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Jorge de Carvalho. Carla, a proibição do uso de telemóveis nas escolas vai ser alargada já no próximo ano letivo. Passa a abranger os alunos do sétimo ao nono ano e é uma medida que vai ser hoje aprovada em Conselho de Ministros.
A proibição abrange atualmente os alunos do primeiro e do segundo ciclo. Vai passar, assim, a aplicar-se até ao nono ano. É o que consta de uma alteração ao Estatuto do Aluno, que vai ser hoje aprovada em Conselho de Ministros. O anúncio é antecipado pelo Ministro da Educação, numa entrevista à Agência Lusa. Fernando Alexandre promete um período de adaptação e sublinha que as escolas estão a acolher bem esta medida.
Hoje o Conselho de Ministros vai aprovar uma alteração ao Estatuto do Aluno para a proibição do uso de telemóveis nas escolas para os alunos do terceiro ciclo. Esta medida vem na sequência das medidas que tomamos desde 2024, em que determinámos a recomendação, fizemos a recomendação para a proibição no primeiro e no segundo ciclo, que teve uma grande recetividade das escolas, e que nós vamos dar um primeiro período, no fundo, até dezembro, de adaptação, de transição, de forma a que, efetivamente, esta proibição dos smartphones no terceiro ciclo tenha efeito a 1 de janeiro de 2027.
Fernando Alexandre justifica a medida com a tendência internacional e com o resultado de um inquérito aos diretores escolares, que mostrou que sem telemóveis há mais socialização e menos indisciplina por parte dos alunos.
Ainda nas escolas, continuam os problemas na correção dos exames. A Missão Escola Pública revela que os professores que vão fazer a reapreciação das provas ainda não têm acesso aos documentos.
O número de pedidos de revisão dos exames passa dos 20 mil, é três vezes mais do que no ano passado, por isso o movimento teme atrasos na divulgação dos resultados. A porta-voz conta ao Diário de Notícias que não tem informação de nenhum professor que já esteja a reapreciar as provas e que as escolas estão a contactar diretamente docentes para conseguir uma bolsa de relatores. Temos agora em direto neste jornal o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas. Filinto Lima, muito bom dia. Que informações tem sobre as reapreciações? Confirma que há professores relatores ainda sem acesso aos documentos?
Isso poderá estar a acontecer, de facto. Durante o dia de hoje, eu penso que essa situação terá que estar resolvida, porque são muitas provas, como sabemos, são mais de 20 mil provas. Eu admito que o Ministério da Educação, neste caso concreto o Júri Nacional de Exames, tenha dado prioridade à classificação das provas de exame da segunda fase. Penso que esse poderá ser o motivo, mas com certeza que é importante que os nossos professores, que muitos deles até estão a prescindir do gozo das suas férias neste período inicial, tenham trabalho para que no dia 7 as pautas possam ser afixadas e os nossos alunos tenham conhecimento da classificação final que tiveram da sua prova.
Portanto, para já, esta data, 7 de agosto, é uma data para escrever na pedra. Vai ser nesse dia que os resultados vão ser afixados.
Sim, com certeza, é o que está previsto. Agora, temos que aguardar. Penso que nesta segunda fase de classificação das provas, a situação está muito mais calma. Percebe-se que o processo de digitalização foi muito melhorado, tinha que ser bastante melhorado, embora haja ainda situações de pequenos ajustes. A plataforma tem colaborado com os professores, embora no primeiro dia, na segunda-feira, por vezes, falhou, mas está bastante melhorada. Ou seja, o caminho é este. Agora temos que aguardar, temos que esperar e ver para crer, como dizia Santo Tomás.
Já quanto à possibilidade deixada pelo ministro de adiar o início do ano letivo do ensino secundário por uma semana, que aliás, o próprio Filinto Lima já tinha pedido, isto vai dar mais tempo às escolas para se organizarem?
Eu penso que isso é mesmo necessário, porque repare, muitos professores, na verdade, anuíram ao pedido do Júri Nacional de Exames, estão a prescindir dos primeiros dias das suas férias, que têm que os gozar, eventualmente, no início de setembro. E também em setembro vamos ter uma época que nós não estávamos à espera, que é aquela época especial.
13 a 8.
Muito bem, de 3 a 8 de setembro, onde os nossos professores, sobretudo do secundário, alguns deles também com terceiro ciclo, estão envolvidos. Portanto, é prudente, é de bom tom, o ministro da Educação pensar em adiar o arranque do ano letivo para o ensino secundário e eventualmente também para o terceiro ciclo. Não estamos a falar do segundo ciclo, nem do primeiro, nem do pré-escolar. Estamos a falar de ciclos onde os professores têm uma intervenção direta neste fim de exames.
E que poderão precisar de mais tempo. Filinto Lima, esta manhã ficámos também a saber que o uso dos telemóveis ou a proibição de uso do telemóveis nas escolas vai ser alargado a mais um ciclo até ao nono ano. É uma medida positiva?
