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Muito bom dia. Começa agora o Jornal das 8, uma edição do jornalista Diogo Teixeira Prata. Alexandra Reis, secretária de Estado do Tesouro, está de saída do governo. Apresentou a demissão a pedido do ministro Fernando Medina.

É a oitava demissão em oito meses de governo de maioria absoluta. A saída acontece depois da polêmica em torno do valor da indenização paga pela TAP à agora antiga secretária de Estado, na ordem dos €500 mil. O comunicado assinado pelo Ministério das Finanças tem apenas quatro parágrafos e foi enviado às redações pouco antes da meia-noite. João Gama, Fernando Medina explica que a decisão teve um objetivo: preservar a autoridade política do Ministério das Finanças.

Isto porque o caso estava a ser encarado dentro do governo como uma forte ameaça à autoridade política do próprio Fernando Medina. Por isso, em vez de se acordar com o pedido de demissão, a decisão foi avançar com comunicado forte e travar leituras. O ministro das Finanças deixou claro que a demissão tinha sido pedida por si próprio e foi prontamente aceita pela secretária de Estado, tudo feito no sentido de preservar a autoridade política do Ministério das Finanças, num momento particularmente sensível na vida de milhões de portugueses. O acordo de saída de Alexandra Reis da TAP foi fechado no início do ano. O Observador apurou que Pedro Nuno Santos tinha conhecimento que a secretária de Estado tinha saído da TAP com um acordo, embora não estivesse por dentro dos detalhes da negociação.

João, e esta polêmica em torno de Alexandra Reis foi conhecida na véspera de Natal, durou quatro dias.

E ao início, nem mesmo o presidente da República quis comentá-la. Na tradicional visita ao Barreiro, Marcelo Rebelo de Sousa limitou-se a dizer que veria se faria sentido ou não comentar o caso. Do governo, nada se ouviu nesse dia, mas Marcelo continuou. Chegou a dizer que achava bonito que a secretária de Estado prescindisse da indenização e ainda ontem o chefe de Estado apontava uma data ao governo para chegar a conclusões.

Eu normalmente sou muito impaciente, mas tenho aprendido na vida cívica a tornar-me mais paciente e, portanto, pacientemente, espero. Parto para o Brasil no dia 30. Pode ser que até à partida para o Brasil surja o esclarecimento. Estamos ainda dia 27.

E ontem, como sabemos, Fernando Medina antecipou-se.

Foi apenas ao terceiro dia que o governo pediu esclarecimentos à TAP, num comunicado assinado por Pedro Nuno Santos e Fernando Medina.

Os ministros das Infraestruturas e das Finanças queriam ver esclarecido o enquadramento jurídico do acordo e o montante da indenização. Esta polêmica serviu de pedra no sapato, numa altura em que o governo já tinha previsto a aprovação de mais uma injeção de capital na TAP, na ordem dos €980 milhões. Alexandra Reis tinha a gestão da companhia aérea nas suas mãos, mas tinha pedido escusa da decisão desta injeção e estava também afastada do processo de privatização.

E foi precisamente nesta segunda-feira que Alexandra Reis quebrou o silêncio e defendeu a legalidade do acordo feito para sair da TAP.

Foi numa declaração enviada à Agência Lusa. Garantiu que nunca aceitou e que devolveria de imediato qualquer quantia que não estivesse convicta de estar no cumprimento da lei. Ainda assim, um dia depois, a TAP remeteu as explicações ao governo, confirmou que o acordo era legal e revelou também que Alexandra Reis tinha pedido inicialmente uma compensação de €1,5 milhão. Ontem, à chegada do velório de António Mega Ferreira, no Teatro Camões, António Costa fez saber que ia ver quais eram os próximos passos a dar.

Para que haja um cabal apuramento, não só da legalidade, mas também do cumprimento pela TAP de todos os seus deveres de transparência e de correção de informação ao mercado. Quanto ao mais, acho que agora a informação chegou mais ou menos à mesma altura em que quis chegar. Irei falar com os senhores ministros, qual é a avaliação que fazem e quais são os passos seguintes.

António Costa ainda precisava decidir os próximos passos a dar. Horas depois, Fernando Medina demitia a secretária de Estado.

O João Gama a recordar os quatro dias que levaram à saída de Alexandra Reis. O Observador apurou que a demissão da secretária de Estado foi sempre uma hipótese em cima da mesa. Alexandra Reis abandona o governo a pedido de Fernando Medina, horas depois de a TAP esclarecer que a agora antiga secretária de Estado pediu €1,5 milhão de indenização por sair da empresa.

E Diogo, já existem várias reações à demissão da secretária de Estado do Tesouro. A porta-voz do PAN, por exemplo, reagiu no Twitter.

