Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
São 8 horas. As notícias com Carla Jorge Carvalho. Depois do rasto de destruição provocado pela depressão Christine, Leiria continua sem energia e comunicações. Os trabalhos de limpeza já começaram esta manhã e agora fazem-se contas aos estragos.
Esta depressão provocou seis mortes, sendo que quatro foram registradas em Leiria. O presidente da Câmara fala num cenário de guerra, alerta para danos muito avultados e pede ao governo que declare o estado de calamidade. O jornalista Luís Soares está em Leiria, relata um cenário de destruição nas ruas da cidade. Explica que os trabalhos de limpeza já começaram, mas muito dificultados numa altura em que ainda não há energia nem comunicações.
Leiria acorda debaixo de uma chuva miudinha que não ajuda nada no momento em que muita gente está literalmente sem telhados nas casas. A tempestade levou muitas telhas que voaram e caíram nas vias. Não é difícil tropeçar em algumas telhas quando se anda pelas ruas. Hoje arrancam com mais vigor os trabalhos de limpeza. Além das telhas, há muitas árvores no chão, postes de iluminação decaídos também, semáforos e placas de sinalização que foram literalmente arrancadas pelo vento. A cidade continua em blackout, não há energia, não há comunicações. Provavelmente, só amanhã é que será reposta a energia. Era, pelo menos, essa a expectativa ontem do presidente da Câmara, num cenário de guerra que foi descrito ontem pelo autarca no briefing mais recente feito aqui nos Tapadores de Leiria.
Reportagem do jornalista Luís Soares a dar conta das dificuldades em Leiria, um dia depois da depressão Christine ter atingido o território com muita força.
O jornalista Pedro Jorge Castro esteve em Carvide, a zona mais atingida pelo mau tempo. Foi onde foram registradas duas mortes.
E relatamos agora o cenário de destruição que por lá encontrou.
Carvide fica ao lado da Base Aérea de Monte Real, onde foram registradas rajadas de vento a 176 km/h. Uma das vítimas mortais era um pintor da construção civil que, a meio da tempestade, tentou conter o portão de casa com a ajuda do pai. O portão desabou, o pai foi sangrar até o quartel dos bombeiros de Vieira de Leiria, mas o filho foi retirado dos escombros já sem vida. A outra vítima mortal foi encontrada em Moinhos de Carvide. Vivia numa casa móvel que tombou com o vento. Em Carvide há relatos impressionantes dos efeitos da tempestade, que se manteve com maior intensidade ao longo de uma hora, em que os moradores ouviram telhas, portões e chaminés a voar e a bater no chão, nas casas ou nos carros. Praticamente não há casas que não tenham sido danificadas. Também ruiu a parede de um pavilhão e houve um dos moradores que saiu à rua em plena tempestade e diz que parecia que alguém agarrava e brincava com as árvores, como uma criança brinca com plasticina. Depois acabou por ser atingido na cabeça por uma telha voadora de uns 4 m e voltou para dentro de casa até parar a tempestade. Os bombeiros de Vieira de Leiria, perto de Carvide, tiveram cerca de 50 ocorrências, além das duas mortes, também quatro pessoas feridas na sequência de quedas, quando tentavam consertar os telhados e que tiveram de ser transportadas para o hospital de Leiria.
Pedro Jorge Castro a dar conta da destruição em Carvide, a zona de Leiria mais afetada pelo mau tempo. A falta de energia é, neste momento, o principal constrangimento, faz com que os restantes serviços fiquem em causa, como o abastecimento de água ou as comunicações. O hospital de Leiria, por exemplo, diz que tem autonomia de água para dois dias e energia para três. As escolas continuam encerradas.
Ainda em Leiria, o Conselho de Marinha Grande também foi muito atingido pela passagem da depressão. O presidente da Câmara Municipal fala numa situação caótica.
Não há eletricidade, não há comunicações nem abastecimento de água. O autarca Paulo Vicente fala num conselho isolado e deixa, por isso, um apelo de ajuda.
Ao governo para que olhe para os prejuízos, que são inúmeros, em empresas, em equipamentos municipais, em vias de comunicação, em tudo. Também que reforce as forças de segurança e, portanto, de apelar também aos outros municípios que possam despender equipamentos para nos ajudar.
