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As notícias com Carlos Pedro.

Bom dia, Jornal das 6 na Rádio Observador. A começar pelas eleições presidenciais deste domingo, as caravanas voltam a sair à rua, depois de um dia marcado por polémicas em torno de João Cotrim Figueiredo. Luís Marques Mendes não perdeu a oportunidade de atacar e colou o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal ao Chega. Em causa, as declarações de Cotrim Figueiredo, que não destacou um eventual apoio ou não descartou um eventual apoio a André Ventura numa segunda volta. Marques Mendes aproveitou para tentar conquistar votos à direita. Miguel Vítor Dias.

De manhã já tinha deixado uma primeira achega a João Cotrim Figueiredo, mas ao final da tarde, Luís Marques Mendes insistiu.

Andaram durante uma eternidade a dizer que eram diferentes do Chega, até ao momento em que disseram que estariam ao lado do Chega. Disseram-nos que era a direita liberal e, afinal, parece que é a direita radical. E isto é sério, porque significa, na prática, a candidatura da Iniciativa Liberal querer entregar Portugal aos cartazes do Chega. Isso não é bom para a nossa democracia.

O candidato apoiado pela AD aproveita esta declaração de Cotrim Figueiredo para se assumir como o candidato mais fiável.

Não há o risco de acordarem de manhã e ter uma notícia de que o presidente pensa tudo ao contrário do que as pessoas achavam que pensava.

E conquistar os indecisos à direita e à esquerda.

Tem que ser também, e vai ser, a candidatura da defesa da democracia. Para as pessoas moderadas do centro-direita ou do centro-esquerda.

Mas se Marques Mendes foi direto no ataque ao candidato liberal, já antes o eurodeputado Sebastião Bugalho tinha aquecido a sala.

Perguntaram-lhe se descarta ou não descarta. E ele não descarta. Até lhe chama moderado. Vejam bem. É caso para dizer que o João Cotrim é liberal até dizer Chega.

Concluindo assim:

Esta é uma eleição para o Palácio de Belém, não é uma eleição para o Palácio da Bazófia.

Sebastião Bugalho e Luís Marques Mendes, num dia em que a caravana aproveitou o deslize de Cotrim Figueiredo para conquistar eleitores à direita.

Miguel Vítor Dias no comício de Luís Marques Mendes, em Vila Pouca de Aguiar. Hoje, a caravana de Marques Mendes começa o dia em Ourém. Ainda sobre este dia difícil para a campanha de Cotrim Figueiredo, sobre este tema de André Ventura, o candidato assumiu mais tarde que se expressou mal e garantiu que não quer ver o líder do Chega em Belém. Mais tarde, quando o candidato já estava em Covilhã, ficou a saber-se que o liberal foi alvo de uma queixa de assédio sexual por parte de uma ex-assessora do grupo parlamentar da IL. A denúncia foi feita através das redes sociais numa publicação entretanto apagada. Na reação, Cotrim nega as acusações e avisa: vai responder na Justiça.

Tive conhecimento dessa denúncia ontem e é absolutamente e completamente falso o que essa senhora pôs a circular e vai ser objeto, obviamente, de processo de difamação, porque há política, há política suja e depois há isto, que ainda é baixo disso. É absolutamente inadmissível. Não percebo como é que em Portugal ainda há gente que acha que consegue fazer política desta maneira. E isto só acontece porque, de facto, há gente com medo, com surpresa de eu estar a crescer. Não vos vou amedrontar. Vou até o fim para apurar quem pôs isto a circular e porque é que mente desta forma descarada.

João Cotrim Figueiredo, que diz ter testemunhas que garantem que nunca teve comportamentos indívidos com mulheres. Entretanto, na campanha liberal, começa hoje o dia numa visita à feira semanal de Viseu. Passamos ao almirante, Gouveia e Melo tenta convencer o eleitorado e fala a três fatias: forças de segurança, militares e idosos. Ontem, num jantar-comício em Alcobaça, o almirante agradeceu às forças de segurança e aos militares pelo serviço prestado ao país. O candidato aproximou depois o discurso dos idosos, a grande fatia do eleitorado do almirante. Nadine Soares.

Em Alcobaça, Gouveia e Melo contou com dois apoios. Francisco Rodrigues dos Santos, antigo líder do CDS, aparece na campanha para defender que o almirante é a pessoa certa para suceder a Marcelo Rebelo de Sousa.

Uma ambição para Portugal que não se fica pelas meras proclamações. Ela já foi testada e foi provada nas situações mais difíceis. Nós, depois de um presidente dos afetos, precisamos de um presidente dos acertos.

E atreve-se até a comparações.

Muitas vezes quando o vejo a si, evoca-me a memória de Ramalho Eanes, vindo das Forças Armadas. Hoje temos uma certeza: é o político e o presidente mais consensual da história da nossa democracia.

Ângelo Correia, antigo ministro de Pinto Leão, junta-se aos discursos. Utiliza a experiência do almirante para defender que Gouveia e Melo pode ser um presidente resiliente.