Inês de Sousa Real defende que a demissão de Alexandra Reis era inevitável. Ainda assim, afirma que esta saída não resolve os problemas de fundo, no modo como a TAP e os recursos têm sido geridos. Inês de Sousa Real destaca também a falta de transparência da gestão numa empresa intervencionada com dinheiros públicos. A porta-voz do PAN afirma que o governo continua a ter explicações a dar. Isto porque, diz Inês de Sousa Real, o dinheiro dos portugueses anda a ser mal gerido. De resto, a Rádio Observador tem estado a tentar obter reações de outros partidos. O PSD remete para uma reação às 10h30. O Bloco de Esquerda reage também à meia manhã.

Ana Gomes considera que a demissão da secretária de Estado do Tesouro era indispensável.

Na Sic Notícias, esta noite, a antiga eurodeputada socialista considera óbvio que era a própria autoridade política do governo que ficava comprometida, isto se Fernando Medina não demitisse Alexandra Reis. Ana Gomes defende ainda que é importante perceber o que determinou a indenização paga à secretária de Estado.

Eu acho que foi indispensável tomar a medida que o ministro Fernando Medina acabou por tomar, que foi pedir à senhora que se demitisse ou então demiti-la, porque era óbvio que era a própria autoridade política do governo que ficava comprometida, como ele diz no comunicado. Aquilo que se veio sabendo implica que mais seja preciso entender. Entender por que a TAP mentiu à CMVM. Que papel tiveram os advogados? Não podemos desvalorizar o papel dos advogados, que em muitos casos estranhos, o papel dos advogados no conselho de empresas como a TAP.

Palavras de Ana Gomes num comentário feito através da Sic Notícias, já depois de ser conhecida a demissão da secretária de Estado do Tesouro.

E é um tema que também vai estar em destaque no Explicador depois do Jornal das Nove. O presidente da Associação Nacional de Unidades de Saúde Familiares está satisfeito com o anúncio do Manuel Pizarro. Em janeiro vão surgir novas unidades de modelo B.

O anúncio feito pelo Ministro da Saúde em entrevista à SIC. Manuel Pizarro explicou que mais pessoas vão ter médico de família com estes 28 centros de saúde que vão passar a ser Unidades de Saúde Familiar de modelo B, onde a remuneração dos profissionais depende do desempenho.

Já no mês de janeiro de 2023, vamos criar mais 28 USFs de modelo B, as tais USFs em que a remuneração dos profissionais, médicos, enfermeiros, secretários clínicos, está associada ao desempenho. É uma bela notícia, essas 28 USFs, a maior parte na região de Lisboa e Vale do Tejo, porque é precisamente onde há mais carências. Dezessete delas vão permitir atender cerca de 350 mil pessoas e destas, cerca de 30 mil não tinham até agora médico de família. Quer dizer, vão passar a ter médico de família. É um número pequeno, mas é um número que para essas 30 mil pessoas faz toda a diferença.

Perante este anúncio de Manuel Pizarro, o presidente da Associação Nacional de Unidades de Saúde Familiar fica satisfeito. No entanto, em declarações à Rádio Observador, Diogo Gorjão questiona a razão pela qual não se aposta mais neste modelo.

Se é realmente o modelo que tem apresentado melhores resultados. Estamos numa altura em que é difícil fixar os profissionais. Se é o modelo mais atrativo, até financeiramente, para os profissionais, por que não se sinaliza e continuamos a abrir a conta-gotas estas unidades de saúde familiares numa altura, como todos sabemos, em que os recursos humanos fogem cada vez mais do Serviço Nacional de Saúde.

Em reação do presidente da associação que reúne as Unidades de Saúde Familiar, o Ministro da Saúde garante ainda que o governo vai investir nas carreiras profissionais dos trabalhadores do Serviço Nacional de Saúde.

Várias pessoas detidas e armas apreendidas é para já o resultado da operação policial que decorreu esta manhã na região de Lisboa.

Mais precisamente no bairro do Zambujal, em Alfragide. A PSP começou esta operação policial bem cedo. O objetivo principal foi procurar armas ilegais com o objetivo de prevenir a prática de crimes cometidos com recurso a armas de fogo. Isso mesmo explicou há minutos à Rádio Observador o comissário Ruben Cunha.

É uma operação especial de prevenção criminal. O objetivo é fiscalizar as condições das armas, umas estão licenciadas, outras nem tanto. Controlar o estado das armas, para que efeitos serão utilizadas. Temos notícia que não estão a ser utilizadas para o efeito para o qual foram legalizadas. Fizemos algumas buscas domiciliárias para ver o estado dessas armas. Fizemos a apreensão de mais de uma dezena de armas. Temos aqui algumas pessoas detidas, ainda não sei quantificar neste momento.

Que tipo de armas é que estamos a falar?