É uma medida positiva, corresponde aos nossos anseios. Nós no inquérito ao qual respondemos, de facto, grande parte dos diretores dão aval àquilo que já acontece em muitas escolas. Neste preciso momento, antes deste diploma ser aprovado, muitas escolas já proibiram o uso do smartphone até ao nono ano, ou seja, a proibição ia até ao sexto, mas nós, muitas escolas, a maior parte das escolas, estendeu a proibição até ao nono. Pena é que a sociedade não colabore com as escolas. Este trabalho é excecional. De facto, há mais socialização entre os alunos, há mais barulho nas escolas, nos recreios, isso é positivo. A sociedade estraga muitas vezes aquilo que nós fazemos nas escolas. Por quê? Porque os pais no restaurante estão agarrados com os filhos ao telemóvel, porque lá em casa os alunos estão até altas horas da madrugada agarrados ao ecrã, porque no percurso escola-casa os alunos também estão agarrados a este pequeno aparelho. Era bom também que alguns pais, onde isto acontece, de facto colaborassem com as escolas, mas a sociedade muitas vezes não colabora e neste caso concreto, as escolas estão muito à frente da sociedade que devia dar o exemplo.
Filipe Lima, muito obrigada por ter estado em direto conosco neste jornal. O presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, na reação à notícia desta manhã de que a proibição do uso dos telemóveis nas escolas vai ser alargado até ao nono ano, com esta ideia, é importante que o resto da sociedade faça o mesmo, e também com garantias de que há condições, para já, para que a afixação dos resultados dos pedidos de recurso dos exames saia mesmo no dia 7 de agosto.
Chega e PS não vão desistir de pedir mais esclarecimentos ao ministro da Administração Interna, mas depois da conferência de imprensa de ontem, o governo acredita que a pressão sobre Luís Neves vai diminuir.
E que o pior já passou. Dentro do governo respira-se de alívio, apesar de se admitir que nem tudo correu bem na conferência de imprensa de ontem e que ficaram algumas pontas soltas. Mas tal como o Observador já tinha avançado ontem, Miguel Gato, o governo confia na saturação do tema por parte da opinião pública.
É essa a estratégia do executivo. Podem ter ficado questões por responder, mas quem pensa a estratégia de comunicação do governo acredita que a bolha político-mediática não se confunde com o cidadão comum, que depois de ontem não vai perder grande tempo a acompanhar todos os detalhes do caso. Depois de ter deixado uma primeira má impressão, a estratégia de ontem era mesmo esta: mostrar ao país um ministro a falar sem papas na língua. Luís Neves, por exemplo, lembrou os milhares de bandidos, foi a expressão utilizada pelo ministro, que prendeu na PJ e também os perigos que enfrentou, ao mesmo tempo que reconheceu eventuais imprudências que cometeu, mas sempre a dizer que não cometeu irregularidades.
No entanto, a oposição entende que houve pontas soltas que ficaram por responder. André Ventura diz mesmo que se perdeu a decência dentro do governo.
E por isso o Chega já está a trabalhar na estratégia a ser aplicada nos próximos dias, até porque Ventura sabe que é preciso continuar a desgastar o ministro da Administração Interna até o arranque da Comissão Parlamentar de Inquérito em setembro. André Ventura voltou ontem a dirigir-se também ao presidente da República com pedido de intervenção. O líder do Chega acredita que António José Seguro ficou arrepiado com as palavras de Luís Neves. Ventura mantém a tese de que o ministro não tem condições para continuar no cargo.
O PS também engrossou a voz contra Luís Neves.
Sim, uma evolução de posição do PS que aconteceu na última semana. José Luís Carneiro fez contactos, tentou também recolher dados e perceber a dimensão da polêmica para chegar à conclusão que tinha que subir o tom. Quando ontem entrou para a reunião com o primeiro-ministro, o líder socialista já sabia que tinha de endurecer as críticas. Saiu a assumir que a autoridade está fragilizada, de Luís Neves, e que é preciso mais explicações. No Largo do Rato explica-se que esta tomada de posição acabou por demorar, porque o PS frisa que tem uma estratégia que é diferente daquela que é feita pelo Chega.
Miguel Gato, com as reações dos partidos às explicações do ministro da Administração Interna na conferência de imprensa de ontem, o governo tem noção de que o caso ainda não acabou. Há uma comissão parlamentar de inquérito pela frente em setembro, uma exigente época de incêndios e também um presidente da República a quem se está a pedir uma posição sobre o assunto. Não é ainda líquido que não venham também a existir mais notícias embaraçosas a envolver o ministro.
Continuamos a falar deste caso. André Ventura afirma que foram pessoas que trabalham na PJ que lhe enviaram os documentos sobre Luís Neves, que foram roubados no alegado assalto ao gabinete da Assembleia da República.
