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Este é o Bom, o Mau e o Vilão da Rádio Observador, que também pode ouvir em podcast. Olá, Miguel Pinheiro, bom dia.

Bom dia.

Bom dia, Miguel. O que é que o teu bom de hoje fez bem?

Alguma coisa foi.

Sim.

Alguma coisa correcta o ministro dos Negócios Estrangeiros há de estar a fazer, porque ontem Paulo Rangel foi alvo de uma nota de repúdio e advertência final ao Governo de Portugal, divulgada pelo Conselho Nacional de Transição, que é o órgão que substituiu o Parlamento da Guiné-Bissau depois do golpe militar de novembro de 2025. Conselho Nacional de Transição. Transição para onde? Para quê? Enfim, tantas perguntas. Esse golpe fez com que o país fosse suspenso, por exemplo, da CPLP, onde deveria estar a ocupar a presidência. E os militares golpistas acusam o Governo português de, vou citar: "Perfilar por uma política deliberadamente hostil para com a Guiné-Bissau e o seu povo, rompendo assim com o excelente relacionamento e sã cooperação que vínhamos mantendo com os governos anteriores de Portugal". E além disso, claro, falam em paternalismos asfixiantes e como não podia deixar de ser, falam também em complexos colonialistas. E eu soube de tudo isto através de uma notícia da Agência Lusa. Mas há um detalhe: é que essa notícia foi escrita em Lisboa, porque os jornalistas portugueses foram todos expulsos da Guiné-Bissau. E como se sabe, expulsar jornalistas é a primeira coisa que faz qualquer governo que pretenda instalar um regime democrático e livre. A primeira coisa é pôr na rua os jornalistas.

Era bom que lá na Guiné-Bissau o governo se ajudasse a ele próprio e ao país. Começasse por aí.

Certo. De qualquer forma, há aqui um ponto, com certeza, a Guiné-Bissau fará o que entender, desde que nós não tenhamos mesmo nada a ver com isso.

Exatamente.

Miguel, e o José Paulo?

Mesmo.

Mesmo.

Mesmo.

O teu mau é o Presidente da República?

Sim, porque tanto quanto se sabe, ele continua a não conseguir completar a equipa da Presidência da República. Tudo aquilo é um enorme mistério, um buraco negro de informação. Quando chegou ao Palácio de Belém, Seguro escolheu uma assessora política de Marcelo para chefe da Casa Civil, a título interino, e também deixou no limbo uma série de cargos que estão por preencher. Repara, a Presidência da República é um cargo unipessoal, mas não é feita por apenas uma pessoa. Para cumprir as suas funções com competência e eficácia, um presidente precisa de assessores e precisa de consultores que percebam dos vários assuntos que é preciso resolver. E não se percebe porque é que é assim tão difícil o novo Presidente da República ter uma equipa a funcionar de forma normal. E também não percebo este novo regime. Nós passámos da presidência de Marcelo Rebelo de Sousa, em que haveria informação a mais, para uma presidência de António José Seguro, em que há informação a menos. Quer dizer, é suposto haver transparência sobre o que se passa no Palácio de Belém. O Palácio de Belém não é a casa privada de António José Seguro. Só aqui para nos entendermos. Não é a casa de António José Seguro, é a Presidência da República e tem de haver informação mínima sobre o que se passa lá dentro, nomeadamente sobre assessores, não assessores, quem são os assessores, quando é que vai haver assessores, como é que isto funciona, porque senão começamos todos a desconfiar que há uma grande incompetência e uma grande incapacidade de fazer o básico, que é constituir uma equipa.

E não é por falta de tempo, de facto. Só foi um mês entre a eleição e a tomada de posse. Já lá vai quase outro mês.

Ó Paulo, que fosse dois dias. Quer dizer, António José Seguro não pensou no que ia fazer quando fosse ganhar as eleições?

Claro, não foi uma surpresa. Depois da primeira volta, claro.

Já devia ter tudo preparado, uma equipa preparada para fazer uma transição suave, rápida. Por isso, se o Presidente da República tiver a gentileza de informar o país sobre o que se passa ali naquele buraco negro em Belém, eu acho que se calhar os eleitores agradeciam.

Vamos ver se ele tem algum assessor que lhe diga isso.

Olha, é isso.

Quem é o teu vilão?

É José Luís Carneiro, que passou vários dias em visita oficial a esse paraíso na Terra, a esse exemplo de democracia e liberdade, a esse país tão bem governado que é a Venezuela. Por razões misteriosas, o líder do PS achou que a melhor coisa que tinha a fazer neste momento de indefinição internacional era ir visitar o país onde o ditador Nicolás Maduro foi substituído pela ditadora Delcy Rodríguez. Como referiu o eurodeputado Sebastião Bugalho, muito empenhado em temas que digam respeito à Venezuela, o líder do PS enalteceu um parlamento cuja eleição nenhuma democracia no planeta reconheceu e teceu elogios ao currículo de ministros de uma ditadura que foi condenada pela União Europeia e até pelo governo do PS de que fez parte. E realmente não se percebe muito bem qual é o objetivo de José Luís Carneiro com este exercício de diplomacia paralela feito à margem das ações do Estado português. Não se percebe se queria mostrar apoio a um regime que prendeu e forçou ao exílio milhares de pessoas, incluindo lusodescendentes, ou se o objetivo era mostrar apoio à ação militar dos Estados Unidos, que trocou um ditador por outro. Se calhar o objetivo é dizer: "Bem, vejam como Trump fez bem, porque está tudo maravilhoso aqui na Venezuela." Ou se o objetivo era simplesmente exibir uma influência que não tem na Venezuela para disfarçar o poder que não tem em Portugal. De qualquer forma, do que se pode concluir de tudo isto é que José Luís Carneiro é mau em Lisboa, mas é péssimo em Caracas.

Seja qual for o objetivo, ou qual fosse o objetivo, correu mal, claramente. Aquilo correu muito mal.

Há coisas que não se entendem.

Vamos ao resumo: o bom desta terça-feira é Paulo Rangel, o mau é António José Seguro e o vilão de hoje é José Luís Carneiro. Foram estas as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs 360 e sempre em podcast.