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Jornal das nove com Carla Jorge Carvalho. O ministro da Administração Interna já submeteu três declarações de rendimentos em apenas cinco meses no cargo. O gabinete de Luís Neves diz ao Observador que o ministro não declarou a empresa da mulher por mero lapso.

O Observador contactou o gabinete do ministro da Administração Interna para compreender as alterações feitas nas declarações únicas num curto espaço de tempo. Explicam que a empresa da mulher não foi incluída na declaração inicial por lapso. Teresa Freire.

No entanto, o gabinete garante que o lapso foi corrigido assim que estava a ser preparada a declaração de substituição, atualizada por causa de um novo empréstimo que foi contraído. Na declaração foram acrescentados €315 mil em dívidas e €133 mil à ordem. Segundo o gabinete do ministro, estão relacionados, o novo valor na conta à ordem deve-se a uma segunda hipoteca sobre um imóvel no valor de €225 mil, tendo sido amortizado o crédito do Montepio Geral no valor de €90 mil. Já sobre a evolução dos empréstimos contraídos, confirma-se que o capital em dívida atinge os €315 mil. O gabinete explica que a diferença de valores está relacionada com a hipoteca, que contraiu um novo empréstimo de €225 mil. Com esse valor, foi saldado o crédito de €90 mil no Montepio. No presente momento, existem dois créditos: um anterior de €90 mil na Caixa Geral de Depósitos, bem como este crédito, o novo, de €225 mil na mesma instituição bancária, um total de €315 mil.

Teresa Freire, ao olhar para este artigo do Observador sobre as declarações de rendimento do ministro da Administração Interna, que no espaço de cinco meses no cargo apresentou três declarações à Entidade para a Transparência. Ontem, já em entrevista à CNN Portugal, o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, disse que Luís Neves deve prestar mais esclarecimentos aos portugueses.

Ele, mais do que qualquer outra pessoa, sabe da importância do escrutínio democrático para quem desempenha funções de natureza política e da importância que tem esclarecer todas as questões que há a esclarecer. É isso que eu espero que ele venha a fazer.

José Luís Carneiro, numa entrevista ontem à noite à CNN. Sobre o caso, também ontem, André Ventura remeteu eventuais ações contra o Governo e contra o ministro para depois do debate sobre o Estado da Nação de hoje.

A polémica com o ministro da Administração Interna promete marcar esse debate, assim como a questão dos exames nacionais. A Missão Escola Pública garante ter relatos de professores que receberam ontem à noite items para classificar e que estão ainda esta manhã a corrigir provas. O Ministério da Educação remete esclarecimentos para daqui a cerca de uma hora.

Até o momento, o ministério ainda não confirmou se os exames nacionais estão ou não esta manhã todos corrigidos. Ontem, Fernando Alexandre garantiu apenas que as classificações das provas vão ser fixadas como previsto amanhã, sexta-feira. Mais esclarecimentos devem ser prestados nos próximos momentos, numa altura em que a plataforma Missão Escola Pública diz que ainda há professores a corrigir items dos exames nacionais e que os principais problemas se prendem com as provas de Português e de Matemática. O PS já veio garantir, através do secretário-geral, que pretende avançar com uma comissão parlamentar de inquérito, caso o prazo de amanhã não se concretize. Amanhã é o dia em que está previsto também que o ministro Fernando Alexandre vá ao Parlamento para prestar esclarecimentos aos deputados.

Já o debate do Estado da Nação começa às 15h30 de hoje. Pode acompanhar em direto aqui na Rádio Observador. Esta manhã há também um explicador especial com representantes dos principais partidos para ouvir, já a seguir a este Jornal das Nove. O governador do Banco de Portugal recusa entrar num bate-boca com Mário Centeno. Álvaro Santos Pereira diz ainda que gostaria de ver o regresso da discussão sobre a reforma laboral.

Em entrevista ao Observador, o governador do Banco de Portugal diz que seria importante regressar à discussão sobre as alterações ao Código do Trabalho, sendo que Álvaro Santos Pereira entende que se deviam tentar encontrar consensos em reformas também noutros setores.

O que eu gostaria que nós voltássemos é exatamente pensar a nível global e com o maior consenso possível, quais são as reformas que nos poderão tornar mais competitivos. Isso vai nos ajudar a melhorar a produtividade. Pergunta-me na questão laboral. Eu já há muitos anos que defendo isso e, aliás, a OCDE faz a mesma coisa e vários bancos centrais falam sobre essa matéria. Eu defendo um modelo de flexissegurança, ou seja, eu defendo que tem que haver maior flexibilidade, mas protegendo mais o trabalhador. Ou seja, dá-se mais flexibilidade no posto de trabalho, mas protege-se mais o trabalhador.

Sendo que nesta entrevista o governador não esclarece se a proposta do Governo de reforma laboral vai ou não ao encontro deste modelo de flexissegurança que defende. Nesta entrevista, Álvaro Santos Pereira comentou também as palavras recentes do ex-governador Mário Centeno. Ele questionou a poupança de €35 milhões na nova sede do Banco de Portugal, criticou diretamente Álvaro Santos Pereira por ter revelado o custo final previsto para o edifício. O governador recusa entrar nesta troca de palavras.

Primeiro, eu não vou entrar em duelos de palavras com ex-governadores. É uma questão de decoro e é uma questão institucional. Eu sou muito institucional. Acho que é importante, como disse, o projeto evoluiu e não vou entrar em jogos de palavras com ex-governadores. Segundo, eu sei o que é que defendo para mim próprio e para o conselho de administração atual e tenciono haver essas mudanças de regras. Sobre o passado, é o passado e eu não vou estar a comentar.

Declarações do governador do Banco de Portugal no Sob Escuta do Observador.

Que já está disponível em podcast e também em formato vídeo no YouTube. São agora 9h06. Antes do Explicador, Carla, que outras notícias marcam esta manhã?

Depois de Pedro Passos Coelho, há um outro antigo líder do PSD a dizer que o governo de Luís Montenegro não tem coragem nem vontade de fazer reformas. Rio critica a AD e toda a classe política por não mexer nos interesses instalados. São declarações do ex-presidente do PSD ontem, à margem de uma conferência em Bragança. Olhamos também para o Médio Oriente, onde continuaram esta manhã os ataques entre os Estados Unidos e o Irão. A Casa Branca afirma que a prioridade é manter aberto o Estreito de Ormuz. A retaliação do Irão chegou a bases militares norte-americanas no Kuwait e na Jordânia.