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O PS vai abster-se na votação da moção de censura do Chega ao Governo. Alguns socialistas defendiam o voto contra, de forma a demarcarem-se do partido de André Ventura. A moção de censura apresentada pelo Chega contra o Governo a propósito dos casos que envolvem o ministro da Administração Interna é debatida e votada esta tarde, mas já tem o chumbo pré-anunciado, tal como se previa, e isto por causa da abstenção do PS. Os socialistas já tinham decidido que não iam viabilizar a moção, mas faltava decidir se votariam contra ou se se abstinham. A escolha foi a abstenção. A proposta foi anunciada ontem à noite pelo secretário-geral do PS, no início da reunião da direção do partido. "O Observador" sabe que José Luís Carneiro fez vários contactos durante o dia e chegou à reunião já com esta decisão tomada. "O Observador" sabe também que nenhum socialista discordou, apesar de haver alguns dirigentes que defendiam o voto contra, isto para o PS se demarcar do Chega no debate logo à tarde. A votação será só da parte da tarde, mas ainda esta manhã, não falta muito, a bancada parlamentar do PS vai reunir-se para discutir a orientação de voto, já definida por José Luís Carneiro. O líder parlamentar do PSD considera que Luís Neves já deu todas as explicações e, por isso, considera que a moção de censura apresentada pelo Chega não faz sentido. Na antevisão desta audição, o líder parlamentar social-democrata volta a sair em defesa de Luís Neves. Hugo Soares considera que o ministro já deu todas as explicações e, por isso, considera que devia ser ouvido por outros motivos.

Espero que possa falar sobre o aeroporto de Lisboa e aquilo que se fez no aeroporto de Lisboa, que acabou com o caos no aeroporto de Lisboa. Aquilo que está a fazer no combate aos incêndios, cujos resultados estão hoje à vista. É isso que eu espero que seja a audição do ministro da Administração Interna, porque, no mais, todas as explicações ele já deu. Temos é um problema todos. Uns querem ouvir, outros não querem.

O líder parlamentar do PSD, em declarações aos jornalistas no Parlamento, Hugo Soares considera ainda que a moção de censura ao Governo serve apenas para alimentar e para dar palco ao líder do Chega.

Esta moção de censura é tão estranha como a quantidade de entrevistas que o deputado André Ventura deu nas últimas semanas, mas é precisamente para isso que ela serve. Vejam bem, na semana passada, eu creio que o deputado André Ventura deve ter dado três, quatro entrevistas. Hoje dará mais uma, amanhã provavelmente dará outra. E nós andamos a alimentar o ego do deputado André Ventura, em vez de nos focarmos naquilo que verdadeiramente interessa.

Hugo Soares entende que a moção de censura ao Governo por causa de Luís Neves surgiu sem qualquer motivo. Ainda antes da moção de censura, Luís Neves vai ser ouvido no Parlamento, na audição regimental. Vai prestar esclarecimentos sobre o período em que era diretor nacional da Polícia Judiciária e ser, naturalmente, confrontado pelos deputados sobre os casos em que tem estado envolvido. Na análise, o editor de política do Observador, Rui Pedro Antunes, considera que as mais recentes sondagens colocam pressão no Governo no dia em que é votada a moção de censura apresentada pelo Chega. Em causa aqui também a sondagem semanal revelada ontem pela TVI e CNN Portugal, que coloca a AD em terceiro lugar na intenção de voto dos portugueses. O editor de política do Observador diz que é um resultado negativo e que pressiona o governo de Luís Montenegro.

Não querendo escamotear aquilo ou de alguma forma não dizer que isto é uma grande vitória para a AD, que não é. Só estava a alertar que a sondagem não é catastrófica, nem é muito boa para ninguém, nem é muito má para ninguém. Apesar de tudo, a pressão maior que cria é sobre o Governo, já a um dia de moção de censura, e dá dados que, de alguma forma, não ajudar muito aquilo que é o papel que o Governo vai ter hoje.

