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De seguida, para a edição de hoje do "O Bom, o Mau e o Vilão". Com 24 minutos depois das 08h, recebemos o diretor do Observador, Miguel Pinheiro. Muito bom dia, Miguel. Bem-vindo.
Bom dia.
Miguel, vamos hoje começar pelo teu bom de hoje, que é alguém que já foi algumas vezes mau.
É isto que é um sob e desce permanente. O bom hoje é Rui Rio. O líder do PSD disse ontem que ficou admirado ao ouvir a primeira entrevista do novo para-ministro, ou suposto ministro, ou futuro ministro do governo. António Costa Silva, que está a coordenar o plano para a retoma económica, disse que o que está na base das suas propostas é que a nossa economia precisa de mais Estado. E a resposta de Rui Rio foi esta: "Aquilo de que precisamos é justamente de menos Estado no nosso dia a dia e na nossa vida. Eu não sou liberal, mas não podemos ter o Estado por todo o lado." Foi esta a frase de Rui Rio. Ora, felizmente, o líder do PSD está a deixar-se daquela mania estranha do seguidismo patriótico.
Muito bem. Miguel, avançamos para o teu mau de hoje.
O mau são os sindicatos da função pública. Eu ontem critiquei aqui a ministra Alexandra Leitão por ter dado uma entrevista onde ainda admitia a possibilidade de haver aumentos salariais na administração pública depois da pandemia, porque parece que se quer admitir essa hipótese é alguém que não vive no planeta Terra. Mas os sindicatos, horas depois, vieram provar que, de facto, não vivem mesmo neste planeta. Um dos sindicalistas disse, e eu vou citar, que: "Como se provou num passado recente, nada melhor do que aumentar salários pra recuperação da economia." Isto é tudo obviamente evidente. Está encontrada a solução pra profunda crise econômica provocada pela Covid-19. Não sei como é que ninguém pensou nisso antes. Nós mandamos a SpaceX ao espaço, os astronautas trazem de lá um cofre cheio de dinheiro e depois só precisamos de distribuir maços de notas pra administração pública portuguesa. Está resolvido o problema.
Muito bem, Miguel. Avançamos para o teu vilão desta terça-feira.
O vilão desta terça é o governo, que antes de começarmos o desconfinamento, andou dias e dias a explicar que uma das ferramentas fundamentais pra tudo correr bem era a vigilância e que uma das ferramentas fundamentais pra vigilância era uma aplicação, uma app, que permitiria informar cada pessoa, de forma anônima, se esteve em contacto com alguém infectado, pra poder estar atento a eventuais sintomas e até pra poder fazer um teste. Mas as semanas passaram, já estamos na fase final do desconfinamento, temos uma série de surtos na Grande Lisboa e não existe app nenhuma. Também nos tinham dito que cada fase do desconfinamento seria antecedida de uma análise profunda dos resultados da fase anterior. E na prática, como percebemos, não foi nada disso que aconteceu e temos os responsáveis políticos a seguir pra cada nova fase, dizendo que ainda não há dados suficientes pra fazer uma avaliação do que se passou nos 15 dias anteriores. Em Portugal, o desconfinamento está a ser feito com aquela máxima antiga e histórica de uma personagem do Herman José: "É tudo ao molho e fé em Deus."
É a grande fézada.
Exato. É isso mesmo. Pessoal, vamos a isto e logo se vê. São variações do mesmo princípio teórico.
Estava a tentar lembrar, é do José Esteves, não é? Não é do Herman José, é do Esteves, essa frase do tudo ao molho.
É, precisamente, do José Esteves. Mas como eu tive receio que as novas gerações...
Fizeste bem
...e que logistas com razão, não chegassem a este conhecimento que nós, os mais velhos, temos, tentei simplificar.
Científico. Muito bem, José Esteves aqui relembrado pelo Miguel Pinheiro no Bom, o Mau e o Vilão de hoje. É um resumo.
E o bilão, exatamente.
E o bilão, que é como José Esteves diria. O bom de hoje é Rui Rio, o mau são os sindicatos da função pública, o vilão de hoje é o governo. Miguel Pinheiro, marcamos encontro amanhã para novo Bom, o Mau e o Bilão. Até amanhã.
Até amanhã.
Olá, eu sou o Miguel Pinheiro. Obrigado por ouvir. Se gostou, pode subscrever este podcast e se gostou mesmo muito, pode partilhá-lo. Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio online e também em FM. 98.7 na Grande Lisboa e 98.4 no Grande Porto.