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É o início de mais uma edição do Bom, o Mau e o Vilão, sempre com Miguel Pinheiro. Olá, Miguel, bom dia.
Bom dia.
Quem é o bom desta quarta-feira?
Antes do bom, deixa-me só fazer aqui uma precisão. Eu ontem citei aquela frase do esquadrão de cavalaria desfilada que Francisco Rodrigues dos Santos usou com o André Ventura e um ouvinte nosso, Fernando Carvalho, escreveu-me a lembrar que o autor original da frase foi José Cunha Simões, deputado do CDS nos anos 70. É uma grande frase, por isso convém conhecermos o seu autor. Obrigado Fernando Carvalho pela informação e aqui fica. José Cunha Simões é o homem a admirar nestas coisas.
Mas então e o bom?
O bom é Carlos Moedas, que viu ontem o seu orçamento ser finalmente aprovado com a abstenção do PS Lisboa. Ao longo desta semana, os socialistas lisboetas pegaram num martelo, certificaram-se de que esse martelo era grande e era pesado e depois aplicaram-no com toda a força na sua própria cabeça. Primeiro anunciaram que se iam abster para deixar Carlos Moedas governar, depois bloquearam a aprovação do orçamento invocando um erro menor e ontem, depois de terem provocado uma pequena tempestade política, voltaram à abstenção. O líder dos vereadores socialistas disse que o objetivo agora era, e vou citar: "Amenizar os ânimos e não dar alibis a Moedas para não governar." E ele também disse isto: "Não podemos continuar a ser acusados de força de bloqueio." Até o imagino a suar enquanto dizia. E disse uma última coisa: "Na semana passada faltou serenidade de parte a parte, porque um teimoso não é teimoso sozinho." Ora, se calhar um teimoso não consegue ser teimoso sozinho, mas como o PS Lisboa se esforçou por mostrar ao longo destes dias, um desastrado político consegue ser desastrado sozinho.
E isto começa bem ali na Câmara de Lisboa, não é?
Para Carlos Moedas começa muito bem. O PS caiu no primeiro disparate que lhe apareceu à frente e está a preparar o caminho para Carlos Moedas poder vir a dizer que não o deixam governar em paz.
Vamos ao mau, Miguel.
O mau é João Cotrim de Figueiredo. Quando Rui Rio mostrou pela primeira vez o gato Zé Albino, o líder da Iniciativa Liberal mostrou a cadela Bala. Quando Rui Rio insistiu em trazer o gato Zé Albino para a campanha, o líder da Iniciativa Liberal reincidiu e mostrou novamente a cadela Bala. E agora que a campanha se transformou numa interminável metáfora com cães, com gatos e com outros animais, João Cotrim de Figueiredo lembrou-se que a política não deve ser isto e veio ontem defender, muito sério e muito aprumado, que alimentar conversas sobre animais de estimação é desviar um bocadinho o foco do importante e defendeu também que os animais devem ficar só no Twitter. Assim como se fosse a casota do cão. O Twitter é a casota do cão e não saem dali. Faz um cerco sanitário ao Twitter e só lá dentro é que há animais. Eu acho que se calhar numa próxima campanha, talvez João Cotrim de Figueiredo se possa lembrar disto logo no início e fazer como fez, por exemplo, João Ferreira, que disse assim: "Tenho animais de estimação, mas vocês não têm nada a ver com isso." Pode ser uma boa solução.
Claro. Não contribuir para este fungado da bicheirada.
Talvez. Ou então ir até o fim. Pronto, então vá com a cadela Bala até o final dos tempos.
Miguel, e quem é o vilão?
O vilão, mas desta vez é um vilão cômico. Não é daqueles vilões que o país para o local. É Francisco Rodrigues dos Santos. Depois do líder do CDS ter dito que gostaria de ser ministro da Defesa, entre outras razões válidas, porque estudou no Colégio Militar, Rui Rio disse que talvez pudesse ser, ele já está a preparar o governo, talvez pudesse ser. E embalado por este sinal de confiança, Francisco Rodrigues dos Santos começou ontem a falar como se já tivesse sido nomeado para o cargo. Ele disse isto, eu juro que ele disse isto: "As propostas que o CDS propõe", estou agora a fazer voz de ministro da Defesa, "As propostas que o CDS propõe, e eu espero cumpri-las quando for, como espero, ministro da Defesa", e depois seguiu por ali adiante à desfilada como se fosse a cavalaria. Ao que parece, o líder do CDS já está a tirar as medidas do gabinete do ministro da Defesa para poder começar a fazer o projeto de remodelação das cortinas e das carpetes. Mas como as eleições são só no domingo, eu aconselharia prudência, cautela, bom senso, noção do ridículo, porque o meu filho quando for grande quer ser polícia e Francisco Rodrigues dos Santos, pelos vistos, quando for pequeno, quer ser ministro da Defesa e isto não joga. Pronto, vamos esperar pelos votos e depois falem lá entre vocês. Até pode ser que dê, com sorte.
Pois. E com sorte, até Francisco Rodrigues dos Santos hoje, em vez de fazer rodadas, vai passar revista às tropas das ações de campanha.
Exato. Vai aparecer a cavalo. Olha, era muito bom, Paulo. Fardado de alto a baixo. A cavalo no Pingalinho. Era muito bom. Vamos esperar para ver se acontece. Olha, desafio, fica aqui feito o desafio.
Vamos então ao resumo de hoje. O bom é Carlos Moedas, o mau João Cotrim de Figueiredo e o vilão, mas desta vez um vilão cômico, é Francisco Rodrigues dos Santos. Foram estas as escolhas do Miguel Pinheiro.
Olá, eu sou o Miguel Pinheiro. Obrigado por ouvir. Se gostou, pode subscrever este podcast e se gostou mesmo muito, pode partilhá-lo. Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio online e também em FM. 98.7 na Grande Lisboa e 98.4 no Grande Porto.