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8h25. Começa agora uma nova edição de "O Bom, Mau e o Vilão". Bom dia, Miguel Pinheiro.

Bom dia.

E começamos, como sempre, pelo bom. Vamos a isso. O teu bom de hoje é um estreante.

É o novo Ministério da Reforma do Estado. Todo o resto deste segundo governo de Luís Montenegro é um pouco mais do mesmo. São as mesmas caras, as mesmas pastas e a mesma atitude. Quem gosta, gosta. Quem não gosta, votou noutro. O PSD está a comportar-se um pouco como se nas últimas eleições legislativas não tivesse havido um terremoto político com o afundamento do PS e com o aparecimento de um novo líder da oposição. Luís Montenegro acha que não há grande coisa a mudar. Enfim, tudo bem, é uma opinião, é a que vale. A única exceção a isso é este Ministério da Reforma do Estado. Se isto for pra levar a sério, então talvez o PSD evite um grande sarilho da próxima vez que for a votos. Mas tem que ser mesmo pra levar a sério, porque ou o PSD acaba com este Estado que devora recursos, que olha para os cidadãos como inimigo e que falha todos os dias, ou é este Estado que acaba com o PSD.

Pois, porque agora não há forma de disfarçar isto. Não é uma subpasta metida no ministério com várias coisas lá à mistura. É um ministério inteiramente dedicado a isto.

E não basta apresentar um grande plano, que depois não passa nada.

Em Times New Roman 14, duplo espaço.

Isso, como fez Paulo Portas nos bons velhos tempos em que se prometia reformar o Estado.

Tem que haver resultados rápidos.

E também não é uma coisinha de modernização administrativa, que era o que tínhamos antes.

Tipo passar duas coisas pra um site.

Sim, exato. Aqui vamos modernizar isto. Não, é reformar. Vamos ver. Pode ser que hoje haja mais pistas sobre isto na tomada de posse.

E olhamos agora para o mau. O teu mau, Miguel, tem a ver com isto.

Pois, tem a ver com este Estado incapaz. Ontem, a Comissão Nacional de Acompanhamento do PRR explicou-nos que o balanço das coisas é o seguinte: estão em causa 119 projetos e há 24% que estão alinhados com o planeamento. Portanto, 24% estão impecáveis.

Estão normais.

Paul, estão impecáveis. Estão super espetaculares, como diria Rui Tavares. 35% precisam de acompanhamento, porque as coisas, pelos vistos, não estão incríveis. Depois, 13% estão num estado preocupante e 20% estão naquilo que a Comissão descreve como estado crítico.

Ligados à máquina.

Eu diria que estado crítico é capaz de ser um pouco preocupante. Estes investimentos em estado crítico mais do que duplicaram em relação ao ano passado, ou seja, o tempo passou e nós estamos pior, sempre a descer. E eu gostava de lembrar que o Presidente da República, os primeiros-ministros e os ministros garantiram, juraram, repetiram que o PRR era a coisa mais importante do mundo e que ia estar toda a gente muito atenta, muito aplicada, pra que nós fizéssemos isto de uma forma irrepreensível. Nós tivemos o peso todo do Estado a olhar pra isto, pra isto correr bem. E agora? Falta um ano pra conclusão do PRR e nós estamos assim. Falámos aqui há pouco deste novo Ministério da Reforma do Estado e é este estado de coisas que nós temos de reformar.

Deve ser o grau zero, não conseguir gastar o dinheiro que nos oferecem.

Não é?

É isto.

Não, pobres, que é o que nós somos, somos pobres, querem nos dar dinheiro pra nós melhorarmos o país.

E nós não nos conseguimos organizar pra gastar esse dinheiro. Estamos aqui, vamos à Avenida Liberdade às compras, ou vamos ao shopping. E estamos aqui nisto.

E a cada ano que passa, estamos piores.

Pois.

Bom, e agora vamos ao vilão. Quem é o teu vilão de hoje, Miguel?

Olha, é o PSD, porque em janeiro Luís Montenegro aceitou o pedido de demissão de Ernâni Dias do cargo de secretário de Estado do Ordenamento do Território e da Administração Local. Atenção deste nome, era secretário de Estado do Ordenamento do Território e da Administração Local. Aceitou o pedido de demissão dele na sequência de notícias que relatavam várias polêmicas, entre elas algumas de quando era presidente da Câmara de Bragança. Ernâni Dias foi durante três mandatos presidente da Câmara de Bragança. Essa demissão também foi provocada por Ernâni Dias ter criado uma imobiliária ao mesmo tempo que estava a ser feita a nova Lei dos Solos. Isso acabou por levar ao caso Pinão Viva, que acabou por levar à queda do governo, aquilo estava tudo ligado, mas desafiador, em março, Luís Montenegro convidou Ernâni Dias pra ser o cabeça de lista por Bragança nas legislativas. Portanto, camarada, companheiro, estás aqui conosco, cabeça de lista. Por que eu estou a relembrar esta velha e triste história? Porque ontem a PJ realizou buscas na Câmara de Bragança por estar a investigar um inquérito que tem Ernâni Dias como alvo. Claro, presunção de inocência, tudo mais, mas Ernâni Dias tem a presunção da inocência. Luís Montenegro tem só a presunção da infalibilidade política. Prolongou na esfera do PSD alguém que tem que dar algumas explicações ainda. E o PSD, pelos vistos, acha tudo isto muito normal, está muito confortável.

Pois, até um dia, não é?

Paul, sei lá se é até um dia.

Achas que é com a reforma do Estado.

Olha, hoje estou aqui, preciso de um abraço. Já estou tão animado que já me dás um abraço.

Eu sei quem é que não te deve dar esse abraço, mas fica pra depois.

Ok.

Quando não queres ouvir a resposta, não fazes a pergunta.

Mas eu posso dizer que o representante do país foi ontem visitar a sede da PJ.

Sim.

Não ficou bem aquela coisa.

Ainda vem um espasmo. Bom, vamos então ao resumo. O bom desta quinta-feira é o novo Ministério da Reforma do Estado, o mau é o nosso Estado incapaz, o vilão é o PSD. Foram estas as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs 360 e sempre em podcast.