O senhor há um ano e meio, onde é que o senhor estava? Estava ao pé da Gronelândia, de submarino. Estava aqui a passear debaixo do mar? Não. Estava seguramente a pensar, a ver coisas e estudar coisas que podiam ser úteis no futuro a Portugal. Tem ossos duros.

O candidato termina as intervenções no jantar com apoiantes, com o foco no eleitorado. Fala aos idosos e personaliza até o sentimento.

Tenho visitado muitos lares e das coisas que mais me impressiona é sentir que as respostas hoje ainda são depósitos de pessoas idosas. Fere-me pensar que um dia poderei acabar assim. E já disse numa brincadeira, se assim for, que me metam numa embarcação à vela e me deixem ir para o mar sossegado.

Deixou ainda uma palavra às forças de segurança.

Eu estou convosco e que percebo a importância do vosso serviço a Portugal.

E uma mensagem à classe que lhe é familiar, os militares.

Não porque eu fui um ex-militar, mas porque sei e vivi entre vós os sacrifícios que fazem pela nossa pátria.

Já na segunda semana de campanha, Gouveia e Melo tenta convencer o eleitorado, confiante na segunda volta.

A jornalista Nadine Soares, que acompanha a caravana de Gouveia e Melo. Hoje, o almirante começa o dia em Setúbal. Depois do apelo ao voto aos moderados, António José Seguro vira-se agora para os indecisos. O socialista avisa que, apesar das sondagens, nada está ganho até o dia 18 de janeiro. António José Seguro reforça, por isso, o apelo ao voto, pede a confiança dos eleitores, seja da esquerda ao centro-direita.

E, por isso, aos indecisos, à minha esquerda, ao centro-esquerda, eu digo que concentrem aqui os votos, porque esta é a única candidatura que pode ir à segunda volta. O mesmo digo ao centro e ao centro-direita. Esta é a candidatura que pode equilibrar o sistema. E o mesmo digo a todas as pessoas que aqui estão e que já não estão indecisas. Não são as sondagens que ganham. Ninguém ganhou uma eleição estando em primeiro lugar nas sondagens.

O candidato apoiado pelo Partido Socialista esteve ontem à noite num comício em Bragança para encerrar mais um dia de campanha. Seguro tem evitado comentar as polémicas do dia e por isso, em Bragança, preferiu focar-se na política do P Grande e assim deixa um alerta para os riscos de privatizações na saúde e também na Segurança Social.

Serei leal à Constituição da nossa República. Isso é um juramento que faço, mas resulta das minhas convicções, porque quando eu olho para a Constituição, não vejo apenas um conjunto de artigos e de princípios fundamentais. Ela expressa a visão de um país, de um país que avança, que progride, mas não deixa ninguém para trás. É por isso que a saúde não pode ser privatizada. É por isso que a Segurança Social não pode ser privatizada, por uma razão muito simples: é porque a saúde e a Segurança Social têm que ser universais e de acesso para todas e todos os portugueses, independentemente dos recursos que têm no banco ou dos recursos que têm no bolso.

Destaques do discurso do candidato apoiado pelo PS, seguido pelo jornalista João Gama. Nos outros candidatos, António Filipe vai andar entre Queluz, Lisboa e Amora nesta terça-feira. André Ventura passa o dia no Minho, em Braga e em Guimarães. Mais abaixo, Jorge Pinto vai estar por Elvas, Beja e Mértola. E ainda Catarina Martins, que começa o dia em Lisboa e termina com uma sessão pública em Coimbra. A candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda, que vai participar esta tarde numa manifestação de trabalhadores de norte a sul do país. A ação foi convocada pela CGTP e vai culminar na entrega de um abaixo-assinado para exigir a retirada do pacote laboral. A manifestação convocada pela central sindical liderada por Tiago Oliveira terá início pelas 14h30, na Praça Luís de Camões, em Lisboa. Vai rumar depois à Assembleia da República. Amanhã, a CGTP reúne-se com o governo. A central sindical já avisou que só está disponível para entrar em negociações após a retirada do pacote de alterações à lei laboral. Mudamos de tema e ainda na atualidade nacional, 35 idosos foram retirados de um lar em Santo Tirso devido a um incêndio. O fogo foi extinto e atingiu a lavandaria do espaço. Em declarações aos jornalistas, o presidente da Câmara de Santo Tirso, Alberto Costa, revelou que dois utentes foram transportados, por precaução, para unidades hospitalares.

Há aqui 35 pessoas evacuadas, duas delas para a unidade hospitalar, que eram oxigenodependentes, uma para Santo Tirso Hospital, a outra para o Hospital de Famalicão. Disso, sabemos que foi por uma questão de precaução. Portanto, não há feridos propriamente dito, mas por uma questão de precaução, o INEM decidiu evacuá-los.

Alberto Costa, que revelou ainda que 31 idosos foram levados para o Pavilhão Municipal e outros passaram a noite em residências pessoais. Fica por aqui este jornal das 18h.