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As notícias com João Gama.

Bom dia. O primeiro já está. António José Seguro e André Ventura deram início à ronda de 28 debates televisivos até às eleições presidenciais. O candidato apoiado pelo Partido Socialista diz que o líder do Chega está na eleição errada. O debate de ontem aconteceu na TVI, na CNN Portugal, durou mais de meia hora, ficou marcado por temas como a lei laboral, a saúde e a imigração. André Ventura e António José Seguro discordaram em quase tudo. O candidato apoiado pelo Partido Socialista lembra que o líder do Chega foi a votos há cinco meses para ser primeiro-ministro e diz que agora está na eleição errada.

Se o senhor deputado quer debater com o Partido Socialista, eu dou-lhe o número de telefone do doutor José Luís Carneiro e o senhor deputado debate com ele. Eu, aliás, acho que o senhor deputado está na eleição errada, porque verdadeiramente o senhor devia estar nas eleições legislativas. Ainda há seis meses andou a pedir aos portugueses para votarem em si e neste momento borrifou-se para esses votos dos portugueses e está-se a candidatar a presidente da República. Não acha que isso fere o contrato de confiança que os portugueses lhe deram quando votaram em si?

Na resposta, André Ventura colou Seguro à herança dos governos de António Costa e acabou a pedir ao antigo líder socialista que assuma se tem ou não vergonha de ser do PS.

Vem do Partido Socialista, é militante do Partido Socialista há 40 anos, segundo o ouvi dizer, foi líder do Partido Socialista. Quer dizer, um milhão de pessoas sem médico de família, 30% dos jovens tiveram que emigrar, destruíram o SEF. E chega aqui agora e diz assim: "Se quer falar com o Partido Socialista, ligue para o Largo do Rato". Então, mas quer dizer, Antônio José Seguro, deixe-me dizer uma coisa: se tem vergonha do apoio que tem, se tem vergonha do apoio do Partido Socialista, então assuma-se.

Os dois candidatos alinharam nas críticas à proposta do governo para rever a lei do trabalho. Seguro critica um projeto desequilibrado, que não foi tema nas últimas legislativas. Já André Ventura quer rever as atuais leis laborais que, entende o candidato do Chega, fazem lembrar a União Soviética. O tom do debate aqueceu em temas como a saúde e a imigração. André Ventura acusa António José Seguro de aceitar que imigrantes passem à frente dos portugueses nas listas de espera no SNS.

É pôr os portugueses em primeiro lugar. Essa é uma das soluções que o senhor não aceita. Sabe o que é que não aceita? É que cheguem imigrantes que venham de fora e que passem à frente dos portugueses na saúde. Não, agora deixe-me terminar, que eu não o interrompi. O senhor aceita de bom grado que chega alguém do Bangladesh, da Índia, do Paquistão e passa à frente de uma família portuguesa no acesso à saúde. O senhor aceita e aceita de bom grado que venha alguém de fora, receba subsídios da Segurança Social e ainda tenha tratamentos de graça, nomeadamente os PALOP, e nós nem cobremos a esses PALOP.

Na resposta, António José Seguro fala numa estigmatização das minorias, ao mesmo tempo que garante que a principal prioridade da sua presidência será precisamente na área da saúde. O antigo líder do Partido Socialista deixa uma recomendação nada desconhecida a André Ventura.

Eu recomendo-lhe, sabe o quê? Uma tese de doutoramento feita em Dublin.

António José Seguro.

Dá-me licença que eu termino?

Pode dar licença.

Eu sei que não vai gostar.

Eu não me importo com isso.

Que é de 2013, do estudante, na altura, André Ventura, em que chamava a atenção, precisamente, para essa estigmatização. Dá-me licença? Não quer ouvir? Mas eu deixo-- quer ouvir ou não, até o final? E o senhor chamava a atenção, nessa altura, bem, estava do lado certo, que havia uma estigmatização de minorias.

António José Seguro, que entregou a André Ventura, na qualidade de líder partidário, um pacto para a saúde, no qual defende que a saúde não pode ser tratada como política de legislatura, um documento que identifica vários princípios estruturantes para um compromisso de longo prazo que promova o acesso dos portugueses aos cuidados de saúde. O candidato está inspirado nas melhores práticas europeias e tem como exemplo os países do norte da Europa. Seguro propõe, por exemplo, um planeamento estratégico plurianual, uma gestão profissionalizada do SNS, uma contratualização mais rigorosa e financiamento público robusto e progressivo do Serviço Nacional de Saúde. Este foi o primeiro de 28 debates entre os vários candidatos presidenciais. Vão acontecer durante as próximas cinco semanas. Esta terça-feira é a vez de Luís Marques Mendes e António Filipe estarem frente a frente. Já a seguir, às 7:40 da manhã, há um explicador extra aqui na Rádio Observador. Vamos ouvir representantes das duas candidaturas que ontem estiveram em debate. Continuamos. Na saúde, José Luís Carneiro diz que Ana Paula Martins está atrasada na forma como tenta abordar os problemas do setor em Portugal. A ministra começou esta segunda-feira uma volta a Portugal pelas unidades locais de saúde. Vai estar hoje em Beja. José Luís Carneiro diz que Ana Paula Martins já vai tarde e que era por aí que deveria ter começado o mandato. Durante uma visita ontem ao Hospital de Santa Maria, Carneiro diz que o périplo pela saúde peca por tardio, mas não deixa de lhe reconhecer a importância.

