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Corpo 91. As notícias com Carla Jorge Carvalho. Bernardo Blanco critica a estratégia de colar a Iniciativa Liberal à AD e admite liderar uma lista ao Conselho Nacional. Bernardo Blanco é o convidado do Explicador desta manhã. O antigo deputado admite voltar a candidatar-se, não à liderança da Comissão Executiva, mas ao Conselho Nacional, porque acredita que a Iniciativa Liberal precisa mudar de rumo, aponta erros à liderança de Rui Rocha, como por exemplo, a aproximação à AD durante a última campanha eleitoral.
Se as propostas forem muito moderadas, muito parecidas com as da AD, as pessoas vão preferir o original à cópia. E a nossa intenção não é que tudo fique como está. Foi um erro desta campanha, não indo coligado. Nós temos de nos diferenciar e eu acho que houve uma excessiva colagem à AD. Não mudou nada de substancial nos últimos meses, pelo contrário, como se viu pela pequena crítica que eu acabei de fazer, e por isso, sim, voltarei a encabeçar uma lista ao Conselho Nacional.
Bernardo Blanco elogia também a decisão de Rui Rocha de sair da liderança da Iniciativa Liberal, mas diz que não vai ser um dos candidatos ao lugar. Diz que o partido tem outros quadros e sugere Mariana Leitão ou Mário Amorim Lopes. Blanco admite, no entanto, que os ciclos curtos das lideranças têm prejudicado o crescimento da Iniciativa Liberal.
Tendo a concordar que isto não é um think tank, é um partido político e por isso, obviamente, que seria desejável que as lideranças fossem mais estáveis. E acho que, obviamente, termos lideranças tão curtas tem afetado esse crescimento, porque estamos muitas vezes a começar do zero com outra pessoa e, por isso, o meu desejo para as próximas lideranças, sejam quem forem, é que, obviamente, fazendo um bom trabalho, fiquem mais tempo do que aquilo que até agora os anteriores líderes ficaram.
Bernardo Blanco deixou o Parlamento na última legislatura. É agora o convidado do Explicador desta manhã. Para ouvir na íntegra, logo a seguir a este noticiário. José Sócrates responsabiliza a PGR pela derrota do Partido Socialista. Ainda assim, o antigo primeiro-ministro diz que o PS tem de fazer mais que uma reflexão. Diz que não basta dizer que é preciso refletir, mas é preciso refletir mesmo. José Sócrates foi entrevistado ontem à noite na CNN Portugal. Admite que ficou triste com o resultado do Partido Socialista nas últimas eleições, mas diz também que o partido está a ser mesquinho ao colocar a responsabilidade apenas em Pedro Nuno Santos.
O que é lamentável no Partido Socialista não é apenas andarem com essa conversa da reflexão. Só falam em reflexão sem refletirem, ou melhor, fazem reflexão sobre a reflexão. A única reflexão é que é preciso reflexão e o tempo à reflexão. Mas o Partido Socialista também erra muito e é confrangedor e é mesquinho querer atribuir a responsabilidade da derrota ao Pedro Nuno Santos. Isso é uma coisa que acho muito feio.
O antigo primeiro-ministro José Sócrates, numa entrevista onde foi ainda questionado sobre as eleições presidenciais, o socialista rejeita ir votar em Luís Marques Mendes ou em Gouveia e Melo, ou até mesmo em António José Seguro. Diz que só apoiaria um candidato, António Vitorino. Faz amanhã um ano que foi lançado o plano de ação para as migrações. A maior associação de imigrantes do país faz um balanço negativo, descreve Portugal como uma prisão a céu aberto. Isto para os milhares de imigrantes que não têm os processos resolvidos, mas que se deparam com serviços públicos pouco eficientes. O líder da Associação Solidariedade Imigrante considera que as medidas tomadas pelo governo em relação à imigração são demasiado severas.
O nosso balanço é bastante negativo. Entrou-se num estado de pânico por parte de milhares de imigrantes que têm em cima da cabeça as deportações, as notificações. E não só por causa disso. É porque as renovações não funcionam e as pessoas estão numa prisão a céu aberto, como em Portugal. É porque os atendimentos continuam na mesma. Pouco melhoraram. As pessoas perdem tempo, a economia perde, o país perde, as famílias dos imigrantes perdem, todo mundo perde.
Timóteo Macedo, o presidente da Associação Solidariedade Imigrante, numa entrevista dada à Agência Lusa. Já a via verde para contratar imigrantes permitiu a conclusão de apenas 12 processos em dois meses e mesmo assim ainda não foram emitidos os vistos. Foi há dois meses que o Executivo e cinco confederações patronais assinaram o chamado acordo da via verde para a contratação de trabalhadores, com o objetivo de agilizar, mas também de regular processos. No balanço feito pelo jornal Público, só foram concluídos os processos de 12 trabalhadores, todos através da Confederação de Agricultores de Portugal, sendo que estes 12 trabalhadores ainda aguardam o atendimento presencial para conseguirem os vistos. A CAP revela ao Público que está a acompanhar mais seis processos de recrutamento, referentes a cerca de 140 trabalhadores e que devem ficar concluídos nas próximas semanas. O jornal conta que este é, para já, o efeito prático da via verde para a imigração. E mudamos de tema. Antigos governantes não encontram razão para a Silopor ainda estar em liquidação. Dizem que a situação que se arrasta há 25 anos é inexplicável. Mais de duas décadas passaram e nenhum governo consegue liquidar a empresa que descarrega e armazena mais de metade dos cereais que chega ao país. O Observador contactou mais de uma dezena de atuais e de antigos responsáveis por pastas governamentais que tiveram responsabilidades em relação à tutela da Silopor. Os que aceitaram falar mostraram-se surpreendidos por este ser ainda um processo em curso. É o caso de António Nogueira Leite, ex-secretário de Estado do Tesouro e das Finanças. No ano 2000, foi declarada a liquidação da Silopor e o governo de António Guterres avançou para a privatização da empresa. Nada indicava que o processo fosse demorar mais de um ano. É o que explica a editora adjunta de economia do Observador, Ana Sanles.
