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As notícias das 21h com Luís Soares. A vereadora do PS na Câmara de Lisboa, Alexandra Leitão, considera que os políticos constituídos arguidos na Operação Emergente devem suspender o mandato e garante que se ela fosse visada numa investigação do gênero, faria o mesmo.

Alexandra Leitão defende que suspender o mandato não é um assumir de culpas, mas sim uma questão política. Uma reação que surge depois do Observador ter avançado que há dois vereadores do Partido Socialista na Câmara de Lisboa, arguidos na Operação Emergente. São eles Sérgio Cintra e Carla Madeira, pertencem os dois à equipe de vereação de Alexandra Leitão. Já afirmaram, no entanto, que não ponderam suspender funções. Ontem à noite, no espaço de comentário na CNN Portugal, Alexandra Leitão nunca se refere a estes vereadores diretamente, mas deixa a sugestão.

A manutenção ou não em funções ou a sua suspensão, não estou a falar em renúncia, estou a falar em suspensão, depende de uma valoração que os próprios, tendo em conta que o mandato é seu, devem fazer relativamente às condições políticas que têm para exercer esse mandato. É evidente que isto é mau para o Partido Socialista, como foi o tutti-frutti para o PSD e outros casos. É evidente que isto é mau.

Alexandra Leitão, que em sentido contrário elogia Miguel Coelho, antigo presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior. Ele suspendeu o mandato de deputado municipal em Lisboa na sequência da Operação Emergente. A vereadora socialista critica também a dimensão da operação policial que decorreu na semana passada. Fala mesmo em exagero e show off por parte das autoridades.

O redator principal do Observador também defende a suspensão do mandato de políticos que foram constituídos arguidos no processo.

Luís Rosa lembra que suspender o mandato não significa um assumir de culpas, entende que é a melhor forma de colaborar com a investigação.

Isto tem consequências políticas, ou seja, é exatamente isto. Suspender é uma questão de falta de condições políticas. Qualquer decisão de alguém com uma nuvem de suspeita em cima da cabeça, fica igualmente machada, fica igualmente sob suspeita, porque meramente não tem condições políticas pra continuar exercendo um cargo político, político-público. Eu acho que Sérgio Cintra e Carla Madeira, como Alexandra Leitão diz, e muito bem, devem suspender funções. Isto não tem nada a ver, enfatizo, com a presunção de inocência. Há sempre esta enorme confusão. A presunção de inocência é um instrumento jurídico que serve para o arguido no processo ser julgado, por exemplo, sem preconceito do tribunal e durante o processo, quando é julgado, ter igualdade de armas face à acusação.

Análise de Luís Rosa, redator principal do Observador no "E o Vence Doré?" desta manhã.

As críticas de Pedro Passos Coelho continuam a dar o que falar. O presidente da Câmara do Porto considera que o ex-primeiro-ministro teve uma semana infeliz. Pedro Duarte diz mesmo estar desiludido.

Fala num excesso de mensagens encriptadas. O presidente da Câmara do Porto, eleito pelo PSD, defende que o ex-primeiro-ministro devia ser mais direto, em vez de deixar espaço para dúvidas e especulações.

Eu acho que ele, de facto, teve uma semana particularmente infeliz desse ponto de vista. Não escondo, não estou aqui com rodeios, não deixo de manifestar a minha desilusão. Desde logo, em primeiro lugar, pelo tipo de mensagens que são um bocadinho encriptadas. Nós somos todos obrigados a ler as entrelinhas daquilo que ele diz. E pra quem tanto critica os políticos postiços, eu acho que lhe ficava bem assumir. O que ele tem pra dizer ao país, que diga. Se tem alguma coisa a apontar a alguém, que nomeie. Até porque ele é um homem corajoso, pelo menos conheci-o assim. Portanto, não percebo muito bem agora esta forma assim um bocadinho de bate e foge, sem ser absolutamente assumido. E deixar ao critério da nossa imaginação o que é que ele eventualmente quereria dizer.

As críticas de Pedro Duarte a Pedro Passos Coelho, no espaço de comentário da CNN Portugal ontem à noite, diz também que a conversa entre Pedro Passos Coelho e André Ventura, que foi vista pelos jornalistas e foi pública, foi um momento demasiado encenado e embaraçoso.

Mudamos de tema. O imposto sobre os refrigerantes deixou de reverter diretamente para o Serviço Nacional de Saúde. A mudança passou despercebida no Orçamento do Estado para este ano e está a ser criticada por vários especialistas.

