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As notícias com Carla Jorge Carvalho. O rio Douro transbordou esta madrugada para as margens do Porto e de Vila Nova de Gaia. A capitania do Douro teme que este cenário se repita nos próximos dias.
Atribui, para já, a subida do caudal do rio à chuva intensa. Num balanço feito à Rádio Observador, o comandante Servanäs Costa diz que o Douro atingiu uma cota significativa. Alerta, por isso, que o cenário de cheias na bacia do Douro pode repetir-se nos próximos dias.
Se os caudais se mantiverem neste valor, prevemos que irá se manter este nível de cotas de rio, variáveis durante os dias. Aumentando os caudais, aumentarão também as cotas, naturalmente. Portanto, é um cenário que se pode repetir nos próximos dias. Sim, prevemos que sim, porque a pluviosidade só vai continuar a acontecer, com períodos um pouco mais críticos do que outros. Nos próximos dias, haverá momentos de maior aumento de cota, naturalmente, outros menos, o que obriga à gestão e o cuidado o mais possível.
E perante a previsão de chuva, o comandante da capitania do Douro revela ainda que o nível de alerta de cheias subiu esta noite para o aviso vermelho.
A partir do dia de ontem, nós constatamos que os caudais das barragens do rio Douro, na sua totalidade, começaram a lançar o caudal efluente muito superior aos últimos dias. Portanto, a gestão que nós tínhamos conseguido fazer nos últimos dias ia ser muito difícil de continuar no mesmo contexto, nos mesmos parâmetros. E por esse fato, a capitania ontem, pelas 22h, aumentou o alerta de laranja para vermelho, o que significa que para o rio Douro estávamos na iminência da ocorrência de cheias.
O comandante da capitania do Douro, Servanäs Costa, entrevistado pelo jornalista João Costa Campos, assegura que, para já, não há conhecimento de situações mais complicadas. Também a Proteção Civil adianta que não foram registadas durante a noite ocorrências consideradas gravosas.
Duzentas e cinquenta pessoas foram retiradas de casa em Santarém. Algumas estão alojadas no Pavilhão Municipal da cidade. A Câmara Municipal admite que as expectativas não são animadoras.
E é por isso que o pavilhão vai continuar aberto durante pelo menos este dia. A Nadine Soares tem estado precisamente em Santarém. Nadine, já falaste com uma enfermeira que está a tratar das pessoas mais frágeis, mas agora a Câmara Municipal faz também um ponto de situação.
Sim, já com todas as pessoas acordadas neste pavilhão, que começa a ganhar vida, já tomaram o pequeno-almoço, receberam a medicação e já houve troca de turnos dos enfermeiros voluntários que vigiam estas pessoas. Neste momento, estão cerca de 40 pessoas neste pavilhão, incluindo crianças e bebés. Entretanto, a vereadora da Autarquia de Santarém, com o pelouro da ação social, Teresa Ferreira, visitou este local. Dava conta que foram cerca de 50 pessoas que passaram a noite. Algumas, entretanto, já saíram, mas avisa que com o alerta de mais uma depressão a chegar, as expectativas para os próximos dias não são fáceis, não são animadoras e, por isso, esperam receber mais pessoas esta noite.
Foi difícil, porque há pessoas muito resistentes a sair de casa. Ontem à noite, os colegas estiveram até à meia-noite a tentar tirar pessoas da Ribeira de Santarém com a água já a uma altura considerável. Há pessoas que efetivamente resistem muito. Mas também penso que tendo lá passado uma noite, provavelmente hoje de manhã perceberam que têm efetivamente que sair e eu julgo que hoje vamos ter mais pessoas a vir para aqui.
Ainda assim, Teresa Ferreira garante que este pavilhão vai continuar aberto hoje, mas não só, vai ficar aberto até que for necessário alojar mais pessoas.
Ficar aberto até ser necessário. Nós temos apoio médico, a ULS está nos a dar apoio, tivemos enfermeiro que passou toda a noite. Temos apoio de várias entidades, como podem ver, que nos ajudaram com alimentação e voluntários também que nos estão a ajudar, mas enquanto for necessário, estas portas vão ficar abertas até a última pessoa precisar.
