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As notícias das 19 horas na Rádio Observador com Carla Jorge Carvalho. Os meios de combate ao incêndio em Ponte da Barca, Viana do Castelo, foram reforçados durante a noite. O presidente da Câmara Municipal fala num cenário assustador.

O incêndio começou sábado à noite, mantém-se ativo, as chamas consomem uma zona de mato em Parada, Lindoso, sendo que há casas em risco. O acesso difícil ao terreno está a dificultar o combate. O presidente da Câmara Municipal de Ponte da Barca tem pedido mais meios aéreos. Em declarações esta madrugada à RTP, Augusto Marinho alerta que o incêndio continua a avançar com muita intensidade.

Neste momento, não há uma ameaça direta, na medida em que não está muito próximo. Ultrapassou já a serra e está a se dirigir para as aldeias que se encontram do outro lado da serra. Ele está a avançar com muita intensidade e, de acordo com a experiência que nós tivemos há três anos, o fogo tem as características idênticas. O solo está muito seco, existe muita matéria orgânica e, portanto, eu estou bastante assustado.

Muito assustado o presidente da Câmara Municipal de Ponte da Barca, que fez vários apelos durante o fim de semana para o reforço de meios, sobretudo aéreos. A Proteção Civil afirmou ontem à noite à Agência Lusa que os meios no terreno iriam aumentar durante a noite, com recurso a corporações de bombeiros de outras zonas do país e que a prioridade era a defesa das habitações. A esta hora estão no terreno mais de 200 operacionais, apoiados por 70 viaturas, e é expectável que ao longo da manhã os meios aéreos voltem a reforçar o combate às chamas.

O comandante sub-regional do Alto Minho sublinha que o combate ao incêndio em Ponte da Barca está a ser muito dificultado pelos acessos difíceis.

E também pelo vento forte. Marco Domingues, o comandante responsável pelas operações no terreno, prevê, por isso, ainda muitas horas de combate às chamas.

Não há qualquer tipo de acessibilidade nesta serra para empinhar meios terrestres de combate. O combate é feito com pessoal apeado, com ferramentas manuais, trabalhos extremamente duros, em escarpa, longe de qualquer ponto d'água e com recurso também ao apoio dos meios aéreos. Esta é a estratégia.

O que significa a prevenção?

Isso significa que temos um incêndio de difícil controle, que está a propagar-se e que vamos fazer tudo para o resolver.

O comandante sub-regional do Alto Minho, em declarações aos jornalistas esta noite, no mais recente ponto de situação. Marco Domingues adianta que a Proteção Civil tem preparado um plano para retirar moradores, caso as chamas ameacem as casas. A jornalista Maria Rico está em Ponte de Barca. Maria, bom dia, que ambiente nos podes descrever neste momento?

Bom dia, Carla. É um incêndio, de facto, vasto e que deixa uma névoa cor-de-laranja nos céus, que se avista há várias dezenas de quilômetros. A esta hora, onde me encontro, vemos um pequeno foco de incêndio, também aqui a ser controlado por uma equipa de bombeiros. Consegui também perceber que várias equipas já foram mobilizadas para a aldeia vizinha de Parada, em Froufe, onde um novo foco acendeu durante esta noite. São vários os bombeiros que combatem as chamas e o cheiro a fumo no ar é muito intenso. As chamas lavraram durante toda a noite, não deram tréguas a estes profissionais. Durante a noite, o grande desafio foi mesmo o vento, que foi alastrando os focos de incêndio. A esta hora não se sente vento por aqui. Ainda assim, como dizia, ainda conseguimos ver chamas. Recordo que durante o combate a este incêndio, já houve uma equipa de sapadores que ficou cercada pelas chamas e um bombeiro que ficou ferido, com queimaduras na cara, acabou depois por ser transferido para o Hospital de São João, no Porto. Também por precaução, várias pessoas foram retiradas das suas casas.

Reportagem em direto da Maria Rico, que está a acompanhar o combate ao incêndio em Parada, Ponte da Barca, distrito de Viana do Castelo. Recordando aqui também que há registro de um bombeiro ferido na sequência deste incêndio, que começou no sábado à noite.

E é um assunto que vamos continuar a acompanhar nos próximos jornais. A União Europeia vai passar a pagar tarifas de 15% sobre os produtos exportados para os Estados Unidos. O novo acordo comercial foi alcançado ontem.

E anunciado depois de uma reunião na Escócia entre Donald Trump e Ursula von der Leyen, encontro que durou cerca de uma hora. A nova taxa aplicada aos produtos europeus é metade do valor da tarifa inicialmente proposta pela Casa Branca, de 30%. No entanto, Miguel Gato, ainda há dúvidas sobre o alcance destas taxas alfandegárias.

