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Está na hora de conhecermos as escolhas do Miguel Pinheiro. Começa agora a nova edição do Bom, Mau e o Vilão. Olá, Miguel, bom dia.
Bom dia.
Parabéns! Seis anos da nossa rádio.
Não é? Estamos todos com uma alegria que não nos conseguimos aguentar.
Verdade. Quem é o teu bom de hoje?
Estavas à espera de alguma coisa mais específica, não é?
Estava à espera de qualquer coisa. Fico assim à espera.
Mas claro, estamos todos de parabéns. O nosso vasto auditório, esse sim, é que merece todos os parabéns, porque, na realidade, eles são o importante, não é?
É mesmo. E temos recebido muitas mensagens.
É verdade. Agora que já dissemos isto...
Vamos lá ao teu bom.
Mas já podes voltar ao teu mau feitio. Ora nem mais. Foi só aqui um momento, desculpem. Eu até fico baralhado. Então, o bom é o Parlamento, que ontem mostrou o bom senso básico de chumbar a proposta de um grupo de cidadãos que pretendia encerrar os centros comerciais aos domingos e feriados e reduzir o horário de funcionamento nos restantes dias até às 10 da noite. O Livre, o Bloco e o PCP achavam isto muito bem, porque a esquerda tem uma velha obsessão com os centros comerciais, não sei de onde é que isto lhes vem, mas pronto. Esta proposta defendia as restrições invocando o descanso dos trabalhadores, a perda de tempo em família, a sobrevivência das lojas de rua, imagine-se, e a criação de uma maior atratividade para os empregos nesta área. E quem propõe isto, eu acho que deve sair pouco de casa, de facto, deve ir pouco à rua, porque não percebe que o mundo não funciona das nove às cinco. Os polícias trabalham aos fins de semana, aos feriados e fora de horas. Os cozinheiros trabalham aos fins de semana, aos feriados e fora de horas. Os jornalistas, os militares, os entregadores de comida, os taxistas, enfim, eu podia ficar aqui o dia todo a enunciar profissões. Muita gente trabalha nos mesmos horários que os lojistas dos centros comerciais. E aliás, é engraçado, porque o Bloco de Esquerda apresentou um projeto de lei semelhante a esta proposta de cidadãos, mas tinha duas exceções à proibição do trabalho aos domingos e feriados nos centros comerciais. E essas duas exceções eram os cinemas e os restaurantes. Pois com certeza, os dirigentes do Bloco não precisam de fazer compras nesses dias, mas querem continuar a poder jantar e ver um filminho. E realmente é sempre um problema quando nós olhamos para o mundo pelo nosso umbigo. Pois, há sempre a questão de quando é que as pessoas fazem compras. Há números sobre isso. A esmagadora maioria das pessoas faz, como é inevitável, compras ao fim de semana. Acho que o domingo é o segundo dia com mais compras a seguir ao sábado.
Miguel, o teu mau é que não aprende.
Não aprende. Já tinha acontecido uma e outra vez, mas os socialistas voltaram a ajoelhar-se aos pés de António Vitorino, suplicando-lhe que se candidatasse a um cargo, um cargo qualquer, o cargo nem interessa. O importante é ele candidatar-se. Ele voltou a dizer que não. Ontem à noite esclareceu de uma vez por todas que não será candidato à Presidência da República. Como sempre, António Vitorino queria ser um candidato único, porque não suporta a ideia de poder perder umas eleições. A partir do momento em que não o vão buscar a casa e não o levam em ombros para o Palácio de Belém, prefere manter esta incompreensível aura de divindade que o PS sempre lhe ofereceu. E agora, olhando para o futuro, os socialistas que não gostam de António José Seguro só têm uma hipótese, e atenção, uma hipótese, mas ótima, que é apoiar Augusto Santos Silva. Ontem, o ex-presidente do Parlamento, que não conseguiu sequer ser eleito para o Parlamento, voltou a não afastar essa possibilidade. Por isso, eu retomo aqui a ideia de lançar uma ASP, que é o Movimento de Apoio a Augusto Santos Silva à Presidência. Vamos lá avançar pra se perceber finalmente quantos votos é que vale Augusto Santos Silva. Eu dou já a minha previsão: vale muitos. Tu queres que esta corrida aconteça, de facto. Acho que doi muita gente, não é? Porque eu acho que a pátria está ansiosa à espera desta candidatura, estão reunidas todas as condições, por isso, MASP.
