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Cidade de Viseu.

Bom dia, notícias às 7 com Carla Jorge Carvalho. Quando faltam poucas horas para terminar o prazo de correção dos exames nacionais, o primeiro-ministro admite que houve falha política no processo, mas afirma também que há professores que oferecem resistência aos novos métodos de avaliação.

São declarações de Luís Montenegro ontem à noite, pouco depois do governo ter alargado o prazo para a correção dos exames. Agora os professores têm até ao meio-dia de hoje para avaliar os últimos itens das provas. No discurso que fez ontem à noite em Palmela, perante militantes, o primeiro-ministro disse acreditar que a maioria dos docentes está a favor da reforma que o Ministério da Educação está a fazer com a digitalização dos exames. No entanto, acusa outros professores de resistência à mudança, algo que, segundo Luís Montenegro, está a perturbar o processo.

Acreditem que eu vou dizer isto não é para sacudir responsabilidades, nem é para estar a acusar ninguém. É porque é assim mesmo. E aqui e ali também com algumas resistências. Basta ver que os professores não têm todos a mesma opinião sobre, nomeadamente, este processo. A grande maioria, eu não tenho dúvida, está com o passo que nós estamos a dar, mas há alguns que não estão e nós temos de compreender que isso perturba o processo em si.

Luís Montenegro a dizer que há professores que oferecem resistência à forma como está a decorrer este modelo de correção dos exames nacionais, mas admite também que houve falhas por parte do ministério.

Eventualmente, até com alguma falha que possa ter sido cometida pelos responsáveis políticos, pelos responsáveis dos serviços. Tudo isto causa alguma inquietação nos alunos, nas famílias, em todos nós.

No entanto, e apesar destas falhas políticas, o primeiro-ministro não deixa margem para dúvidas. A digitalização na educação e noutros setores é para continuar.

Eu coloco a minha cabeça no cepo. Eu digo aos meus colegas no governo que não tenham receio de modernizar os serviços que tutelam, que não tenham receio de enfrentar, é mesmo, enfrentar as resistências que há dentro dos seus serviços.

O primeiro-ministro sobre o processo de correção das provas nacionais ontem à noite. O governo alargou o prazo de entrega das classificações até ao meio-dia.

Assim que essas classificações dos exames estiverem afixadas, o ministério promete que os alunos vão ter acesso às provas digitalizadas, mas para essa consulta ser possível, as escolas vão ter de inserir manualmente os dados numa plataforma informática.

Uma plataforma que o presidente da Associação dos Diretores Escolares diz que ainda não conhece, nem sabe como vai funcionar, é a solução encontrada pelo Ministério da Educação para garantir que os exames possam ser consultados pelos alunos antes de pensarem em pedir recurso. Neste momento em que o processo ainda está centralizado na Casa da Moeda, as provas são anônimas, pelo que não é possível identificar o estudante. O Jornal de Notícias conta que serão as escolas a dar esse acesso digital às provas. Para isso, vão ter de inserir um a um o número dos mais de 166 mil alunos e os e-mails dos encarregados de educação. Na nota enviada ontem à tarde às redações, o Ministério da Educação prometia que as escolas iriam receber um documento com todas as orientações para este processo.

Pedro Passos Coelho voltou ontem a aparecer e a comentar a vida política nacional. O antigo primeiro-ministro defende que o ministro da Educação é uma pessoa muito competente, mas deixa críticas ao governo.

Diz que o Executivo do Luís Montenegro está a ter um comportamento muito parecido com os anteriores, os socialistas, na forma como coloca políticos na administração pública, em vez de tecnocratas. O antigo primeiro-ministro voltou ainda a criticar a lentidão das reformas do governo. E sobre o tema do momento, os exames nacionais, Passos Coelho vai contra a corrente das críticas. Carlos Pedro.

Deixa mesmo elogios a Fernando Alexandre. Foi já no final da apresentação de um livro na Escola Alemã, em Lisboa, durante o dia de ontem, em declarações ao Observador. Admitiu que reconhece competências ao ministro.

Não quero intervir nesse plano.

Por isso é um exemplo de tecnocratas na educação.

Tenho muita estima pelo professor Fernando Alexandre, que acho que ele é uma pessoa muito competente.

Lá dentro, na apresentação do livro, Pedro Passos Coelho foi mais crítico sobre a estratégia reformista do governo de Luís Montenegro. Passos Coelho voltou a apontar para a necessidade de se acelerar esse processo. Mostrou mesmo alguma impaciência por ver as coisas de fora. O antigo primeiro-ministro diz que o Executivo acerta no diagnóstico, na necessidade de fazer reformas, mas diz que é preciso mais.