Os apelos deixados por Paulo Vicente, que é o presidente da Câmara da Marinha Grande, é um dos municípios que ativou o plano municipal de emergência na sequência da passagem desta depressão.
O presidente do município de Alvaiázere, que pertence ao distrito de Leiria, também descreve um cenário catastrófico no Conselho.
O autarca revela que foi com falta de apoio regional e nacional que a proteção civil local conseguiu, de alguma forma, ajudar na resposta à passagem desta depressão.
A palavra que eu utilizo para definir é catástrofe, que foi efetivamente o que aconteceu em Alvaiázere. Todos os agentes da proteção civil conseguiram, com comunicações muito limitadas e sem energia, fazer um trabalho exemplar, sozinhos, sem nenhum apoio a nível regional ou nacional. Conseguimos, com os meios que tínhamos disponível no Conselho, dar uma resposta eficaz neste primeiro dia, com centenas de habitações muito danificadas estruturalmente.
Declarações de João Paulo Guerreiro, por telefone, à Agência Lusa, quando conseguiu ter alguma rede de telemóvel. Já o presidente da Câmara Municipal da Batalha alerta que a rede SIRESP deixou de funcionar ontem à tarde e que nunca mais voltou. Dá também conta de seis desalojados no município.
E Carla, explicamos agora o que é o estado de calamidade e o que prevê neste tipo de situações. Foi uma medida adotada, por exemplo, no tempo da pandemia e agora volta a ser uma possibilidade face à depressão Christine.
Contamos agora com a ajuda do Carlos Pedro. Carlos, o estado de calamidade é um dos três níveis de risco previstos na Lei de Bases da Proteção Civil.
Precisamente, há a situação de alerta, a situação de contingência e a situação de calamidade, o nível mais elevado de intervenção. É geralmente aplicado em casos de grandes catástrofes. E aqui, ao contrário do que acontece com o estado de emergência e de contingência, a situação de calamidade pode ser decretada em um Conselho de Ministros, que por sinal, ocorre esta manhã em São Bento. Ontem, Luís Montenegro não descartou essa possibilidade.
Nós estamos a fazer uma avaliação de tudo aquilo que são as consequências no terreno e de todos os instrumentos que podemos utilizar para uma reposição mais célere da situação e, portanto, para que possamos ter a normalidade completamente restabelecida. Posso dizer, de uma forma geral, que nós não excluímos nada, mas também não vamos tomar medidas sem a devida fundamentação. Portanto, nós vamos fazer essa avaliação. Hoje mesmo, daqui a pouco, daqui a sensivelmente uma hora, há dois secretários de Estado que estarão precisamente no concelho de Leiria.
De resto, Luís Montenegro já teve de tomar essa decisão em 2024, na sequência dos incêndios florestais. Anos antes, com outro governo, em 2020 e 2021, também foi decretado estado de calamidade devido à pandemia da Covid-19 e ainda em 2017, novamente devido aos incêndios. Não é, por isso, uma decisão inédita, se acontecer. Tem como grande objetivo a adoção de medidas destinadas a prevenir, reagir ou repor a normalidade das condições de vida nas áreas atingidas por catástrofe.
E Carlos, pode ser declarada em todo ou em parte do território nacional.
E é precisamente em Leiria onde pedem mais esse decreto, também ao contrário do que acontece nos outros dois casos. A situação de calamidade não está sujeita a qualquer prazo legal de duração, cabe ao governo essa leitura. Certo é que imposto o cenário, pode acontecer a mobilização civil de pessoas, a fixação de limites ou condicionamentos à circulação ou permanência de pessoas, a fixação de cercas sanitárias e de segurança e ainda a racionalização da utilização dos serviços públicos de transportes, comunicações e abastecimento de água e energia.
As explicações aqui com o Carlos Pedro. A Proteção Civil dá, entretanto, conta de 5400 ocorrências no balanço mais recente, que é até às 22h. Além de Leiria, Coimbra é a região mais afetada. Contactada há pouco pela Rádio Observador, fonte oficial da autoridade remete um novo balanço para daqui a pouco. Hoje a chuva e o vento vão continuar, mas já com menos intensidade. Quase todos os distritos do Norte e Centro estão sob aviso amarelo do IPMA para precipitação e agitação marítima e toda a costa está sob aviso laranja, também por causa da agitação marítima.
