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Horas. Boa noite, eu sou o Ricardo Lopes, são quatro da manhã. Atualizamos agora toda a informação aqui na Rádio Observador. Começamos com a missão Artemis 2. Todos os astronautas já foram retirados da cápsula Orion. A reentrada na atmosfera terrestre foi concluída com bastante sucesso. Realizou o splashdown, a amaragem, quando o relógio apontava para 01h07, amarou no Oceano Pacífico, na costa de San Diego, na Califórnia. Neste momento, os astronautas já saíram de dentro da cápsula, foram transportados de helicóptero para um navio, onde vão ser submetidos a diversos exames médicos. Estiveram ainda mais de uma hora e meia antes de serem retirados um a um da cápsula. O astrónomo José Augusto Matos explica este ainda longo processo.

Pequenos barcos da Marinha aproximarem-se com mergulhadores da Marinha também, que para já vão instalar uma cinta de flutuação à volta da cápsula para que ela fique estável e fique na vertical, e vão depois colocar os cabos de reboque. Por quê? Porque a cápsula irá ser rebocada para dentro do barco anfíbio que está aqui perto. Esse barco tem uma doca inundável na parte traseira. E a cápsula irá entrar dentro do barco e depois será colocada no suporte e a doca será seca. E só depois da doca seca é que a tripulação irá sair.

Para reentrar na atmosfera, a nave teve de atingir uma velocidade de mais de 40 mil km/h, o que faz com que atinja uma temperatura estonteante de 2700 °C. Para se ter uma ideia, é perto de metade da temperatura do sol. José Augusto Matos explica que é o escudo de proteção térmico que permite que a nave não incendeie.

É um escudo que se consome durante a própria reentrada. Ele é um escudo muito resistente, é feito por blocos de um material resistente ao calor chamado Avcot, que é uma resina epóxi com fibras de sílica misturadas, e é um material muito resistente ao calor, aguenta 2700 °C de temperatura, e é um conjunto complexo de blocos. Aquilo tem uma base de titânio, são 186 blocos, e eles estão todos ali bem colocados, com uma grande precisão para que o escudo funcione bem. E é, de facto, esse escudo que permite que a nave consiga passar a atmosfera sem ficar incinerada.

Testemunho do astrónomo José Augusto Matos, que acompanhou aqui comigo em direto na Rádio Observador o regresso da nave Orion à Terra. Os quatro astronautas regressaram assim ao planeta Terra depois de terem estado 10 dias de missão no espaço. Foram até ao lado oculto da Lua, a bordo da nave espacial Integrity, estiveram a mais de 400 mil km da Terra. É o mais distante que a humanidade já esteve longe de casa. Olhamos agora para a guerra no Médio Oriente. Donald Trump garante que os Estados Unidos vão abrir o Estreito de Ormuz, com ou sem aprovação dos iranianos. Afirma ainda que há uma condição essencial para que o acordo se concretize: o Irão não pode ter nenhuma arma nuclear. Para o presidente norte-americano, já houve uma mudança de regime no país, embora rejeite, ao mesmo tempo, ter essa medida como critério para o acordo. Declarações feitas aos jornalistas na base militar de Andrews, no estado de Maryland, onde Donald Trump voltou a defender que a capacidade militar iraniana foi totalmente neutralizada. Isto numa altura que estão previstas, para este sábado, negociações de alto nível entre Washington e Teerão. Vão acontecer em Islamabad e devem combinar contactos diretos e indiretos entre as duas delegações. É o que adianta a CNN. As duas partes vão começar por definir primeiro a agenda das negociações através dos contactos mediados pelo Paquistão, antes de avançarem mais tarde, mas ainda no mesmo dia, ou seja, este sábado, para encontros presenciais entre as delegações. Há algumas horas soaram também as sirenes no norte de Israel, na sequência de ataques do Hezbollah. O grupo confirmou os ataques, admitiu que apontou a posições israelitas no sul do Líbano. Em causa estão foguetes lançados a partir do Líbano atribuídos ao Hezbollah. A população local mantém-se em estado de alerta permanente. No entanto, até ao momento, os serviços de emergência israelita não reportaram quaisquer feridos na sequência dos ataques. No entanto, apesar das negociações acordadas e dos pedidos do governo libanês e da administração Trump, Israel recusa cessar-fogo com o Hezbollah. Numa primeira conversa telefónica com o homólogo libanês, o embaixador israelita nos Estados Unidos afirma que Israel não pretende, de modo algum, cessar os ataques contra o Hezbollah. É o que se pode ler num comunicado citado pelo The Times of Israel. Isto apesar do acordo alcançado para o início das negociações formais, já na próxima terça-feira, que vão decorrer em Washington, DC. Olhamos agora para Portugal. António José Seguro deixa um recado ao governo. Está em falta, e é algo que é devido ao país, um relatório que explique o que verdadeiramente aconteceu no comboio das tempestades no início deste ano. Promete, portanto, António José Seguro, manter-se vigilante relativamente à reconstrução da zona centro, depois das consequências do mau tempo. No âmbito da iniciativa Presidência Aberta, ontem na Marinha Grande, António José Seguro alertou que não pode ficar tudo na mesma. Vasco Maldonado Correia.