Esse primeiro passo o governo fez. O resto, vamos dar algum tempo para ver. Eu já tenho feito algumas observações que achava que as coisas deviam andar um pouquinho mais depressa. Porque estou a olhar de fora e, portanto, vejo as coisas, se calhar, com mais impaciência. Mas o diagnóstico está bem feito. Há uma preocupação de reformar o Estado. Vamos ver agora se as várias medidas que vão aparecendo, se alinham para oferecer os resultados que nós precisamos.

Esta crítica aqui é mais suave, mas Pedro Passos Coelho foi mais duro com o governo quando o acusou de ter um comportamento muito parecido com os anteriores. Isto na forma como coloca políticos na administração pública. Vamos ouvir.

Este governo parece-me que tem, desse ponto de vista, exibido um comportamento muito parecido com os anteriores. Não podemos pôr gente que nem sabe a linguagem dos técnicos a dar ordens a pessoas que percebem que nem sabem do que é que lhes estão a falar. E, portanto, eu adoraria que o atual governo rompesse com essa tradição dos últimos anos.

Pedro Passos Coelho a fazer aqui uma alusão às nomeações de pessoas com ligações ao PSD para os Centros da Segurança Social e para as administrações hospitalares. Não quis, ainda assim, referir um caso concreto por não querer ser mal interpretado. As críticas foram ainda mais longe, com Pedro Passos Coelho a denunciar que a maior parte destes concursos da CReSAP são viciados.

Carlos Petro com as declarações de ontem de Pedro Passos Coelho, na apresentação de um livro na Escola Alemã, em Lisboa. Os Estados Unidos concluíram esta madrugada uma nova vaga de bombardeamentos no Irão. Teerão retaliou, voltou a atacar uma base militar norte-americana na Jordânia. A Guarda Revolucionária do Irão afirma que destruiu o centro de comando e controle e tanques de combustível da frota naval dos Estados Unidos no Bahrain. Reivindica também ataques no Kuwait. Do lado norte-americano, Donald Trump garante que os ataques vão continuar. A garantia foi deixada pelo presidente numa entrevista à Fox News.

Estou a guardar os ataques às estações de energia para o final, mas vamos acabar por atingi-las. Vamos atacá-los fortemente esta noite, vamos atacá-los fortemente amanhã e na noite a seguir. E depois, na próxima semana, vai ficar muito mal para eles, porque vamos destruir completamente as centrais elétricas e as pontes, a menos que eles decidam sentar-se à mesa e negociar conosco.

Nesta entrevista, Donald Trump não rejeitou enviar tropas para o Irão, sobretudo para remover o urânio enriquecido do país. Admite também bombardear infraestruturas civis se um acordo não for alcançado em breve. A troca de ameaças continua. Na rede social X, o Comando Central dos Estados Unidos anuncia que há navios de guerra norte-americanos e centenas de aeronaves em todo o Médio Oriente e que as forças norte-americanas permanecem vigilantes, letais e prontas. Já a Guarda Revolucionária Iraniana deixa também uma ameaça. Diz que se os Estados Unidos continuarem com os ataques, nem uma gota de petróleo ou de gás sairá do Médio Oriente.

São agora 7h07 antes do Gabinete de Guerra, Carla. Que outras notícias há a destacar?

O governo e parceiros sociais voltam hoje a reunir-se em sede de concertação social. É a primeira vez desde o chumbo da proposta de revisão da Lei Laboral, proposta pelo governo. Em cima da mesa hoje vai estar a execução do acordo tripartido de valorização salarial e crescimento económico. A reunião arranca às 15h, com a presença da ministra do Trabalho e também com a estreia do novo presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, Gustavo Paulo Duarte. Israel e Líbano começam hoje uma nova ronda de negociações em Roma. Ontem, o ministro israelita dos Negócios Estrangeiros afirmou que o governo está preparado para avançar com a implementação de duas zonas-piloto no sul do Líbano. No fim de junho, os dois países assinaram um acordo com vista a uma paz duradoura, mas os ataques israelitas no sul do Líbano continuam até ao dia de hoje. No Campeonato do Mundo de Futebol, Argentina e Inglaterra entram hoje em campo, quando forem 20h, hora de Lisboa, para a segunda meia-final da competição. Quem vencer vai defrontar a Espanha, que ontem eliminou França com uma vitória por 2 x 0. A final é no próximo domingo.