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Agora, 7 horas. Está a começar o Jornal das 7, com a edição da Carla Jorge de Carvalho. Carla, e é precisamente pelo calor que começamos este jornal. A semana arranca com previsões de calor extremo em algumas regiões do país. Amanhã, por exemplo, os termômetros podem chegar aos 45 °C.
O período mais crítico deve registrar-se até sexta-feira, dia 26 de junho. A Direção Geral de Saúde ativou o nível um de contingência, o que corresponde ao nível amarelo, vigilância reforçada. É recomendado especial cuidado aos grupos mais vulneráveis, idosos, crianças, grávidas e também a quem está exposto às altas temperaturas no exterior. Nas escolas, o ano letivo no pré-escolar e no primeiro ciclo só termina no fim do mês. Ainda decorrem exames. À semelhança do que estão a fazer alguns países na Europa que também enfrentam uma vaga de calor, os diretores escolares veem com bons olhos a suspensão das aulas neste período. E é neste sentido que temos em direto neste jornal o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, Filinto Lima. Muito bom dia e obrigada por estar conosco. É mesmo importante suspender as aulas nesta altura? Pode ser decisivo?
Temos que perceber o que é que se vai passar durante a semana. Você já noticiou que, de fato, há calor extremo, 45 °C, mais no interior do que no litoral. Portanto, eu não me oponho em nada às aulas do pré-escolar e do primeiro ciclo, porque neste momento temos ainda mais 15 dias de aulas com estes jovens, dos três aos 10 anos, possam ser suspensas em algumas localidades, em alguns conselhos, em alguns distritos, não em todos, necessariamente. Aqui terá que haver uma parceria, uma interação com o Ministério da Educação, com certeza, com as escolas e com as autarquias, para perceber-se em que circunstâncias e em que localidades é que, de fato, esse calor extremo pode ser prejudicial para as nossas crianças.
Portanto, deveria ser feita uma avaliação localmente, mas a decisão depende de quem, nesta altura?
A decisão pertence, em última instância, ao diretor, mas com certeza com a anuência do Ministério da Educação e das autarquias do nosso país. Terá que haver aqui um acordo, uma parceria, e perceber se esse é o caminho certo de suspender, durante alguns dias, o tempo que for, as aulas. Até porque muitas escolas não têm condições climáticas para desenvolver um ensino normal dentro da sala de aula. Muitos professores, o que fazem nesta altura? Diversificam a situação, onde os alunos, sempre que é possível, podem vir a aprender para o exterior. Poderá ser uma solução, mas é preciso também ter escolas que tenham árvores, muitas não têm árvores. Ou seja, há aqui uma série de circunstâncias que nos leva a pensar que algumas escolas poderão, na verdade, encerrar, suspender as atividades, outras poderão continuar as atividades de modo diferenciado.
Mas para isso é preciso a anuência do Ministério da Educação, o que ainda não existe. É isso?
Sim, não existe ainda nenhuma anuência, não sabemos qual vai ser a posição do governo. Eu até diria mais, terá que ser até uma decisão, se criar, governamental, não setorial do Ministério da Educação, mas do governo, como aconteceu, e vocês noticiaram aí bem, em França e em outros países europeus, mas terá que ser uma decisão superior perante uma situação que nunca se nos deparou. Nós nunca falámos, que eu me lembre, em suspender as aulas nesta altura de pleno verão. E estamos em pleno verão.
Uma última questão, Filinto Lima, porque para além dos alunos mais novos, como está a dizer, até ao primeiro ciclo, estão a ser realizados ainda exames para o acesso ao ensino superior e para a conclusão do secundário. Também podem ser suspensos? Haverá escolas onde os alunos não terão as condições indicadas para realizar esses exames?