Muitas pessoas com quem falámos, e tentámos falar com muitas outras que não quiseram falar, mas essas pessoas achavam que a liquidação da Silopor ia ser coisa para um ano, um ano e meio. Sempre que se lançou uma tentativa de concessionar a Silopor a um privado, esses processos ficavam encravados na litigância provocada pelos concorrentes. Impugnavam sempre as decisões ou contestavam o processo, iam sempre para tribunal e até que os prazos acabavam e tinha que se voltar a fazer tudo de novo. Não era só uma vontade, a obrigação de passar a atividade dos silos acabou por nunca chegar a bom porto. Há quem diga que é um mistério como é que isto se arrasta há 25 anos.
Ainda não é este ano que o processo vai ficar resolvido. O despejo parece estar, no entanto, mais próximo. A editora adjunta da economia do Observador explica que o primeiro governo de Montenegro já tinha estabelecido um prazo dentro de um ano e meio. E este é um artigo que faz manchete a esta hora no site do Observador e é assinado pela editora adjunta de economia, Ana Sanles. A delegação ucraniana já está em Istambul para as negociações com a Rússia. O militar especialista Francisco Proença Garcia acredita que os dois países ainda estão longe de um entendimento. Foi o convidado do Gabinete de Guerra desta manhã. Francisco Proença Garcia acredita que as negociações que começam hoje vão servir principalmente para discutir um cessar-fogo e também a troca de prisioneiros
Pelo menos estão a conversar. Há três anos eles não conversavam. Agora já houve várias tentativas de mediação, de deslocar a intervenção do Papa Francisco, o próprio Erdogan, o engenheiro Guterres, mas agora estão sentados à mesma mesa. Podem estar a ganhar tempo, questão de certeza de ambos os lados, porque veja as operações que houve este fim de semana de um lado e de outro não mostra vontade de conversar, a não ser pressionar e mostrar capacidade militar e de gastar mais o adversário. Poderemos esperar muito pouco, mas da Rússia nós já sabemos, não vale a pena nós estarmos à espera de grandes memorandos, porque estas negociações, a meu ver, são para se poder encontrar um cessar-fogo temporário e eventualmente conseguirmos libertar mais prisioneiros.
Francisco Prensa Garcia, esta manhã no Gabinete de Guerra com Maria João Simões. Hoje começa a segunda ronda de conversações directas entre Kiev e Moscovo, um dia depois de terem sido trocados ataques em larga escala. Só ontem a Ucrânia atingiu 40 aviões de guerra russos, assim como quatro bases militares aéreas num ataque com drones. Ataques russos ao longo do último dia mataram nove pessoas. São agora 9h10. Carla Antes do Explicador com Bernardo Blanco e outras notícias marcam esta manhã de segunda-feira. O jornalista José Rodrigues dos Santos negou ter violado a lei dos princípios deontológicos ou das regras jornalísticas durante a entrevista a Paulo Raimundo. O jornalista da RTP repudia assim os ataques dos comunistas sobre o foco exclusivo no tema da Guerra da Ucrânia. Num artigo de opinião publicado aqui no Observador, José Rodrigues dos Santos afirma que a entrevista apenas se concentrou na Guerra da Ucrânia por causa da falta de respostas do secretário-geral do PCP. O exército israelita estará a avançar na região de Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza. O jornal Times of Israel avança a informação, a citar jornais palestinianos. As forças israelitas ainda não fizeram quaisquer comentários a esta notícia. A Assembleia da República começou hoje a preparar a próxima legislatura. Está marcada para às 15h30 a conferência de líderes, que vai organizar a primeira sessão plenária de amanhã. A semana deve começar com a tomada de posse do novo governo de Luís Montenegro. E vamos agora olhar para o guia cultural para este mês, desde espetáculos de dança a peças de teatro. São muitas as produções espalhadas pelas salas de espetáculo do país, com histórias que contam, como por exemplo, ser pai durante o apocalipse ou como contratar um assassino. Vai ser então um junho cheio de espetáculos. Cheio. No próximo fim de semana, já estreia no Teatro São Luiz, em Lisboa, uma encenação de Miguel Graça, o espetáculo "Killer Joe". E aqui seguimos a trama de uma família que vive numa caravana em plena crise financeira e decide contratar um assassino profissional para reclamar o dinheiro de um seguro. Outras histórias peculiares, como a peça "Corre Bebé", de Ari Zara e Gaia de Medeiros. Aqui a história de um casal trans, num cenário pós-apocalítico, que reflecte sobre o que pode ser gerar bebés neste contexto. Agora na área da dança. Na Culturgest, chega a obra de Anne Teresa Kerstmaker, coreógrafa belga, que vai criar um espetáculo dedicado aos blues. Isto é só uma amostra. Só uma amostra das muitas produções que vão abrilhantar as salas de espetáculos do país, está no Observador, para leitores e ouvintes. Assinado pelo jornalista de Cultura, Joana Moreira.