A vereadora da Autarquia de Santarém, Teresa Ferreira, que explicava que existem muitas pessoas ainda neste momento a resistir de abandonar as casas, garante que há meios no terreno a vigiar estes casos. No entanto, acredita que em breve vão começar a ceder e a abandonar locais como por exemplo, Caneiras e Ribeira de Santarém. Encerraram também as escolas, a informação dada neste ponto de situação, várias vias de estrada, por segurança, e dá conta ainda de que apesar da chuva continuar a cair, não há registro de ocorrências com relevância nesta madrugada. Já sobre a decisão de adiar ou não as eleições neste município, a vereadora Teresa Ferreira indica que a Autarquia, para já, ainda não tomou qualquer decisão.
É uma questão que se há de colocar nas próximas horas, em todo o caso, a Nadine Soares em Santarém, em direto, a dar conta dos efeitos, para já, sem feridos. Por causa do risco de cheias, a bacia do Tejo está sob alerta vermelho da Proteção Civil. Ainda assim, Vila Franca de Xira, a Câmara Municipal informa que os piores cenários não se confirmaram esta noite, mas face às contínuas descargas das barragens, o plano municipal vai manter-se ativo.
E Carla, o pior parece já ter passado em Alcácer do Sal, mas ainda há muito receio pela chuva que vai cair nos próximos dias.
Até porque depois da depressão Leonardo vai seguir-se já a tempestade Marta, o que significa que a chuva vai voltar a cair com intensidade em Portugal continental. A Proteção Civil mantém-se em alerta. O Miguel Cordeiro tem estado nos últimos dias em Alcácer do Sal. Agora, Miguel, com a descida do nível da água, consegue ver-se os estragos que as inundações já causaram.
Consegue-se ver o estrago provocado por esta cheia, que pode voltar à baixa da cidade de Alcácer com intensidade durante os próximos dias, por causa da chuva que se espera, principalmente para o final do dia de hoje, de noite e todo o dia de amanhã. Mas a água, por agora, está a descer. Estamos com a maré a vazar. Até à 13h, a água vai descendo, o caudal vai descendo e com isso ficam os estragos. Um amontoado de lixo à porta de estabelecimentos, à porta de restaurantes, cafés, bancos, várias lojas com muito lixo à porta, canas, garrafas de plástico. Há, nesta altura, alguns membros da Marinha que estão a ir já pelo próprio pé, com água pela cintura, porta a porta, recomendar à população que saia, porque se espera novamente muita chuva e há pessoas que estão sem eletricidade há vários dias. Os barcos da Marinha já não podem circular nesta altura porque a água desceu de tal forma que já não há condições para os barcos circularem. Comigo, ao meu lado, tenho Clarice Campos, é presidente da Câmara Municipal de Alcácer do Sal. Muito bom dia. Um cenário muito mais favorável do que aquilo que tínhamos ontem.
Bom dia. Muito mais favorável. Nós estamos numa situação bastante difícil ainda, mas ver o nível das águas neste momento dá-nos um alívio considerável e permite que as equipas que estão no terreno possam ir novamente contactar com toda a gente que ainda permanece na zona baixa da cidade e insistir para que possam sair com alguma segurança. Nós temos espaços para alojar essas pessoas, temos condições para ficarem e ficávamos mais tranquilos, porque além de não estarem em segurança, não estão em conforto há uma série de horas, não têm eletricidade, estão algumas delas com dificuldades em serem contactados e para nós e para eles era mais garantido que saíssem e ficassem em segurança até que as condições para poderem voltar às suas casas fossem garantidas e asseguradas.
Até porque se espera novamente muita chuva para as próximas horas. Este é o cenário na baixa, mas ontem falávamos também de várias aldeias que estão isoladas, pelo menos seis aldeias. Ainda se mantém esse cenário?
Exatamente, continuamos com essas aldeias isoladas e o bairro do Forno da Cala, que é ao lado da cidade. Estamos a trabalhar numa solução para garantir que a população desse bairro vai ter acesso e vai poder sair para vir às compras, para poder aceder à cidade. Estamos a trabalhar nessa solução. Contamos, a seguir ao almoço, ter novidades sobre isso.
