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Com a Carla Jorge Carvalho. Nove horas, um minuto. Chegou a primavera, pelo que dizem, precisamente a esta hora, mas, Carla Jorge Carvalho, é por outro assunto que começamos este jornal das 9. O presidente da Câmara de Lisboa vai fazer daqui a meia hora um briefing sobre os danos causados pela Depressão Martinho, na região de Lisboa. A Proteção Civil dá conta de mais de quatro mil ocorrências.

É caso para perguntar: onde está ela, a primavera? A maioria das ocorrências foi quedas de árvores e de estruturas. Este é o mais recente balanço feito à Rádio Observador. A Grande Lisboa foi a zona mais afetada, como explica o comandante José Miranda, da Proteção Civil.

Temos um total acumulado desde as 0h do dia 19 até às 7h do dia 20, um total de 4214 ocorrências, das quais 2314 ocorrências de quedas de árvore, 1169 quedas de estruturas, 643 limpezas de via, 45 movimentos de massa e 38 inundações. A sub-região mais afetada mantém-se a Grande Lisboa, com 1452 ocorrências. Depois, temos aqui um registo de 456 na Península de Setúbal e 329 na sub-região do Oeste.

Há cortes em várias estradas, com destaque para a Marginal de Cascais, na zona de Oeiras, por causa da presença de areia na via. A Maria João Brás está agora em direto de Paço de Arcos, onde o trânsito também tem estado condicionado devido à queda de uma árvore de grande porte na via. Maria João, os trabalhos de limpeza ainda continuam. Conseguimos ouvir o barulho.

Muito bom dia, Carla. Precisamente, conseguimos ouvir o som destes trabalhos de limpeza. Neste momento, está-se a aspirar aquilo que são os fragmentos de uma árvore de grande porte que caiu aqui numa das principais rotundas que liga a Avenida Senhores dos Navegantes e a Estrada de Paço de Arcos, é uma das principais rotundas de Oeiras. Aqui também caiu, lá está, uma árvore de grande porte. A circulação numa destas vias continua condicionada. Já está aqui uma equipa da Câmara Municipal de Oeiras. Falámos há pouco com um dos responsáveis, que nos contava que estão aqui desde as 2h. Estão a limpar a via. Estamos a falar de um grupo de, pelo menos, sete pessoas da Câmara, que vai amontoando sacos do lixo com bocados desta árvore, pedaços. Neste momento, já não se vê a árvore derramada, portanto, já não se veem galhos da árvore. A limpeza já vai muito adiantada, mas ainda assim foi uma noite longa. Estão aqui desde as 2h retirar os destroços desta árvore que caiu aqui nesta rotunda, uma das principais rotundas de Oeiras. Um cenário muito semelhante ao que está a ser vivido noutras zonas da Grande Lisboa por onde já passámos, em que a força desta tempestade levou à queda de várias árvores.

A reportagem da Maria João Brás está a passar a manhã em várias zonas da área da Grande Lisboa afetadas pelo temporal. Já testemunhámos várias viaturas danificadas por causa da queda de árvores e, como dissemos no início deste jornal das 9, o presidente da Câmara de Lisboa vai fazer um ponto de situação às 9h30, no Centro de Comando Operacional de Monsanto. Vamos acompanhar também, naturalmente, esse momento. A circulação de comboios na linha de Cascais está suspensa. A circulação de comboios na Ponte 25 de Abril, entre a estação de Coina e Roma/Areeiro, já foi, entretanto, retomada, mas naturalmente com muitos atrasos. No Conselho da Lourinhã, 13 pessoas ficaram desalojadas. Em Sintra, registo de um ferido grave após a queda de uma árvore. Há também registo de várias ocorrências nos distritos de Coimbra e de Leiria.

Quem vê a chuva com bons olhos são os agricultores. O secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal afirma que tem sido positiva para o setor.

Luís Mira explica que a queda acentuada de chuva tem resolvido alguns problemas de escassez de água, principalmente no sul do país. Admite que algumas culturas podem ficar afetadas, mas para o secretário-geral da CAP, quaisquer perdas que aconteçam durante estes dias vão ser compensadas por um cenário que considera ser muito positivo para a agricultura.