Estamos a falar de armas de fogo de vários calibres, revólveres, pistolas e caçadeiras.

No terreno, que tipo de operacionais é que têm nesta altura?

Polícia de Divisão Policial da Amadora, reforço do Comando Interpolicial de Lisboa com equipas de intervenção rápida e Unidade Especial de Polícia.

Declarações do comissário Ruben Cunha ao jornalista Aníbal Rebelo. A operação policial no bairro do Zambujal começou às 5h, entretanto terminou. Os detidos vão ser agora levados para a esquadra para identificação.

E depois da paragem por causa do Campeonato do Mundo, o Porto regressa hoje aos jogos da Primeira Liga.

Recebe no Dragão o Arouca, em jogo da 14° jornada da Liga Portuguesa de Futebol. O Porto ocupa o segundo lugar da tabela com menos oito pontos que o rival Benfica. Para o encontro de hoje, Sérgio Conceição assume que a equipa não pode cometer erros. Diz também o treinador do Porto que o afastamento do Benfica da Taça da Liga não serve de estímulo ao plantel dos Dragões.

Nós não estamos à procura de estímulos dos adversários. Os estímulos que nós vamos à procura é aqui dentro do nosso trabalho. Nós percebemos que faltam muitos pontos ainda para disputar. Temos muito campeonato pela frente. Agora sabemos que a nossa margem de erro é menor em relação ao nosso rival, que está à nossa frente, e que nós temos que correr atrás desse prejuízo. E ir à procura de amanhã, que é o jogo mais importante, como disse bem. Para nós é o mais importante: ganhar os três pontos.

Sérgio Conceição, o treinador do Porto. Já o treinador do Arouca assume que a equipa tem de fazer um jogo perfeito para trazer um resultado positivo.

Jogo marcado para as 21h15 da noite, com relato aqui na Rádio Observador. Antes, às 19h, o Portimonense recebe o Casa Pia. São 20h10, Diogo, que outras notícias estão em destaque a esta hora?

A guerra na Ucrânia já provocou a morte a quase sete mil pessoas. São dados do mais recente boletim do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Há ainda mais de 10 mil feridos. A maioria das mortes ocorreram nas regiões de Donetsk e Lugansk. Ainda assim, o Alto Comissário admite que os números reais podem ser maiores. Foram resgatadas 113 pessoas pelo navio humanitário Ocean Viking, da SOS Mediterrâneo. A embarcação vai deixar os migrantes num porto em Itália. A autorização foi dada pelo governo italiano. De acordo com a organização não-governamental, os migrantes que seguem a bordo do navio foram resgatados na madrugada de terça-feira em águas internacionais, perto de Malta. Entre as pessoas resgatadas estão 23 mulheres, algumas das quais grávidas, cerca de 30 menores desacompanhados e três bebés, o mais novo com apenas três semanas. Subiu para 25 o número de mortos nas inundações nas Filipinas. O balanço foi atualizado nas últimas horas. Dezenas de milhares de pessoas foram forçadas a fugir de casa, depois da chuva torrencial ter deixado submersas várias localidades e autoestradas em pleno período de Natal. Mais de 81 mil pessoas procuraram refúgio nos centros de acolhimento, numa altura em que prosseguem os esforços para ajudar as populações mais atingidas. Fechamos o Jornal das 8, Maria João, com boas notícias para quem vai viajar agora no Ano Novo.

Sim, mas se o destino for Itália, mais especificamente Roma.

Sim, tem que ser especificamente. É porque no aeroporto Leonardo da Vinci, é um dos principais aeroportos de Itália, já se pode agendar uma hora para passar na segurança antes de se embarcar. O serviço chama-se Kipass e permite aos passageiros atravessar o posto de controle de segurança a uma hora previamente marcada.

Isso evita aquela operação que é muitas vezes demorada e estressante de viajar.

E o Kipass é gratuito e muito simples, não requer qualquer registo. O passageiro só tem que fazer a reserva em casa ou mesmo no aeroporto até sete dias antes do voo.

E é muito simples, só tem de inserir o voo, o número de pessoas que vão embarcar em conjunto e o endereço de e-mail. Depois, é só escolher o horário mais conveniente e siga. Siga para Roma.

E siga para bingo. O diretor do aeroporto de Roma explica que a medida é tomada para simplificar a viagem do passageiro e deixar-lhe mais tempo para fazer compras ou então comer qualquer coisinha.

Eu que este ano adiei de novo a minha viagem a Roma, pode ser que seja a prova. Já fica mais fácil agora.

Já pode ir com menos antecedência para o aeroporto.

O Kipass.

Exatamente.

Diogo Teixeira Pereira com as principais notícias do dia. Quando forem 20h30, voltamos a olhar para o mundo. Rádio Observador