O presidente da Junta de Freguesia de Midões, no concelho de Tábua, no interior do distrito de Coimbra, renunciou esta sexta-feira ao mandato depois de mais de um ano sem conseguir formar executivo, foi anunciado.
Em comunicado, o socialista Paulo Portugal e os restantes elementos eleitos na lista do PS anunciaram a renúncia aos mandatos “perante o impasse político que se arrasta há mais de um ano e que, apesar das várias Assembleias de Freguesia realizadas, continua a impedir a constituição de um Executivo capaz de assegurar o normal funcionamento da Junta e dar as respostas de que a população anseia”.
“Desde o primeiro momento, manifestámos total disponibilidade para o diálogo e para a construção de uma solução de entendimento. A prova disso é que, apenas dois dias após as eleições, foi contactado o cabeça de lista da Coligação Correr por Tábua, segunda força política mais votada, com o objetivo de agendarmos uma reunião para encontrar uma solução conjunta”, explicou Paulo Portugal.
O autarca demissionário acrescentou que não obteve qualquer resposta até à realização da primeira assembleia de tomada de posse, na qual a proposta apresentada pelo Partido Socialista para a constituição do executivo da Junta foi rejeitada.
“Ficou então evidente a dificuldade em alcançar um entendimento, uma vez que ambas as forças da oposição, a Coligação Correr por Tábua e o Chega, reivindicavam um lugar no executivo, na qualidade de vogais da Junta de Freguesia”, lê-se no comunicado.
Segundo os socialistas, a posição descrita manteve-se nas assembleias seguintes, chegando mesmo a ser apresentada uma proposta de executivo que integrava as três forças políticas, na qual “o PS, que ganhou as eleições de forma inequívoca, ficaria em minoria”.
O autarca Paulo Portugal considerou que a renúncia “não representa uma desistência do compromisso assumido, mas uma cedência da força política mais votada, na expectativa de que o gesto permita ultrapassar o bloqueio existente e devolver à freguesia a estabilidade de que necessita”.
O candidato da coligação Correr por Tábua (PSD/CDS-PP/IL), segunda força mais votada nas autárquicas de 2025, disse à agência Lusa que esteve “sempre disponível para dialogar” e acusou os socialistas de o terem proposto para o executivo, sem nunca levarem a proposta a votação.
“Se tivessem levado a proposta a votação tinha aceitado”, referiu José Francisco, que rejeitou culpas no impasse que se verifica há mais de um ano, considerando que se não houve acordo aqueles elementos deveriam logo ter-se demitido para permitir novas eleições.
“Se não existia acordo, porque é que foi preciso estar um ano nesta situação, podiam ter renunciado logo e evitavam que a freguesia estivesse no atual estado, com tudo por fazer”, acrescentou.
O cabeça de lista da coligação Correr por Tábua disse ainda que o PS não aceitou uma proposta que previa a sua entrada para o executivo como secretário e a atribuição da presidência da Assembleia de Freguesia ao partido Chega, a terceira força política mais votada.
No comunicado, o PS referiu que esta exigência “causou perplexidade, uma vez que as negociações decorriam com a coligação Correr por Tábua, sem que o Chega tivesse participado nesses contactos”, constatando ao longo do processo “a invocação de lealdades e orientações externas para condicionar o entendimento entre eleitos”.
Nas autárquicas de 12 de outubro de 2025, o PS venceu as eleições para a Junta de Freguesia de Midões, com 491 votos, elegendo quatro elementos, enquanto a Coligação Correr por Tábua obteve 298 votos e o partido Chega 200 votos, elegendo três e dois elementos, respetivamente.
Com a renúncia dos elementos do PS, a tutela deverá nomear uma comissão administrativa antes de avançar com eleições intercalares na freguesia de Midões.