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Seis horas. As notícias com João Gama.

Bom dia. O grupo parlamentar do Partido Socialista discute hoje a posição quanto à nova lei da nacionalidade que foi aprovada no Parlamento com os votos da direita, sendo que, na versão anterior, foi mesmo o PS a pedir a fiscalização preventiva do Tribunal Constitucional, que acabou por declarar a lei inconstitucional. Hoje, os deputados do Partido Socialista decidem se vão fazer o mesmo, sendo que há uma novidade: o novo inquilino do Palácio de Belém. Por isso, fonte da bancada parlamentar explica ao Observador que se o partido não optar por voltar a pedir uma fiscalização preventiva, isso acabará por ter uma leitura política, ou seja, ficará a pairar a ideia de que os socialistas contam com a ajuda de António José Seguro. Começa agora a contar o prazo para a viabilização desta nova lei. Durante oito dias, o novo presidente da República tem a decidir se promulga, veta politicamente ou pede a fiscalização preventiva do diploma. Em paralelo, os deputados dispõem precisamente do mesmo período. Este é um artigo que está em destaque no site do Observador. É assinado pela jornalista Rita Tavares. Apesar de se ter sujeitado a um deserto eterno da vida política, Marcelo Rebelo de Sousa começa hoje um ciclo de aulas-debate em várias escolas do país. Um ciclo que vai começar em Águeda, no distrito de Aveiro. O professor Marcelo Rebelo de Sousa vai dar aulas a alunos do ensino básico e secundário. O ex-chefe de Estado prometeu não voltar a falar de política assim que estivesse fora do Palácio de Belém, mas adiantou que uma das suas prioridades seria a leitura e o comentário de livros. E é isso que começa hoje. Estas atividades vão ser partilhadas na internet com o novo site, o Gabinete Marcelo Rebelo de Sousa. É lá que podemos ler que estas iniciativas têm como tema "Educação, Vocação e Futuro". André Ventura acredita que José Sócrates foi mais corrupto que António de Oliveira Salazar. Pacheco Pereira acusa o líder do Chega de estar a justificar a ditadura. Os dois estiveram frente a frente num debate sobre o passado colonial português, em que a atualidade não ficou de fora. O historiador desafiou André Ventura para um debate sobre o passado colonial português, mas André Ventura aproveitou para passar algumas mensagens sobre temas da atualidade e recusou pedir desculpa pelos danos causados pelo Estado Novo. É o que nos conta o Miguel Vitero Dias.

Foi um debate longo, tenso e com ícones visuais, como uma palmatória levada por Pacheco Pereira para ilustrar as torturas corporais. André Ventura manteve o que disse na cerimónia dos 50 anos da Constituição, procurando documentar-se.

Lerramos, havia menos de 200 presos políticos em Portugal, na metrópole, em Portugal, na noite de 25 de abril.

Mas Pacheco Pereira contrapunha.

André Ventura, você mete-se em cada sarilho.

Justificando que o número de presos em todas as colónias era muito superior, afastando a tese de que os militares que defenderam Portugal foram maltratados.

O número de presos que eram guerrilheiros, chamemos assim, era relativamente pequeno. Por uma razão: ou iam parar à PIDE ou iam parar aos aquartelamentos militares e muitos deles foram executados e torturados.

Pacheco Pereira apontava como exemplo negativo Marcelino da Mata, André Ventura, Otelo Saraiva de Carvalho, com o líder do Chega a recusar pedidos de desculpa.

Não venha cá dizer que nós devemos pedir desculpa pelos nossos 500 ou 600 anos em Angola, em Moçambique, na Guiné. Então quer dizer, e as igrejas que construímos, e as barragens, e as estradas, e os hospitais, e as escolas e tudo aquilo que construímos lá?

Mas a relativização levou Pacheco Pereira a colar Ventura ao antigo regime.

Está a justificar a ditadura. Ao fazer uma comparação, que é ela toda falsa, o que está a dizer é que o que aconteceu depois era semelhante ao que acontecia antes. Só que você não pode comparar 10 ou 20 mil casos de tortura que ocorreram durante 48 anos com meia dúzia de casos de tortura que ocorreram-

Foi em dois anos, Pacheco Pereira.

E para lá da história, à atualidade.

O José Sócrates roubou muito mais que o Salazar. Isso não tenham dúvida. Desculpem dizer isto assim, mas roubou muito mais. Claro que o Estado Novo tinha corrupção, como o regime a seguir ao 25 de abril teve corrupção, como a nossa democracia hoje está cheia de corrupção.

André Ventura socorreu-se dos argumentos habituais, a defesa dos militares, das forças policiais e a crítica ao caso José Sócrates, com Pacheco Pereira a expor a mensagem subliminar do presidente do Chega.

O que está a dizer é que a democracia é um regime naturalmente corrupto. E o Estado Novo não era. Não, está há 50 anos a democracia.

Então, mas está no cartaz que os anteriores não são?

Não, não.

Agora, por isso estou a falar de mil anos antes.

Você pensa que está a falar com um atrasado mental?

O debate histórico entre Pacheco Pereira e André Ventura, com laivos de atualidade, depois de um desafio público do historiador e antigo líder parlamentar do PSD ao presidente do Chega.

