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Este é o Bom, Mau e o Vilão das manhãs 360. Olá, Miguel Pinheiro, bom dia.
Bom dia.
Bom dia, Miguel. O teu bom é a ministra do Ambiente.
Sim, porque Maria da Graça Carvalho falou ontem sobre a falta de água em Almada. Continua a ser um problema. Entretanto, parece que as pessoas se esqueceram com todos estes novos escândalos, mas continua a haver um problema. E citando os relatórios da ERSAR, a entidade reguladora dos serviços de água e resíduos, a ministra chamou a atenção para dois factos simples que convém que também não nos esqueçamos deles. Primeiro facto: as perdas de água em Almada são bem superiores à média nacional, chegam aos 35%, o que é uma barbaridade. 35% da água é perdida. E segundo facto: o investimento da Câmara de Almada nesta área tem estado consistentemente abaixo do desejado. E, portanto, não vale a pena inventar. Como dizia um socialista famoso, as coisas são o que são. Eu, se fosse munícipe de Almada, não permitiria que a autarquia se esquecesse do que se está a passar e exigiria um plano muito detalhado de intervenção e que pudesse ser fiscalizado.
As coisas são o que são e também são como são. E isso é que importava também saber. Como é que se chega a este número de 35% da água perdida? O que é que está a acontecer para se chegar a este número?
Até porque, Bruno, não há planeta B. Nós não temos que zelar pelo planeta? As forças progressistas não estão muito preocupadas com os recursos do planeta. Então estão a desperdiçar 35% da água? Não pode ser. Chamem a Greta Thunberg.
Investigue-se.
Isso.
O teu mau falhou mais um prazo.
Pois, o ministro da Educação, isto nunca mais acaba. Fernando Alexandre falhou mais um prazo. Era suposto todos os exames estarem corrigidos até o final do dia de ontem, mas isso não aconteceu e, como não aconteceu, o prazo foi estendido até o final do dia de hoje. Mas espera aí, desculpa. Às vezes uma pessoa está a falar aqui sem notas. Eu disse que o ministro Fernando Alexandre falhou mais um prazo, mas não foi bem assim.
Então.
Aliás, dizer isso, Maria João, é uma calúnia, porque lendo o comunicado que o Ministério da Educação emitiu ontem, nós percebemos que Fernando Alexandre não tem nada a ver com isto. Eu vou ler o comunicado. Cá vai. Vou citar. Agora é que é. "De acordo com o Educa, na quarta-feira prosseguirá a classificação dos exames que não estejam classificados até o final do dia." Portanto, de acordo com o Educa, que é um organismo do ministério, mas não é o ministro, nem é o gabinete do ministro. E depois o comunicado continua: "Esta decisão, segundo o Educa, não põe em causa a afixação das pautas na sexta-feira." Portanto, cá está, segundo o Educa. Eu acho que Fernando Alexandre devia saber que neste momento, como as coisas estão, o Educa não interessa a ninguém. Ele pode chegar ao fim e até pode despedir metade das pessoas que estão no Educa por incompetência, negligência e má figura. Isso é irrelevante. Eu não quero saber do Educa para nada. Quando as coisas correm desta maneira, é o ministro quem tem de assumir as posições e as decisões todas, para o bem ou para o mal, só ele interessa. E por isso, segundo o Educa, de acordo com o Educa, deixem lá o Educa, esse tempo já passou.
Até porque até há bem pouco tempo ninguém sabia o que era o Educa.
E bem, felizmente.
E se calhar há quem continue sem saber o que é.
Éramos felizes e não sabíamos.
Miguel, só falta o teu vilão, quem é?