Eu estou mais preocupado, sinceramente, com os alunos, com as crianças do primeiro ciclo do pré-escolar. Dos alunos do secundário, é evidente que já são mais crescidos, é evidente que os exames são feitos lá mais na parte da manhã, onde normalmente o clima é menos agressivo e eu acho que isso aí poderá não ser necessário, mas também poder-se-á equacionar essa hipótese. Mas são miúdos, são alunos já mais crescidos, como eu disse, e as provas, normalmente, de exame do secundário são realizadas durante a manhã, onde o tempo é menos agressivo.
Filinto Lima, muito obrigada por ter estado conosco em direto neste jornal. É o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas. Ainda há aulas no primeiro ciclo até ao final deste mês e nem todas as escolas têm as condições térmicas que garantam conforto perante as temperaturas altas.
E a onda de calor está a afetar grande parte da Europa. Os países têm tomado várias medidas para prevenir problemas de saúde.
Já falámos aqui da suspensão das aulas. França e Espanha decidiram encerrar escolas nas regiões onde se esperam temperaturas mais altas, mas durante o fim de semana já foram suspensas também outras atividades ao ar livre. Carlos Pedro.
É o caso da vizinha Espanha. Estava prevista a exibição do jogo de ontem da seleção espanhola com a equipa da Arábia Saudita para o Campeonato do Mundo de Futebol, numa praça em Madri, mas as autoridades acabaram por cancelar o evento. Na Alemanha, o Open de Berlim, falamos de tênis, foi suspenso e o público mandado embora. A partida só foi retomada seis horas depois. Em Paris, estava previsto um concerto gratuito ao ar livre, junto ao Museu do Louvre, que acabou também por não se realizar. A tradicional Festa da Música, que decorre por esta altura, foi mantida, embora as autoridades francesas tenham proibido o consumo de álcool em espaços públicos. Ao mesmo tempo, foram permitidos banhos nos canais do Sena para que os habitantes se possam refrescar. Também na Bélgica, a circulação de comboios vai ser suspensa nas horas de maior calor, isto para reduzir o risco de falhas nas vias.
Carlos Pedro, com algumas das medidas que estão a ser tomadas pelos países europeus, perante a expectativa de mais uma vaga de calor, a segunda no espaço de menos de um mês.
E o Partido Socialista considera que o congresso do PSD deste fim de semana não trouxe nada de novo. Já o Chega afirma que o primeiro-ministro está alheado da realidade.
Críticas à esquerda e à direita por parte dos partidos convidados para assistirem ao final dos trabalhos do congresso do PSD, que decorreu este fim de semana na Anadia. As reações focaram, sobretudo, no rescaldo do chumbo da proposta para a revisão da Lei do Trabalho. Vasco Maldonado Correia.
Depois de um congresso repensado à última hora para reagir ao chumbo da reforma laboral e contra-atacar Chega e PS, o socialista Marcos Perestrello preferia que o Governo tivesse outras prioridades.
Eu julgo que o Primeiro-Ministro tem que se preocupar em governar o país e não tanto em fazer oposição à oposição.
Diz que o Congresso é a imagem do Executivo e de um país paralisado.
Estamos há dois anos com o Governo em funções, em que aquilo que vimos aqui hoje foi o Primeiro-Ministro a falar. Tem falado muito nos últimos dois anos, mas infelizmente tem feito muito pouco e a vida dos portugueses hoje não está melhor. O lema do Congresso é Portugal Maior. Talvez seja Portugal Maior, porque não podem dizer Portugal Melhor.
Já Rita Matias fala num primeiro-ministro alheado da realidade.
Parece-nos que foi um discurso para elites, muito desligado do Portugal real.
E devolve críticas ao líder do PSD.
Houve mais do que a oportunidade para tentar convergir com as linhas que o Chega apresentou, mas não houve realmente essa vontade política. Portanto, Luís Montenegro falava em falta de coragem. Essa falta de coragem foi por parte de Luís Montenegro.
Aponta também para um padrão ao longo do fim de semana.
