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Está na hora de conhecermos as escolhas do Miguel Pinheiro. Começa agora a nova edição do Bom, Mau e o Vilão. Olá, Miguel, bom dia.
Bom dia.
Bom dia. O teu bom é Marcelo Rebelo de Sousa.
Sim, senhora. Esteve muito bem. Ontem, depois de várias intervenções deprimentes na cerimónia evocativa do 25 de Novembro no Parlamento, o presidente da República fez um grande discurso. Nestas coisas, Marcelo tem uma enorme vantagem: é que ele esteve lá, como a Maria João Avilez. Viveu aquilo tudo e por isso sabe do que fala. Soube colocar o 25 de Novembro no seu devido lugar. Foi uma data fundamental, mas não foi, de maneira nenhuma, a data que resolveu tudo. E explicou qual foi realmente a tal data em que passamos a ser uma democracia plena. Deixa-me só citar a parte do discurso em que tudo fica claro. Ele começa por perguntar: "O 25 de Abril trouxe a liberdade e o 25 de Novembro, a democracia? É mais rigoroso dizer que a 25 de Abril se abre um caminho complexo e demorado, porque atravessou a revolução e depois a transição constitucional de sete anos pra liberdade e a democracia, e que a 25 de Novembro se dá um passo muito importante no caminho dessas liberdades e democracia". Ou seja, liberdade e democracia a sério nós só tivemos com a revisão constitucional de 1982, quando os militares finalmente saíram da política. Foram sete anos, foi muito tempo, as coisas não se resolveram no 25 de Novembro, e Marcelo sabe disso.
Pois, Marcelo sabe disso, esteve lá. Agora, são conceitos não consensuais, talvez, ou não muito objetivos. Saber quando é que começou, de facto, a democracia.
Ó Paulo, sabes o que eu digo às pessoas que ontem disseram coisas? Digo: "Olha, recupera uma grande frase: você sabe que eu sei que você sabe que eu sei." Eles sabem muito bem, mas não lhes dá jeito, Paulo.
Isso é verdade.
Miguel, e quem é o teu mau?
É o Luís Montenegro. Ontem o primeiro-ministro esteve na conferência da CNN e quando respondeu a perguntas sobre a eventual necessidade da ministra da Saúde assumir responsabilidades políticas pelo que aconteceu no INEM e pelas mortes ocorridas no período de greve, ele defendeu que assumir responsabilidades políticas não é o mesmo que demitir-se. E disse isto: "Esse é um conceito novo, porque não é por se demitirem pessoas que a responsabilidade política ficou cabalmente assumida e no dia seguinte parece que está tudo bem. Se a senhora ministra A ou o senhor ministro A se demitirem, no dia seguinte a situação é igual. Então e o ministro seguinte vai se demitir também, porque a situação é igual?" Disse Luís Montenegro. Acho que vai por aqui uma grande confusão, de facto, na cabeça do primeiro-ministro. Obviamente, a demissão não é sempre a única forma de se assumir uma responsabilidade política. Claro. Mas muitas vezes é. Quando um ministro se demite por uma coisa que escapa ao seu controle, está a dizer ao país que houve algo que foi tão grave, mas tão grave, que mesmo sendo impossível ao ministro evitar aquele desfecho, alguma coisa deveria ter sido feita pelo ministério que tutela. Portanto, a demissão não serve pra resolver o problema. A demissão, nestes casos, serve pra mostrar aos eleitores que os políticos reconhecem que algo de muito importante correu terrivelmente mal por culpa do Estado. É só pra isso que serve a demissão, pra assumir responsabilidades políticas. E o caso mais celebre é o do Jorge Coelho, que se demitiu de ministro depois da queda da Ponte de Entre-os-Rios. Ele não teve culpa pela tragédia, a demissão não resolveu o problema, mas o Estado disse: "Olhem, falhei". E já agora, não é um conceito novo. Jorge Coelho demitiu-se em 2001. Foi há 23 anos. Eu sei que o tempo passa a correr, mas foi há 23 anos.
Chegamos aqui ainda a discutir a responsabilidade política.
Ó Paulo, chegamos.
50 anos depois do 25 de Abril. Ai, meu Deus.
É verdade. Chegamos.
Miguel, o teu vilão fala muito.
O Maria João, se fala! O vilão é Pedro Nuno Santos. Ontem o líder do PS também esteve na conferência da CNN, acamparam todos lá, e disse duas coisas espantosas. A primeira foi sobre presidenciais. Quando lhe fizeram perguntas sobre a eventual candidatura de António José Seguro nas presidenciais, ele saiu-se com esta: "Cometi o erro de uma vez falar de nomes na CNN, por isso não vou falar em nomes." E realmente Pedro Nuno Santos está a construir um currículo impressionante. Ele falou demais no orçamento do Estado, porque andou pra cá e pra lá e acabou por nem respeitar as linhas vermelhas que ele mesmo tinha traçado pro PS. Falou demais nas autárquicas, porque andou pra cá e pra lá e nem conseguiu evitar uma fratura no partido por causa da polêmica com o presidente da Câmara de Loures. E agora, falou demais nas presidenciais, porque anda pra lá e pra cá, acabando por lançar involuntariamente a candidatura de António José Seguro. Portanto, esta foi uma coisa espantosa. Segunda coisa espantosa: o líder do PS decidiu dizer coisas sobre economia e disse coisas como esta: "Os ministros normalmente são de Lisboa. Se calhar, precisamos de um ministro da Economia do norte do país." Se tivermos consciência da economia que temos no centro e no norte, percebemos que temos ali potencial. Eu fui olhar para a lista dos ministros da economia que nós temos tido nestes tempos de pós-revolução. Isto são só alguns exemplos. Rui Vilar nasceu no Porto. Daniel Bessa nasceu no Porto. Luís Braga da Cruz nasceu em Coimbra e foi presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte. Carlos Tavares nasceu no distrito de Aveiro, tal como o nosso Pedro Nuno Santos. Álvaro Santos Pereira nasceu em Viseu, Paulo.
Grande terra.
Um abraço para Viseu. Enfim, eu acho que se o problema fosse de onde é que os ministros da economia são, eu acho que já não havia problema. Mas Pedro Nuno Santos fala sem pensar e depois dá nisto.
Ai, santo Deus, agora vamos olhar para o mapa para ver os ministros.
Olha, diz que sim.
Vamos lá.
Vamos ao resumo. O bom desta terça-feira é Marcelo Rebelo de Sousa, o mau é Luís Montenegro e o vilão de hoje é Pedro Nuno Santos. Foram estas as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs 360, que daqui a instantes também fica disponível em podcast. Miguel Luz, estás conosco no "E o vencedor é?". A quem vais dar nota?
Estou sim, senhora. Queria falar um bocadinho do discurso de Joana Mortágua no 25 de novembro, porque aquilo trouxe-me à memória um acontecimento muito interessante e eu acho que se calhar até surpreendente para a própria Joana Mortágua. Se a Joana Mortágua nos estiver a ouvir, espera só mais um bocadinho.
E tu, Paulo Ferreira, quem queres pontuar?
Eu estou ainda aqui a tentar perceber o que é que um quase desconhecido, o Veiga e Melo, como é que um quase desconhecido, há quatro anos ninguém o conhecia no país, aparece assim a liderar as sondagens. Que raio de país é este? À espera do São Sebastião.