É o Bloco de Esquerda. Ontem, 60 militantes abandonaram o partido com críticas ao que dizem ser o núcleo restrito dirigente que mandou no Bloco nos últimos anos, nas direções de Catarina Martins e de Mariana Mortágua, tendo Francisco Louçã, para o citar, como Deus ex machina. Portanto, estava ali sempre um cérebro escondido. Estas foram as direções que se aproximaram do PS, que fizeram a geringonça e que a certa altura acharam que o Bloco estava prestes a entrar para o governo e até andaram a fazer listas de futuros ministros. Não é o Livre, atenção, estamos a falar do Bloco de Esquerda, que também andou a fazer listas de futuros ministros. A mim o que me deu mais impressão foi que a atual direção do partido reagiu com uma tentativa de desvalorização destas saídas. Segundo eles, os membros deste grupo, como é do conhecimento público, têm vindo a sair parcelarmente do Bloco de Esquerda numa decisão programada e repetidamente anunciada na comunicação social. Portanto, são umas pessoas que andam para aí a sair. O problema, parece-me, para o partido, é que neste grupo de 60 pessoas está o Major Mário Tomé, que não é uma pessoa qualquer na história do Bloco. Pelo menos para os bloquistas, seguramente não deveria ser uma pessoa qualquer. Como se sabe, o Bloco surgiu da união entre vários partidos e movimentos. Por exemplo, o PSR de Francisco Louçã e a UDP de Luís Fazenda e de Mário Tomé. O que é interessante aqui lembrar é que o primeiro encontro de sempre, o encontro que iria dar origem ao aparecimento do Bloco, o encontro em que pela primeira vez algumas destas pessoas se sentaram para começarem a falar umas com as outras, convém lembrar que todas estas pessoas se odiavam, vinham de lutas antigas e odiavam-se. E a primeira vez que eles disseram: "Calma, temos que falar para construir uma coisa nova." A primeira vez foi num restaurante em Lisboa que se chama Opaco. E quem é que foi o pivô desse primeiro encontro? Foi o Major Tomé. Foi ele quem foi falar com o Fernando Rosas para o convidar a sentar-se à mesa com ele e com o Luís Fazenda da UDP. O Fernando Rosas na altura era um independente, mas já tinha estado ligado e fazia bem a ponte com o PSR. E foi aí que tudo começou. Tudo começou com uma iniciativa do Major Mário Tomé de fazer de ponte entre duas fações. E agora o Major Mário Tomé abandonou o partido a dizer, e vou citá-lo: "O nosso Bloco acabou." E o Bloco pode fazer de conta, mas esta saída não é coisa pouca. E a conclusão a que eu chego é que depois de ter perdido os votos, agora o Bloco perdeu a memória. E um partido quando perde a memória, já está numa situação mais difícil.
Mas não te esqueças, Miguel, que o grande feito do Bloco de Esquerda desde o início foi fazer-nos esquecer a todos que na origem do Bloco estavam precisamente estes partidos, PSR e UDP, que eleitoralmente valiam muito pouco.
E tinham grandes anticorpos. Mas houve pessoas que naquela altura tiveram esta capacidade de ultrapassar tudo isso e dizer: "Vamos começar uma coisa nova." E o Major Mário Tomé estava lá, mas esta direção acha que isso é irrelevante. Tudo bem, a chafarica é deles, eles lá sabem.
Miguel, regressas depois do meio-dia para mais um Realpolitik com o Sérgio Sousa Pinto. Do que vão falar hoje?
Temos que falar desta polêmica que está a envolver Luís Neves. Vamos ter também o Estado da Nação e queremos conversar um pouco sobre como é que o governo está e o que é que o governo pretende fazer no futuro. E temos que falar sobre um tema de política internacional, o Reino Unido. Vai haver uma eleição intercalar que vai opor o Nigel Farage, que é o líder do Reform, que é uma espécie de partido irmão do Chega. O grande adversário dele vai ser o Count Ben Face, que é um homem com uma lata de lixo na cabeça. E queremos falar sobre o significado.
Tudo para ouvir no Realpolitik, depois do jornal do meio-dia. Quanto ao bom, mau e vilão desta quarta-feira, o bom é a ministra do Ambiente, o mau é o ministro da Educação e o vilão de hoje é o Bloco de Esquerda. São as escolhas do Miguel Pinheiro, num episódio que daqui a minutos também fica disponível em podcast.