Uma ministra que está há quase dois anos em funções e agora, ao fim de dois anos em funções, vai ao encontro dos cuidados primários de saúde, eu diria que era por aí que deveria ter começado há dois anos, mas mais vale tarde que nunca.

O líder socialista diz ainda que, face aos riscos que o inverno apresenta, é importante que o governo tenha em consideração a proposta do PS para a gestão da emergência hospitalar. Vê, por isso, com bons olhos esta estratégia de Ana Paula Martins, que diz José Luís Carneiro estar alinhada com a visão do Partido Socialista.

Do meu ponto de vista, a ministra deveria estar, neste momento, concentrada na gestão da coordenação da emergência hospitalar. E essa necessidade, essa resposta, diria que tem uma resposta adequada, do meu ponto de vista, com a proposta que fez o Partido Socialista para diagnosticar os meios e mobilizar os meios para as necessidades que venham a ser detectadas.

José Luís Carneiro, esta segunda-feira, depois de uma reunião com o Conselho de Administração do Hospital de De Santa Maria. A greve geral de dia 11 de dezembro vai contar com serviços mínimos no setor da saúde. A garantia foi deixada pela ministra Ana Paula Martins, depois ter confirmado a participação da FNAM na paralisação do próximo mês. Ana Paula Martins reconhece o impacto das greves gerais anteriores, diz que o cenário não será diferente no dia 11, por isso, contribuiu uma negociação entre a tutela e sindicatos.

Conseguimos manter os serviços mínimos e conseguimos negociá-los e as pessoas colaboram. Os profissionais de saúde têm muita consciência cívica. Nós vemos isso quando temos uma situação de pandemia, uma situação de catástrofe, uma situação de acidente, como já vimos, um apagão, nas coisas mais disruptivas. Os profissionais de saúde, quando são chamados, nunca falham.

Declarações de Ana Paula Martins aos jornalistas à margem de uma visita ao Hospital do Litoral Alentejano, em Santiago do Cacém. Durão Barroso defende que a União Europeia tem que se preparar a longo prazo para uma guerra, numa referência à invasão russa da Ucrânia. O antigo presidente da Comissão Europeia aponta para a necessidade de criar uma defesa que tenha o poder de dissuadir um agressor.

Reforçarmos a nossa defesa é exatamente o que estamos a fazer. Eu espero é que seja feito em tempo útil. As decisões que foram tomadas pela Cimeira da NATO, mas também as decisões que foram tomadas no âmbito da União Europeia. A União Europeia está finalmente a tomar medidas para a sua defesa, que até agora estava quase completamente dependente dos Estados Unidos da América do Norte. Sem prejuízo de se manter essa Aliança Atlântica, é importante que os próprios europeus assumam uma responsabilidade maior na sua defesa.

Declarações de Durão Barroso ontem à noite. Afasta ainda ilusões sobre uma paz estável entre Moscovo e Kiev. São declarações que surgem numa altura em que Volodymyr Zelensky continua um périplo pela Europa. Depois de ontem ter estado em Paris, hoje o presidente ucraniano vai estar em Madrid para assinar uma série de novos acordos com o governo de Espanha. Tempo ainda de ouvir outras notícias que estão a marcar esta manhã de terça-feira. O antigo ministro Armando Vara foi detido esta noite pela PSP de Lisboa para o cumprimento de uma pena em cúmulo jurídico das condenações nos processos Face Oculta e Operação Marquês. Vara já fez a admissão no estabelecimento prisional de Lisboa. A notícia, que tinha sido avançada pelo Correio da Manhã, foi confirmada mais tarde pelo Observador. Armando Vara foi condenado em julho de 2021 a uma pena de dois anos de prisão efetiva pelo crime de branqueamento de capitais. O antigo ministro de António Guterres já tinha cumprido sensivelmente três anos de prisão em Évora devido ao processo Face Oculta. É uma notícia nos Estados Unidos e também em Portugal. Cristiano Ronaldo deverá ser recebido esta terça-feira por Donald Trump na Casa Branca. O capitão da Seleção Nacional vai a Washington no mesmo dia em que Trump tem agendado um encontro com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita. Não é propriamente uma surpresa, já que o capitão da Seleção Nacional tinha admitido numa entrevista recente a Piers Morgan que admira Donald Trump e que esperava um dia poder vir a conhecer o líder da Casa Branca. Importa ainda recordar que o líder dos Estados Unidos recebeu em junho uma camisola da Seleção Nacional autografada por Cristiano Ronaldo, após uma reunião com António Costa, na qualidade de presidente do Conselho Europeu. É um encontro que está agendado para as 16h, hora de Portugal Continental.