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Muito bom dia. Notícias às 19h, na Rádio Observador, com Carla Jorge de Carvalho. A mãe do soldado português que morreu em combate na Ucrânia há um ano, queixa-se de falta de respostas e acusa o governo de mentir. O Executivo admite que o corpo ainda não foi identificado nem recuperado, mas garante total apoio à família. E Carla, do ponto de vista legal, pode demorar até 20 anos até o óbito do cidadão português ser oficialmente declarado.
Jerónimo Guerreiro tinha um passado militar em Portugal. Juntou-se à Legião Internacional, uma unidade militar de voluntários estrangeiros criada pelo presidente Volodymyr Zelensky, para lutar em defesa da Ucrânia. Morreu em combate há praticamente um ano. Passado todo este tempo, o governo português confirma à Rádio Observador que o corpo ainda está por identificar, pelo que ainda não foi repatriado. O Ministério dos Negócios Estrangeiros garante também um acompanhamento constante do caso e apoio total à família, algo que a mãe, ouvida pela Rádio Observador, desmente. E em causa está um processo jurídico complicado, que pode levar 20 anos até ser concluído. Teresa Freire.
O advogado Miguel Matias explica que enquanto não há um corpo, não há certidão de óbito, pelo que, do ponto de vista legal e jurídico, Jerónimo Guerreiro continua vivo e o processo pode arrastar-se por um longo período.
Estamos a falar de uma situação que pode, passado tempo, que serão 20 anos, poderá requerer-se a declaração da morte presumida. É uma declaração judicial que tem que ser requerida para o efeito. Isto poderá ter implicações a vários níveis, nomeadamente patrimonial. Poderá haver aqui implicações que são graves e que, infelizmente, não há certezas que permitam determinar uma certeza de uma morte com a produção dos efeitos jurídicos todos da morte.
Jerónimo Guerreiro tinha sido militar pára-quedista no exército português e era bombeiro voluntário na zona de Lisboa. Foi para a Ucrânia lutar contra a Rússia depois de se juntar à Legião Internacional. Morreu no dia 29 de maio de 2025. Na altura, o governo português admitiu dificuldades em recuperar o corpo, que estava numa zona de combate. À Rádio Observador, o Ministério dos Negócios Estrangeiros garante que, em conjunto com a Embaixada de Portugal na Ucrânia, tem acompanhado o caso e mantido contacto ativo e permanente com as autoridades ucranianas. O governo afirma também que tem garantido todo o apoio possível à família, mas a mãe de Jerónimo Guerreiro, Cristina Jesus, tem outra versão. Fala em mentiras. Queixa-se de falta de apoio e respostas por parte das autoridades portuguesas. Diz que há nove meses que não é contactada. Já tentou via governo e embaixada de Portugal em Kiev e nada. Diz também que passa a vida a tentar contactar a Legião Internacional sem sucesso. Cristina Jesus adianta à Rádio Observador que já pediu ajuda à Presidência da República, mas que, uma vez mais, não obteve resposta.
Teresa Freire, com o caso do soldado português que morreu em combate na Ucrânia, na zona de Kupyansk, dia 29 de maio de 2025. O governo adianta ainda à Rádio Observador que foi sugerido à família de Jerónimo Guerreiro o contacto com uma fundação norte-americana especializada no apoio jurídico a familiares de pessoas desaparecidas em combate.
Importa também percebermos, do ponto de vista diplomático, como funciona este tipo de operações, tendo em conta que o corpo estará ainda numa zona de guerra.
E por isso falámos com o especialista em defesa Rui Vilar. Explica que, em teoria, a identificação e recuperação do corpo poderia ser feita pela Cruz Vermelha, mas neste caso a organização humanitária não tem acesso à zona onde Jerónimo Guerreiro combatia, por ser controlada pelos russos.
Apesar de ter um papel imparcial, só entra no terreno com autorização das partes envolvidas. E não existe essa autorização por parte da Rússia. E, portanto, a Cruz Vermelha não pode acessar ao terreno, só pode continuar a tentar pelas vias diplomáticas. Depois, as vias diplomáticas nestes conflitos também são várias. Há as oficiais, no caso o Ministério dos Negócios Estrangeiros português, mas depois, no terreno, também há muitas conversas informais entre as partes. Por isso é que é importante sabermos que quer a Cruz Vermelha, quer a Ucrânia, está empenhada na recuperação desse corpo.