As declarações do editor de política do Observador, Rui Pedro Antunes, há instantes no programa "E o Vencedor É?". "O Observador" apurou, entretanto, que o Presidente da República não fará nenhuma declaração pública sobre a moção antes de ela acontecer. Ainda assim, pode vir a fazê-lo depois de ser confirmado o despacho. A audição de Luís Neves começa às 10. Pode acompanhar em direto na emissão especial da Rádio Observador, que começa já a seguir este jornal com o Contracorrente. A emissão prolonga-se ao longo do dia para acompanhar o debate e votação da moção de censura. Os alunos portugueses tiveram os piores desempenhos académicos de sempre na prova de leitura. Esta é uma das conclusões da nova edição do PISA, o maior estudo internacional de educação realizado pela OCDE. Em Portugal, foram retirados dados de quase 7000 alunos de 225 escolas. Os jovens de 15 anos avaliados no ano passado voltaram a piorar a matemática, leitura e ciências. Em comparação com os 90 países envolvidos no PISA, Portugal continua perto da média da OCDE, mas perdeu conhecimento, havendo poucos alunos de excelência. E na reação a estes números, o Secretário de Estado da Educação afirma que os resultados geram preocupação. Alexandre Homem Cristo rejeita, ainda assim, que o atual governo tenha responsabilidades no agravamento das aprendizagens. O Secretário de Estado espera que o próximo relatório, em 2029, mostre que os alunos portugueses consigam já estar acima da média da OCDE.

Estes resultados, do ponto de vista da política pública, não estão diretamente ligados ao período deste governo, não significa que o governo não se sinta responsável por encontrar soluções e, naturalmente, as políticas públicas que estão em curso, virar esse resultado, e era a última nota que eu queria deixar. No programa de governo e desde o início da nossa tomada de funções em 2024, uma das ambições que assumimos foi precisamente a de colocar os desempenhos de alunos portugueses acima da média em 2029.

Alexandre Homem Cristo, em declarações à Agência Lusa, aponta para algumas melhorias para o futuro, como o investimento em bibliotecas para o primeiro ciclo e também um novo programa de formação em didática do ensino da leitura para professores. Nove e sete, o Contracorrente hoje começa mais cedo, vai para o ar já a seguir a este jornal para marcá-la que outras notícias marcam a atualidade. A presidente da Câmara de Matosinhos critica o Governo por financiar apenas 60% do investimento dos municípios em habitação. Luísa Salgueiro sublinha que muitas câmaras não vão ter a capacidade financeira para suportar os restantes 40% e, por isso, em entrevista à Agência Lusa, alerta que o país vai continuar a várias velocidades em matéria de habitação. A autarca eleita pelo PS critica ainda o Executivo por concentrar a gestão do processo de habitação apenas no IHRU, uma entidade que considera não ter capacidade de resposta suficiente. O Sindicato dos Médicos do Norte denuncia que vários hospitais públicos estão a pedir aos médicos que façam tarefas administrativas, além do trabalho clínico. Em causa está a classificação dos diagnósticos dos doentes através de códigos. A denúncia abrange hospitais de Braga, Bragança, Gaia, Feira, Matosinhos, Porto e Viana do Castelo. O sindicato considera que esta tarefa retira tempo aos médicos para atender os doentes e alerta que nenhum diagnóstico deve ser alterado apenas para aumentar o financiamento do hospital. Volodymyr Zelensky sugere que Donald Trump quer usar a guerra na Ucrânia como um possível triunfo eleitoral nas intercalares, caso consiga promover algum avanço no acordo de paz. Em entrevista ao portal Axios, o presidente ucraniano afirma que Putin estará a planear ajudar Trump a conquistar essa jogada eleitoral. Entretanto, a Rússia voltou a atacar. Pelo menos duas pessoas morreram e 10 ficaram feridas esta madrugada na Ucrânia. Os ataques são retomados depois do cessar-fogo de três dias por ocasião da visita dos enviados especiais de Donald Trump à Ucrânia e à Rússia.