Em campanha para a segunda volta, André Ventura vai hoje visitar as zonas mais afetadas pelo mau tempo. É pelo menos o que indica a agenda do candidato apoiado pelo Chega.
Que tem previstas ações de campanha nos distritos de Leiria e de Coimbra. Já ontem o candidato tinha admitido visitar esses locais. António José Seguro também vai terminar o dia no centro do país, Almeirim, distrito de Santarém. Antes disso, vai passar a manhã em Almada e Palmela.
Ainda sobre esta segunda volta, Rui Rio declara que vai votar António José Seguro. O ex-presidente do PSD e mandatário de Gouveia e Melo na primeira volta das presidenciais, diz que a decisão é tomada por exclusão de partes.
Rui Rio explica que é sobretudo um voto contra André Ventura e volta a criticar o candidato apoiado pelo Chega e a forma como faz política.
Vou votar em António José Seguro, principalmente porque eu não quero um presidente que é um presidente populista, um presidente que não tem problema nenhum em mentir e em utilizar argumentos falaciosos para conseguir subir, utilizar demagogia. É um presidente do TikTok. Muita gente criticava o professor Marcelo de tirar as selfies. Agora, tinha lá um presidente que fazia pecinhas do TikTok e brincadeiras TikTok. Isto não é perfil para presidente da República.
Rui Rio, em entrevista ontem à CNN Portugal, já hoje assina um artigo de opinião no Jornal de Notícias em que fundamenta a decisão. Escreve que votar em Ventura seria ter um chefe de Estado vedeta de TikTok. Rui Rio conclui, neste artigo, que nestas eleições se deve fazer uma escolha pela decência e seriedade e que Seguro é um homem equilibrado e com sentido de Estado.
E neste momento, Henrique Gouveia e Melo é o único candidato da primeira volta que ainda não se pronunciou sobre o sentido de voto na segunda volta.
Na noite eleitoral, disse que falaria mais tarde. Isso ainda não aconteceu. Temos agora as declarações do mandatário de Gouveia e Melo. Uma fonte próxima da candidatura diz ao JN que o almirante falará no tempo próprio, não dizendo qual. O Diário de Notícias conta que os apoiantes de Gouveia e Melo estão divididos e que a única certeza é que o almirante não vai apelar ao voto em André Ventura. Ainda olhando para as presidenciais, uma nota importante: termina hoje o prazo para a inscrição do voto antecipado em mobilidade. O voto antecipado é este domingo no município à escolha do eleitor.
São agora 08h11. Carla, antes de conhecermos o tema do Contracorrente desta quinta-feira, que outras notícias marcam a atualidade?
Donald Trump estará a considerar ataques no Irão para inspirar novos protestos nas ruas, isto com o objetivo de criar condições para uma mudança de regime no país. O presidente norte-americano terá como alvos líderes e as forças de segurança. A notícia está a ser avançada pela Reuters. Várias fontes avançam esta vontade da Casa Branca, um dia depois de Trump ter ameaçado o Irão através da Truth Social, pressionando o país a assinar um acordo nuclear. Um ataque aéreo russo fez três mortes, duas mulheres e um homem, na região de Zaporizhzhia. Foi o que anunciou o governador local no Telegram. Em causa, ataques com drones contra bairros residenciais. Várias habitações ficaram destruídas. Luís Montenegro vai estar hoje à tarde em Andorra. O primeiro-ministro vai ter um encontro com o chefe do Executivo do Principado e também vai inaugurar formalmente o novo Consulado-Geral de Portugal. O programa inclui ainda um encontro com a comunidade portuguesa em Andorra. O Benfica venceu o Real Madrid por 4 x 2, no Estádio da Luz. Está no playoff de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões. O herói da partida foi o guarda-redes Trubin, que marcou o gol que garantiu a qualificação aos 90 minutos mais oito. Já o Sporting apurou-se diretamente para os oitavos de final da Champions, depois de vencer no terreno do Athletic de Bilbao por 3 x 2, na última jornada da fase de liga.