Ao fim de cinco dias a saltar de concelho em concelho pela região centro, a avaliar os estragos da depressão Cristina, António José Seguro conclui.

Não podemos pensar que tudo já passou.

E se tudo continua na mesma, o presidente da República vai continuar a bater na mesma tecla.

As consequências desta tempestade ainda persistem. E a minha vigilância em relação aos apoios e à necessidade do país, em particular do Estado, tirar daqui ilações, também vai continuar.

E para clarificar:

O Estado não estava preparado para uma devastação, um comboio de tempestades desta natureza. Portanto, quando dizemos que é preciso tirar ilações desta situação, é preparar o Estado para responder melhor.

Depois da reunião de balanço da Presidência Aberta, que contou com a presença do ministro da Economia e da Coesão Territorial, sai novo recado com o governo como destinatário.

Não podemos continuar a passar o tempo sem que tenhamos um documento que explique verdadeiramente o que se passou nestes dias finais de janeiro e nos dias iniciais de fevereiro. É impossível tirar ilações se não soubermos corretamente o que correu bem, o que correu mal, quais foram os apoios e os meios que chegaram mais tarde.

De resto, o presidente continua em modo acelerador.

É preciso acelerar apoios, clarificar medidas e adequá-las a realidades muito concretas.

E mostra-se preocupado com os meses mais quentes que estão já aí à porta.

Há muitas árvores caídas nas florestas, ainda há muitos caminhos que estão obstruídos, há muito material combustível.

A pensar nos incêndios do verão, mas ainda preocupado com o mau tempo do inverno, António José Seguro vai promover uma reunião com especialistas na próxima quinta-feira, no Palácio de Belém. Trabalho do jornalista da Rádio Observador, Vasco Maldonado Correia, que tem acompanhado António José Seguro nestas Presidências Abertas. António José Seguro, que esteve ontem na Marinha Grande e deixou claro que quer que as populações da região centro não fiquem esquecidas depois da tempestade. Mais três dias de férias, consoante a assiduidade do trabalhador. Este foi o ponto de negociação entre a UGT e o governo, em que o executivo acabou por ceder. Há também ainda outros pontos de aproximação, é o que revela Sérgio Monte, secretário-geral adjunto da UGT, entrevistado esta noite aqui na Rádio Observador. Sérgio Monte garante que há outros consensos, para já, mas apenas verbais.

A questão da jornada contínua, que é outra questão que tem dado aqui alguma controvérsia. A jornada contínua, a redação que está na proposta que nos foi entregue é taxativa. Trabalhadores com filhos até aos 12 anos e jornada contínua depende do acordo com o empregador. Houve uma proposta, verbal também, que permitia, eventualmente, que trabalhadores com filhos até aos oito anos pudessem ter a jornada contínua, não dependendo do acordo do empregador, mas sim da vontade do trabalhador.

Ouvimos aqui Sérgio Monte, secretário-geral adjunto da UGT, que diz também que há, no entanto, matérias em que os parceiros sociais ainda não se entenderam, mas a UGT garante que continuará disponível para negociar. Está marcado um novo encontro entre o governo e as confederações patronais já na próxima segunda-feira. É desta maneira que termina este Jornal das quatro da manhã. A informação está de regresso às 4h30 com a síntese de notícias. Até já.