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Está no ar o Bom, o Mau e o Vilão da Rádio Observador. Bom dia, Miguel Pinheiro.

Bom dia, Maria João Simões.

Miguel, quem é o bom desta quinta-feira?

O bom desta quinta é António Costa, que vai finalmente a Kiev. O primeiro-ministro anda há semanas a dizer que só estava à espera de um convite e o nosso ministro dos Negócios Estrangeiros até disse há dias que as visitas à Ucrânia eram espetáculos mediáticos. Mas agora, pelos vistos, acabaram os avanços e os recuos. Ontem, António Costa recebeu por fim o seu convite e vai mesmo a Kiev e, como Volodymyr Zelensky pede sempre, não vai a Kiev só para dizer palavras bonitas. Das três coisas de que os ucranianos precisam, há duas que nós não podemos ou não queremos dar. Não podemos dar armamento pesado, porque não temos, e não queremos dar apoio político a uma adesão ultrarrápida à União Europeia. Mas aquilo que nós podemos e pelos vistos agora queremos dar é a terceira coisa de que os ucranianos precisam, que é dinheiro. António Costa anunciou que vai a Kiev assinar um acordo de apoio financeiro significativo, foi esta a expressão usada. Enfim, como se costuma dizer, tudo está bem quando acaba bem.

Sem dúvida, tudo se resolve. É preciso é calma e paciência.

Pode demorar um bocadinho, mas chegamos lá.

Então e quem é o mau de hoje?

O mau é o presidente da Câmara de Setúbal. Ontem, André Valente Martins anunciou que se vão iniciar em breve na autarquia diligências para apuramento de factos em matéria de acolhimento de refugiados. Isto está tudo muito bem, mas depois o autarca acrescentou que por causa disso não vai fazer mais nenhuma declaração pública sobre o caso do acolhimento de refugiados ucranianos por russos. Parece-me que há aqui um equívoco. Obviamente, este caso deve ser investigado por várias entidades administrativas para sabermos exatamente o que se passou, mas isso não é, de maneira nenhuma, uma carta-branca para o silêncio. O presidente da Câmara de Setúbal foi eleito e deve explicações a quem o elegeu. E se o plano é ficar em silêncio para sempre, talvez seja melhor mudar de plano, porque isto não é propriamente uma coisa sustentável.

Talvez não tenha coisas simpáticas para dizer.

Pois, também há essa alternativa. Digamos que sendo assim, para proteção própria, se calhar mais vale o silêncio. Nos filmes costuma ser isso. Tem direito ao silêncio e não sei o quê.

Miguel, só fica a faltar o vilão desta quinta-feira.

O vilão é novamente Rui Rio. Como nós sabemos, Rui Rio teve o plano brilhante de, sendo líder a prazo do PSD, apresentar um grande e ambicioso plano de revisão da Constituição e da lei eleitoral, sendo que este plano é apresentado a pouco menos de um mês de deixar o cargo. A notícia provocou polêmica dentro do próprio PSD e ontem Rui Rio foi falar com os seus deputados sobre o assunto. E então, qual foi a principal preocupação do ainda líder do PSD? Qual foi? A principal preocupação do ainda líder do PSD, como de resto tem sido sempre a principal preocupação de Rui Rio, foi a fuga de informação. Aquilo que o preocupa verdadeiramente é o fato de se saber cá fora as asneiras que são feitas lá dentro. Rui Rio disse que o fato de as questões internas terem vindo cá para fora já foi um erro. Foram estas as palavras dele. E isto é mais ou menos como aquela frase célebre que nos diz que o que acontece em Las Vegas fica em Las Vegas. Mas aquilo que Rui Rio não está a perceber é que um grupo parlamentar não é uma cidade com casinos, álcool e outras coisas que os frequentadores podem querer manter em segredo. Um grupo parlamentar também não é um grupo de amigos que trata de assuntos que só a eles dizem respeito. Um grupo parlamentar é um conjunto de eleitos que tratam de temas relevantes para o país e que deve ser sujeito a escrutínio. Se bem que todos sabemos que Rui Rio acha que o escrutínio feito pelos jornais é um atrevimento que deve ser punido. Portanto, nada disto surpreende.

Vamos então ao resumo de hoje. O bom desta quinta-feira, António Costa, o mau, o presidente da Câmara de Setúbal, André Valente, e o vilão é Rui Rio. Foram as escolhas do Miguel Pinheiro na Rádio Observador e também em podcast.