André Ventura rejeita a ideia de encenação, mas mantém todas as hipóteses em aberto, incluindo a de que possa ter sido alguém do Chega a entrar no gabinete. Quanto aos documentos, o presidente do Chega já tinha afirmado que foram roubados dados sobre a Comissão Parlamentar de Inquérito a Luís Neves. Agora, em entrevista à CNN Portugal, detalha que estes documentos lhe foram enviados por elementos da Polícia Judiciária.
Desapareceram, naquele momento que eu já tinha visto, duas partes de documentos. Isto foi dito tanto que levaram isso dois envelopes.
André Ventura, o que é que está nos documentos? O que é que está nos documentos?
Uma parte sobre a comissão de inquérito à gestão do Luís Neves.
Mas essa informação será pública, não pode antecipá-la.
Essa informação estará na comissão de inquérito e é naturalmente sensível, porque são pessoas que trabalham na Polícia Judiciária e que me enviaram.
O presidente do Chega adianta que quem o avisou na terça-feira de manhã do que aconteceu no gabinete foi o deputado Francisco Gomes, a quem deixa elogios. André Ventura acrescenta ainda que desapareceram também documentos relacionados com o SIRESP, nomeadamente sobre o combate a incêndios.
E por falar em incêndios, há um que começou em Valpaços e já chegou a Mirandela ontem à noite. Cinco feridos, três desalojados, 21 casas danificadas. Um combate às chamas que está agora a ser reforçado.
O fogo começou na terça-feira em Valpaços, no distrito de Vila Real. Entretanto, chegou a Mirandela. Os moradores da localidade de Vale de Talhas foram retirados de casa ontem à noite por causa da proximidade das chamas. Há três bombeiros, um militar da GNR e um civil com ferimentos ligeiros, é o que indica a Proteção Civil. Há também três pessoas desalojadas na localidade de Cabeço. As chamas causaram danos em pelo menos 21 casas, oito de primeira ou segunda habitação. Estão a combater este incêndio mais de 800 operacionais, apoiados por 260 viaturas. Entretanto, as Câmaras de Almeida, Guarda e Pinhel já começaram a fazer contas aos prejuízos causados por outro incêndio que começou segunda-feira no Rochoso e que foi ontem dominado. Nesse incêndio foram destruídos 5 mil hectares.
Donald Trump cumpriu as ameaças e os Estados Unidos voltaram a atacar o Irão esta noite. A Casa Branca afirma que esta nova de bombardeamentos foi concluída.
Os Estados Unidos afirmam ter atingido dezenas de alvos da Guarda Revolucionária Islâmica. Ataques que aconteceram depois de Donald Trump ter prometido atingir o Irão com toda a força. Na análise, o coronel José do Carmo considera que o presidente norte-americano quer tentar mostrar que controla a guerra, apesar da resistência do Irão.
Acho que os Estados Unidos vão chegar a um ponto em que o Irão não vai ceder por negociações, mesmo que faça negociações, não irá cumprir os acordos. Enfim, vamos chegar a este ponto em que dificilmente, a não ser que haja uma mudança de regime em Teerão, interna, não creio que isto vá mudar. O tipo de estratégia, de escalada, de resposta, parada e resposta, não é uma boa maneira de ganhar uma guerra. É a melhor maneira de a prolongar e de causar mais danos.
Análise do coronel José do Carmo esta manhã no Gabinete de Guerra. Não há para já informação oficial de possíveis vítimas na sequência destes ataques. Entretanto, a Jordânia diz que conseguiu evitar um ataque com mísseis do Irão. Esta situação está a fazer o preço do barril de petróleo subir.
Daqui a pouco, há momentos de glória para já outras notícias a marcar a atualidade.
Ainda na atualidade internacional, pelo menos oito pessoas morreram, incluindo duas crianças, e 30 ficaram feridas num novo ataque da Rússia contra a Ucrânia esta madrugada. As autoridades ucranianas falam no ataque em larga escala, com dezenas de mísseis balísticos e de cruzeiro e também drones. Foram relatadas explosões em várias cidades. Zelensky já tinha avisado que a Rússia estava a preparar um ataque massivo há vários dias. Destaque também para a sucessão de António Guterres no cargo de secretário-geral das Nações Unidas. Os 15 membros do Conselho de Segurança da ONU fazem hoje uma primeira votação por escrutínio secreto. Vão expressar as preferências entre os sete candidatos ao cargo de secretário-geral da organização. António Guterres assumiu a liderança da ONU em janeiro de 2017. Foi reconduzido para um segundo mandato, que termina no final deste ano. As novas diretrizes do Banco de Portugal para a concessão de crédito à habitação entram hoje em vigor. Estão previstas regras mais exigentes em relação à aplicação da taxa de esforço para a aprovação de empréstimos. As novas medidas estabelecem como regra que os bancos só devem aprovar um crédito se a taxa de esforço de todos os empréstimos do cliente não superar os 45% do rendimento líquido mensal, quando até agora a percentagem era de 50%.