Foi a palavra mais citada no Congresso do Partido Social-Democrata, foi Chega.
O PCP considera que o Governo não tirou as devidas ilações do falhanço das negociações com o Chega, uma ideia também reproduzida por Jorge Pinto, do Livre. Mostra que não aprendeu nada com aquilo que aconteceu na sexta-feira e que para nós foi uma mudança drástica da realidade política portuguesa. Já a Iniciativa Liberal pede ao Governo que não desista de reformar o país, mas Mário Amory Lopes mostra preocupação com uma das medidas apresentadas por Montenegro.
Relativamente à ideia de constituir um fundo soberano para intervir em empresas que possam ser estratégicas, nesse preciso momento, confesso que fiquei na dúvida se estava a ouvir um discurso de Pedro Nuno Santos ou mesmo de Luís Montenegro, porque a ideia de ter um Estado acionista já foi experimentada, ainda estamos a pagar por ela. Aliás, este próprio governo ainda está a resolver o problema da TAP.
Reações dos convidados dos partidos a um congresso capturado pelo chumbo da reforma da Lei do Trabalho.
Vasco Maldonado Correia, que acompanhou o Congresso do PSD. O destaque vai para a nova direção nacional do partido, que integra nomes como Pedro Duarte e Carlos Moedas e ainda Sebastião Bugalho, que será o novo porta-voz do partido. Luís Montenegro anunciou também um novo fundo soberano português para investir em empresas estratégicas.
Vamos fazer um balanço deste Congresso do PSD e também olhar para as consequências do chumbo da reforma laboral. No Explicador, são nossos convidados Fernando Negrão, do PSD, Miguel Corte-Real, do Chega, e José Vieira da Silva, do PS. A primeira ronda de negociações entre os Estados Unidos e o Irão na Suíça terminou com progressos positivos. É a expressão utilizada pelos mediadores Catar e Paquistão.
As negociações para alcançar um acordo final que ponha fim à guerra prolongaram-se durante toda a noite. Numa declaração conjunta divulgada nas últimas horas, Catar e Paquistão afirmam que os trabalhos estão a correr bem e que as negociações vão continuar durante toda a semana. Esta ronda diplomática começou ontem na Suíça, após o acordo inicial entre Estados Unidos e Irão, assinado na semana passada. Os trabalhos arrancaram com alguma tensão. Os negociadores iranianos abandonaram a reunião depois de uma série de ameaças feitas por Donald Trump, mas as negociações acabaram por ser retomadas. O entendimento alcançado na semana passada inclui o compromisso de chegar a um acordo final dentro de 60 dias, bem como o fim dos combates em todas as frentes, incluindo no Líbano, e também a reabertura do Estreito de Hormuz.
São temas para analisar no Gabinete de Guerra das manhãs 360, depois deste jornal, com o especialista em Relações Internacionais, Miguel Baumgart. Sete horas e 10 minutos. Vamos ao Mundial. A seleção nacional realiza hoje o último treino antes do jogo com o Uzbequistão, na segunda jornada do grupo K.
Os jogadores treinam às 15h, hora de Lisboa, em Palm Beach. Tomás Araújo é a principal dúvida desde a estreia titular com o Congo, que o defesa central do Benfica ainda não treinou. A equipa viaja depois para Uzbekistan, cidade que volta a acolher a partida de Portugal. Roberto Martínez e um jogador ainda a designar vão fazer a habitual conferência de imprensa de antevisão. Portugal vai enfrentar a estreante seleção do Uzbequistão quando forem 18h. Um jogo com relato e comentários aqui na Rádio Observador.
E continuo no Mundial, porque esta madrugada Cabo Verde voltou a dar um passo rumo ao apuramento para os 16 avos. Os Tubarões Azuis empataram com o Uruguai 2x2.