Sobre as aldeias isoladas. Ainda uma última questão sobre as eleições. Ontem pediu esse adiamento, foi confirmado, não vamos ter eleições no próximo domingo no Conselho de Alcácer, também por causa dessa situação de aldeias isoladas e tudo o que se vê aqui na baixa, era impossível realizar o ato eleitoral no próximo domingo.
Eu acho que qualquer pessoa que venha a Alcácer compreende que era impossível realizar o ato eleitoral no próximo domingo. Só quem está sentado num gabinete é que não tem essa ideia. E eu ontem estive um pouco a ouvir alguns comentadores na televisão e convido a virem a Alcácer, ainda agora com as águas mais baixas, mas para perceberem como é que nós conseguíamos garantir um ato eleitoral em qualquer uma das freguesias, nas condições em que nós estamos. Não conseguimos transportar eleitores porque fazemos um transporte de eleitores de várias aldeias, de várias zonas da cidade para as mesas de voto. Não conseguíamos garantir o transporte dos agentes, dos membros das mesas eleitorais para ocuparem os seus lugares nas mesas. Não conseguíamos sequer transportar os boletins de voto para todas essas mesas. Portanto, em suma, nós não conseguíamos garantir que as eleições decorressem com a normalidade e com a tranquilidade que o ato eleitoral merece. Por isso mesmo, usando a competência que me é atribuída, decidi que ele não se realizava. Compreendo que noutros conselhos as condições estejam asseguradas. No nosso, não estão de todo.
Clarice, muito obrigado. Clarice Campos, o testemunho da presidente da Câmara Municipal, com essa explicação, não havia de todo condições para realizar as eleições no próximo domingo.
E ficou clara a explicação da presidenta da Câmara de Alcácer, entrevistada aqui em direto pelo Miguel Cordeiro. Hoje, 10 distritos vão estar sob aviso laranja, não por causa da chuva, mas sim por causa da agitação marítima.
E afinal, Pombal vai mesmo realizar eleições no próximo domingo. São assim apenas três municípios que vão adiar as eleições presidenciais.
Para já, Alcácer do Sal, como acabamos de ouvir, até pela presidenta Câmara, Arruda dos Vinhos e Golegã. A Câmara Municipal do Pombal escreveu um comunicado ontem à noite em que admitia a ida a votos, apesar das dificuldades, como a falta de energia e comunicações. Ainda assim, o município diz que os eleitores em Pombal estão a ser injustiçados por não terem conseguido acompanhar a campanha eleitoral. Sobre este tema, o presidente da República e o primeiro-ministro estão de acordo, a maioria dos portugueses tem condições para ir às urnas este domingo.
E este é o tema do Explicador desta manhã. Já a seguir está conosco Teresa Leal Coelho, da Comissão Nacional de Eleições. Agora são 9:11. Carla, que outras notícias marcam esta manhã?
Hoje é o último dia de campanha eleitoral. António José Seguro vai terminar o dia no Porto. André Ventura, numa das zonas mais afetadas pelo mau tempo, Alcácer do Sal. António José Seguro vai visitar uma empresa de tecnologia de saúde ao final da manhã, na cidade do Porto. À noite, o candidato apoiado pelo PS realiza o último comício em Matosinhos. Ventura começa em Beja, termina precisamente em Alcácer do Sal. Depois de críticas à ausência da ministra da Administração Interna no terreno, a Iniciativa Liberal pede agora a demissão de Maria Lúcia Amaral. Mariana Leitão acusa-a de estar em completo desnorte. Foi ontem numa entrevista ao canal NOW. O Observador sabe que a saída de Maria Lúcia Amaral do cargo de ministra é um dado praticamente adquirido no núcleo duro do chefe de Governo, mas apenas depois da resposta ao mau tempo que tem atingido o país. Já começaram as negociações entre o Irão e os Estados Unidos. A delegação iraniana é liderada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, enquanto o enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, chefia a delegação norte-americana. O líder da diplomacia de Teerão já avisou que o país vai defender-se de quaisquer exigências excessivas dos Estados Unidos.