Miguel, as coisas correram mal ao teu vilão.
Olha, correram muito mal. O vilão é o Ministério da Educação. Vamos lá ver. O ministério tinha um plano brilhante, tinha um plano genial, tinha um plano imbatível. E o plano era este: todos os anos, o ministério faria o mesmo exame de final de ano, a Matemática e a Português para os alunos do nono ano. E o objetivo era poder analisar de forma científica a evolução do nosso sistema de ensino, pra ver se as notas melhoravam perante o exame, com as perguntas iguais, iguaizinhas, ano após ano. Agora, havia uma coisa essencial pra este plano incrível funcionar. Era preciso uma coisa: era preciso que o enunciado do exame se mantivesse secreto, totalmente secreto, mais secreto do que o plano nuclear iraniano. Ele tinha que se manter secreto, apesar de ser entregue a milhares de alunos E eu já nem falo do fato deste secretismo pôr em causa os direitos dos alunos, nomeadamente no que diz respeito à possibilidade de reapreciação da prova. É permitida a reapreciação, mas de uma forma nada transparente. Mas eu já nem vou entrar aí. Vou falar apenas da inabilidade do organismo que trata dos exames, que é o IAVE, o Instituto de Avaliação Educativa, e que cometeu erro atrás de erro neste processo. Um especialista ouvido pelo Observador, nós temos um artigo longo sobre isto, fala em amadorismo, mas o maior amadorismo é o IAVE e o Ministério da Educação achar que os milhares de alunos que fizeram estes exames são os tontinhos. O Ministério e o IAVE não perceberam que os miúdos de 14 anos são, lamento dizer, mais espertos do que eles. E por isso, pouquíssimo tempo depois da realização do exame de Matemática, primeiro foi Matemática, Português foi esta semana, mas primeiro foi Matemática, e passado pouquíssimo tempo, o enunciado já estava em todo lado. Um dos heróis desta história, uma das pessoas que contribuiu para isto foi o Rey da Matemática, Rey com Y. O Rey da Matemática, com Y, é um influenciador que usou as suas redes sociais para pedir ajuda aos 3 mil seguidores que fizeram o exame. Ele terá, pelos vistos, 3 mil seguidores que foram fazer o exame do nono ano. Pediu-lhes ajuda para reconstituir as perguntas e as respostas e para depois as divulgar, como é óbvio. Então ele fez um vídeo onde declarava o resultado do desafio e o resultado era este: IAVE zero, alunos do Rey da Matemática um. E está certíssimo, o resultado foi este. No final, o Rey da Matemática dizia o seguinte: "Malta, depois disto, acho que mereço ultrapassar os 3 mil subscritores lá no meu canal do YouTube. Conto com vocês? Link na bio." E eu também acho que ele merece, acho que devemos ir todos ao link na bio. Malta, vamos a isto, vamos aumentar o número de subscritores do canal do Rey da Matemática, porque o Rey da Matemática humilhou o governo, e é muito bem feito. O ministro da Educação, Fernando Alexandre, admitiu que a situação agora verificada é lamentável. Pois é, é lamentável, de facto. E o Rey da Matemática devia ir dirigir o IAVE. Paulo, pior não ficava.
Estou a imaginar o Miguel com os dedinhos assim a apontar link na bio.
Exato. Temos que trazer aqui o Rey da Matemática para nos explicar como é que fez isto.
Vamos ao resumo. O bom desta sexta-feira é o Parlamento, o mau o PS e o vilão é o Ministério da Educação. São as escolhas do Miguel Pinheiro no episódio que daqui a minutos também fica disponível lá em podcast.