As explicações de Rui Vilar, especialista em defesa, ouvido pela Rádio Observador.
Este é o tema do onde para o caso de hoje, um programa para ouvir depois do jornal das 17h. O ministro dos Negócios Estrangeiros repete que Portugal não apoia nem está envolvido na guerra contra o Irão, mas admite que Teerão representa uma ameaça. Paulo Rangel mantém também que os Estados Unidos cumprem as condições impostas por Portugal para o uso da base das Lajes.
O ministro dos Negócios Estrangeiros fala num conflito difícil, mas não responde diretamente se é legítimo ou ilegítimo. A entrevista à RTP repete que Portugal não está envolvido e admite que o regime do Irão representa uma ameaça.
A nossa posição é claramente que nós não estamos envolvidos neste conflito e, portanto, que este conflito, de facto, tem contornos que o tornam, sob o ponto de vista dos vários valores internacionais, um conflito difícil. Por quê?
É legítimo?
Repare, porque temos que também olhar para o Irão. O Irão é, de facto, uma ameaça que ficou comprovada com o próprio andar do conflito.
Quanto à base militar das Lajes, nos Açores, o ministro dos Negócios Estrangeiros mantém que os Estados Unidos estão a cumprir as condições impostas por Portugal e fala numa utilização residual.
Aqui temos uma garantia que nos é dada pelos Estados Unidos e temos todas as condições para acreditar que essa garantia tem sido cumprida. Deixe-me, aliás, dizer que eu já expliquei isso no Parlamento, até numa parte pública. A utilização é ínfima. Se pensar naNa escala da presença de forças norte-americanas e de todos os seus recursos na região, nós estamos a falar de uma presença que não é propriamente muito relevante através, quer do espaço aéreo português.
Através de abastecimentos em voo.
Sim, basicamente isso.
Paulo Rangel, em entrevista à RTP, o chefe da diplomacia portuguesa pede também um cessar-fogo duradouro que permita criar condições para uma negociação de paz. Acredita que os Estados Unidos não têm motivos para considerar Portugal um aliado pouco fiável na NATO.
O ministro falou também sobre a possível greve convocada pela CGTP. Paulo Rangel garante que a ameaça não vai ter qualquer consequência sobre as pretensões do governo para a lei laboral.
A CGTP deve avançar com uma nova greve geral para junho, num protesto contra a reforma da legislação laboral proposta pelo governo. A data deve ser anunciada amanhã, dia 1 de maio, Dia do Trabalhador. Nesta entrevista à RTP, Paulo Rangel afasta qualquer influência no processo de alteração da lei e fala também no abuso e banalização do direito à greve.
Como digo, com toda a legitimidade e com todo o respeito, mas abusar da greve geral só prejudica os trabalhadores, as forças sindicais e o próprio conceito de greve. Isso não tem qualquer dúvida. E eu julgo que, infelizmente, é isso que está a acontecer.
As declarações de Paulo Rangel na entrevista à RTP ontem à noite sobre a greve geral. A UGT não afasta a possibilidade de se juntar ao protesto. A decisão só deverá, no entanto, ser tomada depois da Comissão Permanente de Concertação Social, marcada para a próxima semana.
Cerca de sete meses depois, o funicular da Graça, em Lisboa, volta esta manhã a funcionar. Foi um dos equipamentos da cidade encerrados depois do acidente com o elevador da Glória.
Em setembro do ano passado, logo após o descarrilamento do elevador da Glória, a Câmara de Lisboa suspendeu o funcionamento dos ascensores da Bica e do Lavra e também do funicular da Graça para a verificação das condições de segurança. Agora, em comunicado, a Carris garante que este equipamento cumpre todos os requisitos do IMT, o Instituto da Mobilidade e dos Transportes. Este funicular assegura o percurso entre a Mouraria e a Graça, tem uma via única, transporta o máximo de 14 pessoas numa viagem de cerca de minuto e meio. Vai começar a funcionar a partir das 9h até às 17h.
