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O Observador. As notícias com Carla Jorge Carvalho. O Líbano disparou quase 200 mísseis contra Israel na última hora. Já lá vamos. Primeiro, a Ministra da Saúde começa a esta hora a ser ouvida sobre o plano de emergência para o SNS. Ana Paula Martins volta à Comissão de Saúde, uma iniciativa a pedido do PSD, do CHEGA e também do Partido Socialista, precisamente duas semanas depois da apresentação pública do documento. A pouco mais de uma semana do início do verão, ainda não há um plano para as urgências hospitalares e também nunca houve tantos médicos reformados a trabalhar no SNS. O jornal Público revela que o número de clínicos aposentados a trabalhar voltou a bater um novo recorde em abril. São 613, a maioria a exercer funções em centros de saúde e a dar resposta, desta forma, a mais de 87 mil utentes. Em direto neste jornal está agora o presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, Luís Duarte Costa. Muito bom dia, Luís Duarte Costa. O senhor já criticou muito as medidas para a área das urgências que foram incluídas neste plano do governo. O que espera que possa sair desta audição? Algum ajuste em relação a algumas das críticas que deixou?

Em relação ao plano de urgência para o verão, não tenho nenhum conhecimento específico de alguma medida concreta. Nós sabemos que na altura do verão, por férias dos médicos, é natural que haja maior dificuldade em compor as escalas, escalas que já estão diminuídas e, portanto, efetivamente vai ser um período de maior dificuldade em atender e responder a todos os doentes.

Perguntava-lhe mais em concreto em relação ao plano de emergência.

Certo, em relação ao plano de emergência, nós fizemos uma série de propostas que acho que não foram tidas em conta e o plano refere uma série de problemas que achamos que são muito incongruentes e apontam respostas que achamos que estão erradas. Basicamente, o plano identifica que o principal problema é a afluência de doentes que não têm critério de gravidade. Cerca de 40%, em alguns hospitais chega aos 60%. Isso é o principal problema. Isso é explicado por dois gráficos. Quem pensa nestes problemas conhece muito bem. Portugal é o país da OCD, em primeiro lugar, com o número de episódios de urgência, cerca de 70 a 106 por ano, enquanto no resto dos países, o segundo é a Espanha com metade desse valor e o resto com cerca de um décimo. Em paralelo, existe um gráfico em espelho que mostra que Portugal é o último país que consegue ter uma consulta aberta no espaço de três dias para situações agudas não graves. Isso explica a afluência que as pessoas vêm onde a porta está aberta. Só que este problema agrava muito a dificuldade de ter um serviço de urgência em condições e põe em risco os doentes graves que lá ocorrem. Portanto, para mim, e para a Sociedade de Medicina Interna, a solução não passa por pôr mais médicos e muito menos criar uma especialidade de urgência. Passa por tirar os doentes da urgência e irem para o sítio onde é suposto, para o local certo, com o médico certo. Alguém que os conheça, que saiba reavaliar com facilidade.

E, portanto, os cuidados de saúde primários.

Claro. Este plano identifica ainda que esta especialidade poderia melhorar o funcionamento da urgência no ponto de vista de uma escala, o que é verdade, que se tiver uma equipe de 40 médicos a tempo inteiro, é muito mais fácil de gerir uma escala com 100 médicos a tempo parcial. Mas, na verdade, nesses últimos 10 anos ou mais, já tivemos services com equipas dedicadas, inclusivamente uma com uma equipa autónoma 100% do tempo e que falhou, e as pessoas desistiram. Portanto, este modelo não funciona e tem a ver novamente com o excesso de afluência. Criar uma especialidade, desse ponto de vista, também será um erro. Outro ponto que o plano afirma é que diz que é capaz de fazer formação, o que também é verdade. Se eu tiver uma especialidade, eventualmente eu posso fazer formação. Mas deste ponto de vista também é um grande exagero. Eu não preciso de criar uma especialidade para fazer formação, nem sequer a especialidade deve ser criada nesse aspeto. A especialidade deve ser criada quando há um conjunto de saberes que necessita desse conhecimento específico, o que também não é verdade. Qualquer doente que vá a uma urgência, sobretudo em Portugal, que é muito diferente do resto do mundo, temos patologias, desde coisas simples, agudas, uma gastroenterite, uma virose, uma dor lombar, a situações de gravidade como edema agudo do pulmão, uma cetocidose diabética, um AVC, a outras situações cirúrgicas traumáticas. Uma especialidade que trate tudo isto, adultos e pediátricos, que é essa a sugestão, não faz sentido absolutamente nenhum e não vai ser capaz de uma especialidade que trata tudo isso, sobretudo num serviço em que o médico vê o doente uma única vez. São estas incongruências que nós chamamos a atenção e queremos lembrar.

E houve algum retorno dessa chamada de atenção, dessas preocupações?