E o resumo é do Miguel Vitero Dias, com os destaques do debate que foi transmitido ontem à noite na CNN Portugal. Tinha a duração prevista de uma hora, acabou por durar perto de uma hora e meia. Guerra no Médio Oriente. O Irão propôs suspender a atividade nuclear até cinco anos, mas os Estados Unidos insistiram numa suspensão que durasse 20. Foi uma das razões para a falta de acordo de cessar-fogo nas negociações que aconteceram no fim de semana passado em Islamabad, que hoje é adiantada pelo New York Times. O jornal cita oficiais norte-americanos e iranianos próximos destas conversas. Durante o passado fim de semana, o Irão e os Estados Unidos trocaram propostas para a suspensão da atividade nuclear em Teerão, mas as posições continuam muito afastadas. Ainda assim, os altos funcionários que falaram com o New York Times sugerem que esta base negocial pode demonstrar um caminho para um possível cessar-fogo e um acordo de paz, mesmo com o atual bloqueio em vigor dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz. Desde que esse bloqueio foi imposto, dois navios petroleiros já foram obrigados a voltar para trás. Entretanto, o Irão insiste, ameaça os Estados Unidos e Israel com capacidades bélicas Inimagináveis se voltar a ser atacado por Washington e Telavive. J.D. Vance, vice-presidente dos Estados Unidos, diz que foram conseguidos progressos nas negociações do fim de semana, mas que agora a bola está do lado dos iranianos. Foi o que disse em entrevista à Fox News. O vice-presidente norte-americano explica que a equipa iraniana não estava disposta a fechar um acordo e diz, por isso, que agora o cessar-fogo está nas mãos do Irão.

"A bola está do lado deles. Nós fomos claros sobre o que estamos dispostos a dar. E fomos claros também de que precisamos de ver o material nuclear a sair do Irão. O que é interessante é que no processo das conversas percebemos como é que o Irão está a negociar, e isso é ultimamente a razão para termos saído do Paquistão. Nós percebemos que eles não estavam dispostos a fechar um acordo."

J.D. Vance foi também confrontado com as críticas de Donald Trump ao Papa Leão XIV, relativiza, diz que é algo normal de acontecer, mas tal como o presidente norte-americano, insiste que o Vaticano se deve cingir a assuntos morais e religiosos.

"Em alguns casos, era melhor para o Vaticano cingir-se a questões morais e a questões da Igreja Católica e deixar o presidente dos Estados Unidos preocupar-se sobre a política norte-americana. Mas quando eles estão em conflito, estão, e eu acho que é algo natural e que já aconteceu e que vai voltar a acontecer."

Declarações de J.D. Vance, vice-presidente dos Estados Unidos, à Fox News. O Papa Leão XIV foi alvo das críticas de Donald Trump depois de criticar a guerra no Médio Oriente e na América Latina e ter apelado à paz e à diplomacia. Ora, ontem o presidente norte-americano recusou-se a pedir desculpas, mesmo depois de ouvir o Papa afirmar que não tem medo da administração Trump. Ainda assim, o presidente dos Estados Unidos recusou dar um passo atrás.

"Nós acreditamos muito na lei e na ordem, e parece que ele tem um problema com isso. Não há nada para pedir desculpa, porque ele está errado. O outro assunto que ele não está a gostar está relacionado com o Irão, mas o Irão quer ser uma potência nuclear para acabar com o planeta. Isso não vai acontecer."

Na Casa Branca, Donald Trump diz que o Papa está a ignorar os crimes do regime iraniano e que tem cometido contra a sua própria população. E quanto às negociações com o Irão, o presidente norte-americano volta a fazer um ultimato, dá um novo prazo para que seja alcançado um acordo, o prazo de duas semanas. Já está disponível o segundo episódio do novo podcast Plus do Observador, chama-se Os Ficheiros do Caso Carlos Castro e conta toda a história de uma investigação a um crime brutal, a forma como Renato Seabra assassinou o cronista social Carlos Castro em Nova Iorque. São milhares de ficheiros que fazem parte do processo judicial aberto pelo Ministério Público nos Estados Unidos. Entre eles estão todos os relatórios clínicos que descrevem o que aconteceu durante os 95 dias em que Renato Seabra passou internado na ala psiquiátrica após ter cometido o crime.

A polícia encontra outra mensagem enviada dois meses mais tarde para o mesmo amigo. Renato diz-lhe que quer saber tudo sobre as raparigas com quem ele tem partilhado fotografias no Facebook. E conta-lhe que está quase a partir novamente. É a viagem que fará aos Estados Unidos com Carlos Castro. Mas não faz qualquer referência à companhia ou sequer à existência do cronista social. "Vou a Nova Iorque a 26 de dezembro pra fazer um desfile de moda e passar a passagem de ano. Nunca me imaginei assim. Lol. Londres foi mesmo fantástico. Agora tenho que começar a praticar o meu inglês novamente."

Um excerto de uma série narrada pela atriz Joana Santos, com música original do pianista Júlio Resende. A investigação e os guiões são da jornalista Tânia Pereirinha. Como é hábito, os assinantes standard e premium do Observador não têm de esperar. Podem ouvir já de seguida todos os seis episódios desta série que marca o ponto final do Jornal da Seixal.