E no desporto, o Sporting somou o quinto jogo seguido sem vencer. Os Leões sofreram dois gols nos descontos e empataram em casa contra o Tondela. 2 x 2 foi o resultado final, que deixa a equipa oficialmente afastada do título.
E fica também mais complicada a luta pelo segundo lugar com o Benfica. Os Leões até pareciam caminhar para uma vitória tranquila. Estiveram a ganhar 2 x 0, mas no tempo extra, o Tondela marcou dois gols na sequência de pontapés de canto e já depois de Rui Silva ter defendido uma grande penalidade em cima dos 90 minutos. Este empate deixa o Sporting matematicamente fora da luta pelo título e a dois pontos dos encarnados. Rui Borges lamenta a reta final do encontro.
Não podemos ter estes jogos ou perder estes pontos que perdemos. Agora, explicação: hoje não fomos competentes em dois momentos de bola parada e sofremos dois gols. Fomos competentes durante 90 minutos e não fomos em cinco. Temos que melhorar isso. Somos uma equipa que não tem sofrido muitos gols de bola parada, felizmente, e hoje acabamos por sofrer. Ganhamos jogos aos 95, agora estamos nós a sofrer gols aos 95.
Rui Borges no final do Sporting, 2, Tondela, 2. Era um jogo em atraso da jornada 26. O Sporting volta a entrar em campo na segunda-feira frente ao Vitória. São cinco jogos consecutivos sem vencer para a equipa leonina. E hoje, à Liga Europa, o Sporting de Braga vai defrontar o Friburgo da Alemanha no arranque das meias-finais. O Sporting de Braga tenta repetir o feito de há 15 anos, quando chegou à final de Dublin.
São agora 19h10, Carla, que outras notícias estão em destaque nesta véspera de feriado?
O Instituto de Apoio à Criança recebeu 618 denúncias de violência contra crianças no ano passado. É uma subida de mais de 200 denúncias face a 2024. Destacam-se, sobretudo, os maus-tratos no âmbito das famílias. Também há casos de abuso sexual, negligência e abandono. A maioria das vítimas são raparigas. A Comissão Política Nacional do PS reúne-se esta noite em Lisboa. É a primeira vez desde a reeleição de José Luís Carneiro como líder do partido. O secretário-geral do PS apostou na renovação de mais de metade dos nomes da Comissão Política. De recordar que o ex-ministro Duarte Cordeiro recusou fazer parte deste órgão. Recentemente, Carneiro recusou também a ideia de ter uma oposição interna não assumida e mostrou-se confiante de que vai chegar a primeiro-ministro. O Banco Central Europeu deve decidir hoje manter as taxas diretoras. O BCE deve também esperar para analisar o caráter duradouro ou não do aumento da inflação, isto por causa da guerra no Médio Oriente. A presidente da instituição tem alertado que a instabilidade em torno do conflito dificulta qualquer antecipação sobre a duração do choque e dos efeitos na economia. E agora vamos falar daquelas vacas ruivas de pelo comprido. Estão a ver como é que são?
São muito giras.
Por que que estás a mexer no teu cabelo? São giras, não são, assim, todas? Têm uns caracolinhos.
Com uns racunhinhos por cima dos olhos e não sei o quê.
Ora bem, um produtor destes diz-
Devem pôr rolos daqueles quentes.
Com certeza. Baby liss. Fazem baby liss. Um criador desta raça nativa das Terras Altas da Escócia tem um problema por causa do TikTok e quer tornar as suas vacas mais feias.
O que é que o TikTok tem a ver com isso?
Ora, porque muitos influenciadores do TikTok adoram filmar-se a alimentar, a abraçar, a acariciar, a fazer caracóis nestas vaquinhas. São milhares de seguidores a querer filmar ao lado destas vacas que não têm paz.
E como é que ele quer torná-las mais feias?
Ora bem.
Vai fazer um alisamento.
Vai fazer um cruzamento. Vai tentar cruzar estas vacas com uma raça menos atraente, com uma pelagem mais rafeirita.
Só por causa do TikTok.
Não é justo.
Não é justo. Para dar paz às vacas. Eu quero as vacas felizes.
E será que ficam felizes de ficarem feias e mais rafeiras?
Claro, vão olhar-se ao espelho e ficam menos felizes.
Eu acho que sim. As vacas valorizam a beleza interior.
Não é, não.