Ursula von der Leyen acabou por dissipar algumas delas, mas há outras que só vão ser esclarecidas à medida que os detalhes sejam acordados entre as duas partes e, para tal, haverá explicações detalhadas em Bruxelas já esta segunda-feira. A presidenta da Comissão Europeia garantiu, após a reunião com Donald Trump, que o acordo é abrangente e que os 15% são o teto máximo destas tarifas alfandegárias. São declarações algo contraditórias com as do presidente dos Estados Unidos, que, na mesma ocasião, indicou que o acordo não abrange, por exemplo, os produtos farmacêuticos, nem a indústria do aço e do alumínio, metais que poderão continuar sujeitos a tarifas de 50%. Von der Leyen anunciou também um regime de isenção recíproca de tarifas, zero por zero, para vários produtos específicos, como partes para aviões, alguns produtos químicos, recursos naturais ou matérias-primas críticas.

Miguel, este acordo comercial não só definiu tarifas, como também prevê investimento europeu nos Estados Unidos.

De acordo com o jornal Político, a União Europeia concordou em fazer compras no valor de 640 mil milhões de euros em energia norte-americana ao longo dos próximos três anos. A Europa, que já é uma grande cliente de gás natural dos Estados Unidos, sobretudo desde o início da guerra na Ucrânia, e os norte-americanos são mesmo o maior fornecedor de gás natural em Portugal. A União Europeia comprometeu-se também em aumentar os gastos em equipamento militar produzido nos Estados Unidos.

E as reações foram positivas de parte a parte, Miguel.

A começar por Donald Trump, indica que este acordo comercial aproxima a Europa e os Estados Unidos.

I think we both wanted to make a deal

Acho que ambos queremos fazer um acordo. Disse uma coisa muito importante: vai aproximar-nos. Acho que este acordo nos vai aproximar. É uma parceria, em certo sentido, é um ponto muito importante.

Do outro lado, a Ursula von der Leyen diz que o acordo foi alcançado após duras negociações, mas garante também que vai reequilibrar as relações comerciais entre as duas partes. Fala mesmo no maior acordo comercial de sempre. O presidente do Conselho Europeu também já reagiu. António Costa entende que o acordo dá prioridade à cooperação, protege os interesses essenciais da Europa e dá também às empresas as certezas de que estas necessitam.

Miguel Gato, e o essencial do que é conhecido do acordo entre a União Europeia e os Estados Unidos. A Casa Branca vai também retomar uma nova ronda de negociações comerciais com a China, isto depois de, em maio, os dois países terem acordado uma trégua comercial de 90 dias.

O secretário-geral do PS diz que este acordo comercial é o possível e não o ideal.

É a reação de José Luís Carneiro, que pede agora ao governo que faça uma avaliação dos impactos das tarifas na economia portuguesa.

É importante estabilizar, realizar uma avaliação tão extensa quanto possível sobre os impactos dessas tarifas na nossa economia. E também é muito importante estimar aquilo que podem ser os impactos das tarifas no quadro da economia europeia, porque sendo que nós vendemos mais de 70% dos nossos bens para a União Europeia, é muito importante estimar os impactos que as tarifas têm em toda a economia europeia, porque indiretamente terá também impactos nocivos na nossa economia nacional.

Declarações do secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, que esteve em Freixo de Espada à Cinta, distrito de Bragança, para a apresentação da candidatura de Nuno Ferreira às eleições autárquicas.

O Presidente da República diz que vai ter de ler a Lei da Nacionalidade para saber se a envia para o Tribunal Constitucional. O documento só deve ser votado em setembro, no Parlamento.

E só depois da aprovação por parte dos deputados, Marcelo Rebelo de Sousa há de tomar uma posição.

Ainda não li a Lei da Nacionalidade. Em princípio, como sabe, ela vai ser votada em setembro e, portanto, seguirei o mesmo sistema que é depois de votada e chegada à Bolonha, eu naturalmente examino se há algum problema de constitucionalidade ou se há algum problema político e, se for caso disso, acho, senão promulgarei.

O Presidente da República há de reagir depois de ler a Lei da Nacionalidade. A votação do documento na Assembleia foi remetida para setembro, mas ainda na semana passada, o chefe de Estado angolano assumiu que havia algum incômodo com a nova lei e que estava a acompanhar a situação. Já sobre a Lei de Estrangeiros, que foi enviada para o Tribunal Constitucional, Marcelo Rebelo de Sousa explica que tem as mesmas dúvidas já levantadas por outras entidades.

Correspondem às dúvidas que foram levantadas por várias entidades e, portanto, é bom que haja certeza de direito. O Tribunal Constitucional, mais vale prevenir do que remediar, olhará e dirá: justifica-se, não justifica e fica definida a certeza do direito, porque no nosso sistema, de outra maneira, o que acontece é que havendo dúvidas, qualquer tribunal pode a qualquer momento suscitar essa dúvida e depois sobe ao Tribunal Constitucional. E aí é já muito mais tarde e com eventuais divergências que o tribunal se pronuncia.

Marcelo Rebelo de Sousa à margem da cerimónia de encerramento do Festival Internacional de Música de Marvão, distrito de Portalegre. A Lei de Estrangeiros foi enviada para fiscalização preventiva na última quinta-feira. O presidente pediu urgência na decisão, deu 15 dias aos juízes para se pronunciarem sobre o decreto aprovado no Parlamento com os votos de PSD, CDS e CHEGA, a abstenção da Iniciativa Liberal e os votos contra dos restantes partidos.

