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Muito bom dia, Jornal das 7, na Rádio Observador, uma edição da jornalista Carla Jorge Carvalho. Começamos com Gouveia e Melo. O ex-candidato à Presidência da República defende a demissão da ministra Maria Lúcia Amaral. Quase duas semanas depois da depressão Cristina, o almirante acusa o governo de falta de liderança.

É num longo artigo de opinião no jornal Público, intitulado "Estado de Improviso", Henrique Gouveia e Melo diz que depois de uma primeira fase de inação e de desorganização, o governo optou por distrair e esconder a incapacidade e a falta de rumo. Rui Casanova.

O almirante não poupa nas críticas. Acusa o Estado de ter falhado repetidamente no passado, com os incêndios, e agora, neste ciclo de tempestades. Gouveia e Melo aponta várias falhas no planeamento, no aviso antecipado, nos alertas claros à população e no aconselhamento prático do que deveria ser feito, mas também na capacidade de resposta. Afirma Gouveia e Melo que, no terreno, as pessoas sentem-se abandonadas depois de uma onda inicial de solidariedade e que é a partir daqui que nasce a descrença e a radicalização. O almirante diz que já viu isso acontecer em Pedrógão, por altura dos incêndios de 2017.

E é por isso que o ex-candidato presidencial defende que o governo tem de tirar consequências políticas do que se passou.

Sim, escreve que o Executivo deve refletir se Maria Lúcia Amaral tem condições para permanecer no cargo, mas sugere também que deveria ser a própria ministra, por iniciativa própria, a pedir para sair. Henrique Gouveia e Melo propõe outras medidas. Entende que a Proteção Civil tem de ser remodelada de alto a baixo, longe de interesses corporativos. Lembra que já no ano passado propôs a criação, nas Forças Armadas, de uma unidade ou mesmo de um novo ramo dedicado exclusivamente à Proteção Civil, de forma a aumentar a resiliência do Estado.

Rui, o almirante olha também para a situação no terreno e, sem fazer referência à estrutura de missão que já foi criada pelo governo, defende uma nova task force.

Diz que o nome não é o mais importante, mas entende que o primeiro-ministro tem de criar uma estrutura na sua dependência direta e colocar todos os ministros a trabalhar de forma coordenada. Defende também, Gouveia e Melo, que devem ser acionados todos os mecanismos de solidariedade e financiamento comunitário e sugere mesmo que se crie um plano Marshall regional, olhando para a reconstrução do território, incentivando empresas e dando esperança à população.

Rui Casanova, com o artigo de opinião de Henrique Gouveia e Melo, hoje no jornal Público. É a primeira vez, desde a primeira volta das presidenciais, que o almirante tem uma intervenção pública, critica a falta de liderança do governo na reação ao mau tempo e defende a demissão da ministra da Administração Interna.

O líder da estrutura de missão criada pelo governo para a região Centro, Paulo Fernandes, vai estar daqui a pouco no Explicador, é depois do Jornal das 9. Hoje e amanhã volta a chover com intensidade. Há também previsões de vento forte. A Proteção Civil alerta para a possibilidade de novas cheias, inundações e pede cuidados redobrados à população.

Em causa está um rio atmosférico que deixa hoje sete distritos do Norte e Centro do país sob aviso laranja para a chuva. Outros seis distritos estão sob aviso amarelo, também por causa da precipitação. O IPMA prevê chuva persistente até amanhã e vento forte. Pode mesmo haver trovoada no norte. Face a estas previsões, o comandante nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre, alerta para o risco continuado de inundações.

Os nossos rios, neste momento, estão no limite da capacidade e, portanto, é natural que com esta precipitação haja novamente um aumento da gravidade das inundações um pouco por todo o país, nomeadamente na zona Norte e Centro. Portanto, este quadro meteorológico volta a apelar a todos para extremo cuidado e redobrados cuidados em várias matérias daquilo que é a nossa vida quotidiana. E portanto, reforçar que, mais uma vez, há um episódio de chuva. A chuva em si não terá grande impacto, mas aquilo que a chuva vai provocar nos diversos leitos de água será um problema significativo e poderá constituir-se como um risco, novamente, para toda a população portuguesa.

Mondego, Tejo, Sorraia e Sado são os rios que inspiram mais cuidados. O comandante Mário Silvestre pede comportamentos defensivos à população face a este novo agravar das condições meteorológicas.

Entretanto, o presidente da Câmara de Leiria promete determinação e força na reconstrução das áreas afetadas pela passagem da tempestade Cristina, duas semanas depois da passagem do mau tempo.

A mensagem de Gonçalo Lopes foi deixada esta noite durante uma vigília de homenagem às vítimas, na Fonte Luminosa, no centro de Leiria. Os apelos foram de união. Luís Soares.

Uma vigília que juntou algumas dezenas de pessoas junto à Fonte Luminosa em Leiria, com o presidente da Câmara a deixar apelos à união na reconstrução desta região.

A luz há de chegar e nós vamos reedificar Leiria com toda a determinação e força, com união, com esforço coletivo, apelando a que a gente consiga transformar Leiria outra vez na cidade e no concelho que tanto nos orgulha. Esta é uma nova missão que todos temos que abraçar. Não há trabalhos individuais.

