabalho, trabalho e trabalho.
A convicção vai além da segunda noite eleitoral e André Ventura já projeta o futuro.
Nós vamos vencer as próximas eleições legislativas em Portugal.
Para lá chegar, tem uma estratégia bem desenhada que agora partilha com todos.
Portugueses, eu não vou atrás de vocês. Eu vou à vossa frente para liderar a mudança neste país. Muito obrigado.
À frente dos portugueses, ainda não é certo, mas vai à frente do Partido Socialista, que saiu derrotado das eleições legislativas e abriu caminho ao Chega para fazer história e tornar-se a segunda força política no Parlamento e também da nova oposição.
A reportagem da jornalista Beatriz Félix, que esteve a acompanhar esta segunda noite eleitoral do Chega, no mesmo dia em que acabaram de ser contados os votos dos emigrantes e que o partido de André Ventura se tornou a segunda força política. Nestes resultados, a eleição dos dois deputados nos círculos eleitorais da Europa e fora da Europa colocam o Chega com 60 deputados para a Assembleia da República, mais dois que o PS, que não conseguiu eleger qualquer deputado nestes dois círculos. A AD cresceu e conseguiu eleger dois mandatos. Vamos às percentagens totais. O Chega conseguiu mais de 26% dos votos, a AD não chegou a 16% e o PS ficou perto dos 14. Estes e outros resultados pela narração do jornalista João Gama.
No velho continente, o mapa está pintado a azul-escuro e a cor de laranja. Vamos país a país. Na Suíça, o Chega teve mais de 24 mil votos, chegou aos 45% e tem mais do dobro dos votos da AD e do PS juntos. França e Luxemburgo foram outros países que deram uma vitória expressiva a André Ventura. Nos dois casos, o Chega tem mais boletins de voto que o PS e a AD somados. São diferenças que ultrapassam as dezenas de milhares de boletins. O Chega soma vitórias mais modestas na Bélgica e no Reino Unido. A AD inverte a tendência em Espanha, na Alemanha e nos Países Baixos. A única vitória do PS é nos restantes países da Europa, onde os votos são contados em conjunto. Fora da Europa, é uma vitória mais modesta. O Chega vence, por exemplo, no Brasil, num mapa-mundo que é pintado a cor de laranja. É praticamente sempre o segundo partido mais votado, menos na China, onde ficou mais perto do PAN do que da AD.
Aqui o resumo da noite eleitoral, pela voz do jornalista João Gama. No círculo eleitoral da Europa, o Chega é o partido mais votado, com mais de 28% dos votos. Já no círculo eleitoral fora da Europa, a imagem é a mesma, mas a vitória é menos expressiva. O Chega tem mais um ponto percentual que a AD. Nas reações, José Cesário, deputado social-democrata eleito pelo círculo fora da Europa, diz que a AD é a força política que mais razões tem para celebrar esta noite. Ainda antes de conhecidos os resultados finais, à Rádio Observador, José Cesário vincava que a noite de vitória é para a AD.
Sim, há um crescimento do Chega, é objetivo, mas a verdade é esta: a Aliança Democrática foi a única força política que aumentou o número de deputados nestas eleições Passámos de um para dois. Desde 2019, que não elegíamos nenhum deputado na Europa, passámos a eleger e, evidentemente, estamos plenamente conscientes dos desafios que temos pela frente e da responsabilidade que estes resultados nos transmitem.
As palavras de José Cesário à Rádio Observador quanto ao crescimento do Chega e questionado sobre círculos eleitorais como a Suíça, onde o Chega teve três vezes mais votos que a AD. O social-democrata diz que a Aliança Democrática está consciente da responsabilidade que tem na próxima legislatura. Já do lado do Chega, Manuel Magno Alves, deputado eleito pelo círculo eleitoral fora da Europa, considera que os portugueses deixaram uma mensagem importante ao PS. Foram as declarações deixadas esta tarde à Rádio Observador pelo novo deputado do partido de André Ventura.
Eu acho que os portugueses fora da Europa acenaram com um grande recado, mandaram um grande recado. Não querem socialismo em lugar nenhum, especialmente em Portugal. Por isso, viram para a direita, uma direita real, que é constituída pelo grupo parlamentar do Chega.
