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Este é o som do bom, mau e o vilão das manhãs 360, sempre com Miguel Pinheiros. Olá, Miguel, bom dia. Bom dia. Bom dia. Quem é o teu bom de hoje? O bom de hoje é Joaquim Miranda Sarmento. Mas diz isso assim com um tom... Sim, coitado. O ministro das Finanças teve de ir ao Parlamento e foi confrontado com a promessa de Luís Montenegro de chegarmos a um salário mínimo de 1.600 euros. Coitado, o homem teve de explicar que essa promessa do primeiro-ministro era, afinal, apenas uma ambição. Coitado, teve de manter-se solidário e teve de jurar que também partilha dessa ambição. Partilha muito, está muito entusiasmado com essa ambição. E apesar de ter tido de dar a cara pelas fantasias de Luís Montenegro, Miranda Sarmento lá lembrou a toda a gente, com realismo, que o que está determinado no acordo em concertação social é um objetivo para 2028 de um salário mínimo de, peço desculpa, 1.020€ e não de 1.600€. Está a fazer o seu trabalho, coitado. Mas é, coitado, é mesmo. Eu imagino-me no lugar dele e penso: "Coitado de mim." Mas quando os primeiros-ministros se passam, os ministros das Finanças têm de manter a cabeça no sítio, os pés na terra e a mão na carteira, que é pra isto, de repente, não entrar em loucuras. Na deles, não na nossa carteira. Não, na nossa. Para proteger. Sim. Não é para abrir. Ia dizer sempre. Desejavelmente, para manter. Haja quem não nos abra a cartada. Que era uma projeção para daqui a 15 anos. Os 1.600€? Sim, claro. Claro. Daqui a 15 anos falamos. Calma, também. Qual é a pressa? Exato. Olha, mesmo sítio, mesma hora, daqui a 15 anos. Fica já combinado e nessa altura resolvemos isto. Miguel, o teu mau é um partido. É o partido Rui Tavares, o LIVRE, que só fez disparates nestas eleições presidenciais e os disparates continuam. Primeiro, o partido queria uma candidatura que permitisse uma convergência de esquerda, mas não encontrou ninguém que se prestasse a isso. Depois, fez um referendo interno mal-amanhado, que acabou num apoio pífio a Jorge Pinto. A seguir, continuou a deixar no ar a hipótese de uma desistência coletiva a favor de um único candidato. Mais tarde, Jorge Pinto teve como grande promessa eleitoral a utilização do grupo de Arraiolos para resolver os problemas do mundo. Isso não resultou eleitoralmente, vá-se lá saber por quê. E esta semana o candidato do LIVRE pré-anunciou a sua desistência a favor de Seguro no debate à ON.DE e ontem o candidato do LIVRE garantiu que, afinal, continua na corrida. E então, com isto, o que é que acontece? Acontece que os eleitores do LIVRE ficam baralhados e, claro, fogem, põem-se a andar como é evidente. Na última sondagem da TVI e CNN, Jorge Pinto já foi ultrapassado por Manuel João Vieira e enquanto o capital político do LIVRE se desfaz, Rui Tavares continua empenhado na sua carreira paralela de comentador político na comunicação social, como se não fosse nada com ele. Há aí uns problemas, não tenho nada a ver com isso, nem me falem desse assunto. Agora, por mais que lhes custe reconhecer isto, a realidade é a seguinte: Jorge Pinto não é importante. A candidatura de Jorge Pinto não é importante. O LIVRE é. Para eles, atenção. Ou devia ser. Eu não tenho nada a ver com o assunto, só estou a dizer que o LIVRE tem de pensar no dia 19 de janeiro. E, portanto, convinha que finalmente parasse um pouco com os disparates e tomasse decisões racionais. Pois, isso não está a correr nada bem. E se Jorge Pinto ficar atrás de Manuel João Vieira. Mas sabes, Paulo. Muita reflexão a fazer por ali. É, mas sabes o que é triste? O que é triste, Paulo, é que estava na cara. Estava na cara, desde o início, que se percebeu que isto era um comboio descontrolado. E o LIVRE e o Rui Tavares decidiram que estava tudo muito bem. E agora estamos nisto. É seguir a todo o gás. Miguel, o que se passa com o teu vilão? Olha, passa-se tudo de mal. Pois. Porque o vilão é o SNS e na terça-feira um homem morreu porque o sistema foi incompetente. Às 23h03, depois de ter caído em casa no Seixal. Este homem de 78 anos confiou no sistema, ligou-se para o INEM a pedir ajuda e o homem ficou à espera. Depois houve um segundo telefonema e ele continuou à espera, a achar que o sistema ia funcionar. Um terceiro telefonema e continuou à espera, confiando no sistema, e a ambulância acabou por chegar três horas depois, quando o homem já tinha entrado em paragem respiratória. O INEM diz que fez Fez tudo bem o seu trabalho. Foi o que nos disse o presidente do INEM. E a conclusão, pelos vistos, é que a dificuldade está nos hospitais da margem sul, que retêm as máquinas dos bombeiros por não terem onde pôr os doentes, e isso obriga as ambulâncias a ficarem imobilizadas durante mais tempo do que aquele que seria previsto. Portanto, segundo o presidente do INEM, nós temos os meios todos corretos. Não vamos andar aqui agora a comprar mais meios, não é preciso. Está tudo bem. Em teoria está tudo bem, na prática é que é este sarilho. Se tudo funcionasse bem, os meios eram maravilhosos, mas depois quando descemos à realidade, temos isto que se vê. E a situação aparentemente repete-se há anos, porque naturalmente fez-se ouvir ontem os vários responsáveis por isto e, afinal, não é novidade nenhuma. Os vários ministros da Saúde sabem disto, vários responsáveis dos bombeiros sabem disto, vários presidentes do INEM que foram passando por lá sabem disto, vários administradores de hospitais sabem disto, vários diretores executivos do SNS sabem disto, e como toda a gente sabe disto, mas ninguém resolve isto, as pessoas que nos estão a ouvir ficam a saber uma coisa: é que não podem confiar no sistema. Não fiquem à espera. O sistema não funciona. Quem confiar nele, arrisque-se a morrer com o telefone na mão. É muito simples. Por isso, quando houver um problema, cada pessoa tem que se safar por si. Safem-se por vocês. É triste, mas é assim. Não confiem, porque quem confia, é isto que acontece. As seguradoras e os privados agradecem, como é evidente, como se tem visto. Paulo, eu nem sei o que faria numa situação destas, mas eu tenho uma tendência que é para confiar naquilo que está definido. Estou permanentemente com isto. Não! Se é suposto fazermos assim, vamos fazer assim. E pronto, eu tenho que mudar e as pessoas têm todas de mudar, porque não vale a pena. Basta olhar para isto. Não funciona. Ponto final.

Vamos ao resumo bom desta quinta-feira. É Joaquim Miranda Sarmento: "O mal é o livre e o vilão é o Serviço Nacional de Saúde." Foram as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs 360 e sempre em podcast.