Não. E por isso estes contactos convosco são uma grande ajuda, porque nós estamos disponíveis. Eu acho que a mensagem que também queremos transmitir é que a medicina interna, que tem permitido assegurar o serviço de urgência e funcionamento hospitalar nos últimos 20, 30 anos, está disponível para alterar isto. Está disponível para que a senhora ministra nos possa ouvir e transmitir a mensagem daquilo que nós efetivamente precisamos de mudar, que não é na urgência. Na urgência, podemos tirar de lá os doentes. Precisamos de remover os casos sociais dos hospitais que impedem que doentes internados na urgência não possam subir para uma situação condigna e tratados por uma equipa permanente e não ocasional, como está no serviço de urgência. Precisamos de melhorar muito a eficiência dos serviços hospitalares, provavelmente com todos os doentes complexos ficarem a cargo da medicina interna, médicos e eventualmente também cirúrgicos, mas para isso precisamos de mais médicos de medicina interna.

Luís Duarte Costa, há também uma forma de comunicação que mudou agora com este governo e pela experiência que tem, gostava de perceber se é ou não mais eficaz. A forma de comunicação do encerramento das urgências é agora através da linha SNS 24. Faz mais sentido? Funciona melhor? Ou é indiferente?

Eu acho que se calhar é indiferente. Uma linha de triagem pode sempre ajudar. Mas a verdade é que as triagens telefónicas falham redondamente, porque há sempre alguns sintomas ou algumas queixas que os doentes dizem por telefone, que alguém que está a ouvir aquela chamada tem que dizer que a pessoa tem que ir para a urgência, porque eventualmente pode ser grave. Mas nós vemos no dia a dia, as pessoas cada vez mais já aprenderam, muitas vezes essas queixas depois são situações banais, benignas e que não têm que vir para um serviço de urgência hospitalar. Houve muitas dificuldades, temos alguns exemplos de urgências que vão saltando de sítio para sítio, como são os casos dos AVCs, porque não há assim tanto movimento para manter uma área específica como esta em todos os hospitais em simultâneo. Portanto, desse ponto de vista, pode ajudar. Não acho é que seja essa a solução.

Luís Duarte Costa, muito obrigada. Foram ideias deixadas pelo presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, disponível para falar com o governo e ajustar algumas das propostas que foram apresentadas. A audição da Ministra da Saúde que começa a esta hora no Parlamento. Vamos então ao conflito no Médio Oriente. Depois da morte de um comandante do Hezbollah, o Líbano disparou quase 200 mísseis contra o norte de Israel. A informação é já confirmada pelo exército de Tel Aviv. O ataque aconteceu nas últimas horas. Não há para já informação de possíveis vítimas, mas o jornal Times of Israel dá conta de vários focos de incêndio. Este ataque surge depois da morte de um comandante do Hezbollah, num ataque israelita. O Líbano confirma a autoria do ataque com quase 200 mísseis, revela que visou alvos militares. É uma informação com poucos minutos e que por isso vamos continuar a acompanhar. E as Nações Unidas concluíram que as autoridades israelitas são responsáveis por crimes contra a humanidade, incluindo extermínio, na Faixa de Gaza. Conclusão da Comissão de Inquérito da ONU. De acordo com este relatório, Israel é acusado de cometer crimes como extermínio, perseguição com base no género, transferência forçada e tratamento desumano e cruel durante este conflito. A embaixada israelita em Genebra já reagiu, acusa a Comissão de discriminação sistemática contra Israel. O embaixador junto das Nações Unidas fala de uma agenda política com o objetivo de atingir o regime de Tel Aviv. Ao mesmo tempo, a ONU também acusa o Hamas de visar civis nos ataques. Ainda na atualidade internacional, Emmanuel Macron fala ao país daqui a menos de uma hora, depois de anunciar a dissolução do Parlamento e a convocação de eleições legislativas antecipadas. Expectativa para esta comunicação do presidente francês, numa altura em que os partidos se desdobram em acordos e em coligações. A direita radical uniu-se aos conservadores, depois de quatro partidos de esquerda terem anunciado uma frente popular. A conferência de imprensa de Emmanuel Macron está marcada para daqui a uma hora. São 09h09, Carla, antes do Explicador, que outras notícias marcam a atualidade? Os casamentos de Santo António e o desfile de marchas na Avenida da Liberdade marcam hoje o principal dia das festas de Lisboa, que celebra amanhã o feriado municipal. O Metro de Lisboa vai prolongar o serviço nas linhas azul e verde na noite de Santo António. O serviço nas duas linhas vai estender-se até às 03h. E no último teste antes do Euro, Portugal venceu a República da Irlanda por 3 x 0. Golo, um de João Félix e dois de Cristiano Ronaldo. A seleção nacional volta às vitórias, depois de ter perdido com a Croácia. Foi o último jogo de preparação para o Campeonato Europeu. E agora aquelas coisas que só acontecem nos filmes, como escorregar numa banana ou ser salvo por um helicóptero quando estamos numa praia deserta. Sabemos sim, mas alguma coisa aconteceu, alguma dessas? Um praticante de kitesurf ficou preso numa praia nos Estados Unidos e então com várias pedras escreveu "help", ajuda, no areal onde estava cercado por falésias e com a maré a subir, a ficar cada vez com menos areia. E alguém viu as pedrinhas. Um piloto de helicóptero alertou as autoridades, que foram resgatar este homem, que estava ótimo. Nem de assistência médica precisou. Sempre vale a pena tentar.

Claro, só não conseguia sair dali.

Pois, exatamente. Carla Jorge Carvalho, jornal das 9 na Rádio Observador.