As palavras de Manuel Magno Alves, que revelam ainda que o Chega quer dar estabilidade à nova governação e que o partido vai redefinir as prioridades que infelizmente não foram tidas em conta no mandato passado, como a revisão constitucional. Já do lado do PS, que foi o grande derrotado destas eleições, Emília Ribeiro, cabeça de lista do PS no círculo da Europa, admite que está desiludida e diz que neste momento o PS tem que tirar lições. Ouvida esta noite na Rádio Observador, a deputada que não foi eleita pelo círculo eleitoral da Europa reconhece que o Partido Socialista teve uma queda brutal, mas acredita que fosse quem fosse o cabeça de lista, o resultado seria o mesmo.
É claro que para mim era lamentável, sobretudo porque recaiu sobre mim este insucesso, evidentemente. Eu estou convencida que qualquer que fosse o candidato socialista, o resultado seria igual, porque ganhar o posto à AD podia ser por pouco, mas o pouco nas condições da queda brutal do PS no território nacional e o aumento também brutal da extrema-direita daria poucas hipóteses ao PS de conservar o seu posto. Portanto, é uma tendência que começou no território nacional e que se expandiu para o resto da Europa.
As declarações de Emília Ribeiro, que falhou a eleição no círculo da Europa e diz que o crescimento do Chega é um grande perigo eleitoral e que o PS tem que se aproximar das pessoas e dos trabalhadores. José Luís Carneiro diz que são dias difíceis para o PS, numa reação a esta derrota dos socialistas. Na grande entrevista da RTP, o candidato único à liderança do PS salienta, ainda assim, que não é a primeira vez que os socialistas têm um mau resultado, mas lamenta que o PS tenha apostado em Paulo Pisco pelo círculo da Europa.
São dias difíceis, naturalmente, porque o Partido Socialista teve um resultado eleitoral muito amargo, muito difícil. Mas não é a primeira vez que isto acontece. Já tivemos momentos da nossa história em que tivemos também resultados que andaram na casa dos 22, 23%. Pela primeira vez, desde a Constituinte, o Partido Socialista não elege nenhum deputado pela emigração. Infelizmente, nós não apostámos no deputado Paulo Pisco, que fez sempre um trabalho de grande proximidade e foi essa proximidade que levou a que nós tivéssemos conseguido alcançar dois deputados, nomeadamente em 2019, e termos eleito também um por fora da Europa, nomeadamente, e na altura, Augusto Santos Silva.
As palavras de José Luís Carneiro. Nestas legislativas, Pedro Nuno Santos prescindiu de Paulo Pisco e apostou em Emília Ribeiro como cabeça de lista pelo círculo eleitoral fora da Europa. Quanto às decisões na próxima legislatura, José Luís Carneiro diz estar disponível para viabilizar o Orçamento de Estado, mas primeiro quer ver a proposta do governo.
É evidente que ao viabilizar o programa do Governo, em princípio, se deve viabilizar o instrumento para pôr em prática o programa do Governo. Vamos contribuir para a viabilização do orçamento, mas não vamos fazer como a doutora Manuela Ferreira Leite, que disse: "Eu nem quero ver o orçamento." Não vamos dizê-lo.
As palavras de José Luís Carneiro em entrevista à RTP. Vamos ao desporto. Frederico Varandas diz que o ruído à volta de Mateus Reis é uma estratégia eleitoral de Rui Costa. O presidente do Sporting falou esta tarde à saída da 15ª Cimeira de Presidentes, na sede da Arena Liga Portugal, em Ramalde, no Porto. Aos jornalistas, fala de uma estratégia que vem a tempo das eleições dos encarnados.
Acho que isto é uma estratégia, uma estratégia consciente do nosso rival, que obviamente tem os seus motivos, sabemos bem, tem uma intenção de um discurso interno e obviamente tendo em consideração todo o calendário eleitoral que aí vem e por isso, sinceramente, não ligo a essa parte, não fico ofendido.
Frederico Varandas, à saída da Cimeira de Presidentes na Arena Liga Portugal. André Villas-Boas e Rui Costa também marcaram presente neste evento, mas nenhum prestou declarações. Termino este noticiário com notícia também do desporto, mas neste caso, do outro lado do Atlântico. Na NBA, já há o primeiro finalista. Oklahoma City Thunder venceram em casa frente aos Minnesota Timberwolves por 124 a 94. Com este resultado, ao quinto jogo da final da conferência, a equipa de OKC, liderada pelo MVP desta fase regular, Shai Gilgeous-Alexander, sagra-se campeã da Conferência Oeste. As finais da NBA começam já no próximo dia 5 de junho. Ponto final neste noticiário das 04h00, de seguida, a Contra-Corrente. Da minha parte, regresso às 05h00.