E com este resultado em Miami, Uruguai e Cabo Verde têm dois pontos, cada um no grupo H. Kevin Pina fez o primeiro gol na estreia, na equipa que se estreia nos Mundiais, Cabo Verde. O sportinguista Maxi Araújo também marcou para o Uruguai. No final do jogo, a Rádio Observador falou com vários jogadores de Cabo Verde na zona mista. Vozinha foi um deles. O guarda-redes, que se tornou a estrela desta competição, garante que a equipa não está no Mundial só para participar.
Sim, nós estamos aqui para competir, respeitamos todos os adversários, trabalhamos muito bem todos os dias e vamos continuar a trabalhar sempre para competir com qualquer adversário.
Vozinha também falou sobre o sentimento de ter finalmente a mãe na bancada a assistir aos jogos.
Sim, é muito emocionante. Acho que todos nós ficamos felizes de ver os nossos familiares e os nossos pais na bancada e para mim é uma grande satisfação.
Satisfeitos os cabo-verdianos, até porque estão perto do apuramento para a próxima fase do Mundial de Futebol. Na próxima jornada, têm um jogo decisivo contra a Arábia Saudita. O mesmo se pode dizer do Uruguai, que vai defrontar Espanha. No outro jogo desta madrugada, a seleção do Egito venceu a Nova Zelândia por 3x1 e já está nos 16 avos de final do Mundial.
Já a seguir temos mais um Diário do Mundial com o enviado especial do Observador aos Estados Unidos, Miguel Cordeiro. Sete horas e 12 minutos. Para já, Carla, que outras notícias estão a marcar este início de segunda-feira?
No Reino Unido, Keir Starmer poderá demitir-se nas próximas horas e definir um calendário para a própria saída. A confirmar se o primeiro-ministro britânico cederá à pressão, depois de mais de uma centena de deputados trabalhistas terem pedido que se demitisse. O nome mais apontado à sucessão é o de Andy Burnham, até agora o presidente da Câmara de Manchester e que foi eleito deputado ao Parlamento na semana passada. Nas últimas horas, Donald Trump afirmou que Keir Starmer vai mesmo demitir-se e afirma que falhou em toda a linha nas políticas migratórias e energéticas. Os quatro aeroportos de Moscovo foram encerrados esta madrugada. O presidente da Câmara denuncia o lançamento de 60 drones iranianos. Os aeroportos foram encerrados temporariamente, uma vez que a Ucrânia parece continuar a intensificar os ataques contra a Rússia. Por cá, o LIVRE começa hoje as jornadas parlamentares em Leiria, uma das regiões mais afetadas pelas tempestades no início do ano. Os trabalhos vão focar-se na resposta do governo e das autoridades às intempéries. O LIVRE defende uma cultura de prevenção e o porta-voz Rui Tavares diz que o partido quer ir ao encontro das populações. Os trabalhadores da AML começam hoje uma greve parcial de duas horas por dia, por turno. O protesto vai durar até quinta-feira. Na sexta-feira vai realizar-se um plenário junto à Câmara Municipal. E vamos voltar ao Mundial de Futebol. Já falámos aqui de Cabo Verde, estamos sempre a falar daquela que é uma das sensações. Agora, sabiam que no Brasil há uma cidade que se chama Cabo Verde?
Não. Onde fica esse Cabo Verde?
E o que faz com que a população da cidade esteja agora muito dividida. Está a torcer pela seleção do país e pela cabo-verdiana.
E onde fica então esse Cabo Verde no Brasil?
É uma pequenina cidade, fica no interior do sul de Minas Gerais. Tem cerca de 11 mil habitantes, um clima tropical, cercado de montanha e de plantações de café. A agência Lusa falou com alguns dos moradores, comerciantes, e dizem que estão a acompanhar a seleção de Cabo Verde com verdadeiro entusiasmo.
Muito bem e muito café. Muito bem, ainda vão ganhar o campeonato.
Era bom.
Cabo Verde, no Brasil, a fechar o Jornal das sete.