Notícia avançada esta manhã pelo jornal Público, este imposto, que já rendeu ao Estado mais de € 500 milhões, deixa de estar diretamente direcionado para o financiamento do Serviço Nacional de Saúde. É uma situação, de resto, semelhante ao que já tinha acontecido com o imposto sobre o tabaco. O valor acumulado passa a ir para o bolo geral dos impostos arrecadados, ao contrário do objetivo para o qual foi criado em 2017 e também ao contrário da recomendação da Organização Mundial da Saúde.

E o que diz o Ministério da Saúde, Luís?

Questionado pelo jornal Público, a tutela explica que a opção seguida foi a de que o financiamento global do SNS é assegurado através de dotações do Orçamento do Estado. Os mecanismos de consignação, entende o ministério, são utilizados sobretudo quando estão diretamente associados a objetivos concretos de política de saúde pública, o que o governo entende não ser o caso.

E como já dissemos, esta medida está a ser alvo de muitas críticas, nomeadamente do antigo secretário de Estado, Fernando Araújo.

Que ao Público fala numa reversão profunda e acusa o governo de ter implementado a mudança de forma silenciosa. Fernando Araújo era secretário de Estado na altura em que o imposto entrou em vigor e foi também diretor-executivo do SNS. Também ao Público, o antigo diretor do Programa Nacional de Promoção da Alimentação Saudável, Pedro Graça, considera que desta forma se perde uma oportunidade de usar essa verba em programas de promoção da alimentação saudável. Já a atual diretora do programa assegura que esta mudança não invalida a utilização de verbas neste tipo de iniciativas.

As crianças portuguesas passam quase 40 horas por semana na escola. Portugal está entre os países da União Europeia, onde este número é mais elevado e os baixos salários podem ajudar a explicar este indicador.

São dados da Pordata, num estudo divulgado hoje a propósito do Dia Mundial da Criança. A partir dos três anos de idade, as crianças passam quase um terço de todo o tempo na creche, em infantários ou na escola. À Rádio Observador, a diretora da Pordata, Luísa Loura, reconhece que o problema é comum no Ocidente, mas encontra uma justificação para o caso português.

Temos muito menos pessoas a trabalhar a tempo parcial

Porque em Portugal os salários são muito baixos e o tempo parcial, em geral, é proporcional. O salário fica proporcional, o que muitas vezes não acontece em países mais ricos. Mas em Portugal, o que me despertou a atenção foi ter sido mais acelerado e estar, de fato, mais grave.

A diretora da Pordata, Luísa Louro, em declarações à Rádio Observador: "Portugal é um dos países com uma das maiores reduções de população infantil entre os estados membros da União Europeia, também é um dos países onde as crianças passam mais tempo na escola".

São agora 9h08, já a seguir o explicador sobre o conflito entre a Ministra da Saúde e Carlos Robalo Cordeiro, o médico que está a acompanhar o plano de emergência. Mas primeiro, Luís, que outras notícias marcam esta manhã?

Donald Trump repete que os Estados Unidos vão conseguir um bom acordo com o Irã. É a mensagem deixada pelo presidente norte-americano na rede social Truth Social: "Descansem que tudo se vai resolver". A declaração foi feita horas depois das tropas norte-americanas terem atacado infraestruturas do Irã, no sul do país. É a terceira onda de ataques em menos de uma semana. Foram atingidos sistemas de radar e de controle de drones. Noutra frente da guerra, o primeiro-ministro de Israel e o ministro da Defesa ordenaram às Forças Armadas israelitas que realizem ataques contra alvos do Hezbollah, nos subúrbios de Beirute, no Líbano. Numa declaração conjunta, os dois responsáveis justificam a decisão com aquilo que classificam como repetidas violações do cessar-fogo por parte do Hezbollah. O ministro da Administração Interna retoma hoje as negociações com a PSP e com a GNR. De parte da manhã, Luís Neves reúne-se com as associações representativas da Guarda Nacional Republicana. À tarde, o ministro recebe os sindicatos da Polícia de Segurança Pública. Na semana passada, Luís Neves avançou que nestas reuniões vão ser discutidas as melhorias das condições de trabalho e também remuneratórias. Quatro concelhos do distrito de Faro estão hoje em perigo máximo de incêndio, de acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera. São os casos de Silves, Loulé, São Brás de Alportel e Tavira. Também outros concelhos de 13 distritos de Portugal continental apresentam perigo muito elevado de incêndio, sobretudo no interior norte e centro do país. De acordo com o IPMA, o perigo de incêndio rural vai manter-se elevado em algumas regiões, pelo menos até sexta-feira, por causa do tempo quente.