Gonçalo Lopes sublinhou também a ideia de que todos os autarcas estão empenhados neste momento, que é complicado para, sobretudo, quem vive mais fora da malha urbana, sublinhando Gonçalo Lopes que essas pessoas têm e vão continuar a ser apoiadas.

A tempestade foi uma tempestade que afetou toda a gente. O rico, o pobre, o novo, o velho, a cidade, as aldeias. Mas a verdade, quem está no fim da linha, atualmente, são os que vivem longe da cidade, são os que vivem no meio florestal, no meio agrícola, ou onde têm mais dificuldades do que aqueles que vivem nas cidades. E enquanto existir um leiriense que não tenha luz

Iremos fazer o máximo por vos ajudar.

Uma vigília que contou também com alguns momentos musicais, terminou com o hino nacional e também um minuto de silêncio pelas vítimas desta tempestade.

É um trabalho do jornalista Luís Soares. Ele tem estado nas zonas de Leiria mais afetadas pelo mau tempo. O Parlamento Europeu também hoje vai debater os fenómenos meteorológicos extremos que têm atingido nas últimas semanas vários países da União Europeia, incluindo Portugal. A Assembleia Europeia pretende discutir a necessidade de reforçar os mecanismos de preparação, prontidão e solidariedade dos 27.

E no desporto, Futebol Clube do Porto e Sporting não foram além de um empate a um gol no clássico de ontem à noite, com os Leões a marcarem uma vez mais no tempo extra.

Os gols surgiram só na segunda parte. Fofana, que se estreou pelo Porto, marcou aos 77 minutos, quando a vitória dos Dragões parecia certa, Luís Soares empatou de pênalti. Para Rui Borges, o Sporting merecia ganhar.

De início ao fim, uma segunda parte onde claramente fomos superiores, onde o Porto acaba por fazer gol no único lance de perigo que tem perto da nossa baliza, onde nós estávamos bastante equilibrados, personalizados, com bola, a conseguir encaixar no meio-campo do Porto. Eles acabam por ser felizes e depois foi correr atrás do prejuízo, sempre dentro da personalidade que tivemos ao longo de todo o jogo, e acabamos por conseguir o empate.

Já o técnico do Futebol Clube do Porto, Francesco Farioli, fala num bom jogo e avisa que nada está decidido no campeonato.

Essa parte é clara, são três equipes que vão estar a competir. Acho que é o que a tabela está a dizer. Sobre o resto, não sei se o jogo foi chato. Penso que o jogo foi muito bem jogado. Acho que uma equipe fez mais para ganhar do que a outra. E essa equipe jogou com a camisola azul e branca.

Farioli e Rui Borges, em declarações à Sport TV no final do Porto 1, Sporting 1. Nas contas do campeonato, tudo igual. O Futebol Clube do Porto lidera com mais quatro pontos do que o Sporting, mas agora mais sete do que o Benfica.

E este clássico vai estar em análise numa edição especial de "E o Campeão É", que vai pro ar depois da síntese das 19h30. Agora são 19h08, Carla, que outras notícias estão em destaque nesta manhã de terça-feira?

Marcelo Rebelo de Sousa diz que a reunião com António José Seguro, no Palácio de Belém, foi muito cordial. Numa nota publicada no site da Presidência, o chefe de Estado revela que foram abordados assuntos de política nacional e internacional, bem como outras matérias relativas à transição dos mandatos. Este encontro durou mais de três horas ontem à tarde, terminou sem declarações à saída. A Comissão Política Nacional do PS reúne-se hoje para analisar os resultados das eleições que ditaram a vitória do ex-líder do partido. Além de analisar os resultados, os dirigentes socialistas vão ainda debater a situação política nacional. A Venezuela pode ter eleições entre 2027 e 2028. É o que admite o secretário da Energia dos Estados Unidos. Numa entrevista ao jornal político, o governante fala num desafio que vai requerer o esforço de ambas as partes. E já está disponível o terceiro episódio de "Os Segredos da Seita do Yoga", que é o novo podcast Pluz do Observador.

É a história de como dezenas de mulheres portuguesas se tornaram seguidoras de uma seita controlada por um guru manipulador. O ponto de entrada era uma escola de yoga e tantra de Lisboa.

Do isolamento social ao controle, o episódio alerta para os vários passos que são dados na criação de uma seita.

Sem darem por isso, regra a regra, Nuno, Vera, Lara e todos os outros discípulos tornam-se cada vez mais submissos e dependentes. Tudo acontece de forma subtil.

A pessoa vai começar a acreditar que apenas aquele grupo tem o conhecimento que a pode ajudar a crescer enquanto indivíduo, que lhe pode trazer a salvação, por exemplo, do ponto de vista religioso, que pode levá-la a um conhecimento que a sociedade em geral não tem. E tudo isso vai fazer com que a pessoa se envolva cada vez mais com o grupo, ao ponto de se tornar, digamos assim, dependente do líder e do grupo. O controle não passa apenas pelo controle, neste caso, psicológico, mas passa pelo controle até mesmo físico.

Este é o excerto do terceiro episódio de "Os Segredos da Seita do Yoga", que é o novo podcast Pluz do Observador.

É uma série narrada pela atriz Daniela Ruah, com banda sonora original de Benjamim, a investigação e os guiões são das jornalistas Tânia Pereirinha e Mariana Marques Tiago.