É extremamente vantajosa esta situação que se está a viver, mesmo para o Algarve, com as previsões deste rio atmosférico, vão permitir recuperar uma situação muito complicada de escassez de água. Portanto, isso é altamente vantajoso, permite olhar para o próximo ano, não só este, mas o outro, com um otimismo diferente daquele que existia. Quanto aos prejuízos que isto possa estar a causar, ainda não estamos nessa fase, felizmente. Claro que há trabalhos agrícolas que começam a estar um bocadinho atrasados, mas acho que mais uma semana ou 10 dias não há problema nenhum, recupera-se e ganha-se isso tudo com a disponibilidade de água que neste momento existe.

Luís Mira, da CAP, ouvido pela Rádio Observador, refere que a abundância de água vai permitir ao setor agrícola estar mais otimista em relação aos próximos anos. Sublinha ainda que o investimento do governo no projeto A Água que Une pode ser um instrumento decisivo para resolver o problema da gestão dos recursos hídricos em Portugal. Com a queda do Executivo, deixa também um apelo para que iniciativas como esta não sejam interrompidas.

Seguimos com o caso Spinonviva. O Observador teve acesso a documentos que provam a existência de prestação de serviços da empresa familiar de Luís Montenegro. Mas Carla, ainda há questões por responder.

Os pareceres e e-mails internos da Spinonviva provam que a empresa prestou serviço aos clientes já conhecidos. O Observador contactou vários advogados que atestam a legalidade das avenças. É o que explica o redator principal do Observador, Luís Rosa.

Há duas perguntas que são feitas desde o início deste caso. Os serviços foram efetivamente prestados? É a primeira pergunta. A segunda pergunta: os preços praticados pela Spinonviva correspondem a valores de mercado? Se houvesse uma resposta negativa à primeira pergunta, ou seja, se não houvesse uma prova dos serviços efetivamente prestados, parece-me que existiria um problema até de origem penal Parece-me que este trabalho que nós fizemos indicia que os serviços foram efetivamente prestados. Em relação aos valores de mercado, como eu disse há pouco, há uma subjetividade inerente a essa matéria, mas tudo indica, para já e pela informação disponível, que os preços praticados pelo Spinoviva estão de acordo com os valores de mercado.

Nesta documentação não constam, no entanto, os serviços de consultadoria prestados à empresa de combustíveis Joaquim Barros Rodrigues e Filhos. Para Luís Rosa, é aqui que reside a maior das dúvidas sobre o caso.

Eu não acho que o caso Spinoviva esteja, de maneira alguma, encerrado. Acho que Luís Montenegro deve dar explicações e deve dar informação, que ainda resta, que é pouca, também diga-se de passagem, em relação a esta questão da proteção de dados. O maior número de perguntas ainda por responder tem muito a ver com o serviço de consultadoria econômica prestado pelo Spinoviva à empresa Joaquim Barros Rodrigues e Filhos. Ou seja, o mesmo trabalho que nós fizemos agora para esta área de proteção de dados, também deve ser feito para esse contrato individual com a empresa Joaquim Barros Rodrigues e Filhos.

Luís Rosa, o redator principal d'O Observador, está na história do dia de hoje. A informação a que O Observador teve acesso diz respeito ao período entre novembro de 2022 e fevereiro de 2025.

Notícia que está em manchete a esta hora no site O Observador. Já daqui a pouco o Explicador nas manhãs 360. Olhamos ainda para outras notícias em destaque a esta hora.

Foram extintos os quatro incêndios que começaram ontem à noite em Arcos de Valdevez, no distrito de Viana do Castelo. A Proteção Civil confirma que nenhuma habitação chegou a ser afetada, apesar de terem estado em risco. Também não há vítimas. Os bombeiros desconfiam de fogo posto. Mais de 100 operacionais, apoiados por 30 viaturas, continuam no terreno. No Médio Oriente, pelo menos 71 pessoas morreram nas últimas horas e dezenas ficaram feridas em novos ataques de Israel à Faixa de Gaza. Há bebês, crianças e mulheres entre as vítimas mortais. O número é avançado pela Al Jazeera, que dá conta de novos bombardeamentos a zonas residenciais. Os líderes dos 27 reúnem-se hoje em Bruxelas, no Conselho Europeu, para abordar a guerra na Ucrânia e os contactos entre Estados Unidos e Rússia. Volodymyr Zelensky vai participar no arranque do encontro por videoconferência. Portugal está representado pelo primeiro-ministro Luís Montenegro.