Um professor de dança suspeito de assediar alunas foi despedido da Academia Contemporânea do Espetáculo de Famalicão e é alvo de denúncias noutras três escolas.

O professor dava aulas de dança em escolas na região do Porto e Famalicão. É acusado de assédio por dezenas de antigas alunas através das redes sociais. Alguns casos têm mais de 10 anos e muitas das raparigas, na altura, eram menores de idade. A jornalista do Observador, Joana Moreira, falou com algumas das vítimas, hoje já adultas, que relatam o envio de mensagens persistentes.

Há comentários sobre o corpo que estas alunas alegam ser altamente desconfortável receber, naturalmente. Declarações de afeto, eu posso citar aqui algumas mensagens: "esse olhar e esse sorriso matam-me", "tenho o coração a tremer", "sinto algo muito especial por ti", "já terminaste com o teu namorado ou ainda não?" Ou "a maior gata de Famalicão". São algumas das mensagens recebidas e que o Observador teve acesso.

E nas aulas havia algum comportamento suspeito?

Agora, algumas alunas recordam aquilo que dizem ser olhares insistentes, alguns comportamentos que achavam estranhos e que agora, em retrospectiva, percebem que eram, de facto, muito frequentes, olhares persistentes. Mas o principal foco da reportagem são, de facto, as mensagens.

Em declarações ao Observador, o advogado Miguel Matias explica que este envio de mensagens pode configurar o crime de stalking. O professor foi, entretanto, afastado da Academia Contemporânea do Espetáculo de Famalicão, em abril, por decisão da direção. O Observador sabe que o homem é alvo de denúncias noutras três escolas. Já não está ligado a nenhuma, segundo o que o próprio indica nas redes sociais. Atualmente, estuda fisioterapia na Escola Superior de Saúde do Politécnico do Porto.

Esta é a notícia manchete no site do Observador. A história é também o tema da história do dia, já disponível em podcast. Agora são 7h12, Carla, que outras notícias estão em destaque?

O governo apresenta hoje um conjunto de medidas face ao apagão na Península Ibérica no final de abril. As medidas vão ser apresentadas pela Ministra do Ambiente, devem incluir um plano nacional de armazenamento e alterações aos sistemas de controle da rede elétrica. O número de beneficiários do rendimento social de inserção é o mais baixo dos últimos 15 anos. De acordo com os dados consultados pelo Jornal de Notícias, neste momento, o subsídio chega a pouco mais de 172 mil pessoas. O valor médio da prestação ronda os € 156, o que significa que o antigo rendimento mínimo é um dos subsídios mais baratos nas contas finais da Segurança Social, corresponde a 1% das despesas totais. A Tailândia e o Camboja continuam a trocar acusações a poucas horas de discutirem um cessar-fogo. É o quinto dia de confrontos militares junto à fronteira entre os dois países. Os confrontos provocaram, até agora, pelo menos 35 mortos e cerca de 350 mil pessoas foram retiradas de casa. Os líderes do Camboja e da Tailândia vão reunir-se hoje na Malásia para tentar chegar a um cessar-fogo no conflito. Hoje também começa na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, uma conferência internacional dedicada à guerra no Médio Oriente, em particular, ao reconhecimento do Estado da Palestina. O encontro é organizado por França e pela Arábia Saudita. O objetivo é discutir a solução dos dois Estados. Até ao momento, 142 dos 193 países membros da ONU reconhecem o Estado da Palestina. E agora uma história que colhe muito bem com a expressão: casamento molhado, casamento abençoado.

Eu vi essas imagens.

Viste?

Foi muito abençoado.

Não foi pouco.

É para outras vidas.

É para todo o sempre. Um casal nas Filipinas que levou muito à letra este princípio, não foi, João?

Acharam que sim.

Acharam que sim, casaram-se com a água até aos joelhos.

Até aos joelhos, literalmente.

E não foi combinado, foi uma decisão dos céus. Estava a passar um tufão que se formou no leste da Palestina, atingiu várias Filipinas.

Nas Filipinas.

Nas Filipinas.

Disparate quase. Das Filipinas. Atingiu vários países da zona. A chuva foi tanta que inundou o edifício onde decorreu o casamento. Parte do vestido da noiva e não só-

Ficou completamente molhado

...ficou ensopadinho.

Grandes conquistas exigem grandes sacrifícios. É só o que eu digo.

Os noivos olharam para isso como um sinal.

Olharam como um sinal que estão abençoados.

Um sinal.

Um bom prenúncio para os tempos que aí vêm.

O amor foi mais forte que o tufão.

E diz-se sempre que depois da tempestade vem a bonança.

Claro que sim.

Estavam tudo descalço, não foi?

Tudo descalço, os convidados tiveram que tirar os sapatinhos.

E molhar o pezinho.

E molhar o pezinho.

Se continuar a cerimônia, se vinculou até o fim.

Um pezinho de dança molhado.

E muita saúde para todos.

Para todos. Olha, o céu nos guarde.

Depois a pneumonia é complicado.